Mostrando postagens com marcador romance. Mostrar todas as postagens

[Conto] Intocável, por LKMazaki

Olá a todos!

Já tínhamos comentado em algumas oportunidades sobre a intenção de trazer neste ano alguns conteúdos criativos próprios para o site. Enquanto o quadrinho Constelação está em estado vegetativo (mando vibes positivas para que a Se-chan termine de editar o capítulo de uma vez) vamos com literatura com um conto que na verdade é a primeira parte de uma história de quatro capítulos.

Intocável, ou "Um lugar entre o passado que não me pertence e o futuro que posso alcançar" é uma história de ambientação fantástica, no mundo de Therimah, mas que não trata de fantasia por si. Aqui o enredo tem relação com política e, claro, romance entre garotas (que é o que nos interessa!). Tenho planejado escrever mais três partes de história, mas como cada uma delas é independente, podem se sentir tranquilos para ler esta aqui.

Sinopse: Na capital da poderosa nação de Astran, Catherin Sthargh se verá envolvida em um confronto político perigoso, envolvendo o Partido Nacionalista e uma força separatista dentro do Senado. Apesar de ser apenas uma estudiosa, Catherin irá confrontar Anita Stradovaus, uma pessoa que tem muito mais em comum consigo do que um parentesco distante.

Link para leitura no Wattpad: https://www.wattpad.com/616859315-intocável-parte-1-crime



Intocável

 ou “Um lugar entre o passado que não me pertence e o futuro que posso alcançar”


Parte 1 - Crime



— Só você pode fazer isto, Catherin. — foram as palavras que sentenciaram meu envolvimento naquele esquema impronunciável.

O lugar era um bar dentre tantos na periferia de Adram, Capital de Astran, uma das nações livres que obedeciam aos tratados de Doradem. Estava quente ali dentro, apesar da noite de outono típica lá fora. Lanternas amarelas iluminavam com irregularidade as dezenas de mesas. O cheio de cerveja barata e cigarro preenchia tudo, me levando a tossir volta e meia. Praticamente todos ali eram homens à exceção das garçonetes de avental desbotado e decotes proeminentes. Talvez até houvesse algo a se aproveitar de tal local obscuro, mas eu nunca frequentaria um lugar como aqueles se não tivesse sido convidada por meus camaradas.

Ou melhor, se não tivesse sido coagida por dois conhecidos de minha vizinhança materna a acompanhá-los. Pelos deuses tivesse sido capaz de escapar naquela noite:

— Vocês não podem estar falando sério. — foi a primeira coisa que respondi àquela delegação sumária. — Eu sou uma acadêmica, uma matemática, não uma assassina!

— Fale baixo, Sthargh! — chiou Oswald Erthta, um homem de vinte e tantos anos e cabelos já raleando. — Por Simes, podemos ser ouvidos por algum policial disfarçado.

Senti um arrepio correr minhas costas àquele alerta. Poderíamos estar sendo vigiados? Que tipo de pessoas seriam vigiadas pelas autoridades com tamanha discrição? Será que meu futuro acadêmico já estava comprometido antes mesmo de acatar a tarefa absurda que tentavam me incutir?

— Você não entendeu ainda a situação que estamos passando, Strargh. — retomou Robinson Goes, o homem louro e de barba que fora quem dissera as palavras cruciais anteriores. — Não há tempo. Você é a pessoa mais adequada que existe em toda esta cidade para dar cabo daquela piranha da Stradovaus.

— Piranha. . . — repeti, apertando as sobrancelhas em desagrado ao nível do insulto proferido.

— Todos sabem da história da sua família com o Stradovaus. — disse Oswald. — Você pode ver este momento como a derradeira vingança pelo que eles fizeram sua avó e sua mãe passarem. . .

— Sem sandices desse tipo, Erthta. — cortei-o, exasperando-me genuinamente. — Não busco nenhuma vendeta por conta do passado sombrio que assola o nome da minha família. Vejo em meu esforço próprio para progredir em minha carreira como uma forma de deixar estes assuntos do passado para. . .

— Bobagem. — interpôs-se Robinson. — Tua avó foi deixada na miséria pelo Conde Stradovaus. Tua mãe vive adoecida desde nova pela precariedade dessa vida de periferia. Poderia ser diferente se não fosse o mal-caratismo daquele velhote. Dizer que não tem apetece tirar a vida da filha legítima daquele paspalho é uma inverdade das mais descaradas, Catherin.

Engoli a saliva àquelas palavras. Lembrar do estado sempre lamurioso de minha mãe era algo covarde da parte do camarada. Por Simes eu havia crescido em uma casa onde o nome da família Stradovaus era maldito. Ainda assim a minha luta contra aquela sede de vingança brutal era genuína. Eu não iria matar uma desconhecida ainda que, em papeis técnicos, ela fosse. . .

