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A Tropical Fish Yearns for Snow - Superando a solidão juntas

Imagine a situação: Você é uma adolescente, seu pai tem que morar em outra cidade por causa do trabalho, mas ele prefere que você vá morar no interior com sua tia em vez de ir com ele. É isso o que acontece com Konatsu Amano, uma das protagonistas de A Tropical Fish Yearns for Snow (Nettaigyo wa Yuki ni Kogareru, ou resumindo Hanigare). O mangá começa com a garota chegando na cidade litorânea no interior do Japão que será sua nova casa e acaba sendo arrastada por meninas do colégio local para ver a exposição do Aquário da escola. Lá, uma garota pergunta para ela se ela gosta de salamandras (o animal que estava tentando observar no momento). Quem pergunta é Koyuki Honami, a outra protagonista do mangá, uma garota que aparenta ser calma e responsável, mas é apenas uma garota que sente muitas expectativas sob si e tenta ser certinha demais.


E eu diria que a salamandra, um animal que é conhecido por se esconder atrás de rochas e pouco mostrar-se para os humanos, seja o último e principal elemento desse mangá.


Hanigare é uma obra que expressa muito bem sentimentos como solidão e as dúvidas que acontecem durante a adolescência. Ele se utiliza de um conto japonês sobre a amizade entre uma salamandra e um sapo para contar a história das duas garotas, que se conhecem e participam do mesmo clube no colégio (de cuidar do aquário da escola).


Deixe-me explicar:

A história basicamente é sobre uma salamandra que se sentia sozinha e não tinha ninguém que era amigo dela. O sapo aparece e os dois se tornam muito amigos. Tanto que a salamandra torce para o sapo nunca mais sair de perto dela. Bom, basicamente seria uma história meio triste, já que os dois animais ficariam isolados juntos, numa felicidade mórbida (ao meu ver).

E por muito tempo a história das duas garotas é isso. Um jogo de quem é a salamandra e quem está arrastando o sapo para esse limbo. Porém as coisas mudam a partir do momento que as duas tem que fazer esforços para ter mais membros no clube, já que Koyuki irá ir para o terceiro ano e se aposentar logo do clube. O modo que ambas buscam a independência, mas ao mesmo tempo são dependentes é mostrado de modo muito interessante, já que há sempre essa dúvida do que fazer, ou de como a outra garota irá se comportar diante das mudanças que elas sofrem.


As vezes é só uma amizade nova de uma das duas, ou como uma das duas pretende sair da cidade. Tudo é razão para haver conflito no sensível e dependente relacionamento das duas. Aos poucos, outros personagens entram na trama, apoiando as duas personagens e criando uma rede de relacionamentos estáveis e duradouros. Kaede, a amiga de classe de Konatsu, o irmão e os pais de Koyuki, os colegas de classe da mais velha. Aos poucos elas conseguem se abrir para o mundo, juntas, e conseguem mostrar suas individualidades, apesar de muitas vezes haver o medo do julgamento ou de que irão novamente ficar isoladas.

É uma série que delicadamente guia as personagens e o espectador pelas experiências de superar medos e conhecer outras pessoas. Além de um roteiro muito bem trabalho, Makoto Hagino (autora da série) nos trás um deleite de simbolismo visual com a salamandra e o sapo sempre presentes na narrativa.


Ao final da série, completa em 9 volumes, vêmos como as duas são o sapo, mas também a salamandra. E que esse sentimento entre elas nunca irá se dissipar. O laço criado entre elas, apesar de as duas criarem suas independências, é inquebrável.

[Recomendação] Handsome Girl and Sheltered Girl - Majoccoid e Mochi Au Lait

 Que tipo de desentendimentos podem fazer duas pessoas começarem a namorar?


Em Handsome Girl and Sheltered Girl (イケメン女と箱入り娘 ou Ikemen onna to hakoiri musume em japonês), de Majoccoid (arte) e Mochi Au Lait (roteiro), duas garotas começam a namorar por que uma delas acha que a outra é um homem. Uma série de desentendimentos faz com que Ookuma ache que Kanda-kun (sim, ela usa kun) é um garoto e está apaixonada por ele.


Tudo acontece por Ookuma perguntar se Kanda-kun não quer participar de um café crossdressing (precisavam de mais garotos vestidos de menina) e Kanda-kun pensa em fazer uma brincadeira boba, que por fim faz com que as duas comecem a namorar e ela esteja em uma enrascada de tentar fazer a outra garota entender que ela é mulher também. A trama segue cheia de pequenos mal-entendidos até que Kanda-kun consegue finalmente falar para Ookuma que ela é uma garota e a outra garota no final não se importa com o fato de Kanda-kun ser mulher.


