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Clássicos #03: Maya's Funeral Procession


Eu estava querendo escrever sobre algo recente que eu tivesse acabado de ler. É mais prático e tudo ainda está fresquinho na memoria, pronto para passar para o papel. Com isso, recentemente eu peguei pra ler um clássico, para dar continuidade a minha série de postagens sobre mangás clássicos. Por mais que o novo soe “melhor”, eu defendo que todo fã de yuri deva conhecer um pouco mais das origens do gênero e acaba que independentemente da obra em questão ser boa ou não, ela é um excelente material de estudo, sobre um época. Então, acabei pegando pensadamente para ler, Maya no Souretsu (Maya's Funeral Procession), da mangaka Yukari Ichijo, publicado originalmente em 1972, um ano após Shiroi Heya no Futari (este que é datado como o primeiro mangá yuri a ser publicado).

E o que eu posso dizer? A história é fraquíssima, como não poderia deixar de ser, uma vez que para os padrões atuais, muitas coisas ali soam obvias demais e o fim da história, já se nota desde o primeiro capitulo. Por isso eu me pergunto se realmente é válido julgar Maya no Souretsu (ou qualquer outro clássico antigo), com os olhos críticos atuais, afinal, mesmo diante de um hit como o mangá sensação do momento, Prism, este parece conter ainda mais personalidade. Algo que o diferencia de muitos. O curioso é que a execução do roteiro de Maya no Souretsu é tão afiada, que você simplesmente devora todo o capitulo initerruptamente. E bem, é um mangá shoujo de 1972 – Como comentei na resenha de Claudine...!, os mangás destinados ao público feminino nessa época, tinham um tendência a serem bem mais melodramáticos. Acredito eu que muitas series, colocam as novelas mexicanas facinho no bolso, inclusive. Muitos, principalmente os homens, chamam isso de recursos baratos de roteiro, ao apelar para as lágrimas fáceis. Mas foi um momento conturbado, principalmente para a classe feminina. Fora que o fator emocional, sempre foi algo bem característico nosso, embora eu considere isso algo que independe de gêneros demográficos.



De qualquer forma, é algo que eu adoro. Principalmente se for um melodrama bem executado. Ou pode ser tosco também, desde que dê para rir. Maya no Souretsu é um shoujo com uma temática bem sombria. É classificado como terror psicológico, mas não espere imagens assustadoras ou algo do tipo. Na verdade, o terror se dá de forma implícita, na reação dos personagens a determinado fato ocorrido. Mas possui uma boa tensão psicológica e reviravoltas interessantes, embora algumas já fossem esperadas. A história começa com a personagem principal, Reina, e sua família, que vão passar as férias na casa de verão. Mas estranhos incidentes começam a ocorrer, como pessoas morrendo uma a uma e até animais de estimação viraram alvo de fúria de alguém. Em meio a tudo isso, Reina conhece a personagem título da nossa história, Maya, e fica completamente e instantaneamente (!!!) encantada pela misteriosa vizinha. Acontece que Maya está sempre vestindo roupas longas e escuras, e parece carregar uma dor imensa em seus olhos. Além do vasto conhecimento que demonstra ter sobre a família de Reina.

Bom, eu quero acreditar que mesmo que você não tenha lido, já imagine quem está por trás de tudo isso. Mas a grande questão nem é essa, mas sim, por quê? A Yukari Ichijo tem astucia, pois num mar de obviedade, ela ainda consegue surpreender com reviravoltas peculiares, assim como manter uma linha narrativa que consegue prender a atenção, por ser envolvente. Um ponto em que se nota uma certa forçada de barra, é no que diz respeito ao relacionamento entre Maya e Reina. Tudo bem paixão a primeira vista, mas faltou um desenvolvimento entre elas, que justificasse a intempestiva paixão que Reina sente por ela, quase que instantaneamente. Claro que não havia muito tempo disponível para isso, mas de toda a história, isso é algo que incomoda um pouco, uma vez que você não consegue sentir afeição por nenhuma das duas.