— É sua tia, mas ainda é uma Senadora piranha que quer destruir nossa nação. — colocou Oswald, com os punhos serrados sobre a mesa. — Além disso é uma Stradovaus. Ela merece uma morte horrível por portar tanta heresia em um só corpo.

— Eu sequer sei qual é sua aparência, muito menos como encontrá-la. — meneei, sentindo meus braços tremerem pelo recuo perigoso que meu discurso estava fazendo. Já falava como uma assassina preguiçosa em potencial.

— Ela está no prédio do Senado. — disse o louro. — Seu escritório é o terceiro do segundo andar, no quadrante norte. É a única que ficará lá hoje, pois está se preparando para o Golpe contra o Estado que cometerá na sessão de amanhã.

— Você é uma acadêmica de alta consideração. — falou Oswald Erthta, após bebericar sua cerveja. — Uma das raras pessoas que jamais será parada por qualquer segurança mesmo que fique a perambular nos corredores do Senado à esta hora da noite.

Olhei para minhas mãos trêmulas ao colo. Eu não tinha nada a ver com aquilo, mas ainda assim sentia que não havia escapatória possível:

— Mas como irei fazer isso? — perguntei, levantando os olhos para os dois homens à minha frente.

— Com isto. — disse Erthta, puxando do bolso da calça algo embrulhado em um tecido marrom cheirando a óleo. — Um disparo silencioso que irá salvar nosso país de ser desmantelado.

Olhei para o embrulho pouco discreto. A forma do cano fino da pistola era aparente mesmo a uma primeira vista. Levantei a cabeça e os dois homens do Partido Nacionalista me encaravam sem sequer piscar. Minha pálpebra tremeu como em poucos cálculos fazia enquanto eu esgotava todas as minhas possibilidades mentais de escapar daquele lugar.

Fechei os olhos e inspirei fundo. Com as duas mãos recolhi o pacote maldito, escondendo-o com receio em um dos bolsos internos do meu casaco:

— Você vai ficar bem, Catherin. — disse Erthta, incrivelmente mais doce de um momento para o outro. — Ninguém vai pegá-la, e também não haverá como provar posteriormente. Tome cuidado para não ser vista indo para o quadrante norte e sua vida de estudos seguirá intocada.

Ele levou uma mão para tocar meus finos dedos sobre a mesa. Recuei os braços e levantei, respirando com força para manter um mínimo de firmeza na voz:

— Se algo me acontecer, pode ter certeza de que acontecerá muito pior a vocês, seus covardes. — ameacei, com a voz falha. Virei as costas e fui em direção à saída, sem esperar para saber as reações daqueles machos malditos.







Como haviam dito, o porteiro da entrada principal do Senado foi extremamente cortês quando apresentei meu documento oficial de ocupação. Falei-lhe que iria para a biblioteca no setor sudeste, onde ouvira da existência de alguns tomos de Cálculo Diferencial muito peculiares e pude ver seus olhos de leigo brilhando em admiração. Em situações comuns eu teria um certo orgulho daquela reação, mas naquela noite eu apenas sentia um misto de náusea e leve tontura constantes.

Passavam das vinte e duas horas. Não havia ninguém pelos corredores. Por precaução fui realmente até a tal biblioteca e peguei alguns livros de cálculo trigonométrico e números imaginários e espalhei na mesa mais próxima à saída. Um álibi para caso alguém viesse a questionar meus motivos daquela visita. Também utilizei uma saída alternativa da sala de estudos, sendo o mais silenciosa o possível. Se meus nervos já estavam alterados antes deste ponto, daqui em diante chegava a assustar-me com o farfalhar do tecido da minha capa púrpura sobre meus joelhos.

A pistola que Erthta me entregara viera com seis capsulas para serem inseridas no pente removível no cabo da arma. Era projéteis minúsculos, feitos de metal acobreado. O cano fino era prateado e o cabo inteiro ornado de feições florais agressivas. Eu caminhava com uma das mãos no bolso, segurando a arma, sentindo as pontas dos dedos a textura fria dos enfeites.

As luzes dos corredores dos pavilhões leste e norte estavam apagadas. Apenas a luz que vinha dos postes da rua e entrava pelas largas janelas de vidro iluminavam alguns trechos.

A certa altura parei meu caminhar cuidadoso. Estava no segundo piso da ala norte e uma fresta de luz amarela escapava por debaixo da porta de uma única sala.

