Mostrando postagens com marcador Clássicos. Mostrar todas as postagens
Clássicos #03: Maya's Funeral Procession
Eu estava
querendo escrever sobre algo recente que eu tivesse acabado de ler. É mais
prático e tudo ainda está fresquinho na memoria, pronto para passar para o
papel. Com isso, recentemente eu peguei pra ler um clássico, para dar
continuidade a minha série de postagens sobre mangás clássicos. Por mais que o novo soe “melhor”, eu defendo que
todo fã de yuri deva conhecer um pouco mais das origens do gênero e acaba que
independentemente da obra em questão ser boa ou não, ela é um excelente
material de estudo, sobre um época. Então, acabei pegando pensadamente para
ler, Maya no Souretsu (Maya's Funeral
Procession), da mangaka Yukari Ichijo, publicado originalmente em 1972, um
ano após Shiroi Heya no Futari (este que é datado como o primeiro mangá
yuri a ser publicado).
E o que eu
posso dizer? A história é fraquíssima, como não poderia deixar de ser, uma vez
que para os padrões atuais, muitas coisas ali soam obvias demais e o fim da
história, já se nota desde o primeiro capitulo. Por isso eu me pergunto se realmente
é válido julgar Maya no Souretsu (ou
qualquer outro clássico antigo), com os olhos críticos atuais, afinal,
mesmo diante de um hit como o mangá sensação do momento, Prism, este parece conter ainda mais
personalidade. Algo que o diferencia de muitos. O curioso é que a execução do
roteiro de Maya no Souretsu é tão afiada, que você simplesmente devora todo o
capitulo initerruptamente. E bem, é um mangá shoujo de 1972 – Como comentei na
resenha de Claudine...!,
os mangás destinados ao público feminino nessa época, tinham um tendência a
serem bem mais melodramáticos. Acredito eu que muitas series, colocam as
novelas mexicanas facinho no bolso,
inclusive. Muitos, principalmente os homens, chamam isso de recursos baratos de
roteiro, ao apelar para as lágrimas fáceis. Mas foi um momento conturbado,
principalmente para a classe feminina. Fora que o fator emocional, sempre foi
algo bem característico nosso, embora eu considere isso algo que independe de
gêneros demográficos.
De qualquer
forma, é algo que eu adoro. Principalmente se for um melodrama bem executado.
Ou pode ser tosco também, desde que dê para rir. Maya no Souretsu é um shoujo
com uma temática bem sombria. É classificado como terror psicológico, mas não
espere imagens assustadoras ou algo do tipo. Na verdade, o terror se dá de
forma implícita, na reação dos personagens a determinado fato ocorrido. Mas
possui uma boa tensão psicológica e reviravoltas interessantes, embora algumas
já fossem esperadas. A história começa com a personagem principal, Reina, e sua
família, que vão passar as férias na casa de verão. Mas estranhos incidentes
começam a ocorrer, como pessoas morrendo uma a uma e até animais de estimação
viraram alvo de fúria de alguém. Em meio a tudo isso, Reina conhece a
personagem título da nossa história, Maya, e fica completamente e
instantaneamente (!!!) encantada
pela misteriosa vizinha. Acontece que Maya está sempre vestindo roupas longas e
escuras, e parece carregar uma dor imensa em seus olhos. Além do vasto
conhecimento que demonstra ter sobre a família de Reina.
Bom, eu
quero acreditar que mesmo que você não tenha lido, já imagine quem está por
trás de tudo isso. Mas a grande questão nem é essa, mas sim, por quê? A Yukari
Ichijo tem astucia, pois num mar de obviedade, ela ainda consegue surpreender
com reviravoltas peculiares, assim como manter uma linha narrativa que consegue
prender a atenção, por ser envolvente. Um ponto em que se nota uma certa
forçada de barra, é no que diz respeito ao relacionamento entre Maya e Reina.
Tudo bem paixão a primeira vista, mas faltou um desenvolvimento entre elas, que
justificasse a intempestiva paixão que Reina sente por ela, quase que
instantaneamente. Claro que não havia muito tempo disponível para isso, mas de
toda a história, isso é algo que incomoda um pouco, uma vez que você não
consegue sentir afeição por nenhuma das duas.