O fim é aquele de sempre: TRÁGICO! Fiquei com um certo nó na garganta, porque sou um pouquinho feminista e não consigo engolir bem certas resignações do universo feminino. Mas o melodrama é excelente. Não vai te fazer chorar, mas em alguns momentos você talvez sinta vontade de rir. É divertidamente OOOOOOVEEER MELO-DRAMATICO!!! O Yuri não é o forte aqui. Cai bem para o que conhecemos aqui no ocidente como shoujo-ai. E como tal, é muito bonitinho, principalmente porque a Reina é bem novinha e a Maya é um pouco mais velha. Digamos que a Reina tenha 14 anos e a Maya, lá com seus 18 (eu sei que yurifags tem fetiche com isso). E tem algo a mais, que eu prefiro não revelar, pra não estragar a experiência dos possíveis interessados no mangá.

Em 2005, Maya no Souretsu foi relançado pela Shueisha em um volume encadernado, trazendo junto mais 2 histórias. Ambas foram publicadas nos anos 70 na lendária revista shoujo, Ribon. Além da história de Maya e Reina, que contém incríveis 258 páginas em um único capitulo, temos "Otouto" (Little Brother) e "Kurisuchiina no aoi sora" (Christina's blue sky), mas com exceção da primeira nenhum das outras duas tem insinuações de shoujo-ai, portanto não há motivo para comenta-las. Outro ponto interessante nessa série, é que a Ichijo se viu amplamente influenciada pelo mestre Osamu Tezuka, algo notável pela presença de ilustrações que se assemelham às Xilogravuras. Mas se nota uma evolução do tipo de traçado que ficaria bem popular no fim dos anos 70 e anos 80. Algo mais arredondado, olhões brilhantes e expressões de choque. Para a época, o estilo de arte da Ichigo é sensacional. Os personagens agem como fantasmas e isso fica bem nítido para o leitor, com suas expressões tão dramatizadas, que mais lembram atores de uma peça teatral. Maya no Souretsu é um mangá que você vai se encantar ou ficar horrorizado pelo exagero dramático, mas de recomendável leitura. Principalmente, porque pra época, uma história tão sombria e envolvendo um amor proibido entre duas meninas, deve ter dado o que falar. Obviamente, com a cultura do Japão, onde o romance e/ou encanto entre/por mulheres é permitido até certo ponto/idade, o mangá se encerra de uma forma em que a mensagem é intrinsecamente clara: Você pode se encantar e até se envolver com outra garota, mas no fim das contas, você vai se casar com um homem e constituir uma família. 


Autora: Yukari Ichijo
Ano: 1972
Editora: Shueisha
Revista: Ribon
Demografia: Shoujo
Gênero: Tragédia, Shoujo-ai, Drama, Romance, Horror
Onde encontrar: Aino Scanlation
domingo, 18 de março de 2012
Posted by Unknown

Clássicos #02: Pietà ~ Um Drama Sútil & Envolvente


Hoje comentarei sobre um dos meus mangás favoritos, não apenas no universo yuri, mas englobando todos. Sem dúvidas, um dos melhores projetos que o lililicious já fez. Eu havia pensando em dar um tempo nos comentários sobre as séries clássicas aqui, mas Pietà faz um contraponto tão bacana com Claudine...! (que comentei aqui, semana passada), que eu não pude deixar passar essa oportunidade.

Sabe aquele tipo de história que te pega desprevenido? Então, Pietà é exatamente assim, afinal, já em sua concepção, apresenta uma sinopse tão rasa e clichê:

Pietà aborda a história de duas estudantes que acabam se tornando amigas, Rio Sakaki e Sahoko Higa, as duas se envolvem e acabam se apaixonando – E assim, enfrentando juntas os traumas que ambas possuem.



A sinopse é bem básica e serve pra situar o provável leitor na estrutura em que Pietà se desenvolve. Mas isso é muito pouco diante da obra de Nanae Haruno. Esse mangá é uma sensível abordagem não apenas fala sobre a homossexualidade, mas principalmente superação, afeto e companheirismo. Inicialmente achei que fosse ser somente uma série feita pra explorar velhos arquétipos em favor do romance yuri e assim, fazer o público alvo dessa história suspirar e vomitar arco-íris. Afinal, Rio é a típica “garota príncipe” pegadora do colégio, a garota celebridade, tal qual foi Amane Ohtori em Straberry Panic, mantendo uma posição de prestigio. Mas ela não possui o calor humano desta personagem, nesse ponto ela se assemelha muito mais a ShizumaHanazono, da mesma série. Tem um passado trágico, mantido em segredo, costuma ser fria e se utiliza daquelas que se apaixonam por ela, como se fossem objetos.