O coração batia na garganta, quase me impedindo de respirar. E se ela estivesse com seguranças? Era óbvio que deveria, sendo uma figura pública tão polêmica. Os idiotas nacionalistas não tinham pensado sequer nisso? Ou talvez tivessem lhe enviado ali exatamente para que eu fosse descoberta e morta. Seria a mártir da luta do povo contra o Senado traidor.

Ainda dava tempo de voltar. Ainda dava. . . Minha mão suava o cabo da pistola. Por um momento pensei que não fosse conseguir respirar. Soltei um pouco aquele ferro maldito e balancei os braços, respirando e fechando os olhos.            

Tinha chegado longe demais para recuar. Puxei o capuz folgado do longo casaco sobre a cabeça e me coloquei diante da entrada. Voltei a segurar o cabo da pistola e, após uma contagem silenciosa, girei a maçaneta e dei um empurrão violento na porta.

 





— Mas o que?! — exclamou a mulher sentada por detrás de uma larga mesa tomada de papéis. Eu dei dois passos para dentro e ela se levantou de um salto quando viu a minha figura.

Eu tinha a pistola apontada para senadora:

— O. . . — tentou dizer Anita Stradovaus, em choque.

Porém seu choque não poderia ser maior do que o que eu mesma estava sentindo ao encarar seu rosto arredondado e cabelos cacheados.

Meu braço com a pistola foi baixando assim como meu queixo:

— Quem é você? — perguntou a senadora, tendo uma estatura baixa e um vestido rosado coberto por um sobretudo magenta.

Minha garganta estava seca. Fiz força para conseguir balbuciar algo:

— Naisha? — foi o nome que saltou quebrado dos meus lábios. O choque pareceu se tornar ainda maior na expressão de terror já presente na Stradovaus.

— M-M-Mas. . .

Puxei o capuz. Ela deu um grito, levando as mãos ao rosto. Por puro instinto eu fechei a porta atrás de mim. Sequer lembrava mais do que estava fazendo ali:

— Catherin? Catherin o que você. . . — ela tentou perguntar.

— Naisha. . . ou melhor, Anita Stradovaus. . . — eu falei, sentindo as pernas fraquejarem. Tropecei para frente e me recostei no largo sofá ao centro da sala. — Anita Stradosvaus. . .

— V-Você. . .

— Você mentiu sua identidade para mim durante aqueles dois meses. — falei, encarando-a.

— Claro que menti. — disse Anita. — Acha que uma pessoa como eu pode sair de férias para o litoral, viver um romance de veraneio e embebedar-se como qualquer outro? Minha vida sempre corre risco. . . Exatamente como agora.

— Romance de veraneio. . . — repeti. Pelos deuses, eu não sabia se tinha vontade de chorar ou descarregar toda aquela arma de uma vez naquela mulher maldita.

— Você sempre soube. . . — ela disse, assombrada. — Sempre esteve no meu encalço. . . Deve ser um desses loucos nacionalistas. Escória. . .

— Não. Eu não sabia. — afirmei, levantando. — Por Simes, eu não sabia. Eu nunca. . . — as palavras seguintes eram ardidas demais para saírem da minha garganta já tão seca.

— Então porque está aqui?

— Eu. . . — olhei para a arma na minha mão. — Eles precisavam de alguém para acabar com a piranha separatista.

— Piranha?!

— É como eles te chamam! Os do Partido!

Naisha, digo, Anita caminhou até mim. Estava lívida, fora de si. Já tinha visto aquela imagem antes, na única discussão que tínhamos tido nos dois longos meses em que nossa paixão “de veraneio” havia florescido.

Eu tinha me envolvido com Anita Stradovaus. Stradovaus.

Paf.

Ela me esbofeteou na cara:

— Você que é uma piranha, Catherin Sthargh! — ela esbravejou. — Uma piranha que me seduziu e que agora vai me matar em nome dessa gente estúpida do Partido Nacionalista! Dessa sua gente estúpida!

— Eu não. . . ! — engasguei falando. — Eu não sou do Partido, eu só. . . Por Simes, você está destruindo Astran. Qualquer um na rua que tenha a chance vai querer te dar um tiro no meio da cabeça.

Ela estreitou os olhos de maneira perigosa. Inspirou fundo:

— Quem está destruindo este país são vocês, conservadores egoístas de Adram que acham que todos neste país tem a maravilhosa qualidade de vida que vocês têm aqui. — ela entoou.

Eu estava tonta demais. Sentei no sofá e massageei a face do rosto atingida com a mão que ainda segurava a pistola:

— Do que está falando?

— Estou falando da guerra na fronteira com Zheiwan. — ela respondeu, ganhando uma convicção imensa àquela minha abertura. — Estamos a dez anos arrastando uma guerra que está acabando com todo o tesouro do país. Além disso as pessoas daquela região vivem uma miséria e terror inigualáveis.

