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A Tropical Fish Yearns for Snow - Superando a solidão juntas

Imagine a situação: Você é uma adolescente, seu pai tem que morar em outra cidade por causa do trabalho, mas ele prefere que você vá morar no interior com sua tia em vez de ir com ele. É isso o que acontece com Konatsu Amano, uma das protagonistas de A Tropical Fish Yearns for Snow (Nettaigyo wa Yuki ni Kogareru, ou resumindo Hanigare). O mangá começa com a garota chegando na cidade litorânea no interior do Japão que será sua nova casa e acaba sendo arrastada por meninas do colégio local para ver a exposição do Aquário da escola. Lá, uma garota pergunta para ela se ela gosta de salamandras (o animal que estava tentando observar no momento). Quem pergunta é Koyuki Honami, a outra protagonista do mangá, uma garota que aparenta ser calma e responsável, mas é apenas uma garota que sente muitas expectativas sob si e tenta ser certinha demais.


E eu diria que a salamandra, um animal que é conhecido por se esconder atrás de rochas e pouco mostrar-se para os humanos, seja o último e principal elemento desse mangá.


Hanigare é uma obra que expressa muito bem sentimentos como solidão e as dúvidas que acontecem durante a adolescência. Ele se utiliza de um conto japonês sobre a amizade entre uma salamandra e um sapo para contar a história das duas garotas, que se conhecem e participam do mesmo clube no colégio (de cuidar do aquário da escola).


Deixe-me explicar:

A história basicamente é sobre uma salamandra que se sentia sozinha e não tinha ninguém que era amigo dela. O sapo aparece e os dois se tornam muito amigos. Tanto que a salamandra torce para o sapo nunca mais sair de perto dela. Bom, basicamente seria uma história meio triste, já que os dois animais ficariam isolados juntos, numa felicidade mórbida (ao meu ver).

E por muito tempo a história das duas garotas é isso. Um jogo de quem é a salamandra e quem está arrastando o sapo para esse limbo. Porém as coisas mudam a partir do momento que as duas tem que fazer esforços para ter mais membros no clube, já que Koyuki irá ir para o terceiro ano e se aposentar logo do clube. O modo que ambas buscam a independência, mas ao mesmo tempo são dependentes é mostrado de modo muito interessante, já que há sempre essa dúvida do que fazer, ou de como a outra garota irá se comportar diante das mudanças que elas sofrem.


As vezes é só uma amizade nova de uma das duas, ou como uma das duas pretende sair da cidade. Tudo é razão para haver conflito no sensível e dependente relacionamento das duas. Aos poucos, outros personagens entram na trama, apoiando as duas personagens e criando uma rede de relacionamentos estáveis e duradouros. Kaede, a amiga de classe de Konatsu, o irmão e os pais de Koyuki, os colegas de classe da mais velha. Aos poucos elas conseguem se abrir para o mundo, juntas, e conseguem mostrar suas individualidades, apesar de muitas vezes haver o medo do julgamento ou de que irão novamente ficar isoladas.

É uma série que delicadamente guia as personagens e o espectador pelas experiências de superar medos e conhecer outras pessoas. Além de um roteiro muito bem trabalho, Makoto Hagino (autora da série) nos trás um deleite de simbolismo visual com a salamandra e o sapo sempre presentes na narrativa.


Ao final da série, completa em 9 volumes, vêmos como as duas são o sapo, mas também a salamandra. E que esse sentimento entre elas nunca irá se dissipar. O laço criado entre elas, apesar de as duas criarem suas independências, é inquebrável.

[Recomendação] Handsome Girl and Sheltered Girl - Majoccoid e Mochi Au Lait

 Que tipo de desentendimentos podem fazer duas pessoas começarem a namorar?


