[Fanfiction] Shadow 8
Olá a todos! Mazaki de volta pontualmente para trazer a sequência de Mastered Negima: Shadow. Como sempre, aventuras e emoções aguardam os membros da Ala Alba, especialmente Setsuna Sakurazaki, que está diante do medo do confronto com sua própria sombra encarnada, Setsuna-P.
Leitura Online (mediafire)
Leitura Online (mediafire)
Aviso-legal:
Mahou Sensei Negima não me pertence. Mastered Negima é uma obra de
fã, sem fins lucrativos.
Mastered Negima Shadow
Capítulo 8: O Resgate
As poucas estrelas que eram visíveis pela pequenina abertura na
grossa parede de pedra, apelidada de janela, foram encobertas por
pesadas nuvens de chuva. Janela era bondade para o que parecia mais
uma pequena entrada de esgoto, quase inteira tomada por grades. A
única passagem de ar fresco na escura e úmida cela onde Asuna e
Haruna estava presas desde a tarde daquele dia.
As duas haviam sido alimentadas com pedaços duros de pão a algum
tempo e a ruiva já sentia os efeitos da nutrição muito inferior a
qual estava acostumada. Permanecia atirada sobre a fina camada de
palha que havia sido designada como uma das camas da cela. Pouco
falava:
― Ei, Asuna, você está mesmo mal assim? ― perguntou Haruna,
sentada com as pernas cruzadas sobre a sua própria "cama".
― Tô fraca e com fome, Paru. Se não se cuidar vou acabar
confundindo você com um peru assado. ― respondeu a ruiva, erguendo
o braço no ar com esforço.
― Nossa, eu não consigo imaginar nem a Konoka nem a Setsuna
falando algo tão lésbico assim, Asuna.
― Ora sua. . .
Um som metálico vindo do corredor de pedra que levava até a cela
fez as prisioneiras se calarem, apurando a audição para qualquer
outro som. Porém o silêncio foi a única resposta das garotas,
pontuado por alguma goteira muito distante:
― Será que nunca o pessoal vai nos tirar aqui? ― choramingou a
mangaká, ansiosa.
― Não seja idiota. Provavelmente virão só durante o dia. ―
disse Asuna. A ruiva também não ficava feliz com isso, mas sabia
que era a realidade.
― Mas tiveram tanto tempo, ainda durante a tarde, para voltar.
― Espero que isso não signifique que deu alguma coisa errada.
Um silêncio temeroso se instalou entre as duas aprisionadas. O mesmo
só foi quebrado quando Haruna resolveu mudar o foco da conversa:
― Se ao menos eles tivessem deixado alguma lapís e papel por aqui.
Eu poderia me distrair rabiscando algum yaoi.
― Eles devem achar que você usaria isso para fugir.
― É claro. Quem sabe eu possa serrar essas barras de ferro com uma
folha de papel úmido. Ou que sabe fazer uma rebelião armada de um
lapís de ponta quebrada!
Asuna deu uma risada rouca do deboche da outra. Haruna também acabou
dando risadas da própria bobagem:
― Se tivesse lapís e papel provavelmente eu já os teria comido.
― Caramba, Asuna, assim não vou confiar em dormir aqui. Vai que
amanheço desvirginada.
― Idiota.
― Bela porcaria!
Negi, Kamo, Setsuna, Kotarô e Kuu Fei avançavam saltando pelos
telhados da capital de Husdeven, rumo ao palácio de Delaro Igati. A
tempestade era tamanha que às vezes algum deles acaba por quase
acidentar-se ao errar um salto entre as construções. Não
conversavam muito até que Kotarô acabou estravazando sua frustração
sonoramente:
― Bela porcaria! Espero não me afogar antes de chegarmos ao
palácio!
― Calma, Kotarô. Ele já está lá adiante. ― ponderou Negi, que
cobria o rosto com o capuz do casaco sem mangas que vestia. O
professor sentia-se sortudo por só precisar dos óculos para ler,
pois os mesmos estavam completamente borrados de água.
― Não palecem ter colocado mais ploteções nem nos mulos do
palácio. São uns bobões. ― comentou Kuu Fei, quando o grupo
finalmente pousou no telhado aberto de um prédio próximo à pequena
praça à frente dos portões da residência da governante de
Husdeven.
― Mais uma tentativa de disfarçar a crise, mana Kuu. ― disse
Kamo.
Negi conjurou uma magia invisível de proteção sobre a cabeça do
grupo para que tivessem alguma folga dos golpes gelados da chuva.
Espiaram os muros e jardins do palácio por cima do parapeito daquele
terraço:
― Seria bom poder saber se as duas realmente estão lá. E onde. ―
disse Negi, vasculhando todos os cantos que conseguia ver.
― Eu posso mandar meus inugamis investigarem. ― sugeriu Kotarô.
― Acho que uma matilha não é a melhor forma de espionar. ―
admitiu Kuu Fei, imaginando a cena.
― Eu vou usar a Chibi Setsuna, então. ― disse a shinmei.
― Ótimo, Setsuna-san. A Chibi Setsuna pode ser frágil, mas é
muito útil para isto.
― E confiável. ― acrescentou Kotarô.
Ignorando o comentário do outro hanyou, Setsuna retirou do bolso
interno do leve casaco que trajava a dobradura referente à sua
shikigami mais antiga e fiel. Em um instante, Chibi Setsuna surgiu
flutuando à frente da espadachim:
― Chibi Setsuna. Preciso que faça algo muito importante para mim.
― Sim, senhora! Estou aqui para ajudá-la. Mas. . . ― os olhos
grandes e redondos da invocação pareceram demonstrar alguma
preocupação. ― Está tudo bem, mestra? Sinto seu ki um pouco
perturbado.
― Não é nada. Agora me escute com atenção.
Setsuna passou as instruções para a pequena com rapidez e logo o
grupo assistiu a mesma desaparecer em meio às pesadas gotas de
chuva, indo em direção ao palácio. Então sentaram-se escondidos
pelo parapeito, aguardando:
― O que me deixa realmente tenso nessa parada é pensar que aquela
maluca pode aparecer a qualquer momento. ― comentou Kotarô, depois
de um certo tempo do grupo ter permanecido calado. ― Ela tem dois
daqueles amuletos, não sei se temos como lidar com isso.
― Não adianta ficar pensando nisso agora, Kotarô. Vamos primeiro
resgatar as garotas para então ver o que será feito. ― disse
Negi. O mago parecia incomodado com a indelicadeza do amigo em tocar
num assunto difícil especialmente para uma das pessoas presentes.
― Ah cara, eu sei disso né. Mas aquela coisa não tá de
brincadeira. Ela quer nossas cabeças empalhadas!
Setsuna permaneceu completamente alheia ao debate. Metade dos seus
sentidos estavam acompanhando a evolução da busca de Chibi Setsuna
pelos jardins de Delaro Igati. Outra metade estava tentando não
pensar sobre aquela situação tão incômoda que aparecera em sua
vida no dia anterior:
― Ela encontrou! ― exclamou a shinmei, repentinamente, espantando
os amigos.
― Encontrou?! Onde?! ― questionou Kotarô.
― Isso só da pra saber quando ela chegar aqui. Não tenho como
pegar os detalhes.
O grupo esperou vários minutos até que enfim a pequena shikigami
retornou para o abrigo mágico, para então explicar os detalhes da
sua investigação:
― Mestra, as duas garotas estão bem. ― disse Chibi Setsuna,
iniciando seu relatório. ― A cela delas tem uma pequena abertura
para o jardim, na parte de trás do palácio. Existem muitos soldados
próximos ao local, mas não há sinais de qualquer barreira ou
proteções mágicas.
― Os caras realmente não majam nada de magia. ― disse Kotarô,
falando o óbvio.
― Essa é uma grande sorte nossa. ― comentou Negi.
― Fez um ótimo trabalho, Chibi Setsuna, já pode descansar.
― Muito obrigada, mestra! Espero que você melhore logo. Tchau
gente! ― despediu-se a pequena shikigami, retornando à sua forma
de papel.