— Ah. . . — perdi as palavras diante daquilo. De fato havia uma guerra em andamento há mais de uma década no norte do país. Os aumentos de impostos sempre eram justificados com os custos do conflito. Haviam boatos sobre os aviões dos halz e suas bombas químicas, mas eu nunca tinha lido muito a respeito nos jornais.

Sempre tinham notícias, mas aparentemente a rotina da batalha me tornara insensível ao assunto:

— Vocês Nacionalistas querem manter a unidade nacional, mas não enxergam que muitos de nós morrem todos os anos de fome, de doença e vítimas dos bombardeios do outro lado. — seguiu Anita, com a expressão de concentração, seus olhos fuzilando os meus. — Já faz tanto tempo dessa guerra que nem há mais um lado de cá e um de lá, apenas morte.

Minha garganta estava seca:

— Então o seu projeto. . .

— Projeto que assino, mas que é de autoria de inúmeros representantes deste país e do nosso vizinho. — corrigiu-me a senadora. — Este projeto visa sim mudar a configuração do território de Astran. Vamos tornar toda aquela região uma região independente administrada por ambos os lados.

— “Diminuir nosso território”. — falei, mais como uma repetição dos mantras que repetiam nas reuniões do Partido. Anita também sabia daquele slogan.

— Diminuir nosso território e cessar a matança de inocentes. — ela sentenciou.

Me calei com isto. Não iria cair na tentação de um negacionismo escapista. Eu não era um dos fanáticos do Partido:

— Vocês Nacionalistas amam a bandeira deste país, não as pessoas que aqui vivem. — ela acusou. Não lhe encarei para responder.

— Eu não sou um deles. Eu fui coagida a agir em nome da causa. — defendi.

Stradovaus pareceu satisfeita com meu estado de derrota moral. Bufou e sacudiu os ombros como se tentasse diminuir a tensão imensa da situação. Caminhou de volta A sua mesa e sentou, apoiando os cotovelos sobre o tampo da mesa.

Permanecemos no silêncio barulhentos dos pensamentos individuais por longos minutos:

— Nunca pensei que me envolveria com uma assassina. — ela colocou, azeda.

— Eu não sou uma assassina! — respondi, me exaltando de imediato.

— Não parece, olhando deste ângulo.

Eu ainda estava em pé, com a pistola firme na mão direita. Soltei a arma sobre a mesinha de centro como quem tenta se livrar de algo repugnante. Caminhei até a poltrona diante da larga mesa de Anita. Me soltei sobre o acolchoado como se meu corpo pesasse três vezes mais do que o usual:

— Mesmo que você não fosse a senadora separatista já mereceria tomar um tiro no meio da cara por ter me usado como fez. — falei, o amargor subindo do esôfago para minha boca e nariz. — Romance de veraneio. . .

— Eu a usei? — indagou ela, ríspida. — Você que me espionou e agora vem com essa conversa.

Suspirei e escondi o rosto com uma das mãos. Minhas têmporas latejavam de tudo o que estava acontecendo. Eu sabia que seria a pior noite da minha vida, mas jamais poderia prever que seria uma agonia tão mais longa e pessoal.

Eu já tinha jurado amor pela filha legítma de Stradovaus. Uma razoável porção do mesmo sangue circulava em ambas as nossas veias, mas isso Naisha sequer sabia.

Digo, Anita:

— Você. . . — começou a senadora, com um tom muito mais sóbrio do que ouvira até então. — Você realmente não estava lá para espionar?

Não levantei a cabeça. Dentro dos meus olhos serrados luzes explodiam no escuro das minhas pálpebras:

— Eu te disse quem eu era. Uma matemática alocada na Universidade de Astran. — murmurei.

— Eu sei. Pelos deuses, eu fiquei paranoica depois que voltei para cá. — ela falou. — Pensava na possibilidade de encontrá-la em uma esquina. Estragar todo o disfarce.

— É, nos encontramos em uma esquina bem inesperada. — afirmei. Nos meus pensamentos eu fazia um esforço enorme para colocar de lado o que só eu sabia.

— Jamais aconteceria se você não fosse levada pela conversa fiada desse Nacionalistas.

Meus olhos se ergueram para Anita:

— E nem se você não tivesse mentido sobre tudo. — sibilei. — Romance de veraneio. . . Que merda mesmo.

Levantei num movimento brusco. Eu não ia matar aquela mulher. Tinha que sair dali. Provavelmente sair da cidade, do país:

— Espera, onde você vai? — Stradovaus questionou quando me viu virar e dar os dois primeiros passos para longe.