O fim é aquele de sempre: TRÁGICO! Fiquei com um certo nó na garganta, porque sou um pouquinho feminista e não consigo engolir bem certas resignações do universo feminino. Mas o melodrama é excelente. Não vai te fazer chorar, mas em alguns momentos você talvez sinta vontade de rir. É divertidamente OOOOOOVEEER MELO-DRAMATICO!!! O Yuri não é o forte aqui. Cai bem para o que conhecemos aqui no ocidente como shoujo-ai. E como tal, é muito bonitinho, principalmente porque a Reina é bem novinha e a Maya é um pouco mais velha. Digamos que a Reina tenha 14 anos e a Maya, lá com seus 18 (eu sei que yurifags tem fetiche com isso). E tem algo a mais, que eu prefiro não revelar, pra não estragar a experiência dos possíveis interessados no mangá.
Em 2005,
Maya no Souretsu foi relançado pela Shueisha em um volume encadernado, trazendo
junto mais 2 histórias. Ambas foram publicadas nos anos 70 na lendária revista
shoujo, Ribon. Além da história de Maya e Reina, que contém incríveis 258
páginas em um único capitulo, temos "Otouto" (Little Brother) e
"Kurisuchiina no aoi sora" (Christina's blue sky), mas com exceção da
primeira nenhum das outras duas tem insinuações de shoujo-ai, portanto não há
motivo para comenta-las. Outro ponto interessante nessa série, é que a Ichijo
se viu amplamente influenciada pelo mestre Osamu Tezuka, algo notável pela
presença de ilustrações que se assemelham às Xilogravuras. Mas se nota uma
evolução do tipo de traçado que ficaria bem popular no fim dos anos 70 e anos
80. Algo mais arredondado, olhões brilhantes e expressões de choque. Para a
época, o estilo de arte da Ichigo é sensacional. Os personagens agem como
fantasmas e isso fica bem nítido para o leitor, com suas expressões tão
dramatizadas, que mais lembram atores de uma peça teatral. Maya no Souretsu é
um mangá que você vai se encantar ou ficar horrorizado pelo exagero dramático,
mas de recomendável leitura. Principalmente, porque pra época, uma história tão
sombria e envolvendo um amor proibido entre duas meninas, deve ter dado o que
falar. Obviamente, com a cultura do Japão, onde o romance e/ou encanto entre/por
mulheres é permitido até certo ponto/idade, o mangá se encerra de uma forma em
que a mensagem é intrinsecamente clara: Você pode se encantar e até se envolver
com outra garota, mas no fim das contas, você vai se casar com um homem e
constituir uma família.
Autora: Yukari Ichijo
Ano: 1972
Editora: Shueisha
Revista: Ribon
Demografia: Shoujo
Gênero: Tragédia, Shoujo-ai, Drama, Romance, Horror
Onde encontrar: Aino Scanlation
domingo, 18 de março de 2012
Posted by Unknown
Clássicos #02: Pietà ~ Um Drama Sútil & Envolvente
Hoje comentarei sobre um dos meus mangás favoritos, não
apenas no universo yuri, mas englobando todos. Sem dúvidas, um dos melhores
projetos que o lililicious já fez. Eu
havia pensando em dar um tempo nos comentários sobre as séries clássicas aqui,
mas Pietà faz um contraponto tão bacana com Claudine...! (que comentei aqui, semana passada),
que eu não pude deixar passar essa oportunidade.
Sabe aquele tipo de história que te pega desprevenido?
Então, Pietà é exatamente assim, afinal, já em sua concepção, apresenta uma
sinopse tão rasa e clichê:
Pietà aborda
a história de duas estudantes que acabam se tornando amigas, Rio Sakaki e
Sahoko Higa, as duas se envolvem e acabam se apaixonando – E assim, enfrentando
juntas os traumas que ambas possuem.
A sinopse é bem básica
e serve pra situar o provável leitor na estrutura em que Pietà se desenvolve.
Mas isso é muito pouco diante da obra de Nanae Haruno. Esse mangá é uma sensível
abordagem não apenas fala sobre a homossexualidade, mas principalmente
superação, afeto e companheirismo. Inicialmente achei que fosse ser somente uma
série feita pra explorar velhos arquétipos em favor do romance yuri e assim,
fazer o público alvo dessa história suspirar e vomitar arco-íris. Afinal, Rio é
a típica “garota príncipe” pegadora do colégio, a garota celebridade, tal qual
foi Amane Ohtori em Straberry Panic, mantendo uma posição de
prestigio. Mas ela não possui o calor humano desta personagem, nesse ponto ela
se assemelha muito mais a ShizumaHanazono, da mesma série. Tem um passado trágico, mantido em segredo,
costuma ser fria e se utiliza daquelas que se apaixonam por ela, como se fossem
objetos.