Sinceramente, eu poderia dizer que isso é um pouco de mal gosto (?), já que o mangá poderia explorar sobre identidade de gênero, mas no final Kanda-kun só é uma menina que parece mesmo um cara, e ponto final. Eu gostei muito do mangá, mas as vezes as piadas podem ter uma conotação um pouco.. complicada (?). 

A seguir haverá spoilers.

Próximo do final do mangá, Kanda-kun fala para Ookuma que é uma garota, mas a outra garota não acredita. No final, elas entram num acordo de que para Ookuma aceitar que Kanda-kun é mulher, ela teria que ver o corpo nú dela. A situação toda é feita com bastante humor e é bem leve, mas tenho que dizer que poderia soar muito ruim, já que o sexo da pessoa não deveria estar extremamente ligada ao orgão genital.

Fim do spoiler.


Porém, como Kanda-kun se sente mulher e só não se 'veste femininamente', eu entendi que não haveria tanto problema com o humor usado na cena. É hilário, mas toda essa parte me deixou com um pé atrás com a obra, apesar de ter rido horrores da cena.


Tirando essa parte, o mangá é extremamente fofo, engraçado e divertido. Dá para perceber como Kanda-kun vai começando a gostar de verdade de Ookuma e como o relacionamento delas funciona. Devo dizer que tirando a parte final, eu não fiquei nada preocupada com relação a identidade de gênero ou algum tipo de mensagem que poderia ser mal interpretada. Kanda-kun se mostra uma mulher e na verdade Ookuma não se importa com o gênero da outra, apenas a ama (e ama seu jeito tomboy).

A série está completa em 2 volumes e deixa um gostinho de quero mais. Porém, como todo bom yuri, talvez tenha parado na parte que deveria. Afinal, tudo do mangá gira em torno de Kanda-kun tentar explicar o mal-entendido feito no primeiro capítulo. Depois disso, acho realmente que não haveria por quê de continuar a obra. Seria só mais do mesmo e talvez esse 'gostinho de quero mais' virasse um 'está se repetindo demais'.


Recomendo a série para quem quiser uma leitura leve, sem preocupação e quem não queira enxergar uma série descontruída de papéis de gênero. As personagens são cativantes e a relação delas é divertidíssima. E, para mim, no final a mensagem de "Não importa seu gênero, eu me apaixonei por você" é muito fofa.


O que acham?


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[Recomendação] Whispering You a Love Song - de Takeshima Eku

Olá a todos!

Faz um tempo que não venho trazer uma recomendação de mangá yuri para vocês, né?

Pois então, como vocês devem saber, a Comic Yurihime é o lar da maior parte dos yuris de sucesso recente. E como o yuri não pode parar, o mais novo sucesso (pelo menos aparente) da revista é a obra Whispering You a Love Song (de Takeshima Eku). Além de ter um traço muito interessante, que combina com o tema da obra, o clima geral da trama é bem interessante.
A história começa com Himari, uma menina energética e alegre, entrando no ensino médio. Em sua nova escola, após a cerimônia de abertura, ela foi ver um show de uma banda da escola. Nela, ela "se apaixona pela primeira vez" (como fã) da vocalista e guitarrista da banda. Após a apresentação ela se encontra com essa menina na saída da escola e .. bom... fala para ela que se apaixonou a primeira vista. Só que, o que ela não imaginava é que a vocalista (Yori) ia se "apaixonar a primeira vista" (romanticamente) por ela. Sim, é assim que a confusão começa.
O clima da série é bem leve (até certo ponto).

Os capítulos tem sempre uma evolução legal entre as personagens e o clima entre elas é muito bom. A Yori tentando não surtar na frente de Himari é muito bom, a Himari obviamente gostando da Yori mais do que ela mesma pensa é ÓTIMO.

Dá um pouco de agonia pela falta de noção das palavras que a Himari usa, como "amor" ou de "ter um encontro" com a outra garota. Ela dá sim muita esperança para a outra sem nem perceber. Isso é uma coisa muito palpável e interessante que tem em todos os capítulos. As personagens são bem construídas e no final você sempre quer que tudo dê certo (apesar da falta de noção da Himari). Os desentendimentos (de interpretação do que a outra fala?) são muito bons.