Em Handsome Girl and Sheltered Girl (イケメン女と箱入り娘 ou Ikemen onna to hakoiri musume em japonês), de Majoccoid (arte) e Mochi Au Lait (roteiro), duas garotas começam a namorar por que uma delas acha que a outra é um homem. Uma série de desentendimentos faz com que Ookuma ache que Kanda-kun (sim, ela usa kun) é um garoto e está apaixonada por ele.


Tudo acontece por Ookuma perguntar se Kanda-kun não quer participar de um café crossdressing (precisavam de mais garotos vestidos de menina) e Kanda-kun pensa em fazer uma brincadeira boba, que por fim faz com que as duas comecem a namorar e ela esteja em uma enrascada de tentar fazer a outra garota entender que ela é mulher também. A trama segue cheia de pequenos mal-entendidos até que Kanda-kun consegue finalmente falar para Ookuma que ela é uma garota e a outra garota no final não se importa com o fato de Kanda-kun ser mulher.


Sinceramente, eu poderia dizer que isso é um pouco de mal gosto (?), já que o mangá poderia explorar sobre identidade de gênero, mas no final Kanda-kun só é uma menina que parece mesmo um cara, e ponto final. Eu gostei muito do mangá, mas as vezes as piadas podem ter uma conotação um pouco.. complicada (?). 

A seguir haverá spoilers.

Próximo do final do mangá, Kanda-kun fala para Ookuma que é uma garota, mas a outra garota não acredita. No final, elas entram num acordo de que para Ookuma aceitar que Kanda-kun é mulher, ela teria que ver o corpo nú dela. A situação toda é feita com bastante humor e é bem leve, mas tenho que dizer que poderia soar muito ruim, já que o sexo da pessoa não deveria estar extremamente ligada ao orgão genital.

Fim do spoiler.


Porém, como Kanda-kun se sente mulher e só não se 'veste femininamente', eu entendi que não haveria tanto problema com o humor usado na cena. É hilário, mas toda essa parte me deixou com um pé atrás com a obra, apesar de ter rido horrores da cena.


Tirando essa parte, o mangá é extremamente fofo, engraçado e divertido. Dá para perceber como Kanda-kun vai começando a gostar de verdade de Ookuma e como o relacionamento delas funciona. Devo dizer que tirando a parte final, eu não fiquei nada preocupada com relação a identidade de gênero ou algum tipo de mensagem que poderia ser mal interpretada. Kanda-kun se mostra uma mulher e na verdade Ookuma não se importa com o gênero da outra, apenas a ama (e ama seu jeito tomboy).

A série está completa em 2 volumes e deixa um gostinho de quero mais. Porém, como todo bom yuri, talvez tenha parado na parte que deveria. Afinal, tudo do mangá gira em torno de Kanda-kun tentar explicar o mal-entendido feito no primeiro capítulo. Depois disso, acho realmente que não haveria por quê de continuar a obra. Seria só mais do mesmo e talvez esse 'gostinho de quero mais' virasse um 'está se repetindo demais'.


Recomendo a série para quem quiser uma leitura leve, sem preocupação e quem não queira enxergar uma série descontruída de papéis de gênero. As personagens são cativantes e a relação delas é divertidíssima. E, para mim, no final a mensagem de "Não importa seu gênero, eu me apaixonei por você" é muito fofa.


O que acham?


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[Resenha] An Easy Introduction to Love Triangles (To Pass the Exam!) - CANNO

Existe alguma forma feliz de resolver um impasse amoroso? Nem sempre, mas An Easy Introduction to Love Triangles (To Pass the Exam!) , da autora Canno e publicado pela Comic Dengeki Daioh, tenta argumentar que, alguns casos, as coisas podem ser mais simples e felizes do que se esperaria.