Eu realmente gosto desse tipo de personagem e a Rio me
agradou completamente, pois não era possível enxergar nem um traço de bondade e
respeito sequer em suas atitudes, mas era sempre honesta e conhecedora de seu
status. Como personagem arquétipo que é, entre quatro paredes e longe de todos,
a sua mascara caia e se mostrava uma garota solitária, que sofria calada e sem auto
estima algum. Tudo parecia caminhar para o obvio, mesmo que a narrativa até
tenha se mostrado em uma execução perfeita. Rio olha pela primeira vez para
Sahoko e começa a se interessar por ela, largando de lado a sua atual “ficante”
sem ao menos uma explicação sequer. Quando questionada se não se importava com
os sentimentos dos outros, ela simplesmente diz que não. Quando Sahoko lhe diz
que ela era um demônio, ela se diverte, confirma que realmente é um demônio e pergunta
se a garota não gostava de demônios. Sahoko fica atônica e sem reação com a
atitude de Rio.
Parece mesmo que ia ser uma ótima história de amor, com um
pequeno drama de plano de fundo com relação ao passado da garota e “fuwaaa!!!”,
temos ai mais um belo romance yuri, seguindo a receitinha da formula mágica.
Mas Nanae Haruno nos surpreende com uma história honesta e que foge um pouco dos
padrões estabelecidos já na época de seu lançamento. Não há chás extravagantes,
fanservices como; termos de senpai, sama, onee-chan, uniformes escolares super
lindos (na verdade eu os achei bem
elegantes), situações mais apimentadas e nem mesmo sexo (como se poderia esperar em um josei).
Mas há momentos de pura ternura que pra história representa mais do que toda a “pegação”
do mundo, apresenta um ponto de vista maduro, com personagens complexas, uma atmosfera
depressiva que permeia o mangá, da primeira, até o penúltimo capitulo – Além de
trabalhar bem temas como abuso e negligência familiar. A madrasta de Rio é uma
mulher terrível. Está é uma leitura bem emocional, e apesar de Rio e Sahoko
serem estudantes do ensino médio, está bem distante do que vemos em mangás
escolares. Certamente não é uma história leve e revigorante, apesar de não
chegar no tom melodramático de Claudine...!, aqui isso é mais sutil e menos
exagerado.
Rio é depressiva e autodestrutiva, se corta e já tentou suicídio
diversas vezes. Se sente rejeitada e deprimida por ser rejeitada por sua família,
além do sumiço de sua mãe e a morte de sua pequena irmã. Foi internada diversas
vezes e sempre foi vista como a garota problema, tanto que, sua madrasta se
recusa viver sobre o mesmo teto que ela, fazendo com que a garota more sozinha
em um enorme casarão. Mas ela não se importa, já que não tem esperança e nenhuma
ambição para o futuro. Pra piorar a situação, ainda vive atormentada com seus
traumas de infância e uma lacuna em sua mente. Por apresentar uma tendência
suicida, teme que tenha sido ela a responsável pela morte de sua irmã e
destruição de sua família.

Sahoko também tem um passado misterioso e não tem uma boa
relação com seus pais, vivendo com sua tia. É dois anos mais velha que Rio,
apesar de estarem na mesma classe. Isso foi devido a trauma do passado, onde
ela apresentou um quadro de fobia social, ficando presa em seu quarto e não
conseguindo encarar ninguém na rua.
Duas
garotas. Um que não era verdadeiramente amada e outra que era amada demais.
Nasceram em diferentes anos, mas acabaram juntas, na mesma escola e mesma
classe. Convenientemente, claro, mas acaba sendo um recurso narrativo que dá
força a Píeta. Elas possuem uma fraqueza e para sobreviverem, precisam uma da
outra.
Sahoko parece ser uma luz em sua vida, mas os demônios de
Rio, especialmente os que envolvem suas memórias fragmentadas, podem levar esse
relacionamento a uma tragédia eminente. Ao menos, era a impressão que tive
durante toda minha leitura. Consumi Pietà de forma voraz. Os capítulos eram
longos, algo em torno de 70, distribuídos em 2 volumes. Mas apenas nem sequer
reparei nesse detalhe. A história se desenvolve de forma ágil e dinâmica e
Pietà atinge o seu clímax a partir do momento que as duas começam a se relacionar
e o trauma de cada uma fica pairando no ar, ao mesmo tempo em que a madrasta de
Rio começa a destilar suas maldades na garota, que se encontra fragilizada no
momento do ataque.