O tema musical é um ótimo pano de fundo e a Yori começar a ter coragem de cantar na frente da Hiamri ou de pensar em realmente se apresentar para um público grande por causa da garota é bem legal. Você sente o que elas estão pensando de um modo bem natural. É um mangá bem vivo e que dá gosto de ler.

Bom, eu sei que ele tem apenas 6 capítulos até agora, mas vale muito a pena!

Quem se interessou, venha depois nos comentários e dê sua opinião!

Ah, e não se esqueça de compartilhar o link do  Kono - ai - Setsu se gostou!

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Yuricast 12: Little Witch Academia

Olá a todos!

Antes tarde do que nunca, as apresentadoras de sempre @LKMazaki  e @SechanKV trazemos  para vocês, fãs de yuri, um dos melhores animes lançados no ano e que nos trouxe uma quantidade de fanarts absurdas de yuri:

Little Witch Academia!
Mas então, neste podcast falamos de toda a trama da história, desde os Especiais, até o anime lançado oficialmente a pouco no Netflix. Além disso, rolou conversa sobre "Final Trigger", como ignorar a importância de homens em um anime, abuso em relacionamento, como uma personagem pode passar de nojenta a best girl que precisa ser protegida e a quantidade absurda de confusões que Akko e Sucy conseguem colocar a tadinha da Lotte.

E, claro, OS SHIPS.

Estejam preparados!!

Como sempre, vocês podem baixar e escutar onde quiser nossos surtos nos seguintes links:


Ainda estamos ajustando nosso editor para conseguir publicar a versão do YouTube. (Maldito Adobe Premiere... u.u)

Até breve!
Entre em contato por:
@LKMazaki

domingo, 26 de novembro de 2017
Posted by Se-chan

[KaS Debate] Netsuzou Trap #02 e #03

Pois é isso mesmo!

Depois de um certo atraso, Mazaki e Se-chan trazem mais uma série de debates no maior estilo Kono - ai - Setsu. Na última vez foi a introdução de Netsuzou Trap, e como não poderíamos parar por aí, trazemos direto os episódios 2 e 3 da série.

Além de falar da trama, discutimos um pouco se Hotaru é uma boa personagem ou só uma mina insuportável, qual é o problema do Fujiwara que não consegue ser gente boa e se um dia a Yuma pode se ligar que é uma caminhoneira de primeira viagem.
Não se esqueçam de continuar seguindo o canal do KaS para ter sempre as atualizações em primeira mão.

Se tiver vontade, mostre sua opinião para a equipe do Kono-ai-Setsu nos comentários abaixo. Nos siga nas redes sociais para ver notícias ou imagens super legais que estamos sempre colocando no ar!

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[KaS Debate] Netsuzou Trap #01

Sim, o KaS está com tudo no YouTube!

Neste programa, as participantes @LKMazaki e @SechanKV debatem sobre o que rolou no primeiro episódio do anime de Netsuzou TRap.



Desde a trilha sonora, adaptação e até as opiniões que começaram a rolar na internet foram discutidas.

Tudo sobre Netsuzou TRap no KaS
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[Resenha] Carmilla - 3ª Temporada (e um resumo da 2ª)

Pois então, há muito tempo fiz uma postagem sobre o que achei da primeira temporada de Carmilla, e do livro que originou a web-série. Depois de tanto tempo, você deve estar estranhando que não trouxe ao blog o que achei da segunda temporada, não é? Pois então, foi proposital.
Não foi por acaso que não ouve uma resenha da segunda temporada de Carmilla. Sinceramente, eu não gostei do andamento da trama, ou o desenvolvimento de alguns personagens. Foi uma temporada feita sinceramente para simplesmente separar a Laura da Carmilla e voltar a etapa zero. Depois da irmã de Carmilla morta pela Laura, Dani morrer e virar vampira, e a mãe de Carmilla dominar a escola e ter uns assuntos super sinistros, chegamos a terceira temporada. Muito mais interessante, com melhores piadas sobre o desconforto de duas ex-namoradas tentando salvar o mundo.

Eu sinceramente não sei por que meio que odiei a segunda temporada. Talvez seja pela Laura ser uma idiota e tomar muitas decisões erradas no decorrer dela. Possivelmente por enxergar que no final da mesma, o principal casal não iria ficar junto. Além do lance da possessão da Perry pela mãe da Carmilla. Fiquei tão frustrada que nem vi a "Temporada Zero" e pulei direto para a terceira. E foi muito bom!
Já presas na Biblioteca (que tem vontade própria), Carmilla, Laura e LaFontaine tentam bolar um plano para salvar sua amiga e salvar, mais do que a sua universidade, o mundo. Depois de descobrirem o por quê da Diretora querer realizar o fim do mundo, de ter um reencontro com o pai, e ter ido para um mundo paralelo onde ela havia morrido, Laura finalmente enfrenta o perigo de frente, e é emocionante.