Canno se tornou uma autora amplamente conhecida dos leitores de yuri com seu mangá Kiss and White Lily for My Dearest Girl (Ano Ko ni Kiss to Shirayuri wo), publicado pela Yen Press nos Estados Unidos em 10 volumes. A obra dividiu a atenção a atenção dos leitores com mangás de grande popularidade como Yagate Kimi ni Naru e Citrus, mas conseguiu conquistar sua parcela de atenção e sucesso devido a qualidade técnica e também de construção de personagens e narrativas apresentadas pela mangaká. Após este sucesso ela seguiu para outras obras de menor duração e uma das destaque, publicada em 2020 e início de 2021 foi An Easy Introduction to Love Triangles -To Pass the Exam!- (Goukaku no Tame no! Yasashii Sankaku Kankei Nyuumon).


A trama de YasaKan (apelido curto deste mangá) gira em torno da relação entre Mayuki, uma garota que quer entrar na mesma escola da veterana por quem é apaixonada secretamente, Akira, a veterana que não quer admitir sentir algo por sua colega de classe, e Rin, a colega que acaba se tornando professora particular de Mayuki para lhe ajudar a melhorar as notas e assim alcançar seu objetivo de entrar numa escola boa (e ficar perto da veterana que ama).


Claro que, como é feitio da autora, a trama começa a se complicar logo. Mayuki conhece Rin em uma situação bastante suspeita com uma outra garota e, entendo que ela é mais experiente com assuntos românticos, acaba pedindo da sua professoras "lições" também sobre amor e assuntos mais maduros. Já Akira, que já hesitava diante do seu sentimento velado por Rin, acaba se sentindo ainda pior ao descobrir a verdade sobre a maneira de se relacionar da amiga.


Rin é uma pessoa poliamorosa. Para ela o conceito de se apaixonar por uma única pessoa é incompreensível e isso já lhe colocou em uma situação de grande sofrimento no passado, pois na sua experiência, ninguém mais é capaz de entender que para ela é impossível escolher entre duas pessoas que ama. Isso é algo que não faz sequer sentido para seus sentimentos.


Poliamor é um tema bastante delicado , especialmente por ainda ser um tabu para muitas pessoas. Vivemos em uma sociedade monogâmica e o poliamor é visto como algo ruim por boa parte das pessoas. Não faltam expressões pejorativas para se referir a pessoas incapazes de amar apenas uma pessoa e só uma pessoa, e talvez por isso sejam poucos os exemplos de obras ficcionais que tratem do tema, especialmente que tratem disso como algo positivo e aceitável.


Canno já se mostrou interessada e capaz de tratar de tal assunto em seus mangás. Em AnoKiss um dos núcleos de história trata de um relacionamento complicado entre três personagens que termina como um poliamor. Aparentemente o público reagiu bem a essa subtrama e por isso a autora voltou para tratar do assunto de maneira mais clara e direta em uma nova obra.



YasaKan é um mangá curto, terminado com 2 volumes. Isso é ao mesmo tempo ótimo e frustrante. Em apenas onze capítulos Canno consegue apresentar três personagens carismáticas e desenvolver a relação entre elas apresentando autos e baixos no caminho 'bondoso' para a construção do triângulo entre elas. A obra tem toda a qualidade técnica, visual e narrativa que a autora já se mostrou capaz. Ao mesmo tempo, para quem se apaixona pelo 'trisal' Mayuki-Akira-Rin ver um final é ao mesmo tempo uma alegria e uma tristeza imensa por não poder acompanhar mais dessa saga íntima e especial de amor. Porém, a obra tem um ritmo ágil desde o começo, o que leva a entender que a intenção da autora e editora era que a obra realmente fosse de curta duração. Uma pena, pois para o leitor com certeza sobra espaço de atenção para ver mais sobre as personagens, mesmo após a resolução do grande conflito da trama.


O amor pode ser simples, basta haver compreensão e sinceridade das partes envolvidas. Mesmo quando existem visões diferentes, a aceitação pode construir as pontes que poderiam parecer impossíveis nos termos comuns. Essa é a mensagem por detrás de An Easy Introduction to Love Triangles (to pass the exam!). Uma obra que inspira e retrata com generosidade uma realidade natural da forma que merece - como uma história de amor divertida e bonita com qualquer outra pode ser.