― Certo. Vamos para a parte de trás do palácio, sem que eles
percebam. ― disse o líder da Ala Alba e o grupo partiu.
Na parte de trás do palácio de governo de Husdeven não havia
nenhum edifício que fosse mais alto do que o muro, o que fez o grupo
se refugiar entre duas casas abandonadas que haviam ali:
― Qual o plano, então? ― perguntou Kuu Fei, parecendo ansiosa
para o momento da invasão.
― É simples: eu e você acabamos com os soldados, Kuu Fei. Negi e
Setsuna tiram as garotas de lá de dentro. ― disse Kotarô, sem dar
nem tempo para que o professor-mago se pronunciasse.
― Ótimo! Quelo mesmo é lutar!
― Tsc. Bom, Setsuna. Precisamos ter alguma ideia específica para
pode entrar.
― Que tal, professor: você utiliza um ataque pesado para poder
abrir um buraco na parede, onde há a pequena abertura, e eu tento
tirar as duas lá de dentro voando?
― É uma ideia muito boa! ― disse Kotarô, animado.
― Fica quieto um minuto, guri! ― reclamou Kamo, visivelmente
constrariado com as intromissões do meio-kuzoku.
― Foi mal!
― Certo. Então está combinado. Vamos todos ao meu sinal: 3, 2, 1.
. .JÁ!
A ação teve início de maneira sincronizada. Quatro vultos saltaram
por cima dos muros da parte de trás do palácio do governo de
Husdeven, lar atual de Delaro Igati. A chuva torrencial não havia
diminuído de intensidade, o que tornou a reação dos soldados um
tanto mais atrapalhada e lenta do que normalmente teria sido. A
altura em que os primeiros alcançaram o cordão defensivo de Kotarô
e Kuu Fei, Negi já havia alertado do seu ataque e avançava contra a
parede de pedra que cercava a pequena abertura da prisão.
O estrondo foi enorme foi enorme. Pedra e poeira voaram para todos os
lados. Dentro da cela, Asuna e Haruna esconderam a cabeça com os
braços para não serem acertadas pelos destroços. A ação estava
se desenvolvendo perfeitamente. No momento em que Setsuna saltou para
dentro do buraco aberto, Negi já havia se juntado a Kotarô e Kuu
Fei para deter a enorme quantidade de soldados de Delaro Igati que
avançava contra o grupo. A shinmei aterrisou com exatidão mesmo sob
o chão tomado de pedras:
― Garotas, segurem nos meus braços. Vou tirar nós três daqui de
uma só vez.
― Setsuna! Graças a Deus. Eu seria capaz de te beijar te tanta
felicidade! ― exclamou Asuna, correndo para segurar no braço
direito da amiga.
― Dá um tempo desses ataques de lesbianismo aí, Asuna! ―
retrucou Haruna, segurando o braço esquerdo da espadachim com toda a
força.
― Vamos lá. Eu só posso fazer isso uma vez, então espero que dê
certo. ― disse Setsuna, abrindo e esticando suas asas de penas
totalmente brancas.
A meio-uzoku esticou as asas ao máximo e depois fez um movimento de
impulso reunindo uma enorme quantidade de ki para a ação. As três
garotas alçaram voo, subindo mais de quatro metros no ar, para
depois pousar com pouca delicadeza sobre o gramado exarcado do
palácio. Setsuna não conseguiu se equilibrar após ser solta por
Asuna e Haruna, caindo sentada por um momento:
― Maravilha! ― berrou Kotarô, após derrubar mais um soldado. ―
Sejam bem vindas de volta, garotas!
― Não temos tempo para conversar agora, pessoal, vamos sair daqui
logo! ― exclamou Negi, atirando magias de ar para ambos os lados,
detendo o avanço de dois pequenos batalhões vindos das laterais do
palácio.
― Eu te levo, Asuna! ― exclamou Kuu Fei, colocando a ruiva no
colo sem nem perguntar. A chinesa saltou por cima do muro do palácio
com facilidade.
― Ok, eu também! ― disse Kotarô, segurando e levando Paru
consigo para o outro lado.
― Setsuna-san, você está bem? Precisamos ir agora! ― perguntou
Negi, vendo a aparente dificuldade da shinmei em se levantar.
― Estou bem sim, sensei. Perdoe minha leve distração. ― disse
Setsuna, saltando para o muro do palácio, sendo seguida pelo
professor-mago.
Depois do grupo reunido do lado de fora, o processo de escapatório
foi até mais fácil do que no dia anterior. Devido a tempestade os
soldados não foram capazes de acompanhar a velocidade da Ala Alba,
que logo estava segura, no alto de uma torre de aspecto antigo:
― Gente, valeu mesmo. Eu já estava desesperada naquele buraco. ―
disse Haruna.
― Desculpem, garotas. Foi culpa minha vocês terem sido capturadas.
Eu ainda preciso melhorar muito como líder da Ala Alba. ― disse
Negi, passando a mão pelos cabelos na tentativa inútil de livrá-los
da água.
― Não precisa ficar tão preocupado assim, moleque. Só nunca mais
me deixe ficar presa tanto tempo em um lugar sem comida decente. ―
disse Asuna, com um sorriso cansado.
― Eu já estava acreditando mesmo que ia me tornar vítima de
canibalismo, professor. Foi assustador. ― debochou Haruna e o grupo
deu algumas risadas da reação irritada da ruiva. Todos menos
Setsuna.
A espadachim estava sentada em um canto um pouco afastado dos amigos.
Observava a cidade sendo golpeada pela chuva incessante. Seus
pensamentos estava distante daquele momento de alegria pelo resgate
das amigas. A sombra que ainda vagava lá fora estava atormentando o
coração da meio-uzoku, não deixando espaço nem para aquele
momento de relaxamento.
O grupo havia tido uma vitória, com certeza. Porém a verdadeira
batalha ainda estava por acontecer, a qualquer momento. Uma nuvem de
incertezas que Setsuna Sakurazaki não poderia permitir se espalhar
livremente, sem intervir.
"Chibi Setsuna, acho que você terá outra tarefa muito
importante para cumprir hoje" foi o que a hanyou disse a si
mesma naquele momento.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Posted by LKMazaki
[Fanfiction] Shadow 7
Olá a todos! Mais uma quarta e. . . vocês já sabem, acho que já usei umas duas ou três vezes seguidas essa apresentação. Sim, Shadow está em mais um capítulo aqui no Kono-ai-Setsu. Sétimo capítulo, para ser mais exata, bem onde as coisas começam a ficar ainda mais tensas.
Depois do aparecimento de Setsuna-P, algoz de Lives que ressurgira através de um golpe do destino, a Ala Alba tem dois desafios enormes a frente para conseguir retornar em paz para a Terra. Como será que os heróis desse grupo irão lidar com estes desafios? Só lendo para descobrir!
Leitura Online (mediafire)
Aviso-legal:
Mahou Sensei Negima não me pertence. Mastered Negima é uma obra de
fã, sem fins lucrativos.
Mastered Negima Shadow
Capítulo 7: Tempestade
Ao cair da noite, após o horário do jantar, no humilde salão da
hospedaria da parte oeste da cidade-capital de Husdeven, os jogadores
típicos do carteado noturno foram distraídos da sua rotina. Isso
porque a mesa mais ao canto do local fora cercada por uma barreira
mágica que bloqueava objetos e sons de ambos os lados passar. Era
obra dos misteriosos membros da equipe mágica que viera da distante
Terra.
Mesmo sem qualquer som vindo da barreira, os jogadores típicos
tinham certeza de que uma discussão furiosa estava acontecendo
naquele grupo forasteiro. As expressões de raiva e apreensão
dominavam o grupo. Ainda que tivessem se preocupado com os ouvidos
alheios, estavam com problemas demais para gastar tempo controlando
também a maneira de se portar:
― Eu não consigo acreditar. ― disse Yue, pela quarta vez nos
últimos vinte minutos. ― Como é possível que um espírito frágil
tenha atraído para si duas fontes poderosas de energia?