Acompanhamos Rio mais de perto, do que Sahoko, que se mostra
bem mais forte e resistente que sua amada, diante as adversidades. Pietà é
peculiar por apresentar um bom drama familiar, ao mesmo tempo que desenvolve o
relacionamento das duas personagens principais. Os dois focos apresentados são
sensacionais. A parte familiar nos faz sentir uma angustia enorme, enquanto que
o romance das duas, mesmo nos piores momentos em que Rio se encontra, é
emocionante. É uma amostra de companheirismo, carinho e compreensão. Senti como
se fosse me desmanchar toda com o jeito carinhoso de Rio para com Sahoko. Como
ela mesma disse; a Rio se desfaz de toda aquela personagem que interpretava
publicamente e se mostra como uma ingênua e carente menininha de 10 anos de
idade. Rio é extremamente carente, faz Sahoko prometer que sempre estará por
perto quando ela abrir os olhos, que nunca a abandonará e se desespera, quando
olha para os lados e não a vê. Poderia soar algo completamente forçado, mas é
natural devido ao background de Rio e todo o seu trama por ter sido abandonada
e deixada pra trás por sua mãe e seu pai.
O engraçado é ver como os papeis se invertem (e eles realmente se invertem na realidade),
com Rio sendo claramente o que se entende como Uke da relação (ativa) e Sahoko e Seme (passiva), sendo que na intimidade os
papeis se invertem completamente. É bonitinho, é romântico, é engraçado ver a
Sahoko mandona e sendo quase que uma mãe para Rio (“Eu já mandei você colocar essas meias, não já!?”)
e ver como esta reage completamente resignante e desolada por ter recebido uma
bronca. Mas sem dúvidas, o ápice, é ver quando Rio entra num estado mais
profundo de depressão e tenta matar Sahoko e depois se matar e todas as
consequências provenientes desse ato. Com medo de si mesmo e das coisas que
pode fazer, Rio se afasta de Sahoko, mas esta não desiste e se mostra
persistente e disposta a estar sempre ao lado da garota problemática. É um
romance encantador. E igualmente, também um drama encantador.

Pietà vem da palavra italiana; “piedade” ou “misericórdia” e
faz jus completamente ao titulo. Mas isso, só percebe quem leu e eu não vou
entrar em detalhes aqui, falando mais do que já falei. Este é um mangá yuri,
publicado na demografia Josei, serializada na extinta magazine Young You, da
editora Shueisha, destinada às “mulheres jovens”. A revista infelizmente chegou
ao fim em 2005, sendo casa de séries bem interessantes e “diferentonas” pro
padrão estabelecido nos anos 2000. Tem um histórico de autoras talentosíssimas,
como a Erica Sakurazawa, que publicou Love
Vibes por lá, que inclusive já comentei aqui no blog.
Inclusive, uma das várias passagens do mangá Honey and Clover, de Chica Umino, foi por essa revista.
Por fim, os desenhos da Nanae Haruno são como se não
tivessem sido submetidos a uma arte final. Parece apenas um primeiro traçado
feito simplesmente a lápis. Mas é belíssimo e original. Não tem aquele padrão
de beleza pré-estabelecido, mas é muito bem feito e caprichado. Os cenários são
simples e sem muitos detalhes de fundo. A história se desenvolve em meio à
flashbaks, lapsos de memorias que vão vindo a tona e compondo o intricado
quebra cabeça de Pietà. É sem dúvidas uma leitura altamente recomendada para
todos os gostos, independente de se gostar ou não yuri, é uma história muito
competente. Estamos diante de um pequeno clássico “Girls Love”.
P.S.: Curiosamente, Pietà nos traz a figura de psicólogos, tal
qual, foi Claudine...!, explicando e situando o leitor dentre alguns tópicos
discutidos na trama.