[Recomendação] Whispering You a Love Song - de Takeshima Eku

Olá a todos!

Faz um tempo que não venho trazer uma recomendação de mangá yuri para vocês, né?

Pois então, como vocês devem saber, a Comic Yurihime é o lar da maior parte dos yuris de sucesso recente. E como o yuri não pode parar, o mais novo sucesso (pelo menos aparente) da revista é a obra Whispering You a Love Song (de Takeshima Eku). Além de ter um traço muito interessante, que combina com o tema da obra, o clima geral da trama é bem interessante.
A história começa com Himari, uma menina energética e alegre, entrando no ensino médio. Em sua nova escola, após a cerimônia de abertura, ela foi ver um show de uma banda da escola. Nela, ela "se apaixona pela primeira vez" (como fã) da vocalista e guitarrista da banda. Após a apresentação ela se encontra com essa menina na saída da escola e .. bom... fala para ela que se apaixonou a primeira vista. Só que, o que ela não imaginava é que a vocalista (Yori) ia se "apaixonar a primeira vista" (romanticamente) por ela. Sim, é assim que a confusão começa.
O clima da série é bem leve (até certo ponto).

Os capítulos tem sempre uma evolução legal entre as personagens e o clima entre elas é muito bom. A Yori tentando não surtar na frente de Himari é muito bom, a Himari obviamente gostando da Yori mais do que ela mesma pensa é ÓTIMO.

Dá um pouco de agonia pela falta de noção das palavras que a Himari usa, como "amor" ou de "ter um encontro" com a outra garota. Ela dá sim muita esperança para a outra sem nem perceber. Isso é uma coisa muito palpável e interessante que tem em todos os capítulos. As personagens são bem construídas e no final você sempre quer que tudo dê certo (apesar da falta de noção da Himari). Os desentendimentos (de interpretação do que a outra fala?) são muito bons.

O tema musical é um ótimo pano de fundo e a Yori começar a ter coragem de cantar na frente da Hiamri ou de pensar em realmente se apresentar para um público grande por causa da garota é bem legal. Você sente o que elas estão pensando de um modo bem natural. É um mangá bem vivo e que dá gosto de ler.

Bom, eu sei que ele tem apenas 6 capítulos até agora, mas vale muito a pena!

Quem se interessou, venha depois nos comentários e dê sua opinião!

Ah, e não se esqueça de compartilhar o link do  Kono - ai - Setsu se gostou!

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Yuricast 12: Little Witch Academia

Olá a todos!

Antes tarde do que nunca, as apresentadoras de sempre @LKMazaki  e @SechanKV trazemos  para vocês, fãs de yuri, um dos melhores animes lançados no ano e que nos trouxe uma quantidade de fanarts absurdas de yuri:

Little Witch Academia!
Mas então, neste podcast falamos de toda a trama da história, desde os Especiais, até o anime lançado oficialmente a pouco no Netflix. Além disso, rolou conversa sobre "Final Trigger", como ignorar a importância de homens em um anime, abuso em relacionamento, como uma personagem pode passar de nojenta a best girl que precisa ser protegida e a quantidade absurda de confusões que Akko e Sucy conseguem colocar a tadinha da Lotte.

E, claro, OS SHIPS.

Estejam preparados!!

Como sempre, vocês podem baixar e escutar onde quiser nossos surtos nos seguintes links:


Ainda estamos ajustando nosso editor para conseguir publicar a versão do YouTube. (Maldito Adobe Premiere... u.u)

Até breve!
Entre em contato por:
@LKMazaki

domingo, 26 de novembro de 2017
Posted by Se-chan

[KaS Debate] Netsuzou Trap #02 e #03

Pois é isso mesmo!