― Yue-san, nós já discutimos isso várias vezes e não chegamos a
lugar algum. ― ponderou Negi, que tinha olheiras profundas e um tom
de pele muito mais pálido do que seu normal.
― Vamos logo terminar de decidir como será o plano de resgate das
garotas. ― interveio Kotarô, pouco paciente.
― Ainda que os soldados da governante não sejam tão poderosos,
nós precisamos tomar muito cuidado, pessoal. ― alertou Albert, o
Kamo, que estava pousado no ombro da livreira Nodoka Miyazaki. Esta
aliás não havia sido capaz de se envolver na conversa, tamanho o
estupor causado pelos acontecimentos.
― Como vamos ter certeza de que as duas serão mantidas no palácio?
― questionou Konoka.
― As cartas de pacto não estão funcionando para comunicação,
então não temos como ter segurança nisso. ― disse Negi fiicando
ainda mais abatido do que já estava.
― Mas também é a única coisa que se pode esperar, devido à
situação difícil em que essa Delaro Igati se encontra. ―
ponderou Yue.
― Então a grande tática será "atacar e resgatar", só
isso? ― perguntou o meio-kuzoku.
― Assim palece mais simples e divertido. ― disse Kuu Fei.
― Só precisam se lembrar de ter cuidado. Sabe-se lá o que aquela
bruaca pode fazer com nossas manas. ― relembrou Kamo.
― Então podemos mudar para "atacar rápido e resgatar mais
rápido ainda", que tal? ― disse Kotarô
― Vocês parecem estar esquecendo algo muito importante nisso tudo.
― contrapôs Yue.
― Cê tá falando. . . ― começou Kotarô.
― Sim. O que faremos se Setsuna-P aparecer no meio do resgate? ―
completou Yue, deixando o seu suco que já estava vazio tempo enfim
de lado.
― Não se preocupem com isso. ― disse Setsuna, se manifestando
pela primeira vez em toda aquela discussão. Ela era quem estava
sentada mais afastada do grupo, em uma ponta da mesa, um pouco
distante mesmo de Konoka.
― Não precisamos, Setsuna-san? ― perguntou Negi.
― A pessoa que Setsuna-P quer atacar é a mim, se ela aparecer,
irei atraí-la para longe da ação.
― Mas isso é perigoso! Ela tem o poder dos dois amuletos mágicos,
não é isso? ― contrapôs Yue, tensa.
― . . . ― Setsuna pareceu relutante em dizer alguma coisa a esta
declaração, mas por fim cedeu. ― Será apenas uma distração.
Depois de resgatarmos Asuna e Haruna, poderemos nos reorganizar para
enfrentar esse problema.
― Puxa, é a primeira vez que vejo você não tentando resolver
alguma coisa sozinha, Setsuna. ― comentou Kotarô, com um tom de
certo rancor na expressão. Todos perceberam que o hanyou se referiu
especialmente a ocasião onde os dois mestiços haviam fugido de
Mahora para lidar sozinhos com o assassino Ice Soul. Tudo por uma
decisão tipicamente individualista da shinmei.
― Você esta tentando nos enganar, né Setsuna. ― disse Kuu Fei,
com um olhar divertido. A chinesa tinha certeza do que dizia, pois
julgava conhecer bem a espadachim, devido a todas as batalhas de
treinamento que tinha tido ao longo dos anos.
― . . . ― Setsuna porém apenas virou o rosto à essas
afirmações, encerrando sua participação na discussão.
Yue ficou um tanto intrigada com o fato de, durante todo esse
diálogo, Konoka e Setsuna não terem trocado olhares em nenhum
momento. Na verdade, pareceu quase que a maga branca não havia
escutado nada do que fora dito pela sua guarda-costas:
― Ei, tem um tiozinho vindo para perto de nós. Ele estar com um
sorrisinho que não me agrada nada. ― disse Kotarô e todos olharam
na direção indicada por ele. Realmente um senho de meia idade se
aproximava da barreira, com um sorriso amarelo.
Negi se levantou e atravessou a barreira que construíra para poder
saber o que aquele estranho queria com o grupo:
― Boa noite. Presumo que o senhor seja o Sr. Springfield. ― disse
o homem magricela e de roupas bem alinhadas, muito semelhantes aos
termos da Terra.
― Sim. Quem seria o senhor?
― Meu nome é Vosk, estou aqui como porta-voz do senador e príncipe
Derick, membro estrangeiro do partido de oposição do governo.
― Membro estrangeiro? ― repetiu o garoto, sem compreender.
― Sim. Vossa alteza é da realeza de um país em outro dos mundos
paralelos à Terra, mas também é envolvido em partidos por diversos
países estrangeiros. É sua maneira de manter relacionamentos ativos
dentro da política de vários reinos que possam se tornar aliados em
casos importantes.
― Entendi. Então, o que lhe trás aqui? ― perguntou Negi, sem
preocupar-se muito com protocolo. Estava exaurido em demasia para
pensar nestes detalhes.
― Vossa Alteza gostaria de manifestar seu interesse na expedição
da grande Ala Alba aqui em Husdeven. Ele também deseja deixar claro
a vocês o total apoio do nobre senador para qualquer movimentação
aqui em Husdeven.
Negi, que não era mais um garoto ingênuo em relação as atitudes e
estratégias ocultas dos políticos mais diversos compreendeu que
aquela era uma manobra do Príncipe Derick para aproximar-se das
forças mágicas da Terra. Mas devia haver algo mais:
― A Ala Alba agradece o apoio do senador e príncipe Derick, Sr.
Vosk.
― Felicito-me em ouvir isto, Negi Springfield. Agora, como seus
apoiadores, gostaríamos de saber em que pé estão seus encontros
com nossa governante, Delaro Igati. ― disse Vosk, com o sorriso
amarelado intocável. ― Sabe, Sr. Springfield, é nosso dever ter
certeza de que tudo está ocorrendo em ordem.
"Então é isso", pensou Negi. Como Delaro Igati bem
avisara, seus opositores estavam atentos, esperando qualquer brecha
para poder causar uma revolta dentro do poder de Husdeven, para
destroná-la. O professor-mago admirou-se pela ardilosodade de tal
ação, porém o seu cansaço excessivo não lhe permitia prolongar
muito aquela conversa:
― Está tudo caminhado perfeitamente, Sr. Vosk. Diga a seu chefe
que assim que precisarmos, entraremos em contato com vossa alteza
para realizar solicitações.
― Realmente? Sr. Springfield, a nossa governante pode ser uma
mulher um tanto radical e intragável às vezes. Se precisar de
qualquer apoio para ter um diálogo mais aberto com ela. . .
― Não há necessidade, Sr. Vosk. Agradeço em nome de toda a Ala
Alba.
E dizendo isto, Negi adentrou novamente à barreira, sem dar espaço
para mais conversa do homem. O mesmo pareceu um tanto frustrado, mas
logo retirou-se. O grupo abordou o mago com todas as perguntar
possíveis sobre aquela conversa, já que a barreira não lhes havia
permitido escutar nada. Negi explicou rapidamente toda a conversa, o
que não calou os questionamentos:
― Mas porquê mentiu pro cara? Esse senador, príncipe, sei lá,
poderá muito bem nos emprestar um batalhão inteiro de soldados para
invadir o palácio. ― indagou Kotarô, irritadiço.
― Talvez fosse vantajoso agora, porém isso instalaria uma situação
de caos político em Husdeven. ― contra-argumentou Negi. ― E,
sabem, não estamos aqui pra isso e as Associações Maǵicas não
ficariam nada satisfeitas se isso acontecesse.
― Professor, você parece mesmo exausto. ― comentou Nodoka,
surpreendendo alguns que nem lembravam mais da sua existência. ―
Acho que todos já discutiram o bastante.
― É verdade, Nodoka. Precisamos todos descansar para amanhã
restagarmos nossas amigas.
― Tsc. Pior que estou sentindo um cheiro de tempestade no ar. Vai
ser mesmo trabalhoso. ― disse Kotarô, erguendo o nariz e farejando
com um jeito um tanto canino.