Volumes: 01 (finalizado)
Ano: 1998/1999
Autora: Nanae Haruno
Editora: Shueisha
Revista: Young You
Demografia: Josei
Gênero: Romance, Drama, Psicológico
Onde Encontrar: Aino Scanlator
Clássicos #01:Claudine...! Um Homem Em Um Corpo De Mulher
Nada melhor que, render as justas homenagens àqueles que
foram os propulsores do que entendemos hoje como yuri, não é mesmo? Por isso,
passarei a comentar, vez ou outra algumas series clássicas. E não poderia
começar melhor. Claudine...! como todos vocês devem saber, é um clássico yuri,
ambientado no inicio do século 20, na França, escrito e desenhado por Ryoko
Ikeda, e lançado em 1978. Como já é característico da autora, de usar o
argumento de belas garotas, que se parecem e agem como garotos, por diversos
motivos. Mas apesar disso, o único mangá em que Ryoko Ikeda realmente
representou uma lésbica, foi em Oniisama
E... – Afinal, de suas histórias mais conhecidas, Oscar (de Versalles no Bara) e Claudine, se
viam como homens.
E o escopo de Claudine...! é esse, o drama de ser
atormentada, por se sentir homem e estar presa num corpo feminino. Claudine
Montesse, até os 8 anos, realmente acreditava ser um garoto, se portando e
agindo como tal. O que faz com que sua mãe a leve ao psicólogo pela primeira
vez. Dos 4 filhos da família Montesse, Caudine é a mais nova e única garota.
Seu pai, Auguste De Montesse, que nutria um grande desgosto por seus 3 filhos
não terem lhe puxado a aparência, se encanta com Claudine, que nasceu com todos
os seus traços característicos, assim como gostos e atitudes. Ao olhar o
character designer de Claudine, nota-se que ela segue uma linguagem nobre, com
rosto pontudo, pele branquíssima e olhos claros, cabelos loiros e toda uma
postura aristocrática. Auguste a admira tanto, que ele a considera como um
filho homem e lastima o fato de Claudine ter nascido em um corpo feminino. Para
ele e parte dos personagens, Claudine nasceu com um corpo de mulher, por puro
engano ou capricho divino.

Claudine é amada e admirada por todos por sua inteligência, elegância
e porte físico. Ela é um verdadeiro príncipe, porém seus problemas começam
quando ela se apaixona pela primeira vez por uma garota. Ainda que ela seja
correspondida, lhe é negada pela família esse direito. Afinal, por mais que ela
se vista e se porte como um homem, Claudine continua sendo uma mulher. É então
que sua mãe, a leva pela segundo vez ao mesmo psicólogo, que acaba se tornando
um personagem recorrente e peculiar dentro da história. A partir dai, a vida de
Claudine se transforma em uma verdadeira montanha russa, chegando a se
apaixonar por outras mulheres e tendo que lidar com a dor da rejeição, ao
sempre ouvir a frase; “...mas, você é uma mulher...!”. Em
meio a isso, ela ainda tem que lidar com outros problemas, como traições e
segredos traumáticos escondidos em sua infância, em que Ryoko deixa subtendido
que pudesse ser o motivo dela se ver como um garoto – Claudine flagra o pai,
abusando sexualmente de um garoto, o que talvez pudesse ter sido o estopim para
ela começar a se ver como um, para que pudesse ser amada e aceita pelo pai –,
mas isso é negado dentro do contexto da história.
Durante sua vida, Claudine enfrentou a resistência da
sociedade, se deixando envolver afetivamente com outras garotas, mas sempre
tendo um final triste, que a fazia se revoltar pelo fato de ter nascido mulher.
Ela até tenta não se envolver mais com nenhuma garota, por medo de se machucar
novamente, mas no clímax da história, acaba se apaixonando novamente, dessa vez,
longe de sua cidade e cursando uma universidade, ela acaba conhecido e caindo
de amores por Sirene Berge, que a corresponde totalmente e assim, passam a
viver como amantes e alimentando aquele amor secretamente. Mas tudo desanda
quando Sirene acaba se apaixonando pelo irmão mais velho de Claudine, que não
encontra mais forças para se reerguer novamente.
Comentários:
Claudine...! é conhecido por ser um mangá trágico e dramático,
aliás, como boa parte dos mangás da década de 70 e 80, principalmente no que se
diz respeito a homossexualidade. Foi nessa década que começaram a aparecer características
yuris em diversos mangás, visando o conflito dentro da trama (ao contrário de hoje, que raramente temos
conflitos que realmente abordam a homossexualidade, ficando mais em problemas
amorosos das heroínas), o choque, e o escândalo. Claro que, mesmo com a
influência da literatura, o fato daquela sociedade não ver o relacionamento
entre pessoas do mesmo sexo como algo natural (apesar de ainda hoje, a sociedade como um todo não ver tal questão
como algo natural, é bem mais aceito), acaba tendo influência como àquelas
mangakas encarariam o assunto; sempre partindo de uma visão pessimista. Com
isso, era bem comum que essas histórias tivessem um desfecho trágico e triste,
com as personagens morrendo tragicamente ao fim da trama.