É lindo, e as atuações de Elise Bauman (Laura) e Natasha Negovanlis (Carmilla) são maravilhosas. Carmilla se mostra extremamente emocional, temperamental, é lindo. Mas no final, tudo dá certo (por favor, isso não é nenhum grande spoiler).

Nessa terceira temporada, a web-série pareceu voltar um pouco ao humor que lhe deu sucesso e teve uma melhor escolha nos acontecimentos. Após alguns anos, finalmente tivemos um desfecho do romance entre Laura e Carmilla, além da guerra contra a mãe da vampira.
Empolgante, engraçada, e representativa, a série tomou tanta proporção que agora está programado um filme. Se ele terá um grande orçamento, ou não, isso depende dos fãs, já que ele será subsidiado por quem doar para o projeto. Mais do que bons efeitos, espero que eles continuem no ritmo que terminou a série. Se for pelo teaser, aposto que será ótimo!

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Até logo! o/

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[Resenha] Deuses de Pedra - Uma reflexão disfarçada de livro

Olá a todos! Mais uma vez, a semi-nova redatora do blog, Lume, volta com outra postagem, desta vez sobre (pasmem) um livro Yuri. Isso mesmo, um livro, escrito, impresso e vendido nas livrarias para qualquer interessado comprar. Em mais de uma década indo periodicamente até livrarias e revistarias, reunindo centenas e centenas de livros e mangás, 2016 foi o ano em que eu obtive meu primeiro livro de romance lésbico para. Pensando sobre isso agora, foi uma surpresa e tanto pensar que eu só havia achado um desses agora, já que eu posso afirmar para quem quer que seja sobre meu status de leitora compulsiva e colecionadora de livros. Mas chega de enrolar; vamos ao livro!

Deuses de Pedra, ou The Stone Gods no título original, é um livro interessante. Jeanette Winterson dividiu ele em quatro histórias, O Planeta Azul, Ilha de Páscoa, Depois da Terceira Guerra e Cidade dos Escombros. Os contos são ambientados sempre em lugares diferentes e são como reencarnações de Billie e Spike, as protagonistas. Vou tentar resumir tudo ao máximo para o post não ficar tão longo de ler, mas sem fazer aquele resumo de 6º ano de cinco linhas, porque até eu me irrito com coisas desse tipo.

Planeta Azul
O Planeta Azul conta a história de Billie Crusoe, uma cientista humana do Planeta Orbus, e Spike, uma robô sapiens prestes a ser desmantelada, que fogem juntas do governos para o Planeta Azul. Em Orbus, descobriu-se a possibilidade da Adaptação Genética, a qual consiste em uma "cirurgia plástica das células": através de procedimentos, é possível manter-se jovem por um longo período de tempo. Os humanos podem ficar com idades entre 25 até 12 anos. Com os avanços tecnológicos, todos têm acesso a essas técnicas, transformando o mundo num lugar de crianças e jovens adultos. Além disso, ainda temos a cirurgia plástica convencional, então todos são lindos e maravilhosos o tempo todo. E, como o ser humano enjoa fácil, as "aberrações", humanos que escolheram não seguir o padrão, são super valorizadas no planeta, como mulheres com bocas humanas nos seios. Sim, uma dessas apareceu em uma das cenas do livro. E tentou oferecer uns "servicinhos" pra Billie. Mas isso não é o foco aqui.

Obviamente, o romance entre a Billie e a Spike é o principal do conto. Elas cruzam olhares pela primeira vez em uma conferência do governo sobre o recém-descoberto Planeta Azul, que o leitor logo identifica como nosso Planeta Terra. O povo de Orbus fez com seu planeta natal o mesmo que fazemos atualmente com o nosso: extração intensa de matéria prima, poluição, danos a camada de ozônio, etc. Eles se deram conta disso tarde demais, e mesmo com as medidas avançadas que implementaram para retardar a morte do planeta, o alto escalão do governo sabia que Orbus tinha menos de 50 anos de vida. Portanto, a descoberta do planeta Azul foi algo fantástico para todos. Uma nova casa, com abundância em matéria prima, com risco zero de de auto destruir. Simplesmente fantástico., eles pensaram.