Meia hora depois praticamente todos os membros da Ala Alba havia se
dirigido aos seus respectivos quartos para o repouso necessário. As
única excessões eram Konoka e Setsuna, que se dirigiam sem muita
pressa aos seus quartos vizinhos.
O silêncio imperava entre as namoradas. Também caminhavam a uma
distância maior do que o costumeiro. Era quase como se fossem
pessoas que não se viam a muito tempo e portanto tinham um certo
distanciamento. Foi a espadachim quem quebrou aquela parede gelada
entre as duas, porém sua voz não soou com o mesmo tom afável de
sempre. Ao invés disso havia uma certa frieza ali:
― Kono-chan. Você sabe que não vai partir junto com a Ala Alba
amanhã, não sabe?
― O que? ― Konoka parou e virou-se para encarar a namorada. O
modo como aquela frase soara a seus ouvidos havia sido péssimo.
Levando a maga a ter uma expressão de desconfiança muito atípico.
― É o que estou dizendo, Kono-chan. Não, é o que estou
implorando a você.
― Set-chan?
― É como eu disse na reunião da Ala Alba. Setsuna-P quer a mim
primeiro. Não tenho certeza se ela vai intervir tão cedo, mas é
uma grande possibilidade. Eu não vou ficar bem se você estiver
próxima ao perigo.
― Mas, Set-chan, eu não posso te deixar sozinha.
― Eu vou estar com o pessoal, não sozinha.
― Eu sei que você vai lutar sozinha, se ela aparecer. É isso que
você faz.
― . . . ― Setsuna não soube como responder a isto, em um
primeiro momento.
― Eu não sou mais aquela garotinha que foi manipulada por ela.
Você tem que acreditar em mim.
― Eu sei que não é. ― respondeu a shinmei, um tanto ríspida. ―
Kono-chan, eu vejo o quanto você cresceu e se desenvolveu como maga.
Você esta cada dia mais próxima de se tornar uma incrível Magister
Magi. Mas não se trata de poder neste caso.
― E do que se trata?
― Setsuna-P quer se vingar de você e especialmente de você,
Kono-chan. Se você estiver lá, ela se sentirá muito mais motivada
e lutar e destruir.
Dessa vez foi Konoka que não teve resposta para aquela afirmação.
Teve que admitir que sua namorada estava com razão neste ponto.
― Mas e você, Set-chan?
― Eu nunca faria nada que me fizesse correr o risco de não mais
poder te ver.
E assim as duas trocaram o único beijo antes de se separarem
novamente, na manhã do dia seguinte.
Como Kotarô havia previsto, o dia seguinte amanheceu com uma chuva
furiosa batendo contra as janelas da hospedaria onde a Ala Alba
estava acomodada. Esse fato não alterou os planos da equipe que
partiu ainda pela manhã para o resgate de Asuna e Haruna.
Konoka havia ficado no hotel, como pedido por Setsuna, assim como Yue
e Nodoka. As livreiras tentaram entreter a maga, com uma conversa
sobre literatura que normalmente chamaria a atenção da Konoe. Porém
naquele dia não havia assunto que pudesse tomar a atenção da maga
do que não a crise presente. Com o máximo de discrição o possível
a maga branca deixou Yue e Nodoka sozinhas no salão do hotel e se
dirigiu a um corredor que levava a uma saída aos fundos do prédio.
Konoka tinha um plano diferente do que sua namorada poderia pensar
para ela, tinha que se certificar que esta jamais soubesse dos seus
atos.
Já havia se passado meia hora desde a partida da Ala Alba, então a
maga sentiu segurança em usar a comunicação telepática em uma
área limitada. A mensagem que enviou por telepatia foi a seguinte:
"Sei que está me esperando. Vamos nos encontrar cara a cara."
E tendo feito isto, Konoka partiu para a chuva, cobrindo a cabeça
com o capuz do seu manto de maga branca.
A princípio ela apenas correu pelas ruelas da capital, pisando em
poças de lama e sendo enxarcada até a alma pelas torrentes de água
incessantes. O caminho estava vazio. Os únicos sons eram produzidos
pelos passos apressados da jovem em meio às construções. Foi
quando um som rasgante veio do alto, sobre a cabeça de Konoka,
enquanto ela cruzava uma esquina.
Era o sinal. A maga aumentou a atenção dos sentidos e percebeu
novos sons vindo do alto, seguindo-a. Konoka acelerou a corrida o
quanto pode, porém não conseguiu deixar aqueles sons para trás.
Foi quando a maga foi obrigada a parar, quando chegou a uma esquina
que só lhe levava a dois becos, que o movimento aconteceu. Uma
figura veloz, tanto que pareceu uma sombra, voou sobre a Konoe, que
desviou atirando o corpo para o lado, tropeçando e caindo na
calçada.
Correu. A sombra foi para o alto mais uma vez e investiu contra suas
costas, errando por pouco. Porém logo Konoka se viu diante do final
do beco e percebeu que era o fim da linha. O impacto contra seu corpo
foi tremendo, atirando-a contra a parede. Vários arranhões se
fizeram na pele branca da jovem. Esta ainda tentou se sustentar, mas
um par de mãos a agarrou, virando-a com as costas para o paredão,
prendendo-a com violência:
― Que tipo de jogo é esse, Konoka Konoe?
A herdeira da associações mágicas do Japão abriu os olhos e
piscou algumas vezes, com a vista borrada. Porém nem por um instante
teve dúvida quanto à figura que a encarava:
― Setsuna-P.
As pancadas de chuva ainda estavam intensas ao máximo. Era
dificultoso para as duas manter o contato dos olhares. Apesar de toda
a água, o rancor e agressividade ainda eram transparentes na
expressão de ambas:
― Como soube que eu estaria por perto e não seguindo o restante da
Ala Alba?
― Talvez eu saiba mais coisas do que você pensa.
― Não brinque comigo. ― disse Set-P, apertando o tecido do manto
da maga próximo à gola, dificultando a respiração de Konoka. ―
O que você quer, me atraindo para cá desta maneira?
― Só quero resolver tudo, Setsuna-P.
― Resolver? ― repetiu a ex-shikigami, dando uma risada amarga. ―
Isso significa que vai me deixar destripá-la agora mesmo? Isso seria
inesperado, porém ótimo.
― Não. Não é isso que eu quero.
― É mesmo? Então o que você quer, Ojou-sama?
― Setsuna-P. Vá embora.
― O que disse? ― o tom de surpresa ficou evidente na voz da
ex-shikigami.
― Ainda que você tenha dois dos amuletos que a Ala Alba pretende
reunir, vai ser melhor para todos nós que você parta com eles, para
sempre.
― Então é isso. Você quer que eu vá embora em paz, para que sua
vida feliz ao lado daquela lá continue.
― É isso sim.
― Pois saiba, Kono-chan, que meu único motivo para ter estes
amuletos, este corpo, esta vida, é para poder me vingar. Esse é o
motivo da minha existência.
Konoka encarou o rosto de Set-P em silêncio por algum tempo. O rosto
que devia ser idêntico ao da pessoa que amava, mas que conseguia
apenas com a expressão, se tornar completamente outro. A espadachim
pareceu desfrutar daquela falta de diálogo:
― O que houve? Esse era seu único argumento? E ainda teve a
coragem de dizer que não era mais a mesma pessoa. Vamos, diga alguma
coisa antes que eu acabe com a sua vida aqui mesmo!
― Você não vai me matar, Setsuna-P. ― disse Konoka, com uma
determinação sólida na voz.
― Não vou é?
― Não. Tente se quiser.
Setsuna-P ficou furiosa com o tom de desafio na voz da maga. Empurrou
esta contra a parede e sacou a espada de lâmina larga e reta da
cintura. O cabo e mesmo boa parte da lâmina eram negros e emanavam
uma aura assassina intensa. Antes que Konoka conseguisse sequer levar
a mão ao bolso do manto onde estava a varinha portátil que
carregava a lâmina de Setsuna-P encostou-se na pele do pescoço a
fazendo congelar no lugar:
― Tem certeza de que eu não vou te matar, Konoka Konoe?