Depois de um certo atraso, Mazaki e Se-chan trazem mais uma série de debates no maior estilo Kono - ai - Setsu. Na última vez foi a introdução de Netsuzou Trap, e como não poderíamos parar por aí, trazemos direto os episódios 2 e 3 da série.

Além de falar da trama, discutimos um pouco se Hotaru é uma boa personagem ou só uma mina insuportável, qual é o problema do Fujiwara que não consegue ser gente boa e se um dia a Yuma pode se ligar que é uma caminhoneira de primeira viagem.
Não se esqueçam de continuar seguindo o canal do KaS para ter sempre as atualizações em primeira mão.

Se tiver vontade, mostre sua opinião para a equipe do Kono-ai-Setsu nos comentários abaixo. Nos siga nas redes sociais para ver notícias ou imagens super legais que estamos sempre colocando no ar!

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[KaS Debate] Netsuzou Trap #01

Sim, o KaS está com tudo no YouTube!

Neste programa, as participantes @LKMazaki e @SechanKV debatem sobre o que rolou no primeiro episódio do anime de Netsuzou TRap.



Desde a trilha sonora, adaptação e até as opiniões que começaram a rolar na internet foram discutidas.

Tudo sobre Netsuzou TRap no KaS
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[Resenha] Carmilla - 3ª Temporada (e um resumo da 2ª)

Pois então, há muito tempo fiz uma postagem sobre o que achei da primeira temporada de Carmilla, e do livro que originou a web-série. Depois de tanto tempo, você deve estar estranhando que não trouxe ao blog o que achei da segunda temporada, não é? Pois então, foi proposital.
Não foi por acaso que não ouve uma resenha da segunda temporada de Carmilla. Sinceramente, eu não gostei do andamento da trama, ou o desenvolvimento de alguns personagens. Foi uma temporada feita sinceramente para simplesmente separar a Laura da Carmilla e voltar a etapa zero. Depois da irmã de Carmilla morta pela Laura, Dani morrer e virar vampira, e a mãe de Carmilla dominar a escola e ter uns assuntos super sinistros, chegamos a terceira temporada. Muito mais interessante, com melhores piadas sobre o desconforto de duas ex-namoradas tentando salvar o mundo.

Eu sinceramente não sei por que meio que odiei a segunda temporada. Talvez seja pela Laura ser uma idiota e tomar muitas decisões erradas no decorrer dela. Possivelmente por enxergar que no final da mesma, o principal casal não iria ficar junto. Além do lance da possessão da Perry pela mãe da Carmilla. Fiquei tão frustrada que nem vi a "Temporada Zero" e pulei direto para a terceira. E foi muito bom!
Já presas na Biblioteca (que tem vontade própria), Carmilla, Laura e LaFontaine tentam bolar um plano para salvar sua amiga e salvar, mais do que a sua universidade, o mundo. Depois de descobrirem o por quê da Diretora querer realizar o fim do mundo, de ter um reencontro com o pai, e ter ido para um mundo paralelo onde ela havia morrido, Laura finalmente enfrenta o perigo de frente, e é emocionante.

É lindo, e as atuações de Elise Bauman (Laura) e Natasha Negovanlis (Carmilla) são maravilhosas. Carmilla se mostra extremamente emocional, temperamental, é lindo. Mas no final, tudo dá certo (por favor, isso não é nenhum grande spoiler).

Nessa terceira temporada, a web-série pareceu voltar um pouco ao humor que lhe deu sucesso e teve uma melhor escolha nos acontecimentos. Após alguns anos, finalmente tivemos um desfecho do romance entre Laura e Carmilla, além da guerra contra a mãe da vampira.
Empolgante, engraçada, e representativa, a série tomou tanta proporção que agora está programado um filme. Se ele terá um grande orçamento, ou não, isso depende dos fãs, já que ele será subsidiado por quem doar para o projeto. Mais do que bons efeitos, espero que eles continuem no ritmo que terminou a série. Se for pelo teaser, aposto que será ótimo!