Depois dessa troca de olhares e do fim da conferência, algumas horas se passam até o segundo encontro. Nesse meio tempo, Billie foi visitar uma mulher, Rosinha McMurphy, que queria fazer uma Adaptação Genética para ter 12 anos de idade novamente. Tudo por causa do marido dela que, ao meu olhar e o de Billie, era um pedófilo totalmente sem-vergonha. O livro justifica essa vontade nojenta assim: "Agora que todos são jovens e bonitos, muitos homens preferem meninas ainda quase crianças. Querem alguma coisa diferente, porque tudo ficou igual." Realmente, esse não é um livro que se encontra todo dia na livraria da esquina.

Após essa visita, Billie recebe uma ligação de seu chefe. Ele diz que Spike pediu que ela, Billie, fosse sua entrevistadora no programa de um minuto mais detalhado da mídia (Contraditório, mas só faz você gostar mais da história). O chefe diz que esse foi o pedido de Spike antes de ser desmantelada. Descobrimos isso no comecinho do livro: Spike fora enviada para o planeta Azul, a fim de recolher informações sobre o lugar para o governo, e seria desmontada e enviada para a reciclagem após sua volta. O que incomoda Billie é que Spike é uma robô sapiens e, além de frustrar sexualmente a protagonista, deixa a humana se perguntando por que o governo iria reciclar um robô sapiens, que custa ao governos muito dinheiro na produção. Robôs sapiens são criaturas mecânicas feitas para agirem como humanos, porém sem emoções. Como o próprio livro diz, ter um robô sapiens é sinônimo de luxo e poder, já que são insanamente caros.

Meio forçada, meio curiosa, Billie vai entrevistá-la. Tudo termina bem, apesar de Spike partilhar informações "poucos apropriadas" para um programa nacional, como detalhes de sua vida sexual com astronautas enquanto estava em missão e dados coletados pela robô. Elas se despedem sem mais problemas depois disso. Então pulamos para uma cena no sítio de Billie, um sítio mesmo, com vacas e cavalos. É considerado ultrapassado pelo resto do mundo, mas para Billie, é um paraíso. Enquanto relaxava de noite, recebe a visita de um guarda, que diz a ela que Billie deve 3 milhões ao governo por multas de trânsitos. Descobrimos logo depois, com uma ligação de seu chefe, que Billie é inocente e que era tudo um plano governo para prendê-la. A cientista já havia participado de um movimento contra o Estado, justificando a armação dos 3 milhões de dólares. Ele oferece a ela uma viagem ao planeta Azul para escapar das políticas de Orbus, e ela, claro, aceita. Já na nave, ela se encontra com Spike, que havia fugido das garras do governo também. É lá que somos agraciados com um beijo das duas e suas reflexões sobre a nova vida.

Quando o grupo da expedição ao Planeta Azul finalmente chega ao seu destino, algo dá errado. Um asteroide fora de curso abalou as fundações da nave e sua comunicação com Orbus, prendendo a todos no planeta. Billie escolhe passar seus últimos momentos com Spike, e quando a robô descarrega completamente, ficamos com Billie e suas palavras doces, assegurando-nos de que tudo isso é apenas uma história e que logo outro começará. O fim.

Esse conto me intrigou bastante por ter uma semelhança com outro livro, "Admirável Mundo Novo". É um cenário futurista, uma utopia totalmente maluca para nós, onde os fetos são produzidos em laboratório e crianças são incentivadas desde cedo a terem relações afetivas com outras crianças. Tudo em prol do maior desenvolvimento humano. Realmente, a história assemelha-se tanto a esse livro que Admirável Mundo Novo é citado duas vezes no conto, mas apenas por alto.

Ilha da Páscoa
Estamos na época do que aparenta ser as Grandes Navegações. Billy, um marinheiro, é abandonado por seu navio em uma ilha desconhecida por conta de um ataque dos nativos. Perdido, ele tenta sobreviver por conta própria, até que é descoberto pelos locais, que o levam como oferenda para seu deus. Felizmente, um incidente ocorre, e Billy é salvo por Spikkers, filho de um marinheiro holandês. Billy conhece a história da ilha através de Spikkers, que lhe conta sobre uma disputa entre dois povos do lugar. O benfeitor de Billy tem um plano para acabar com esse conflito, mas, enquanto o punha em prática, as coisas não vai tão bem para Spikkers…


O segundo conto mostra uma reencarnação masculina de Billie e Spike. No entanto, não há um envolvimento amoroso explícito entre os dois, tanto que Billy até menciona que já é apaixonado por outro marujo chamado James Hogan (mas essa suposta paixão só é citada duas vezes no conto inteiro). Resumindo, Ilha da Páscoa não foca no romance. Aliás, o livro não foca no romance. Se você ler com atenção, dá para perceber que todas as quatro histórias são, na verdade, críticas sobre alguns acontecimentos na Terra.