Konoka encarou o olhar furioso da outra com determinação. Não
havia espaço para erros naquela situação.
― Tenho.
― E porquê tem tanta confiança assim, ainda que eu esteja com a
sua vida na ponta da minha espada?
― Por um motivo muito simples, Setsuna-P.
― Qual?
― Você ainda me ama, apesar de tudo. ― declarou Konoka, a sua
última carta naquele jogo que valia sua própria vida. O trunfo que
ela guardou até o último instante e rezou com toda a fé para que
funcionasse.
E funcionou. Setsuna-P foi pega totalmente de surpresa por aquela
frase. Um estupor tamanho que, sem que percebesse, ela abaixou a
espada num movimento lento e contínuo. Como se uma força misteriosa
causasse aquele movimento. Talvez a força daquela declaração.
Era o que Konoka esparava. Num movimento veloz a maga sacou a varinha
e encostou-a no pescoço da outra. A essa altura a espada de Set-P
estava longe demais dali para revidar antes de ser atacada:
― Sou eu quem vai te matar, Setsuna-P, no final das contas. ―
sentenciou Konoka Konoe, com amargor.
― De onde. . . você tirou toda essa força de vontade? ― havia
medo real na voz de Setsuna-P.
― Talvez o sofrimento que você me fez passar tenha sido o começo,
não acha?
A determinação brilhava nos olhos castanhos de Konoka Konoe. A
sombra pode sentir o calor se intensificar na ponta da varinha que
estava encostada no seu pescoço. Percebeu que não poderia revidar,
mas talvez pudesse escapar. Aparentemente a coragem da Konoe fora
capaz de apagar da memória da ex-shikigami a sua vantagem em possuir
os amuletos mágicos.
Konoka preparou o ataque em silêncio, porém a outra deu um impulso
para trás repentino, antes que fosse capaz de disparar a magia. O
ataque passou ao lado da cabeça de Setsuna-P e atingiu uma montanha
de lixo esquecido. Ao invés de revidar, a ex-shikigami saltou para o
telhado de uma das casas que ladeava o beco e partiu, em fuga. Em
alguns instantes a energia de Setsuna-P desapareceu na distância.
A chuva ainda açoitava o solo e o corpo trêmulo de Konoka, que
permaneceu no mesmo lugar por um bom tempo, sem forças para qualquer
atitude. Apesar da fraqueza no corpo, era a maga branca a vencedora
naquele dia.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Posted by LKMazaki
Bate-Papo #04: A Sensação Christa & Ymir
O anime de Shingeki no Kyojin acabou essa semana, e eu não
poderia deixar de comentar aqui no KaS sobre uma das maiores sensações da
comunidade yuristica dos últimos tempos, o shipping lésbico entre Christa e
Ymir. O que intriga é o enorme sucesso das duas não apenas na fanbase da série,
mas que tomou de arroubo toda a comunidade. Em qualquer tumblr destinado a
cultura yuri (“cultura yuri” não é um
termo que soa muito legal e chique? Huehuehuehu) você vai ver imagens das
duas sendo viralizadas. É instigante o fato de que nem no anime, nem no mangá,
elas terem um relacionamento explicito. Aliás, as duas mal aparecem (!).
Pode-se dizer que shippers (Shippers e a Incrível Arte de Incomodar os Outros) são assim mesmo, incorrigíveis.
Mas não acredito que seja tão simples e sim que se trata de algo sintomático.
Vamos traçar um paralelo entre Madoka Mágica (2011) e Shingeki no Kyojin (2013),
no espaço de tempo entre as duas séries, outros incontáveis animes também
abordaram, de modo explicito e implícito, relacionamentos lesbos. Apesar disso,
fora essas duas séries, nenhuma outra teve uma repercussão tão grande quanto
aos seus casais românticos do sexo feminino.
O que eu percebo é que, fora algumas exceções, como Shizuma
x Nagisa (Strawberry Panic!), Himeko
x Chikane (Kannazuki no Miko),
casais yuris/shoujo-ai tendem a ter uma recepção muito polarizada dentro da
comunidade. O que se justifica pelo fato de ser um produto que tem como publico
alvo essa própria fanbase, criando uma divisão. Já Madoka Mágica e Shingeki no
Kyojin não são voltados para o demográfico yuri, embora ambos possuam
conotações obvias. O fato de serem obras que não giram especificamente em torno
do relacionamento gay e não serem graficamente explícitos dá o gás necessário
para que o fandom utilize toda a sua criatividade imaginativa. Shipping não é
algo que surge por acaso, ele é plantado implicitamente justamente para fazer o
fandom reagir. Fandom este, que mantêm qualquer série viva e em alta através de
diversos elementos estrategicamente plantados nas tramas. Como se diz, o melhor
medidor de popularidade de uma série é a sua fanbase.
Porém, são elementos que precisam ser bem manuseados. A
relação de um artista com seu público devem ser um tanto quanto fetichista. Ele
precisa saber instiga-lo na mente do leitor, fazer com que ele fantasie. O
processo de provocar e não ceder, de mostrar um pouco e deixar o resto para a
imaginação. Claro, muitos animes tentam fazer o mesmo, como o recente e execrável Vividred Operation, e num caso
mais extremo, Moyashimon, e o motivo de passarem batidos até mesmo pelo carente
[de animes] fandom yuri, são diversos e nem cabem aqui.
Voltando à Chista e Ymir, ainda que apareçam pouco e não
seja nada explicito, é obvio a relação homossexual existente entre as duas. Mesmo
que elas ainda não tenham consumido o ato, há uma vibe. O mais gozado, é que no
que se refere ao anime, tanto uma como a outra, só tiveram duas aparições de
destaque. Ainda assim, as duas são construídas como um casal clássico yuri; a
uke e a seme, a princesa e a príncipe. E cada uma delas desempenha um papel
especifico dentro desse arquétipo; Ymir, assim como nossa amada Haruka de
Sailor Moon, é mais masculina e ciumenta e está sempre com os olhos em seu chaveirinho.
Christa é mais feminina e delicada, e apesar de parecer o elemento mais frágil,
na verdade é a que se mostra mais independente da Ymir e sempre com as atitudes
mais sensatas, assim como Michiru, também de Sailor Moon. Cito a dupla de
Sailor Moon porque ambas são construídas em cima do arquétipo yuri clássico,
embora tenham todo um desenvolvimento bastante abrangente. Esse padrão arquétipo diverte (como se nota, no caso de Shingeki, não é apenas Ymir e Christa que se destaca, muito pelo contrário. E muito disso porque são personagens arquétipos), faz o público brincar junto e criar diversas situações divertidas entre os personagens, romance, novas histórias, como podem ver pelas tirinhas abaixo.
O que acho engraçado na Ymir e me faz gostar muito dela é o
fato de ser a figura mais durona, mas quando está diante de Christa, se torna
extremamente extrovertida e boba. Quando está distante, pergunta por ela,
procura por ela, fica olhando-a de rabo de olho. Ymir está louca de amores por
Christa, que por sua vez, demonstra que há uma relação intimista entre as duas,
aquela coisa de olhar, de entender a forma de se expressar do outro,
dispensando formalidades. De cumplicidade. Só que, a que eu gosto mais é Ymir,
que com uma personalidade bruta, só deixa transparecer seu melhor lado frente à
Christa. Tem uma parte muito legal no mangá (e também no anime, só que sem as mesmas nuances), em que Sasha esfomeada,
ao ver Christa lhe trazer um pão, começa-a chama-la de deusa, e encosta a cabeça
em seu colo, o que parece provocar a ira de Ymir, que não desce do salto, mas
tem atitudes ~tsuntsun~ ao lhe fazer
questionamentos sarcásticos do porque ela estava ajudando Sasha. Era para se
sentir melhor? Se sentir uma boa pessoa? A doce Christa, claro, desconcertada
começa a questionar a si mesma. O que a deixa ainda mais moe. Como podem ver,
são ações e reações muito próprias de romances yuris. Como Shingeki é uma obra
cheia de incógnitas, é provável que essa sequência revele outras motivações,
mas não deixa de ser curioso ver também por este lado.