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Até logo! o/

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[Resenha] Doce Vampira - Ju Lund

Você está agoniado que agora vampiros são criaturas românticas e sem nenhum tipo aparente de diferença dos humanos que não seja brilharem na luz? Então talvez você precise ler "Doce Vampira", de Ju Lund.

A escritora pelotense (cidade localizada ao sul do Rio Grande do Sul) lançou o livro Queer Chic em 2015 pela editora Avec (também gaúcha) e conta com uma edição bem trabalhada, com um papel poroso interessante e um trabalho gráfico muito bem elaborado. Apesar dos excessos de notas de rodapé, que muitas vezes mais atrapalham a fluidez do texto do que ajudam, é um livro bem cuidado pela editora.

Doce Vampira se passa em um mundo onde humanos descobriram que vampiros existem e não os excluíram (não abertamente). Portanto, esses seres frequentam escolas, trabalham e tem famílias como qualquer outro na sociedade moderna. Apesar dessa "inclusão" na sociedades, as lendárias criaturas ainda sofrem com a desigualdade, principalmente em cidades pequenas. 

A história se passa em torno de Duda, estudante transferida para uma conceituada escola particular, onde conhece a bela e misteriosa Esther e sua história de luta e fuga pelo seu amor duplamente proibido. Na trama, não se fala em datas onde ela se passa, mas aparenta estar em um mundo moderno, devido ao uso de celulares.

(a partir daqui temos um pouco de spoilers!)

Com uma escrita fluída e simples em primeira pessoa, Ju Lund consegue fazer a leitura ficar simples e envolvente. O único pesar em termos de técnica é as vezes a escrita parecer sem detalhes, como em casos onde uma cena poderia lhe passar uma impressão e foi substituída por uma simples frase, como em "Quando voltei da casa de Esther, meus irmãos foram muito carinhosos e bem diferentes dos quase adolescentes chatinhos que eram." (pág. 136). Eu não faço ideia de como eles eram ou como tratavam a irmã, não há exatamente uma cena onde eles falem. É estranho, parece faltar algo.

Apesar de no resumo aparentar que há uma evolução da amizade para o romance, a história se passa muito mais com o casal já consolidado do que com a descoberta do "amor impossível". O que pode ser bom e ruim.

A parte boa é que teoricamente tiramos aquela enrolação padrão de descobrimento da sexualidade juvenil que vemos em praticamente todos os filmes, livros e séries sobre lesbianismo. Também é interessante as partes onde aparecem um pouco do mundo vampírico e seus misteriosos ritos. É obscuro, misterioso e passa uma impressão mais tradicional dos vampiros.

O problema é que, apesar do capítulo introdutório da história das protagonistas, fiquei com a impressão de distanciamento do relacionamento das duas. Não há um desenvolvimento no relacionamento a partir do momento onde elas começam a viver juntas. Muito pelo contrário, parece uma involução. Talvez tenha sido a intenção da autora, colocar apenas a parte da quebra da relação de confiança entre Duda e Esther, mas me foi incomodo. E muito.

Eu entendo a parte da comunidade vampírica, seus costumes e seus segredos, eu não me incomodei com isto. O que me incomoda é Duda não conseguir confiar em ninguém. Ela está em um relacionamento onde jogou fora sua família, mas não tem confiança em sua amada. Isso dá um toque igualmente verossímil e de total falsidade na trama. Pois ao mesmo tempo que obviamente muitas pessoas mantém um relacionamento sem total confiança no parceiro, como alguém poderia abandonar sua vida sem poder se apoiar totalmente na pessoa amada? Não é a tona que esse relacionamento acabou. Sem confiança, é claro que uma das pessoas iria abandonar a relação.

Resumindo, passei o livro inteiro com dualidades se enfrentando na minha leitura e interpretação da obra. Procurei até outras críticas antes de poder fazer a minha para saber se mais alguém havia tido tal problema, mas não achei nada. Talvez seja problema meu, mas gostaria de ter uma pista do que me incomoda e não incomoda em outras pessoas.