— Para onde eu vou? Vou embora. — era insuportável. Minha dor física misturava emocional e me fazia explodir de raiva com ela. — Vou para o raio que me parta, porque ameacei de morte a excelentíssima piranha separatista. Que diabos eu soubesse naquele dia que iria me desgraçar dessa maneira, eu jamais. . .

Eu falava enquanto encarava a porta da sala, cuspindo todo o rancor que estava entalado no peito. Porém minha enxurrada de ódio congelou na garganta quando senti algo tocar no meio das minhas costas. Um peso:

— Calma. — sussurrou Anita, tão baixo que eu só pude ouvir pela proximidade. Ela tinha a cabeça encostada em mim. — Eu não. . . Você não precisa fugir pra lugar nenhum. Não vou complicar a sua vida.

Me afastei e me virei para encará-la de cima. Seu rosto era delicado, seus traços tão suaves como eu lembrava. Minha cabeça já atordoada teve que lidar com mais a força dos impulsos que a proximidade de Naisha incitava.

Naisha. Naisha. Eu tinha repetido tantas vezes um nome falso. Aquele som ainda me soava tão doce e erótico. . . Porém:

— Romance de veraneio. . . — repeti uma vez mais. Os olhos já proeminentes dela se abriram mais.

— Catherin. . . — ela quis dizer, mas eu não queria ouvir.

— Já faz quase um ano desde aquele verão no litoral de Neocidi. — retomei, sem conseguir mais medir o que estava falando. Parecia que os pensamentos haviam desistido de mim, deixando apenas um zunido incômodo para trás. — Passei quase todo esse tempo pensando se um dia iria te encontrar de novo.

Ela baixou os olhos claros dos meus. Apertou a ponte do nariz com os dedos, suspirando:

— E tudo foi uma mentira. Uma aventura de férias. — segui, sentindo o esgotamento.

— Não foi tudo uma mentira. — ela rebateu, parecendo também já cansada.

— E o que não foi? — desafiei. Ela voltou a me encarar e eu podia ver o brilho no seu olhar. Parecia que não havia passado nenhum dia desde que vira aquela cor pela última vez.

— Isso não foi. — ela respondeu, indo ao gesto.

Nossos lábios se tocaram quando ela puxou meu casaco para baixo. Eu hesitei, relembrando em um segundo todas as coisas que já tinha pensado desde que entrara naquela sala. O tamanho da gravidade do que estava acontecendo. A traição aos idiotas do Partido. A humilhação ao nome da minha miserável família.

Mas eu desejava aqueles lábios. Os lábios de Anita Stradovaus. Eu queria tudo.

Mergulhei aquele toque. Abracei seu corpo delicado, apertando-o contra mim. Senti cada átimo da presença dela como uma realidade estupenda, inebriante, quase enlouquecedora. Um único instante de lucidez me conteve no desespero da minha carência:

— Maldita. . . — falei de voz quebrada, encarando o rosto ainda tão próximo e lívido dela.

— Catherin. . . — ela correspondeu. Seu tom era de uma agudeza quase inapropriada. — Me perdoe.

— Por me enganar ou por tentar destruir o país? — questionei, deixando um sorriso escapar-me por desatenção.

— Eu nunca pediria perdão por salvar o que resta do Norte. — ela rebateu, com toda a seriedade. — Portanto me perdoe por ter sido covarde.

Soltei-a de mim, usado a minha renovada capacidade de raciocínio para tentar avaliar a situação:

— Os camaradas do Partido jamais irão me perdoar. — disse. — Minha vida será transformada em inferno por ser uma covarde.

— Por que não vens comigo para o Norte? — perguntou Anita e eu lhe respondi com uma expressão de perplexidade. — A emancipação assistida da província contará com um governo local mínimo ao qual eu irei me unir em regime permanente. Uma intelectual como você também poderá fazer muito para reerguer aquele povo.

— Eu? Mas sou apenas uma matemática.

— Precisaremos de cálculos para construir estradas, ferrovias, pontes. — afirmou Stradovaus. — Além disso aquela região está devastada. Os jovens vivem para tentar conseguir comida. Lhes falta toda sorte de estudo imaginado. Mentes como a sua podem fazer muito por um povo nessas condições.

Me afastei de Anita, dando a volta na mesa de centro e sentando diante da mesma. A pistola com a qual iria cometer um crime estava ali, brilhando às luzes químicas da sala. Parecia fazer anos desde que eu estivera no corredor escuro, ponderando se fugiria ou cumpriria a imposição do Partido. De assassina agora me via como mente recrutada para ajudar na reconstrução de um novo país que nascia da devastação da guerra.

E isso ao lado de Anita Stradovaus. Stradovaus:

— O que diz? — perguntou-me ela quando alonguei o momento de silêncio.