Há quem defenda que de fato elas têm um caso, mas a única
coisa certa é que há química e principalmente clima romântico. Se está rolando
ou não, não é tão importante para o público, que só precisa perceber uma
pequena fagulha de sentimentos para que comecem a fantasiar. E o autor de
Shingeki, ao mostra-las poucas vezes na história, mas sempre com ações
suspeitas e um relacionamento de cumplicidades (mais a frente no mangá isso vai ficar mais claro), faz com que o
fandom sonhe e fantasie, e principalmente, desenhe essas fantasias. No fundo,
uma relação pouco explorada num enredo de uma história, ou ao menos, não
explicita graficamente, dá pano pra manga. Se o relacionamento entre Madoka e
Homura fosse explicito, o publico não encontraria tantos motivos para criar,
imaginar, desenhar. No caso dessas duas, foi o público que deu forma ao
universo romântico entre Homura e Madoka, com um estouro tão grande, que hoje
em dia, mesmo quem está fora dessa fanbase, encontra dificuldade em não vê-las
como um casal. É o caso em que o próprio fadom pode afetar os rumos do que será
visto no vídeo e produtos relacionados. Aliás, graças a esse fandom, muitos
dizem que Madoka é a religião do lesbiano; e temos muitos casos assim onde o
fandom faz nascer uma nova perspectiva de se encarar personagens, casos como o de
Magical Girl Lyrical Nanoha. No fundo, todo mundo tem um pouco de shipper
dentro de si, e o fandom só precisa de ajudinha do autor para criar um universo
todo próprio e isso é fantástico.
Vejam Também:
[Fanfiction] Shadow 6
Olá a todos! Mais uma semana, mais Shadow! Neste capítulo, que marca praticamente a metade da série de Shadow, todo o cenário construído em busca das gemas em Husdeven, além de fatores ainda sombrios na trama, vão se cruzar e dar a dimensão dos problemas que aguardam Konoka, Setsuna e toda a Ala Alba.
E nada melhor do que começar com uma grande batalha, nos domínios de Delaro Igati.
Leitura Online (mediafire)
E nada melhor do que começar com uma grande batalha, nos domínios de Delaro Igati.
Leitura Online (mediafire)
Aviso-legal:
Mahou Sensei Negima não me pertence. Mastered Negima é uma obra de
fã, sem fins lucrativos.
Mastered Negima Shadow
Capítulo 6: Confronto
imprevisto
O clima não poderia ser menos amistoso na sala de reuniões do
palácio de Delaro Igati. Dezenas de soldados saídos de todas as
portas do aposento estavam posicionados para investir contra a Ala
Alba. A governante encarava o grupo com raiva evidente enquanto Negi
se esforçava para manter a seriedade, apesar da visível tensão:
― Palece que a hola de lutar lealmente chegou-aru. ― disse Kuu
Fei baixo, que tinha um leve sorrisinho ao encarar os adversários.
― Eles não parecem grande coisa. ― comentou Asuna em igual tom
baixo.
― O problema aqui é a quantidade. ― disse Setsuna, já
posicionada com o braço protegendo o corpo de Konoka.
― Pois é. Eles podem nos dar algum trabalho. ― concordou
Kotarô.
― Não podemos lutar. ― sentenciou Negi. ― Vamos estar dando
mais argumentos para ela usar contra nós.
― Precisamos recuar, né. ― apoiou Konoka.
― Não adianta ficarem de cochicho agora, Ala Alba. ― disse
Delaro. ― Vocês serão muito mais úteis nas minhas prisões do
que tentando me convencer de suas mentiras. Bill!
― Sim, senhora? ― respondeu prontamente o líder militar.
― Capture este grupo e os coloque em selas separadas. ― ordenou a
governante.
― Sim, magestade. ― acentiu Bill. ― Homens! Ouviram a ordem!
Esses garotos não podem sair dos muros deste palácio!
E assim a confusão teve início. A sala de reuniões foi invadida
por mais guerreiros e estes avançaram:
― Temos que sair daqui! ― disse Negi, já assumindo posição de
luta e defendendo o primeiro ataque de um dos que avançara sobre
ele. ― Ela não vai poder continuar a perseguição nas ruas da
cidade! Vamos!
A Ala Alba se dividiu para tentar driblar a investida dos inimigos.
Negi, Kotarô e Kuu Fei tentaram atrair a maior quantidade de
soldados o possível para o meio do salão, na tentativa de dar
abertura para os outros dois grupos escaparem. Asuna e Paru se
juntaram para derrubar a maior quantidade de de soldados o possível.
A ruiva invocou sua espada e Haruna desenhou um de seus monstros de
batalha mais agressivos para ser conjurado pelo seu artefato.
Do outro lado da sala, Setsuna e Konoka nocauteavam com facilidade os
que avançavam sobre elas. Konoka era capaz de detê-los facilmente e
a shinmei os derrubava com golpes mais pesados, porém menos
perigosos.
Delaro assistia toda a confusão do seu trono, parecendo divertir-se
bastante. O homem ao seu lado observava com atenção do desenrolar
da batalha. Como dissera o professor-mago, eles não poderiam deixar
que o grupo saísse do palácio. Perseguí-los publicamente iria
denunciar o momento de fraqueza que Delaro passava, o que já seria o
suficiente para os seus opositores tramarem sua saída do poder.
Os minutos iam transcorrendo e ainda que nenhum membro da Ala Alba
tivesse sido golpeado pelos soldados mágicos de Husdeven, a batalha
parecia se alongar ao infinito. Isso porque os jovens mal conseguiam
golpear os adversários em tempo hábil para que os primeiros a serem
acertados não voltassem a investir com bravura. O pior é que Negi
tinha certeza de que aquela era apenas uma parcela dos militares que
deviam estar espalhados por todos os acessos e pelos terrenos
internos do palácio. Ainda que o nível de batalha deste fosse
mediano somente, a Ala Alba poderia acabar sufocada e exaurida pela
extensão do confronto.
― Aniki, precisamos abrir espaço para ao menos voltar ao salão de
entrada! ― disse Kamo, que se enfiava pela gola do rapaz para não
cair. ― Use uma mágia de vento para abrir uma passagem!
― Boa idéia Kamo! ― disse o mago, agarrando o braço de um dos
soldados e aplicando uma "palma de ferro" no peito deste, o
lançando uns metros longe. Sem perder tempo o garoto virou a mão
livre na direção da entrada e conjurou mesmo sem palavras a
poderosa magia de vento, que derrubou e afastou a maioria dos
soldados no caminho.
Setsuna também já estava frustrada com aquele embate sem avanços.
Foi no momento em que sua espada refletiu o sol que se enxergava
pelas grandes janelas que a espadachim percebeu o caminho óbvio:
― Kono-chan. Vamos escapar daqui!― exclamou, esticando a mão
para segurar o braço mais próximo da namorada e puxando-a para si.
Os soldados acreditaram que essa brecha os permitiria atacar
diretamente a meio-uzoku, mas foram repelidos quando as asas brancas
desta se abriram num movimento rápido. Sem hesitar, Setsuna alçou
voo e passou janela à fora com Konoka nos braços. O casal pousou
sobre o muro lateral do palácio. Poderiam ter escapado, mas não
iriam abandonar os amigos à própria sorte.
A hanyou pousou Konoka ao seu lado, sem soltar-lhe a cintura. Ainda
que a batalha tivesse apenas sido adiada para as duas, Konoka
conseguiu distrair-se por completo da ação graças à proximidade
da namorada:
― Etto. . . Set-chan. ― chamou a maga, com a intenção de pedir
para que a outra para que a soltasse. Setsuna sequer parecia ter
percebido o que fazia, pois observava a movimentação na parte mais
distante dos terrenos externos do palácio. ― Set-chan. . .
― O que? ― perguntou a espadachim, enfim percebendo a chamada de
atenção da outra.