Será que é por ser lésbica e não ter sentido realmente paixão e/ou amor entre as personagens? É por achar que a cena de sexo entre elas não me pareceu convincente? É pela falta de vontade de Duda colaborar na vida, privacidade e costumes dos vampiros? Bom, meu problema é unicamente com Duda, pois Esther ficou tão distante na obra que não consegui conhecê-la, assim como sua progenitora e outros parentes. Porém, se Duda tivesse tido paciência, ao final do livro eu não estaria gritando por mais.
Talvez o problema também venha que a partir da segunda vez que Duda sai de casa as páginas são tão boas que me pergunto por que o resto do livro não tenha mais haver com elas. A mudança da trama, o desespero da protagonista, a agonia que senti com a perda de consciência e resto de personalidade que Duda tinha, aos poucos se esvaindo. É quase brilhante, se não fosse ofuscado pelos 80% de trama trivial anteriormente lida.

Mas sim, eu recomendo a leitura do livro. O final dele deve ser lido por qualquer pessoa que se interesse por mistério, terror psicológico, ou teorias conspiratórias. É um retrato do que a pouco tempo poderia ser encontrado para "cura gay", ou qualquer outra coisa que seja fora do "padrão social". É assustador. É brilhante. E eu preciso ler Alma Vampira, a continuação do livro.

Por favor, Ju Lund, não fique na mesmice do mundo. Me mostre esse terror, mistério e veracidade dos momentos finais do livro. Eu não quero o comum. Eu também não quero o romance padrão que foi pulado na história. Eu quero o diferente.

sábado, 1 de outubro de 2016
Posted by Se-chan

[Resenha] Chi-Ran - Belos traços, belas garotas

Olá mais uma vez, gente, Lume aqui! Já faz bastante tempo que eu escrevi algo para cá, e sempre que eu penso nessa minha procrastinação, sinto-me uma inútil. Então, nessa quarta-feira, trouxe mais uma resenha, como sempre, de uma mangaká que adoro desde que comecei a gostar de Yuri: Chi-Ran.


(Auto-representação da Chi-Ran. Ignorem a qualidade terrível.)


A Chi-Ran já tem um currículo bem extenso, tanto em Yaoi quanto em Yuri. Um dos mangás mais antigos dela é de 2002, Koi no Katachi, um Yaoi que conta uma relação de pai e filho. Mas como este é um site Yuri, vamos focar apenas no mangás Yuri. Se você for pesquisar em alguns sites, como o MangaFox, vai ver que quase todos os mangás listados são os Yuris, não os Yaois. Só por isso, já dá para ver que ela é mais conhecida pelos Shoujo-Ai, apesar de serem basicamente one-shot soltas. Quem estiver interessado na lista completa de mangás dela, é só clicar aqui. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.


Himitsu Shoujo


Himitsu Shoujo é uma das coletâneas da Chi-Ran. Ela consiste nas one-shots Love, Himitsu Shoujo (Girls' Secret Nectar), The Yuri Cage, Planet Aimer-lis, Don't Make Me Fall For You e Dream Drops. Vou falar um pouco sobre a The Yuri Cage, já que é a minha favorita de todas dessa edição.

Yuri Cage começa com uma vendedora misteriosa oferecendo à protagonista, Izutsu Maori, uma "Yuri Cage" ou uma "Gaiola Yuri", em tradução livre. A vendedora afirma que dentro da gaiola está a namorada perfeita da Maori. Mesmo desconfiada, a protagonista compra uma e, após presenciar a gaiola agir como se estivesse possuída, descobre que dentro dela estava mesmo uma namorada. Mas essa namorada é um ser minúsculo, com muito menos da metade da altura da Maori.