Encarei seus olhos verdes. Em algum ponto em me sentia desprezível, mas na maioria havia uma vontade primitiva de viver, como se tentasse emergir das profundezas da água fria:

— Parece uma boa proposta se for para ficar mais do que um verão lá.
sábado, 11 de agosto de 2018
Posted by Mazaki89

[Assistindo] Transit Girls - Episódio 03 (Dorama)

Olá pessoal!

A Se-chan está correndo aqui para trazê-los mais comentários sobre Transit Girls, aquele dorama com plot de Citrus só que com menos tensão sexual! (XD) Em compensação, ele é mais fofo também...

Vamos parar de enrolação, venham ver o que rolou no episódio!!

Transit Girls
Episódio 03

Como sempre, começamos com aquele minutinho de reprise, com a Yui admitindo que talvez esteja começando a gostar de Sayuri. A protagonista aparece tentando se concentrar nos estudos após o ocorrido, mas desiste.
No dia seguinte, café da manhã com a tradição de Sayuri mal humorada e negando aquele clima familiar. Enquanto seu pai está super feliz elogiando os simples ovos fritos da nova esposa, Sayuri dá uma mordida e vai embora, falando que está só se sentindo meio resfriada. Yui leva um corte da garota, mas a segue (que stalker!).

Sayuri vai caminhando (com a stalker atrás, eu teria medo dela.. credo! XD), e enquanto isso Mirai e Aoi conversam sobre a relação de Sayuri e Nao, com a garota apaixonada dizendo que não gostaria de ser chamada de manju que nem a Sayuri e que sabe que não deveria ter problema em os dois amigos continuarem sua relação, que é clara que eles não tem nada além de amizade.

Aoi pega o celular de Mirai e começa a digitar pedindo ajuda na questão que o garoto não sabia responder no dia anterior. A garota apaixonada pega o celular de volta, troca a frase por uma mais formal, e continua a 'teclar' com o garoto, combinando de ele ajudá-la mais tarde. Ao mesmo tempo, o garoto está mandando mensagens para Sayuri, sabendo que ela está doente. (mas a garota segue na rua..)
Sayuri continua a andar pela rua, até que chega no templo, reza e depois se senta, vendo Yui se aproximar. A colegial tenta espantar a moça, e pergunta se a outra vai mandá-la ir a escola. Porém, Yui apenas responde que não é mãe dela para fazer isto, e além, diz que também não a vê como irmã. Esse foi o limite para Sayuri, que diz que desde que a outra chegou, ela sente o corpo pesado, a garganta queimar e até sente dor de cabeça. Yui percebe que a garota está mal, e a leva para casa.

Já em casa, Yui cuida de Sayuri, e elas tem uma conversa sobre os ovos do café da manhã (no final, isso é apenas para falarem das diferenças que Sayuri sente entre sua mãe e Madoka, a mãe de Yui). A garota mais velha explica que mal lembra de seu pai, que abandonou a família quando ela ainda estava no primário. E, por fim, Sayuri deixa a entender que Madoka não é uma má pessoa.
Algumas horas depois, Nao chega na casa de Sayuri e o pai da garota e sua esposa ficam falando como ele seria um bom partido para a menina (omg, que desnecessário...), e o garoto vai até o quarto de Sayuri para ver se a garota está acordada para receber algum doce que ele trouxe para ela. Chegando lá, ele vê que Sayuri está sim dormindo, mas de mãos dadas com Yui, que também dorme apoiada na cama. O garoto sai, desce, guarda o doce e fica com uma cara bem preocupada.
Após mais algum tempo, Yui acorda e arruma as cobertas de Sayuri, que ainda está dormindo. A mais velha para, a observa, e lhe dá um novo beijo (sério? qual o problema dos japoneses?! XD). Ela sai do quarto e, para a surpresa de ninguém (imagino) Sayuri abre os olhos de modo que deixa claro que ela estava acordada quando recebeu o beijo (HMMMM!).

E assim termina o episódio~~


O terceiro episódio da série foi mais calmo, até por que, o anterior tinha sido mais carregado de informações e draminhas. Os pontos fortes foram os personagens secundários, ao meu ver. Nao vendo Sayuri dormindo com a mão junta a de Yui foi interessante, já que o menino ficou bem encucado e preocupado com a situação. Gostei da atuação do ator.