Eu gosto bastante desse conto pois ele é o que mais puxa para o lado imaginativo. Jeanette Winterson é uma das autoras mais criativas que já li, e ela não economiza sua imaginação nesse conto. Não quero contar muito sobre a história em si; sou uma pessoa que odeia certos tipos de spoilers de todo o coração. Digamos que, apesar de ser curta, essa história vai cativar mais aqueles que gostam de saber todos os detalhes do universo que o escritor cria.


Depois da Terceira Guerra
Voltamos agora com a versão feminina do casal da vez. Depois da Terceira Guerra começa como uma biografia de Billie, nascida de uma mãe adolescente e abandonada num orfanato com menos de um mês de vida. O conto todo são divagações e reflexões de Billie, assim como impressões que teve de sua genitora.. Só no final ficamos sabendo que Billie trabalha no projeto da robô sapiens, o projeto para construir Spike. Detalhe: nesse conto, Spike é uma cabeça robô. Só a cabeça mesmo. Ela foi criada após a 3G, ou a Terceira Guerra Mundial, a fim de evitar uma Quarta. Billie tem a função de dialogar com a cabeça de Spike, contar a ela assuntos do mundo inteiro para que Spike possa processar todas essas informações e tomar decisões para ajudar o planeta. Um dia, por algum motivo, Billie leva Spike para passear, e a história continua no quarto e último conto, Cidade dos Escombros.


Cidade dos Escombros
Planeta Azul e Cidade dos Escombros são as duas histórias com mais de oitenta páginas, e por isso dediquei uma maior atenção a elas. O quarto conto dá continuidade a saída de Billie e Spike, que vão até a Cidade dos Escombros, uma espécie de subúrbio. É aqui que o leitor é melhor elucidado acerca do acontecido nessa realidade: a Terceira Guerra Mundial.

Não fica claro o porquê da guerra, mas suas consequências foram muito bem exploradas no livro. Após o conflito, o mundo teve que recomeçar. Todos culparam os governos que, enfraquecidos, deram lugar à MAIS, uma empresa "faz-tudo" que é considerada o novo governo. A MAIS aboliu qualquer tipo de dinheiro e noções de propriedade; agora tudo é alugado com jetons. Jetons são uma forma alternativa de dinheiro, sendo que todos tem os jetons de que precisam. Tudo nesse novo mundo é alugado, carros, roupas, até mesmo quadros. A MAIS deu uma nova oportunidade ao mundo, oferecendo empregos na reconstrução do planeta, além de segurança, educação, moradias, etc. Ela é uma espécie de "pseudo governo".

Continuando a história, Billie e Spike param num bar na Cidade dos Escombros. Elas conhecem um barman chamado Sexta-Feira e os três jogam conversa fora, até que, de repente, um carro com alguns japoneses para no bar, alegando estar ali para oferecer ajuda aos "refugiados dos Escombros". Sexta-Feira, com a ajuda de alguns motociclistas, expulsa os asiáticos, que não desistem fácil. Infelizmente, esse conflito termina com os japoneses explodindo e com a MAIS declarando uma invasão à zona dos Escombros.

No meio da confusão, Billie perde a cabeça de Spike. Com a ajuda de Sexta-Feira, ela procura a robô sem parar. Após algum tempo buscando, ela encontra Spike na casa de duas garotas, fazendo sexo oral numa delas. Billie fica revoltada, não por preconceito, mas por acreditar que "robôs não precisam saber fazer sexo oral". Spike acha uma injustiça, e no meio da discussão, declara que desertou da MAIS, sua empresa de origem, e que quer viver ali, na zona dos Escombros.

Uma das garotas que vivem ali acalma as duas, e convence Billie a passar a noite ali. Ela, no entanto, foge no meio da noite, levando Spike a tiracolo. As duas encontram um antigo telescópio, com anotações estranhas. Mas isso não é muito relevante para a história. Algum tempo depois, elas chegam numa festa acontecendo no meios dos escombros, mas que é invadida por agentes da MAIS e por mutantes, frutos da radiação deixada pela Terceira Guerra. Billie e Spike se refugiam no antigo telescópio, mas Billie decide sair, deixando a robô lá.