Eu realmente gosto desse tipo de personagem e a Rio me agradou completamente, pois não era possível enxergar nem um traço de bondade e respeito sequer em suas atitudes, mas era sempre honesta e conhecedora de seu status. Como personagem arquétipo que é, entre quatro paredes e longe de todos, a sua mascara caia e se mostrava uma garota solitária, que sofria calada e sem auto estima algum. Tudo parecia caminhar para o obvio, mesmo que a narrativa até tenha se mostrado em uma execução perfeita. Rio olha pela primeira vez para Sahoko e começa a se interessar por ela, largando de lado a sua atual “ficante” sem ao menos uma explicação sequer. Quando questionada se não se importava com os sentimentos dos outros, ela simplesmente diz que não. Quando Sahoko lhe diz que ela era um demônio, ela se diverte, confirma que realmente é um demônio e pergunta se a garota não gostava de demônios. Sahoko fica atônica e sem reação com a atitude de Rio. 



Parece mesmo que ia ser uma ótima história de amor, com um pequeno drama de plano de fundo com relação ao passado da garota e “fuwaaa!!!”, temos ai mais um belo romance yuri, seguindo a receitinha da formula mágica. Mas Nanae Haruno nos surpreende com uma história honesta e que foge um pouco dos padrões estabelecidos já na época de seu lançamento. Não há chás extravagantes, fanservices como; termos de senpai, sama, onee-chan, uniformes escolares super lindos (na verdade eu os achei bem elegantes), situações mais apimentadas e nem mesmo sexo (como se poderia esperar em um josei). Mas há momentos de pura ternura que pra história representa mais do que toda a “pegação” do mundo, apresenta um ponto de vista maduro, com personagens complexas, uma atmosfera depressiva que permeia o mangá, da primeira, até o penúltimo capitulo – Além de trabalhar bem temas como abuso e negligência familiar. A madrasta de Rio é uma mulher terrível. Está é uma leitura bem emocional, e apesar de Rio e Sahoko serem estudantes do ensino médio, está bem distante do que vemos em mangás escolares. Certamente não é uma história leve e revigorante, apesar de não chegar no tom melodramático de Claudine...!, aqui isso é mais sutil e menos exagerado.

Rio é depressiva e autodestrutiva, se corta e já tentou suicídio diversas vezes. Se sente rejeitada e deprimida por ser rejeitada por sua família, além do sumiço de sua mãe e a morte de sua pequena irmã. Foi internada diversas vezes e sempre foi vista como a garota problema, tanto que, sua madrasta se recusa viver sobre o mesmo teto que ela, fazendo com que a garota more sozinha em um enorme casarão. Mas ela não se importa, já que não tem esperança e nenhuma ambição para o futuro. Pra piorar a situação, ainda vive atormentada com seus traumas de infância e uma lacuna em sua mente. Por apresentar uma tendência suicida, teme que tenha sido ela a responsável pela morte de sua irmã e destruição de sua família.

Sahoko também tem um passado misterioso e não tem uma boa relação com seus pais, vivendo com sua tia. É dois anos mais velha que Rio, apesar de estarem na mesma classe. Isso foi devido a trauma do passado, onde ela apresentou um quadro de fobia social, ficando presa em seu quarto e não conseguindo encarar ninguém na rua.



Duas garotas. Um que não era verdadeiramente amada e outra que era amada demais. Nasceram em diferentes anos, mas acabaram juntas, na mesma escola e mesma classe. Convenientemente, claro, mas acaba sendo um recurso narrativo que dá força a Píeta. Elas possuem uma fraqueza e para sobreviverem, precisam uma da outra.

Sahoko parece ser uma luz em sua vida, mas os demônios de Rio, especialmente os que envolvem suas memórias fragmentadas, podem levar esse relacionamento a uma tragédia eminente. Ao menos, era a impressão que tive durante toda minha leitura. Consumi Pietà de forma voraz. Os capítulos eram longos, algo em torno de 70, distribuídos em 2 volumes. Mas apenas nem sequer reparei nesse detalhe. A história se desenvolve de forma ágil e dinâmica e Pietà atinge o seu clímax a partir do momento que as duas começam a se relacionar e o trauma de cada uma fica pairando no ar, ao mesmo tempo em que a madrasta de Rio começa a destilar suas maldades na garota, que se encontra fragilizada no momento do ataque. 