― Não vou conseguir conjurar muita coisa se continuar me apertando
né.
― A-Ah! D-Desculpe! ― disse a shinmei, desajeitada, percebendo o
que fazia. Soltou a namorada, o rosto um pouco corado.
― Você é sempre fofa, Set-chan. ― disse Konoka, depositando um
beijo na bochecha da namorada.
― K-Kono-chan!
― Ei, vocês! Que tal uma ajuda aqui ao invés de ficar namorando?!
― exclamou Asuna, do parapeito de uma das janelas do salão.
― Ok! ― respondeu Konoka, apontando a varinha profissional que
estava usando na batalha na direção da ruiva. ― Desvie, Asuna!
A ruiva saiu no instante anterior a uma fortíssima onda de vento
invadir o salão pela janela. Tão poderosa que todos ali foram
afetados pela força do golpe. A essa altura Negi e Kotarô já
estavam no hall de entrada do castelo, então apenas Kuu Fei, Haruna
e Asuna se beneficiaram da confusão do golpe:
― Pala os jaldins! ― exclamou a guerreira chinesa. Paru subiu nas
costas do seu monstro e o mesmo saltou por uma das janelas. Asuna
apenas saltou daquela altura e pousou com precisão.
Porém o exército da governante estava preparado. Os jardins estavam
cheios de soldados e também de maquinário para tentar capturar os
supostos ladrões. Mesmo em cima do largo muro que cercava o palácio
guerreiros corriam para cercar a Ala Alba.
Setsuna foi abrindo caminho para ela e Konoka, derrubando com
facilidade os soldados que tentava impedir seu caminho com espadas
ordinárias ou mesmo lanças. Konoka atirava magias paralisantes ou
de vento para auxiliar as amigas que estavam nos jardins e por duas
vezes impediu que Haru tivesse seu artefato roubado, o que poderia
fazer desaparecer a criatura desenhada pela mesma.
Negi e Kotarô logo também se uniram ao confronto do jardim. Com as
mãos limpas ele e Kotarô iam abrindo espaço pela multidão de
soldados. Aos poucos a confronto foi se focando na parte esquerda dos
jardins frontais do palácio:
― Negi! Venham para este lado do muro. Vamos embora por aqui! ―
chamou Konoka telepaticamente, o que pode ser ouvido por todos os
membros da Ala Alba.
― Certo! Pessoal, vamos embora! ― exclamou Negi, jogando longe
outro soldado que havia tentado agarrar suas pernas para derrubá-lo.
Um a um os membros do grupo foram saltando para o muro e dali para o
telhado de uma construção de dois andares que havia a alguns metros
do palácio:
― Vamos nessa! ― disse Asuna, se preparando para o salto. Setsuna
colocou Konoka nos braços e também passou para a construção
seguinte. Foram depresssa demais para ouvir uma voz as costas da
ruiva, que distraiu a mesma da sua fuga.
― Nem pense nisso, jovem.
Asuna voltou-se para a direção do som e percebeu imediatamente que
estava numa situação bem ruim.
Entrementes, do lado de fora do palácio, o grupo continuou pulando
de telhado em telhado, com alguns poucos guerreiros os perseguindo.
Porém logo estes foram se deixando distanciar:
― Isso aí! Voltem para as saias daquela velha! ― xingou Kotarô,
quando o grupo começou a se reunir em um terraço desocupado.
― Espera, cadê a Asuna? ― perguntou Negi, alarmado.
― Mano, as manas Asuna e Paru não vieram conosco! ― disse Kamo.
― Droga! Eu me apressei demais. ― exasperou-se Setsuna.
― Vamos voltar! ― sugeriu Kotarô.
― Não! A essa altura eles já devem ter aprisionado as duas. . .
― disse o professor-mago, mordendo os lábios em frustração. ―
Como pude falhar desse jeito?
― Calma, Negi. Não deve ser tão difícil resgatá-las. ― disse
Konoka.
― O que? ― questionou Setsuna, mais surpresa pela reação
imediata e determinada da namorada. A shinmei realmente ainda
subestimava muito a sua protegida.
― Isso! É só chegar quebrando tudo! ― disse o meio-kuzoku.
― Não! Vamos ter que fazer isso com calma. Já deu muita coisa
errada para arriscar assim. ― ponderou Negi.
― Calamba, que confusão. Agola, além de estarmos sem nossas
amigas, não sabemos o paladeilo das gemas. ― ponderou Kuu Fei,
enxugando o suor da testa.
― Um fracasso completo. ― rosnou Negi.
― Não deveríamos agora sair dessa cidade e preparar o resgate? ―
sugeriu Sakurazaki.
― Não precisamos nos esconder tanto assim, mana Setsuna. Aquela
mulher está realmente encurralada pelos opositores. Senão os caras
não teriam desistido tão fácil.
― Ela não pode deixar que ninguém descubra sobre a perda das
gemas. Isso nos dá mesmo alguma segurança. ― concordou Konoka.
― Cara, então podemos simplesmente voltar ao hotel? ― questionou
Kotarô, meio cético.
― Senão fosse assim, a essa altura também Nodoka e Yue teriam
sido já capturadas. ― disse Negi. ― Mas não recebi nenhum
alerta delas. Realmente estamos a salvo enquanto estivermos em local
público.
O grupo desceu do terraço para um beco. O clima era de derrota e
frustração. Mas aquela não era a última grande emoção daquele
dia.
― Gente, sei que estão todos chateados, mas não vai adiantar nada
ficarmos aqui até o anoitecer. ― disse Kamo.
O grupo remanescente da reunião com Delaro Igati estava parado em um
beco traquilo a mais de meia hora, mesmo sem a real necessidade de
estar escondidos. Ninguém havia trocado palavras durante todo aquele
tempo. Cada um parecia estar remoendo seus próprios pensamentos
irritados em particular.
Mesmo Konoka demonstrava uma expressão de tensão. Talvez até mais
do que qualquer outro do grupo. O coração da maga estava pesado.
Durante todo aquele tempo havia tido pressentimentos ruins sobre o
encontro com a líder política de Husdeven, e agora estavam naquela
situação. Porém não era somente este fato que a mantinha
perturbada. Seus sentidos estavam ainda em alerta máximo. Estes lhe
diziam que algo ainda pior iria acontecer, antes mesmo do que
pudessem esperar. Provavelmente algo que não seria causado pela
governante. Isso, acima de tudo, assombrava o coração da maga
branca.
O grupo estava tão mergulhado em suas preocupações que não foi
capaz de notar que estava sendo observado. Da janela de uma pequena
torre, uma figura parecia aproveitar aquele momento, observando o
rancor dos membros da Ala Alba. A verdade é que a pessoa sentia uma
grande agitação no peito, uma ansiedade tremenda. Aguardara durante
um tempo quase incontável pela oportunidade que estava diante de
seus olhos.
― Vamos embora, pessoal. ― disse Negi, levantando-se do caixote
onde estivera sentado em reflexão.
― Isso mesmo, mano! Logo será hora do jantar e ninguém aqui vai
conseguir invadir o palácio de estômago vazio. ― apoiou Kamo.
O grupo se levantou e começou a rumar para a saída daquele beco
abandonado. Foi nesse momento, imediatamente anterior ao fato, que
Konoka compreendeu enfim o que seu coração tentou lhe dizer todo
aquele tempo. Tarde demais para tentar mudar o que aconteceria apenas
um segundo depois.
― A quanto tempo, Ala Alba. ― disse uma voz que veio das costas
do grupo.
O som chegou à compreensão de Setsuna antes mesmo que ela pudesse
se virar e ver com seus próprios olhos. A imagem apenas confirmou o
que seus sentidos já haviam descoberto. Uma sensação de
irrealidade e peso sobreveio em todo o corpo da shinmei, como se
tivesse acabo de ser jogada dentro de um pesadelo.
A pessoa apenas sorria, observando o choque do grupo. Foi Negi quem
quebrou o silêncio diante daquela situação:
― Setsuna-P? ― perguntou o garoto, também com o choque em seu
rosto. ― Isso é impossível.