Já no caso de Mirai, o ciúmes de Sayuri e a conversa com Aoi foi o melhor momento do episódio. Ela está consciente que não precisa ter ciúmes com relação a Sayuri, mas tem aquela pulga atrás da orelha quanto aos sentimentos do garoto. A menina o observou o bastante para ver por detrás daquela esfera de "Sou o amiguinho de infância que quer só incomodar a garota". Ela sabe que Nao gosta de Sayuri e isso a deixa incomodada. Gostei muito da interação dela com a colega de classe, sendo encorajada a falar por mensagens com Nao.
Outra coisa que gostei é que como foi um episódio mais calmo, eles resolveram fazer cenas bem mais compridas, menos apressadas, então desenvolveu alguns diálogos bem mais interessantes. Achei ótimo, já que a pressa do primeiro episódio me deixou bem nervosa. Parece que agora que os personagens já foram apresentados, eles estão começando a tirar o melhor deles. Vamos torcer para que continuem assim!


Agora é esperar para ver o que acontecerá. Nao ficará quieto quanto ao que viu? Mirai irá dar algum passo na sua relação com Nao? Vamos ver o que teremos logo logo, já que o AION trouxe dois episódios seguidos em uma única postagem!!

Esse foi um presentinho de Natal da Se-chan para vocês, espero que tenham gostado e desejo a todos um ótimo feriado! (comemorem com muito yuri~~ \o/)

Até logo! o/

Entre em contato por:

[Assistindo] Transit Girls - Episódio 02 (Dorama)

E não é que a Se-chan voltou com Transit Girls aqui no KaS? Pois é, depois de tanta procura pelo dorama, e minha curiosidade sobre a série, estou aqui para contar para vocês o que aconteceu no segundo episódio da série, além dizer o que achei.

Este episódio eu também consegui no AION, agradeçam a eles por estarem trazendo a série em português para nós!

Transit Girls
Episódio 02

Depois de aparecer um pequeno resumo do episódio anterior, vemos Sayuri expulsar Yui de seu quarto depois de ter um beijo roubado. A garota fica chocada sentada na cama. No dia seguinte, Sayuri acorda (ou melhor, parece nem ter dormido direito) e vai tomar café da manhã e rola um clima chato com Yui. O pai dela percebe que há algo errado e tenta saber o que há, mas ela foge.
Sayuri está conversando com suas amigas depois das aulas, sobre ter terminado com seu namorado e como uma das garotas está precavida caso haja um "algo mais" com o namorado. A outra, que sabemos que gosta do Nao, conta isto para Sayuri, já que ela é lerda e não percebeu. Além disso, pergunta se a protagonista não sente nada pelo garoto. Sayuri nega, enfatizando que a garota não precisa a ver como uma rival.

Eles vão para a casa de Sayuri para estudar, e Yui chega em casa e diz que irá preparar algo para eles comerem. A protagonista nega e diz que fará, e Nao, querendo ficar junto de Sayuri, vai ajudar (o cara não se liga que ela não gosta dele...). Yui somente fica observando a situação, vendo Sayuri e Nao se dando bem (e ele pegando o rosto da garota brincando), e a garota que gosta do menino com ciúmes. As garotas acabam conversando sobre o que Yui faz, e Nao faz insinuar que o chefe da moça também é seu namorado (eu vi o teu plano, chato). Eles comentam que ele parece ser espanhol (o que?! aquele cara é super japonês....).

De noite Sayuri vai até a porta do quarto de Yui, e a outra a pega parada na frente da porta quando volta do banho. Ai vai a cena "constrangedora". Sayuri entra no quarto junto da Yui (só de toalha), e a espera vestir algo antes de conversarem. A garota pergunta se ela faz aquilo com qualquer pessoa (beijar né), mesmo tendo namorado (JÁ DISSE QUE NÃO É NAMORADO, MENINA PENTELHA), e sai voando do quarto.
No dia seguinte, há uma cena de conversa entre Yui e seu chefe, ele comentando como Sayuri está dificultando as coisas, e como Yui dificilmente demonstra seus sentimentos. Depois disto, aparece uma cena de Sayuri e suas amigas, comentando sobre se Nao tem ou não namorada (Sayuri enfatizando que ele com certeza não tem), e que a garota deveria perguntar sobre os planos dele para o Natal, para os dois sairem juntos (para quem não sabe, Natal no Japão é uma data bem estilo "Dia dos Namorados").

Sayuri e Aoi tentam sair para os dois ficarem juntos, dando desculpa que elas já haviam terminado de estudar, e que Mirai queria tirar uma dúvida com o menino. Só que a garota mostra o exercício para ele e o menino diz que também não sabe a resposta, e ele convida ela para irem comer algo juntos. Ela tenta negar de todos os jeitos possíveis, mas ele simplesmente pega a bolsa dela e vai. E rola um clima ruim entre as garotas.