Acompanhamos Rio mais de perto, do que Sahoko, que se mostra bem mais forte e resistente que sua amada, diante as adversidades. Pietà é peculiar por apresentar um bom drama familiar, ao mesmo tempo que desenvolve o relacionamento das duas personagens principais. Os dois focos apresentados são sensacionais. A parte familiar nos faz sentir uma angustia enorme, enquanto que o romance das duas, mesmo nos piores momentos em que Rio se encontra, é emocionante. É uma amostra de companheirismo, carinho e compreensão. Senti como se fosse me desmanchar toda com o jeito carinhoso de Rio para com Sahoko. Como ela mesma disse; a Rio se desfaz de toda aquela personagem que interpretava publicamente e se mostra como uma ingênua e carente menininha de 10 anos de idade. Rio é extremamente carente, faz Sahoko prometer que sempre estará por perto quando ela abrir os olhos, que nunca a abandonará e se desespera, quando olha para os lados e não a vê. Poderia soar algo completamente forçado, mas é natural devido ao background de Rio e todo o seu trama por ter sido abandonada e deixada pra trás por sua mãe e seu pai. 

O engraçado é ver como os papeis se invertem (e eles realmente se invertem na realidade), com Rio sendo claramente o que se entende como Uke da relação (ativa) e Sahoko e Seme (passiva), sendo que na intimidade os papeis se invertem completamente. É bonitinho, é romântico, é engraçado ver a Sahoko mandona e sendo quase que uma mãe para Rio (“Eu já mandei você colocar essas meias, não já!?”) e ver como esta reage completamente resignante e desolada por ter recebido uma bronca. Mas sem dúvidas, o ápice, é ver quando Rio entra num estado mais profundo de depressão e tenta matar Sahoko e depois se matar e todas as consequências provenientes desse ato. Com medo de si mesmo e das coisas que pode fazer, Rio se afasta de Sahoko, mas esta não desiste e se mostra persistente e disposta a estar sempre ao lado da garota problemática. É um romance encantador. E igualmente, também um drama encantador.


Pietà vem da palavra italiana; “piedade” ou “misericórdia” e faz jus completamente ao titulo. Mas isso, só percebe quem leu e eu não vou entrar em detalhes aqui, falando mais do que já falei. Este é um mangá yuri, publicado na demografia Josei, serializada na extinta magazine Young You, da editora Shueisha, destinada às “mulheres jovens”. A revista infelizmente chegou ao fim em 2005, sendo casa de séries bem interessantes e “diferentonas” pro padrão estabelecido nos anos 2000. Tem um histórico de autoras talentosíssimas, como a Erica Sakurazawa, que publicou Love Vibes por lá, que inclusive já comentei aqui no blog. Inclusive, uma das várias passagens do mangá Honey and Clover, de Chica Umino, foi por essa revista.



Por fim, os desenhos da Nanae Haruno são como se não tivessem sido submetidos a uma arte final. Parece apenas um primeiro traçado feito simplesmente a lápis. Mas é belíssimo e original. Não tem aquele padrão de beleza pré-estabelecido, mas é muito bem feito e caprichado. Os cenários são simples e sem muitos detalhes de fundo. A história se desenvolve em meio à flashbaks, lapsos de memorias que vão vindo a tona e compondo o intricado quebra cabeça de Pietà. É sem dúvidas uma leitura altamente recomendada para todos os gostos, independente de se gostar ou não yuri, é uma história muito competente. Estamos diante de um pequeno clássico “Girls Love”.

P.S.: Curiosamente, Pietà nos traz a figura de psicólogos, tal qual, foi Claudine...!, explicando e situando o leitor dentre alguns tópicos discutidos na trama.