― Eu já vi gente insistente, mas isso é demais. ― comentou
Kotarô, também assombrado.
Setsuna-P observou um pouco mais o grupo, sem parecer ter qualquer
pressa:
― Era exatamente assim que eu imaginei que vocês reagiriam. As
expressões de pavor estão idênticas. Apesar de que . . .
― Como é possível? ― questionou Setsuna, com a voz tomada
ódio.
― Ah, é realmente uma história incrível, se quer saber. Claro
que irei explicar a vocês. Só que antes, tem uma coisa me
incomodando. ― disse Set-P, franzindo a testa no fim da sua fala,
porém sem perder o tom suave, ameaçador, da voz. ― Esta assim com
tanto medo de olhar pra mim, Konoka-ojousama?
Konoka havia sido a única a permanecer de costas para a ex-shikigami
desde que esta se revelara. Ao ser citada com aquele trejeito de
zombaria, a maga enfim se virou e, ao contrário do que supôs
Setsuna-P, encarou diretamente o olhar gelado desta:
― Eu não sou mais aquela pessoa fraca que você conheceu,
Setsuna-P. ― disse a maga. A outra sorriu com a mesma frieza no
olhar.
― Nem eu, Konoka.
― Afinal, explique como é possível estar viva, Setsuna-P. ―
exigiu Negi.
― Claro, sensei. Escutem com atenção:
"Depois que o Chikarasei foi tirado de mim, rapidamente minha
existência física foi completamente desfeita. Acreditei que era o
fim, o mais cruel fim para a minha quase-vida. O fio restante da alma
incompleta que restou ficou preso num espaço entre as dimensões da
Terra e Husdeven e assim eu permaneci durante mais tempo do que
pareceu aos meus quase inexistentes sentidos."
"Foi quando um milagre aconteceu. Eu fui salva pela tolice do
Thousand Master."
― O Thousand Master?! Mas do que está falando?! ― exclamou Negi,
surpreso e confuso.
― Não pode ser. ― disse Setsuna, chegando à compreensão
terrível dos fatos.
― Exatamente isso, "mestra". ― tom de diversão na voz
de Set-P estava no ápice. ― Você é quase sempre esperta, não é
mesmo?
― Do que ela está falando, Setsuna? ― perguntou o
professor-mago.
― Eu mostro, professor. ― disse a ex-shikigami antes que a outra
se manifestasse.
Setsuna-P estendeu a palma da mão direta para frente, vazia. Porém
passado um instante todos puderam perceber uma imensa energia mágica
que vinha dali. Uma luz começou a ser emanada da palma aberta e
então dois objetos emergiram da pele de Setsuna-P, atravessando-a
como se fosse uma superfície intangível:
― As gemas. . . ― disse Kamo, assombrado com o poder e luz que
aqueles dois pequenos objetos emitiam.
― Estão com você. ― disse Negi, parecendo hipnotizado pelo
brilho de poder dos amuletos escondidos por seu pai.
― Pelo menos não temos mais que ficar procurando. ― comentou
Kotarô, disfaçando o temor que aquela quantidade de poder
implantava no seu interior.
― Isso é verdade, hanyou. ― concordou Setsuna-P, fechando a
palma e absorvendo as jóias novamente. A sensação do poder
tremendo das mesmas sessou. ― Apesar de isso não significar algo
realmente bom, para vocês.
― O que quer? ― volciverou Setsuna, que não tinha diminuido nem
um pouco a agressividade da sua voz. Sua mão ainda estava segurando
o cabo de Yuunagi com força.
― O que eu quero, Setsuna Sakurazaki, é muito simples: a morte de
todos que me fizeram sofrer. Todos vocês, da Ala Alba, que me
impediram de ser uma pessoa completa. Vocês, que feriram minha alma
e agora vão pagar muito por essa idiotice.
― Setsuna-P. ― chamou Negi, que estava mais tenso com a evidência
de um conflito imediato. ― Estas jóias, estes amuletos. Eles
conseguiram completar aquilo que o Chikarasei não conseguiu, não é
verdade?
― Quer dizer que ela agora não é mesmo um shikigami? ―
perguntou Kotarô, sem disfarçar.
― Exatamente, hanyou. ― respondeu Setsuna-P.
― Mas se você tem uma vida de verdade, porque ainda tem que vir se
meter com agente? ― questionou o meio kuzoku.
― Você realmente não entende? Logo alguém que também carrega
tanta amargura como você, lobo.
"Tudo o que eu quero é vingança."
― Pois você não vai ter o que deseja, Setsuna-P. ― ameaçou a
Setsuna original, assumindo posição para avançar contra a outra.
― Não. Você não devia fazer isso.
Setsuna não deu ouvidos para o que a outra disse e avançou. Konoka
desejou tê-la impedido, mas não se moveu. A shinmei avançou direto
para a sua sombra, porém não chegou a tocá-la. Com um movimento do
braço no ar, Set-P empurrou Setsuna com violência contra a parede
do beco, utilizando de sua imensa energia mágica.
Sakurazaki não perdeu tempo e se ergueu para atacar novamente. Dessa
vez Set-P utilizou sua energia para paralisar o movimento da outra
quando esta deu o seu impulso para o golpe. Kotarô fez menção de
atacar também, porém com a mão livre, Set-P fez um gesto de
negação para o grupo, observando-os com o canto dos olhos:
― Eu não vou matá-los hoje, Setsuna Sakurazaki. Não tente
apressar as coisas.
― Se não quer lutar, porque se revelou? ― questionou Kotarô,
irritado.
― Para poder desfrutar dessas expressões de medo que estou vendo
nos rostos de vocês. ― respondeu as ex-shikigami, com o sorriso
ameaçador de volta ao rosto. ― Quero aproveitar cada momento antes
de tirar a vida de cada um.
― Pois você não terá o que quer.
Konoka encarava Setsuna-P com a determinação intocável. Sua
namorada podia ver através daquela expressão de que realmente a
maga branca já era alguém muito diferente da pessoa frágil que
caíra nas armadilhas da ex-shikigami no passado:
― Konoka Konoe. Você com certeza será a última que irei tirar a
vida. Quero ver toda a dor e ódio que me causou, dessa vez no seu
olhar desesperado.
As duas mantiveram o olhar cheio de ódio recíproco durante algum
tempo. Então Setsuna-P alargou mais seu sorriso:
― Bem que eu poderia dar início agora mesmo no seu sofrimento. ―
disse a Sombra, fazendo um movimento com a mão que apontava para
Setsuna. Esta acabou deixando uma exclamação de dor escapar quando
a pressão sobre seus membros e cabeça se redobrou.
Porém, diferente do que Set-P esperava, Konoka não alterou-se nem
por um instante ao escutar a voz de sua namorada. Isso pareceu
impressionar a algoz, que esqueceu de manter a firmeza do sorriso:
― Se fazendo de forte, Kono-chan?
― Você não pode me atingir, Setsuna-P.
Dessa vez foi a expressão de crueldade inteira da ex-shikigami que
se perdeu. No lugar desta, um ar de verdadeira insegurança tomou
conta do olhar de Setsuna-P. Percebendo o que fazia, esta desviou os
olhos da maga branca e encarou o grupo com o ar de confiança de
antes:
― Por hoje já satisfiz meu desejo de ver o medo de vocês. É o
bastante.
E tendo dito isto balançou o braço estendido para Setsuna,
arremensando esta contra Negi e Kotarô, que a seguraram. Se dizer
mais nada, a ex-shikigami saltou para cima de uma dos prédios
abandonados que ladeava o beco e escapou:
― Cara, estou com a cabeça doendo de tanta coisa que aconteceu de
uma vez. ― disse Kotarô ajudando a meio-uzoku a se firmar.
― Vai ser uma glande histolia para contar às livleiras. ―
ponderou Kuu Fei.
― Só se for uma história de terror. ― disse Konoka, que ainda
observava o local onde Set-P havia sumido de vista.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Posted by LKMazaki