Previsivelmente, Billie leva um tiro de um agente. Em seus últimos suspiros de vida, que também são os últimos suspiros do livro, ela sonha com um sítio, possivelmente o sítio da Billie de Orbus. Lá, alguém não identificado a acolhe e assim, o livro termina, deixando uma grande interrogação em nós.

Deuses de Pedra não é um livro que deve ser lido de um dia para o outro, apesar de um leitor ávido conseguir terminar ele nesse período. Pelo menos, eu não aconselho fazer isso. Esse livro foi feito para nos fazer pensar. Pensar em coisas que consideramos banais, mas que ainda são importantes. Todos os contos têm uma crítica escondida sobre o conflito humano, seja ele em escala mundial ou entre tribos, sem contar no puxão de orelha que Jeanette nos dá sobre o descaso que temos com nosso planeta em Planeta Azul.

Algo que me chamou atenção no livro foi que ele não tem capítulos. O máximo que encontramos é a separação dos contos e um certo espaçamento entre linhas de pensamento, mas nada que seja um verdadeiro capítulo. Foi minha primeira experiência com uma história assim, e para ser sincera, gostei bastante. Esse tipo de estratégia faz você criar uma ligação mais forte com os personagens, pois não é como se você estivesse lendo um livro, mas sim como se escutasse a Billie te contar diretamente as aventuras dela.

Não é um livro para qualquer um, devo avisar. Se você não gosta de refletir, ler um livro de pouquinho em pouquinho, a narrativa de Deuses de Pedra será entediante. Até para mim foi um pouco difícil no começo, porque me acostumei a ler livros com uma dinâmica mais ágil e direta.

Eu poderia enrolar falando mais alguns detalhes desnecessários sobre o livro, mas a melhor resenha que eu poderia fazer de Deuses de Pedra seria apenas uma única frase: "O livro fala por si só."
sábado, 23 de abril de 2016
Posted by Unknown

Momento "Leia um mangá junto com o KaS" #31 - Queria que minha namorada fosse um menino (?!)

Como estão?
O calor aqui no Sul está demais e estou tentando sobreviver e raciocinar em como fazer uma boa postagem no meio do inferno na Terra.

Para facilitar, lembrei de um capítulo único (one-shot) que li esta semana e que fiquei apaixonada. A obra se chama Boyfriend, de Meno, e foi publicada pela Comic Yurihime dentro da coletânia "Kawai sa Amatte Suki sa 100-bai!". (link para leitura em inglês)

Portanto, confiem no gosto da Se-chan aqui, relaxem e segurem firme, por que o coraçãozinho de vocês vai ficar um pouquinho apertado com esse amor de mangá!

Boyfriend
de Meno

A história começa com a protagonista Risa, de cabelos claros, explica a situação atual de sua vida. Depois de falhar no exame para entrar em um colégio público, ela teve que entrar em uma escola feminina privada. Em seguida, aparece ela dando um beijo em uma outra menina, depois de dizer que a outra estava muito legal durante a aula de Educação Física. Esta outra menina é Yuuko, sua "namorado" (sim, ela chama a menina de "boyfriend" na versão em inglês que li).
Risa explica que no primeiro dia de aula, os alunos formaram uma fila de acordo com o número de estudante, e Yuuko ficou logo atrás dela. Logo ela admirou a garota alta, com cabelos curtos e que achou que parecia muito um menino. Também fala que terminou com seu antigo namorado por não gostar de namoros a distância (tipo, de mudar só de escola?!).

A história continua em um flashback, mostrando como Yuuko era popular, e Risa não aguentava mais ficar sem um namorado. Quando teve oportunidade, Risa logo perguntou se Yuuko-chan (-chan é uma expressão de carinho usado referenciando meninas). queria ser sua "namorado" (ainda fico meio chocada com essa menina, mesmo relendo a história...). A outra aceita sem pestanejar.

Agora com a introdução feita, a cena é de Risa falando para Yuuko que quer ir há um café que tem promoção para casais. Só que, obviamente, Yuuko adverte dizendo que não saberia dizer se as aceitariam por serem duas meninas. A outra só diz que será fácil, já que Yuuko irá facilmente parecer um menino aos olhos dos outros quando se vestir casualmente. Então elas combinam de se encontrar e irem juntas no local.

Quando Risa vê Yuuko, repete novamente a fala, dizendo que a outra parece realmente um garoto. A outra se tranquiliza, dizendo discretamente aliviada por ter roupas como esta para momentos assim. Elas são recepcionadas no café e pedem o serviço de casal. As garotas ficam nervosas, mas são atendidas normalmente e Yuuko passa despercebida. Mesmo assim, Yuuko acaba escutando alguns clientes comentando sobre elas, por Risa se referir à outra com "-chan" (o normal, para chamar um menino, seria com "-kun").