Volumes: 01 (finalizado)
Ano: 1998/1999
Autora: Nanae Haruno
Editora: Shueisha
Revista: Young You
Demografia: Josei
Gênero: Romance, Drama, Psicológico
Onde Encontrar: Aino Scanlator


domingo, 12 de fevereiro de 2012
Posted by Unknown

Clássicos #01:Claudine...! Um Homem Em Um Corpo De Mulher


Nada melhor que, render as justas homenagens àqueles que foram os propulsores do que entendemos hoje como yuri, não é mesmo? Por isso, passarei a comentar, vez ou outra algumas series clássicas. E não poderia começar melhor. Claudine...! como todos vocês devem saber, é um clássico yuri, ambientado no inicio do século 20, na França, escrito e desenhado por Ryoko Ikeda, e lançado em 1978. Como já é característico da autora, de usar o argumento de belas garotas, que se parecem e agem como garotos, por diversos motivos. Mas apesar disso, o único mangá em que Ryoko Ikeda realmente representou uma lésbica, foi em Oniisama E... – Afinal, de suas histórias mais conhecidas, Oscar (de Versalles no Bara) e Claudine, se viam como homens.

E o escopo de Claudine...! é esse, o drama de ser atormentada, por se sentir homem e estar presa num corpo feminino. Claudine Montesse, até os 8 anos, realmente acreditava ser um garoto, se portando e agindo como tal. O que faz com que sua mãe a leve ao psicólogo pela primeira vez. Dos 4 filhos da família Montesse, Caudine é a mais nova e única garota. Seu pai, Auguste De Montesse, que nutria um grande desgosto por seus 3 filhos não terem lhe puxado a aparência, se encanta com Claudine, que nasceu com todos os seus traços característicos, assim como gostos e atitudes. Ao olhar o character designer de Claudine, nota-se que ela segue uma linguagem nobre, com rosto pontudo, pele branquíssima e olhos claros, cabelos loiros e toda uma postura aristocrática. Auguste a admira tanto, que ele a considera como um filho homem e lastima o fato de Claudine ter nascido em um corpo feminino. Para ele e parte dos personagens, Claudine nasceu com um corpo de mulher, por puro engano ou capricho divino.


Claudine é amada e admirada por todos por sua inteligência, elegância e porte físico. Ela é um verdadeiro príncipe, porém seus problemas começam quando ela se apaixona pela primeira vez por uma garota. Ainda que ela seja correspondida, lhe é negada pela família esse direito. Afinal, por mais que ela se vista e se porte como um homem, Claudine continua sendo uma mulher. É então que sua mãe, a leva pela segundo vez ao mesmo psicólogo, que acaba se tornando um personagem recorrente e peculiar dentro da história. A partir dai, a vida de Claudine se transforma em uma verdadeira montanha russa, chegando a se apaixonar por outras mulheres e tendo que lidar com a dor da rejeição, ao sempre ouvir a frase; “...mas, você é uma mulher...!”. Em meio a isso, ela ainda tem que lidar com outros problemas, como traições e segredos traumáticos escondidos em sua infância, em que Ryoko deixa subtendido que pudesse ser o motivo dela se ver como um garoto – Claudine flagra o pai, abusando sexualmente de um garoto, o que talvez pudesse ter sido o estopim para ela começar a se ver como um, para que pudesse ser amada e aceita pelo pai –, mas isso é negado dentro do contexto da história.

Durante sua vida, Claudine enfrentou a resistência da sociedade, se deixando envolver afetivamente com outras garotas, mas sempre tendo um final triste, que a fazia se revoltar pelo fato de ter nascido mulher. Ela até tenta não se envolver mais com nenhuma garota, por medo de se machucar novamente, mas no clímax da história, acaba se apaixonando novamente, dessa vez, longe de sua cidade e cursando uma universidade, ela acaba conhecido e caindo de amores por Sirene Berge, que a corresponde totalmente e assim, passam a viver como amantes e alimentando aquele amor secretamente. Mas tudo desanda quando Sirene acaba se apaixonando pelo irmão mais velho de Claudine, que não encontra mais forças para se reerguer novamente.

Comentários:

Claudine...! é conhecido por ser um mangá trágico e dramático, aliás, como boa parte dos mangás da década de 70 e 80, principalmente no que se diz respeito a homossexualidade. Foi nessa década que começaram a aparecer características yuris em diversos mangás, visando o conflito dentro da trama (ao contrário de hoje, que raramente temos conflitos que realmente abordam a homossexualidade, ficando mais em problemas amorosos das heroínas), o choque, e o escândalo. Claro que, mesmo com a influência da literatura, o fato daquela sociedade não ver o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo como algo natural (apesar de ainda hoje, a sociedade como um todo não ver tal questão como algo natural, é bem mais aceito), acaba tendo influência como àquelas mangakas encarariam o assunto; sempre partindo de uma visão pessimista. Com isso, era bem comum que essas histórias tivessem um desfecho trágico e triste, com as personagens morrendo tragicamente ao fim da trama.