Apesar de, no começo, a Maori não prestar muita atenção na Kagome (a sua "namorada"), com o tempo ela acabe se derretendo pela menorzinha e se apaixonando por ela. Porém, quando Maori vai se declarar para Kagome, ela presencia sua "namorada" virar uma boneca.

Um tempo depois, Maori, ainda perdidamente apaixonada pela boneca, diz que ela é sua namorada de verdade para uma estranha que se aproxima na rua. Ao olhar para a desconhecida, Maori percebe que ela é igualzinha à sua antiga namorada. A história termina com um discurso enigmático da vendedora misteriosa do início, oferecendo ao leitor um Yuri Cage.





Girl's Aesthetics


Girl's Aesthetics foi o primeiro livro impresso de autoria da Chi-ran. Contêm as histórias I Want to Become Her, Her First Love, Her Luck in Love, Her Temptation, Her Confession, First Bloom, Love Ride 1 e Love Ride 2. Como sempre, são histórias soltas, a não ser pelas duas últimas, em que as personagens de todas as histórias anteriores aparecem, mais ou menos como um crossover de todas as one-shots, e é justamente delas que irei falar.

Love Ride

A protagonista da vez, Mayama Mima, é na verdade uma secundária em The Yuri Cage. Ela aparece pela primeira vez em Yuri Cage numa briga com sua namorada e, ao que parece, as duas ficam brigadas até Love Ride. Por estar de coração partido, ela decide ir em um passeio pelo Lily's Bus Tour, ou Passeio de Ônibus da Lily, a fim de encontrar uma nova namorada. Infelizmente para Mima, seu tão aguardado passeio de ônibus não vai tão bem. Ao entrar no veículo, ela vê que só têm casais felizes e apaixonados lá dentro. 

Ela perde as esperanças, até que, sua namorada (com quem estava brigada) entra no ônibus. Após uma conversa onde as duas discutem o que aconteceu entre elas, o casalzinho volta feliz e apaixonada que nem os demais do ônibus.




Concluindo…

Os mangás da Chi-ran são para passar o tempo. São para aqueles dias nos quais não tem nada para fazer e tudo de que precisa é uma história rápida e relaxante. Eu ficaria tão feliz se ela publicasse algo com mais enredo, porque, sinceramente, o traço dela é algo divino. Cerca de 99% das histórias dela (pelos menos as que eu li) contêm algum toque pornográfico; alguns são mais leves, outros mais pesados, mas é certeza que sempre vai ter alguma cena mais íntima.

Se você, leitor, não gosta de histórias superficiais, então Chi-ran não é para você. Contudo, eu indico a todos principalmente pelo traço dela. É algo lindo de se ver. Para os interessados, mas que são leigos em inglês, a minha scan, o Goki, está tentando trazer dois projetos dela, Planet Aimer-Lis e Her Confession. Ainda não temos uma data definida, mas até lá, a mesma scan já tem um projeto traduzido, o Don't Make me Fall.

Planet Aimer-Lis, que foi traduzido por esta que vos fala, já está disponível no Goki. Há um tempo, minha scan estava escolhendo novos projetos, e eu dei a ideia das one-shots da Chi-Ran(se bem que meu supervisor já reclamou comigo sobre como é difícil limpar essas one-shots!). Para ser redirecionado para a leitura on-line, basta clicar aqui. Para baixar pelo MediaFire, clique aqui; o download pelo Mega, bem aqui.

Por hoje é só, pessoal! Desculpe pelo post irritantemente curto, mas eu não achei muita coisa sobre essa mangaká e não achei legal fazer resenha por resenha de cada mangá das coletâneas dela. Mas se alguém se interessar mais, posso fazer algo mais detalhado sobre qualquer uma das obras dela, com uma análise mais profunda e tudo, é só pedir aqui nos comentários. Enfim, bom resto de semana e lida de yuri a todos! Até mais!


quarta-feira, 15 de junho de 2016
Posted by Unknown

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