A garota, portanto, pergunta por que Risa sempre a chama com "-chan", já que a outra a chama de "namorado". Mas elas são interrompidas pela atendente antes da garota dar uma resposta. As garotas saem do local e vão à uma loja, onde Risa vê um elástico de cabelo bonito, porém caro. A outra decide comprar para a garota. Chegando ao caixa, Yuuko acaba comprando duas, para as duas combinarem. Risa fica chocada, pensando se a garota usaria em seu cabelo. Mas Yuuko coloca em seu pulso.
Após isto, as duas vão em outra loja, onde as duas se perdem uma da outra. Risa acaba sendo "atacada" por alguns garotos que ficam a incomodando perguntando se ela não quer sair com eles. A garota fala que tem namorado, e Yuuko vê a cena e fica um tanto chateada. A outra a vê e a puxa para irem embora.

Quando saem do local, Risa percebe que Yuuko está com a presilha no cabelo, e não no pulso. A garota fica perguntando se a outra está brincando por usar aquilo no cabelo, mas a mais alta pergunta séria se o enfeite fica tão ruim nela. A outra tenta responder, dizendo que algo tão feminino não cai tão bem nela. Yuuko diz que apesar de tudo, também é uma garota. E que por mais que ela se esforce, continua sendo uma.
Ela pergunta se Risa a ama. A outra fala que sim, e ela continua, perguntando se a ama como "namorado". Yuuko segue, falando que no início pensava que estaria tudo bem, desde que ela permanecesse como amante de Risa. Porém, ela não sabe se quem Risa ama agora é exatamente ela, ou a versão "namorado" dela. E, por amar Risa, que ela odeia ser sua "namorado". Ela quer ser sua "namorada". Yuuko termina, falando que ela foi feliz em seu amante dela, e que seria muito bom ela ter sido sua namorada e, pior ainda, que seria muito bom se ela fosse homem. E dá adeus e se prepara para ir embora.

Nesse instante, Risa grita, dizendo que não era o que ela queria. Que Yuuko não parece nenhum pouco com uma garota. E que ela já pensou em perguntar se deveria chama-la de "Yuu-kun", mas que, se isso acontecesse, ela começaria a ama-la como um homem, e não como garota. Risa continua, falando que agora, ela só consegue a ver como um garoto, e por isso que é sua "namorado". E que, por isso, ela diz que Yuuko terá que começar a deixar o cabelo crescer se vestir mais como garota, para que ela possa vê-la, finalmente, como namorada. E que o fato dela amá-la nunca irá mudar.
Depois disso, há uma passagem de tempo onde as duas conversam e chegam ao mesmo café, pedindo o mesmo combo de casal. Agora, como um casal de garotas (adultas!).



Tenho que dizer que achei esse one-shot super fofo, não só pelas personagens em si, ou pelo traço, mas a interação e a sinceridade com que a obra acaba. Risa falando que ama Yuuko não importa o que for, é lindo, por que fica claro que para ela não importa se a menina quer ser menino ou menina, mas que continue a mesma pessoa. Além do mais, a chama por "-chan" por que não tinha coragem de tomar a decisão de vê-la como ela (Risa) pensava que a outra parecia. E também Yuuko, que ficou revoltada por que é sim uma garota, e queria ser tratada como tal. Essa interação é linda. O final com as duas juntas, adultas, e claramente felizes e firmes de sua relação é maravilhoso.

A evolução de nossa visão sobre as duas personagens também é muito interessante. Afinal, no começo vemos Risa como uma garota infantil, necessitada de atenção e de um namoro (seja lá com quem for, fica a impressão). Ao final, observamos como a garota realmente ama a outra, e está disposta a vê-la como mulher. Além disso, Yuuko aparenta inicialmente ter muita convicção e confiança sobre quem é e não liga para como a outra a imagina. Porém, ao final, vemos a garota abrir seu coração de modo meigo, cheio de dúvidas e querendo ser vista como se vê, uma garota.
Fiquei super feliz com o final! Espero que tenham gostado também. É muito bom para "abrir a mente" sobre alguns padrões, talvez. Não quis pensar sobre "A menina não pode se vestir um pouco unissex?", por que acho que não é bem o que a obra quis explicar. Mas acho que poderia ter ido para este lado. Seria também muito interessante.

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