O transexualismo e travestismo passou a se tornar protótipo de vários mangás shoujos, com personagens inspiradas nos padrões estabelecidos pelo teatro de Takarazuka. Apesar da negação de Ikeda, de se inspirar em livros de psicologia para desenvolver suas histórias, ela mostra em suas séries o gosto em explorar suas personagens que seguem o estereotipo do bishounen, e seus sentimentos através da transexualidade. Apesar de Claudine...! ser uma história curtinha, nos oferece elementos suficientes para que possamos apreciar. As conversas de Claudine com seu psicólogo são sempre muito interessantes. Ele nota uma inteligência incomum em Claudine, e por isso sabiamente adota uma postura mais madura para com ela, a tratando com sinceridade e confessando que esta, lhe desperta um grande interesse como profissional. Seu veredito final, é que Claudine é um indivíduo transgênero (pessoas que são do sexo masculino ou feminino, mas se sentem como um membro do sexo oposto), e teve que viver com esse estigma até o fim de sua curta vida, em uma sociedade ainda anacrônica.

 Toda a explicação para a transexualidade que se pensava até em 1978 é mencionado em Claudine...!, assim como a crença popular de que um trauma de infância ou maneira como foi criada, pudesse ser o elemento que faz com que crianças pudessem se ver como sendo do sexo oposto. Flagrar seu pai, fazendo sexo com um garoto, quase que de sua idade, poderia ter causado nela o impacto de querer se portar como um homem, para que ela não fosse traída (abandonada), assim como sua mãe? O fato dela desde nova, ter sido tratada como um garoto pelo pai, sendo levada para cavalgar e pra caçar? Isso faz parte da configuração da história, mas a própria Claudine, define já ter nascido assim.

Conclusão

Todas essas questões são realmente pertinentes e interessantes, mas apenas o fator histórico é o suficiente para fazer que Claudine...! seja uma leitura recomendada? Claro que não, uma boa história não pode se prender e se ver refém do fator histórico e social, ele precisa funcionar como entretenimento sólido. Felizmente, Claudine...! não é apenas masturbação pseudo cultural e nos brinda com uma bonita história. É um bom romance, moldado no melodrama que é tão típico nos shoujos daquela época. Ikeda pega elementos tão clichês (atualmente) e desenvolve habilmente, fazendo que o leitor se importe com Claudine e apesar de representar uma visão pessimista para a homossexualidade, ao mesmo tempo, é peculiar ao ser tão verissímil em alguns aspectos.

Volumes: 01 (finalizado)
Ano: 1978
Autora: Ryoko Ikeda
Editora: Shueisha
Revista: Margaret
Demografia: Shoujo
Gênero: Histórico, Drama, Tragédia, Romance, Gender Bender
Onde Encontrar: Aino Scanlator
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Posted by Unknown

Yuri Week Gallery #11

Oiii gente! Como estão?
Nessa postagem teremos um clima mais clássico de shoujo ai. É isso ai!
Vamos em uma viagem no tempo yuristico e sem mais delongas, vamos as imagens!
Começando a seção "clássicos" com Berusaiyu no Bara (Rosa de Versalhes)
Oscar e Maria Antonieta (presumo, sorry). Lindo traço!
Oniisama e... e suas cenas lindas.
Eu nunca vi, mas me apaixonei pelas imagens que achei. (IREI VER!)
Maria-sama ga Miteru. Por que mesmo sendo mais novo, tem um tom "clássico".
E também por que shoujo ai também é amizade a cima de tudo. (^ ^)
E por último, Girl Friends.
Por que todos adoram imaginar finais lindos como a imagem acima!

Bom, acho que é isso.
Se vocês quiserem falar outro anime com um clima mais clássico, ou uma imagem com um tom mais clássico, mande um comentário para esta postagem.
Estaremos esperando!
Abraços e até logo! o/

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