O transexualismo e travestismo passou a se tornar protótipo de
vários mangás shoujos, com personagens inspiradas nos padrões estabelecidos
pelo teatro de Takarazuka. Apesar da negação de Ikeda, de se inspirar em livros
de psicologia para desenvolver suas histórias, ela mostra em suas séries o
gosto em explorar suas personagens que seguem o estereotipo do bishounen, e seus
sentimentos através da transexualidade. Apesar de Claudine...! ser uma história
curtinha, nos oferece elementos suficientes para que possamos apreciar. As
conversas de Claudine com seu psicólogo são sempre muito interessantes. Ele
nota uma inteligência incomum em Claudine, e por isso sabiamente adota uma
postura mais madura para com ela, a tratando com sinceridade e confessando que
esta, lhe desperta um grande interesse como profissional. Seu veredito final, é
que Claudine é um indivíduo transgênero (pessoas
que são do sexo masculino ou feminino, mas se sentem como um membro do sexo
oposto), e teve que viver com esse estigma até o fim de sua curta vida, em
uma sociedade ainda anacrônica.
Toda a explicação
para a transexualidade que se pensava até em 1978 é mencionado em Claudine...!,
assim como a crença popular de que um trauma de infância ou maneira como foi
criada, pudesse ser o elemento que faz com que crianças pudessem se ver como
sendo do sexo oposto. Flagrar seu pai, fazendo sexo com um garoto, quase que de
sua idade, poderia ter causado nela o impacto de querer se portar como um homem,
para que ela não fosse traída (abandonada),
assim como sua mãe? O fato dela desde nova, ter sido tratada como um garoto
pelo pai, sendo levada para cavalgar e pra caçar? Isso faz parte da
configuração da história, mas a própria Claudine, define já ter nascido assim.
Conclusão
Todas essas questões são realmente pertinentes e
interessantes, mas apenas o fator histórico é o suficiente para fazer que
Claudine...! seja uma leitura recomendada? Claro que não, uma boa história não
pode se prender e se ver refém do fator histórico e social, ele precisa
funcionar como entretenimento sólido. Felizmente, Claudine...! não é apenas
masturbação pseudo cultural e nos brinda com uma bonita história. É um bom
romance, moldado no melodrama que é tão típico nos shoujos daquela época. Ikeda
pega elementos tão clichês (atualmente)
e desenvolve habilmente, fazendo que o leitor se importe com Claudine e apesar
de representar uma visão pessimista para a homossexualidade, ao mesmo tempo, é
peculiar ao ser tão verissímil em alguns aspectos.
Ano: 1978
Autora: Ryoko Ikeda
Editora: Shueisha
Revista: Margaret
Demografia: Shoujo
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Posted by Unknown
Yuri Week Gallery #11
Oiii gente! Como estão?
Nessa postagem teremos um clima mais clássico de shoujo ai. É isso ai!
Vamos em uma viagem no tempo yuristico e sem mais delongas, vamos as imagens!
Nessa postagem teremos um clima mais clássico de shoujo ai. É isso ai!
Vamos em uma viagem no tempo yuristico e sem mais delongas, vamos as imagens!
Começando a seção "clássicos" com Berusaiyu no Bara (Rosa de Versalhes)
Oscar e Maria Antonieta (presumo, sorry). Lindo traço!
Oniisama e... e suas cenas lindas.
Eu nunca vi, mas me apaixonei pelas imagens que achei. (IREI VER!)
Maria-sama ga Miteru. Por que mesmo sendo mais novo, tem um tom "clássico".
E também por que shoujo ai também é amizade a cima de tudo. (^ ^)
E por último, Girl Friends.
Por que todos adoram imaginar finais lindos como a imagem acima!
Bom, acho que é isso.
Se vocês quiserem falar outro anime com um clima mais clássico, ou uma imagem com um tom mais clássico, mande um comentário para esta postagem.
Estaremos esperando!
Abraços e até logo! o/
terça-feira, 5 de julho de 2011
Posted by Se-chan