Sayuri fica jogada na cama, com luz apagada e tudo, até que Yui chega no quarto e acende a luz dizendo que logo será hora do jantar. Ela senta na cama e pergunta se é algum problema com os amigos dela. Sayuri nega, e pede para a outra sair. Yui fica parada, e pergunta se Mirai gosta do Nao e presume que aconteceu algo quanto a isto. Sayuri continua parada, portanto Yui acaba fazendo o mesmo gesto que Nao fez antes (segurando as bochechas de Sayuri), e que não irá parar até que a outra fale.
Sayuri desabafa, achando que foi sua culpa, e não faz ideia do que fazer, por que não quer que sua relação com Nao fique estranha, por que são amigos de infância. Além disso, diz que acha que seria bom se Nao e Mirai começassem a namorar. Yui aconselha então que a garota diga o que acabou de falar para Mirai. Quando ela está indo embora, Sayuri faz a mesma pergunta que antes. "Você faz aquilo com qualquer um?", mesmo que ela tenha namorado (JÁ DISSE QUE NÃO É), a outra responde que não tem namorado.

Então Sayuri pergunta se beija outras mulheres, e recebe a resposta que foi a primeira vez e que não estava debochando da menina e pede desculpas. Sayuri continua o "questionário", perguntando se Yui gosta dos dois, a outra apenas diz que não sabe. Pergunta se a garota já saiu com outras mulheres, a outra nega. Mas a outra diz, que sempre sentiu que havia algo preso em seu coração, e que agora finalmente não se sente desse modo.
Ela pede desculpas por não conseguir explicar direito, mas ela mesma não entende direito, e fala que a única certeza que tem é que quer saber mais sobre Sayuri. Que sempre que a vê, quer tocá-la. E diz que talvez goste de Sayuri. (AEEEEEE~~)


Eu gostei muito mais desse episódio. As cenas são mais conectadas, além de que o desenvolvimento das personagens é melhor mostrado. Yui deixou de aparentar ser apenas uma garota calada e misteriosa, para se mostrar uma jovem recém-apaixonada, descobrindo sua sexualidade. É sútil, mas há uma evolução, e dá para ver que gosta de Sayuri na cena que ela está vendo a garota preparar o lanche junto de Nao.

Já Sayuri deixou de ser só uma garota problemática com o novo casamento de seu pai. Ela está rodeada de sentimentos e confusões amorosas que obviamente nunca haviam passado por sua cabeça. E, principalmente, está curiosa sobre Yui, e o por quê do beijo. Está óbvio que ela ainda não entendeu seus próprios sentimentos, mas está em busca de resposta.

As atrizes parecem mais expressivas (ou o roteiro tenha ajudado, talvez), e gostei também da evolução dos personagens secundários. Fico com pena de Mirai ficar com ciúmes da Sayuri com o Nao, mas sei que é normal. A garota não faz ideia do que se passa com a amiga, então é complicado realmente não achar que os amigos de infância tem algo.

No final do episódio, fiquei muito satisfeita. Achei infinitamente melhor que o primeiro capítulo da série e estou muito curiosa para o que vem. A verdade é que acabei vendo ele sem legenda até o episódio 5 após ver esse episódio, de tão animada que fiquei. Agora espero as legendas (por favor AION, traga para nós!) para saber exatamente o que está rolando em algumas cenas e poder fazer as próximas postagens!


Espero que tenham se animado com o dorama como eu. Será que continuar as análises com um resumo do episódio inteiro seguido de uma opinião está bom? Ou será melhor só opinião? O que acham?

Se tiver vontade, mostre sua opinião para a equipe do Kono-ai-Setsu nos comentários abaixo. Nos siga nas redes sociais para ver notícias ou imagens super legais que estamos sempre colocando no ar!
E não se esqueça de nos dar uma mãozinha na divulgação, se achar nossas postagens interessantes, ok? (^.~)

Fontes:
Anime News Network
Página Kill Witches, Get Bitches

Entre em contato por:
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Posted by Se-chan

Assine o feed do Yuricast!

Enter your email address:

Delivered by FeedBurner

Translate to your language:

Seguidores

Parceiros

Parceiros | Yuri

Kiyoteru Fansub
Gokigenyou
Moonlight Flowers
S2 Yuri
Yuri Licious
Yuri Private
Yuri Zone

Parceiros | Blogs e Sites

Anikenkai
Chuva de Nanquim
Elfen Lied Brasil
Gyabbo!
Jwave
MangaBa
MangaBa
Mithril
Mundo Mazaki
nbm² - Nobumami
Netoin!
Shoujismo
Você Sabia Anime?

Arquivo do Blog

Popular Post

- Copyright © | Kono - Ai - Setsu | - fonte para yuri, shoujo-ai e girls love desde 2007 -Metrominimalist- Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan -