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Yuricast #17 - Nobuko Yoshiya

Olá a todos!

Cá estamos de volta com nosso podcast (quase quinzenal, quase mensal) sobre o mundo yuri com o primeiro programa com tema histórico: Nobuko Yoshiya, a escritora que é por muitos considerada a mãe das histórias de "amizades profundas e românticas entre garotas" na cultura moderna japonesa. 



Neste programa Mazaki e Se-chan conversam sobre a trajetória literária da autora do importantíssimo Hanamonogatari, coletânea de contos que reúne vários dos que se tornaram os padrões mais comuns em histórias shoujo-ai, passando por sua fase mais explícita com sua revista pessoal e até seu retorno aos padrões socialmente mais aceitos no Japão pós Segunda Guerra, onde sua mensagem de amor entre garotas teve que encontrar meio de sobreviver através das entrelinhas de uma sociedade rígida. Ao final também discutimos um pouco da repercussão do trabalho de Yoshiya no yuri posterior, referências e onde estamos atualmente em relação ao que esta pioneira escritora começou.

Como sempre enviem seus comentários, críticas e sugestões através dos comentários, nossas redes sociais ou e-mail para konoaisetsu@gmail.com

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[Web-série] Circunstância parte 5 e 6

Olá a todos!

Depois de mais tempo do que eu e vocês gostaríamos cá estamos com mais duas partes do texto de Circunstância. Depois dos eventos tórridos da quarta parte da história de Diovana e Amanda, mais coisas estão por acontecer nesse relacionamento quase inesperado entre essas duas mulheres tão diferentes entre si.

Sou extremamente agradecida à todos os leitores pela apreciação e paciência com a divulgação do texto. O feedback de vocês tem sido super positivo desde a primeira publicação e eu não poderia ser mais agradecida por tal. Espero que o tempo entre a divulgação das partes do texto não afaste os leitores e espero também que, apesar de agora eu estar fazendo faculdade e trabalhando ao mesmo tempo, isso não faça com que os próximos textos demorem tanto para sair aqui no blog.

De qualquer modo, muito obrigada a todos. Espero que tenham uma boa leitura com mais essa parte de Circunstância.




Circunstância
por LKMazaki - 2015/2016
Parte 05 - Nova perspectiva



Apesar da rotina no escritório e do clima terrível com a mãe, Diovana sentia que sua vida estava indo bem melhor do que antes. Claro que a prática sexual constante tinha grande parte da culpa por essa sua sensação. Nem mesmo os abusos morais do hipertenso coordenador do setor eram o suficiente para estragar seus ânimos menos cinzentos. Até mesmo o cigarro perdeu um pouco do espaço nos seus pensamentos. Diovana estava fumando menos de meia carteira por dia.



Ainda que fossem pessoas tão diferentes em si e em estilo de vida, ela e Amanda vinham conseguindo construir uma relação mais firme a cada semana que passava. O caso delas poderia muito bem  ser apenas sexo fácil, mas alguma coisa estava se criando.



Da parte de Diovana poderia chamar aquilo de dependência emocional. Sempre fora uma pessoa extremamente fechada e solitária então ter alguém com paciência para escutar-lhe nos assuntos mais banais do dia era uma novidade impressionante. A morena tinha certeza de que da parte de Amanda ela era apenas um bichinho de estimação que toda a sua classe média alta não podia comprar. Torcia em silêncio para que demorasse ainda algum tempo para que a engenheira se cansasse daquela distração. Da sua parte fazia sempre o melhor para agradar sua “dona” na cama e assim manter-lhe cativa naquela brincadeira.





Era sexta-feira mais uma vez e o tempo estava preparado para a chuva. Diovana e Amanda haviam se encontrado no metrô e ido juntas para o pequeno apartamento da secretária. Ainda que sentisse vergonha da sua residência comparada à da outra, Amanda não parecia se importar nada com o espaço diminuto nos dois únicos cômodos da casa. Aquela era a quarta vez que as duas iriam passar a noite juntas ali:



Você se preocupa demais. Eu adoro este lugar. — comentou Amanda quando as duas chegaram. Sem cerimônias ela tirou os sapatos na entrada, colocando as pantufas separadas para si com antecedência e indo se atirar no sofá de dois lugares que ficava encostado em uma das paredes.



Que educada. — riu-se Diovana, levando as duas sacolas de compras para a cozinha estilo americano. Haviam comprado algumas bebidas e comida congelada.



Ei, bem que eu poderia passar em casa e pegar um video-game para instalarmos aqui. É bem melhor do que assistir esse filmes repetidos da tv a cabo. — sugeriu a programadora, após dar uma volta completa nos canais disponíveis sem conseguir encontrar nada que lhe interessasse.



Video-game? Eu não me ligo muito nessas coisas.



É, você já me disse. O que é uma pena, porque eu sou fã de jogos! — comentou Amanda, empolgada. — Sabe, eu entrei na faculdade de Computação porque sonhava em trabalhar fazendo jogos.



E isso dá dinheiro nesse país?



Não muito. — admitiu a programadora. — Foi por isso que procurei algo mais estável, pra meus pais não ficarem preocupados. A ideia era ir procurando oportunidades nesse meio tempo.



E você ainda está procurando?



Bom. . . Isso já faz uns cinco anos. Acho que acabei me acomodando. — confessou Amanda, com uma nota de tristeza na voz. Ela desviou os olhos da televisão para a janela de meia parede que exibia um céu carregado e o topo de vários edifícios e suas antenas.



Diovana sentiu-se um pouco culpada, mas não soube o que dizer. Demorou-se separando alguns salgadinhos escondidos no fundo do armário e pegando duas cervejas:



E você, Di? O que você queria estar fazendo da vida ao invés de telemarketing? — perguntou Amanda, de volta à caça de alguma programação interessante. Diovana deu de ombros.



Nada em especial.



Como assim? Você nunca teve um sonho de profissão quando criança ou algo assim?



Se tive, já esqueci. — disse, enfim levando os petiscos e bebidas para a outra e sentando-se também.



Acho que isso explica algumas coisas.



Como se cê-dê-efês soubessem alguma coisa sobre psicologia. — debochou Diovana. Porém um segundo depois ela deu um berro de susto, quando Amanda encostou a lata gelada que segurava na sua bochecha.



Antes que Diovana pudesse prolongar-se no xingamento o seu celular vibrou e tocou, sobressaltando-a. A morena pegou o aparelho do bolso e olhou para a tela, o que a fez segurar a respiração. Com pressa ela levantou e se afastou do sofá para só então atender:



O que foi, Gustavo? — perguntou ela ao aparelho e Amanda não conseguiu disfarçar a surpresa ao escutar o tom ríspido desta na conversa. — Ora, e você não sabe porque eu não apareci ainda? Claro. . . Olha, não me interessa como as coisas estão agora, eu não tenho como. . . E você acha que eu não sei? Cara. . . Quer saber? Não precisa me ligar se for pra ficar tentando me amolecer, ok? São eles que me devem alguma coisa e eu não vou me desmanchar enquanto eles não ajeitarem as coisas. Tchau.



Diovana desligou o aparelho e ficou encarando a porta, sentindo o coração acelerado pela raiva. Respirou fundo e virou para Amanda:



Desculpe por isso. O otário do meu irmão não tem nada na cabeça.



Estava tentando te fazer ir falar com seus pais? — perguntou Amanda. Apesar de não terem conversado a fundo sobre o assunto a engenheira sabia que a relação familiar de Diovana não era nada boa.



É. Ele não entende nada. — bufou a morena, sentando de volta no sofá e se deixando massagear os ombros pela outra.



Não precisa se chatear tanto. Ele só falou do que não sabe, então ia dar nisso. — tentou consolar Amanda, apertando os músculos rígidos.



É verdade. — concordou Diovana, fazendo caretas pela dor dos apertos nos seus ombros.



Deve ser complicado.



Vai ser mais complicado se você ficar me fazendo pensar nisso ao invés de levar essa conversa para um caminho mais interessante.



Oh você, Dio.








Diovana estava parcialmente acordada a algum tempo já. Seu corpo e olhos se negavam a reagir e mesmo os seus pensamentos pareciam desencontrados. Levou algum tempo para perceber que estava completamente nua, aquecida apenas pelo seu edredom e pelo corpo também desnudo de Amanda ao seu lado.



O celular tocou. Por reflexo, Diovana levou a mão à mesa de cabeceira, mas antes de olhar para o visor reconheceu não ser o seu toque. Ao seu lado, Amanda sentou, já com o próprio aparelho nas mãos e atendeu:



Amanda?” perguntou uma voz feminina vinda do celular que estava em modo viva-voz.



Mãe? O que foi? — perguntou a mulher de cabelos mais claros. Sua voz era irritada e sonolenta.



Filha, eu estava querendo passar aí na sua casa pra levar umas coisinhas que comprei pra você. Liguei pra ver se já tinha acordado”



Não! — exclamou de supetão Amanda, alarmada. — Digo, mãe, não vai dar.



O que? Por que?”



Não var dar. Só isso! — repetiu Amanda, incisiva.



Ah. . . Está bem. Me desculpe.”



T-Tudo bem.



Bom, lembre-se de aparecer amanhã pra almoçar conosco.”



Pode deixar, mãe.



Tchau, filha. Um beijo.”



Ah. . . — foi dizer Amanda, porém a ligação se encerrou antes que fosse capaz de falar qualquer coisa. — Affe, seria muito mais simples se ela não tivesse essa mania de querer aparecer sem avisar.



Ela pareceu entender o motivo. — disse Diovana, apoiada sobre os cotovelos. — Ela sabe da sua preferência?



Amanda encarou Diovana com a expressão ainda contrariada. Então suspirou e voltou-se para a entrada:



Deve saber.



Como assim? Vocês nunca falaram sobre o assunto?



Só uma vez. Ela fez umas perguntas e eu só balancei a cabeça. Depois disso nunca mais.



Diovana ficou encarando as costas desnudas e cabelos de Amanda, que era o que podia enxergar daquele ângulo. Sentou-se e segurou as próprias mãos, um tanto apreensiva se deveria continuar aquela conversa:



Então ela sabe. — pontuou. — Ela não parece encarar mal isso.



Como pode saber disso? — questionou Amanda, encarando-a novamente.



O tom dela quando entendeu não era um tom de desaprovação.



Amanda não respondeu nada por um momento:



Você está certa, eu acho. Sou eu quem não consegue falar disso com ela.



Diovana deu uma risada rouca e levantou, sem se importar da sua nudez:



Eu sinto inveja. — disse ela. — Queria que minha mãe não me odiasse por isso.



Amanda não comentou mais nada. As duas não falaram mais no assunto pelo restante do dia.





Parte 06 - Laços



Fátima saiu do carro e foi até o porta-malas, abrindo-o. Pegou duas sacolas grandes, cheias de frutas. Acionou o alarme do veículo e se direcionou até o prédio de arquitetura moderna daquele condomínio novo, de classe média:



Bom dia, Dona Fátima! — cumprimentou Jair, o senhorzinho de meia idade que cuidava da portaria do bloco C no turno diurno. Ele era baixinho e barrigudo, com uma careca pronunciada na parte de cima da cabeça.



Bom dia, Seu Jair. — respondeu a mulher, com seu sorriso largo de sempre. Haviam muito poucas marcas de expressão na sua pele sempre tratada com os mais caros produtos.



Veio visitar sua menina, de certo. — disse o porteiro. — Ah, mas. . . — disse ele mais baixo, lembrando de alguma coisa.



Sim, trazer algumas frutas. Sabe como são os jovens.



Sei sim. — concordou ele, um pouco incomodado. — Ah, Dona Fátima?



Pois não?



Ainda agora a Amanda saiu para ir no mercadinho. A senhora não quer esperar ela voltar aqui?



Não se preocupe, eu tenho a chave.



Ah, claro. — concordou ele, um pouco ansioso. — Mas é que. . .



Algum problema, Seu Jair?



Nada não! Até mais, Dona Fátima. — apressou-se em dizer o porteiro. Nesse momento o elevador abriu a portas.



Obrigada. — despediu-se Fátima, entrando no elevador e pressionando o botão do quinto andar.



Não levou mais do que meio minuto para que estivesse no quinto andar, diante da porta do número quinhentos e seis. Com habilidade ela pegou a sua cópia da chave do bolso sem desequilibrar as compras. Fátima abriu a porta do apartamento e viu que havia alguém sentado em um dos bancos do balcão da cozinha americana. Uma mulher, mas não era sua filha:



Ei, Amanda, espero que você tenha lembrado de. .  ― começou Diovana, virando o rosto na direção da entrada, perdendo o restante das palavras ao ver que não era quem esperava. ― Er. . . D-Dona. . . Fátima? ― arriscou a morena.



Isso. ― confirmou a mulher, depois de um instante de respiração presa. Suspirou e piscou, reassumindo a naturalidade. ― E você? ― perguntou, caminhando até o outro lado do balcão.



Diovana. . . Com. . . “Dê”, mesmo. ― disse Diovana, ainda estupefata com o encontro inesperado. Encarava a mãe da sua namorada como se estivesse vendo uma miragem. ― Er. . . A Amanda. . .



Deu uma saída, não e mesmo? Diovana. . . ― repetiu Fátima. ― Eu vim trazer umas frutas pra ela. ― disse, começando a desempacotar as compras.



Ah, claro. . . E-Eu. . .



Quer uma maçã, Diovana? ― perguntou Fátima. A naturalidade com a qual ela agia não ajudava em nada a desfazer o embaraço e surpresa da outra.



Sim, claro. . .



Quer que eu tire a casca?



O que? Não, não precisa se incomodar!



Quê isso, não é nada. ― disse Fátima, pegando um prato raso e uma faca para descascar a fruta.



O silêncio se prolongou entre as duas enquanto Fátima trabalhava para tirar a casca da maçã com perfeição:



Então é você quem tem deixado a minha filha mais feliz do que o de costume, não é?



Sim. Er. . . Desculpe não ter me apresentado antes.



Tudo bem, não achava que a Amanda faria essa apresentação mesmo.



Ela não é muito de falar dessas coisas né.



Isso. Mas uma mãe sempre sabe quando a filha está apaixonada.



Ah. . . ― Diovana não soube o que responder a esse comentário. Entrementes Fátima entregou-lhe o prato com a fruta descascada e cortada em pedaços.



A sua mãe deve ser assim também.



Não. . . Se ela soubesse que eu estou apaixonada por uma mulher era capaz de me matar. ― comentou Diovana, levando um pedaço de maçã à boca.



Tão ruim assim? ― perguntou Fátima, transparecendo certa preocupação.



Bastante.



O silêncio sobreveio novamente. Diovana comia e Fátima aproveitava para guardar as outras frutas na cozinha que conhecia quase tão bem quanto a sua própria. A sensação de desconforto que Diovana sentia já havia quase desaparecido à essa altura:



Dá minha parte eu só quero que a Amanda seja feliz. ― disse Fátima, depois de terminar com as frutas.



Isso é incrivel.



Nem tanto. ― sorriu Fátima. ― Mudando de assunto. . . Você fuma, Diovana? ― perguntou, tendo sentindo muito de leve o cheiro característico. Provavelmente vinha das roupas da outra.



Er. . . Sim, mas a Amanda está me ajudando a tentar parar.



Espero que consiga. Você tem uma pele bonita. Se parar tenho certeza de que irá ficar ainda mais bela. ― elogiou Fátima, lavando as mãos na pia da cozinha e enxugando-as com duas toalhas de papel. Diovana sentiu todo o embaraço voltar à tona com aquele comentário.



Nesse momento a porta do apartamento fez barulho. Fátima e Diovana olhararam na direção da entrada e viram Amanda aparecer atrás da porta abrindo. Levou um mínimo instante entre ela abrir a porta e conseguir entender a cena à sua frente. A expressão choque tomou conta do seu rosto. Ela abriu a boca para falar, mas pareceu esquecer da sua intenção no meio do caminho. Diovana desviou os olhos para o prato à sua frente, onde ainda restavam dois pedaços de maçã, pegando um deles:



Bom dia, filha. ― cumprimentou Fátima, acenando casualmente. Amanda fechou a boca e terminou de entrar, trancando a porta atrás de si.



Mãe. ― respondeu ela, a voz um tanto falhada. A programadora parecia mais pálida do que o de costume.



Eu só vim trazer umas frutas, como sempre. ― disse Fátima, caminhando até a filha, que mal dera dois passos da entrada para a sala. ― Foi sorte encontrar a Diovana. Assim pudemos nos conhecer um pouquinho.



Ah. . . ― gemeu Amanda, recebendo o abraço de cumprimento da mãe.



Eu já vou indo. Tenho que levar o carro para o Seu Joaquim antes de ir para a secretaria. ― informou a mulher, se dirigindo à porta, mas virando-se de volta antes de chegar à maçaneta. ― Diovana, foi um prazer.



Pra mim também, Dona Fátima.



Apareça pro almoço de domingo, lá em casa.



Pode deixar.



Meninas, tchauzinho. ― despediu-se Fátima, saindo e trancando a porta.



No corredor, Fátima se dirigiu sem pressa até o elevador. Um sorriso discreto surgiu no seu rosto enquanto refletia.



Ela não parece ruim, não é mesmo? Ora, deve ser uma boa pessoa. Não poderia ser diferente, vindo da minha menininha. Pensou ela, satisfeita pela oportunidade inesperada de enfim passar algumas das barreiras erguidas e mantidas com tanta dedicação pela sua preciosa filha.



Dentro do apartamento o silêncio um tanto constrangido durou ainda alguns instantes. Diovana pensou em pegar o último pedaço de maçã, mas preferiu esperar Amanda ter alguma reação:



O que foi isso? ― ela perguntou, deixando as duas pequenas sacolas que trouxera no chão.



Uma casualidade. ― respondeu Diovana, tentando aparentar calma. ― Há quem diria. . . Destino.



Destino. . . ― repetiu Amanda. ― Só se for o destino querendo acabar comigo.



Que exagero. A sua mãe é uma mulher muito legal. ― desmereceu Diovana. ― Ela até me deu uma maça descascada e cortada!



Amanda suspirou e foi até o sofá, se atirando sobre o mesmo:



Sorte a sua né.

[Web-série] Circunstância parte 3 e 4 [+18]

Olá a todos!

Cá estamos com a terceira e quarta parte da história de Diovana e Amanda. Fiquei muito feliz pelo retorno das primeiras duas partes dos textos. Ainda não tinha visto um post de literatura alcançar números bons tão rápido quanto este último, então só tenho a agradecer.

Vamos direto ao ponto aqui: mais duas partes da história e, um ponto importante, temos uma cena adulta na quarta parte. Sintam-se avisados e não queiram matar essa que vos escreve por trazer um romance lésbico tão explícito assim ao blog.

Em frente!


Circunstância
por LKMazaki – 2015

Parte 03 – Passo adiante


Como sempre o vai-e-vem de gente no centro da cidade era intenso, ainda que o sol já tivesse desaparecido a algum tempo.

Amanda caminhava sem muita pressa, tentando desviar-se dos maiores aglomerados de pessoas. Seus fones brancos, sempre nos ouvidos, não tocavam nada naquele dia. A verdade é que, a despeito da sua tentativa de parecer desatenta, ela estava mais observadora do que normalmente seria. Estava mais ou menos uma duas horas mais tarde do que seu horário padrão e sua cabeça não conseguia deixar de pensar nas possibilidades.

Seu passo vacilou quando seus olhos enfim a encontraram. A figura alta e magra, apoiada a um canto próximo à entrada da estação de metrô. A mulher de cabelos negros longos e lisos tragava um cigarro como se usasse uma bomba de ar depois de um afogamento, tamanha sua vontade. Amanda tentou não demonstrar sua ansiedade quando caminhou propositalmente mais próximo da do lado onde estava a outra.

Pode ver pela sua visão periférica perfeitamente quando esta denotou sua figura e como manteve fixo seu olhar enquanto se aproximava. Amanda se esforçou para parecer olhar casualmente em sua direção e deteve o seu sorriso que quase foi maior do que deveria:

— Ora. — disse Amanda em cumprimento. — Indo tomar o R10? — perguntou, com certa intimidade. A morena sorriu e tragou mais uma vez o cigarro antes de responder.

— Talvez. Eu não estou com muita pressa.

— Eu também não.

O silêncio acabou se prolongando por um momento, gerando certo desconforto:

— Se não está com pressa não quer tomar alguma coisa? — perguntou a morena. — A verdade é que eu não tenho nenhum colega de trabalho que preste para dividir uma cerveja.

Amanda sorriu e tossiu uma risada para disfarçar:

— Por que não? Parece uma boa. — concordou, tirando os fones mudos dos ouvidos. As duas se encararam de cima à baixo.

— Diovana. — apresentou-se a morena.

— “Di”? Com “dê”? — perguntou Amanda, surpresa.

— Isso mesmo.

— Prazer, Amanda. — respondeu a primeira, esticando a mão para um cumprimento. Um tanto desconfortável Diovana aceitou e as duas apertaram as mãos.

— Então. . . Eu conheço um barzinho tranquilo aqui perto. É por esse lado.

As duas mulheres recém apresentadas caminharam em um silêncio pontual até o bar. Uma salinha com meia dúzia de mesas, no terceiro andar de um edifício comercial. Amanda nunca encontraria local mais tranquilo e aconchegante no centro da cidade se quisesse. O barman cumprimentou Diovana com entusiasmo quando entraram e lhe ofereceu a mesa mais ao fundo. A morena pediu um chopp e Amanda ficou com uma bebida Ice.

Amanda podia sentir o cheiro de cigarro misturado ao perfume já pouco evidente de Diovana. Uma fragrância agradável que deveria se destacar quando não misturada à nicotina. A franja comprida desta cobria-lhe parcialmente a expressão, despertando uma constante de curiosidade. Era possível ver o rosto magro e comprido de Diovana através das madeixas, mas era como se houvesse um segredo ali que era incapaz de descifrar a não ser desvelando aquela cortina de fios tão lisos que quase ocultavam por completo as sobrancelhas finas da morena.

Talvez Diovana tivesse percebido o quanto era encarada, pois decidiu quebrar o silêncio estabelecido assim que tomou o primeiro gole de sua bebida:

— Então, o que você faz da vida? — perguntou.

— Bom, eu sou Gerente de Projetos de uma multinacional com sede brasileira aqui em Silveria. — respondeu Amanda, sem muito entusiasmo. — É mais fácil de entender se eu disser que sou uma programadora que manda nos outros programadores, não?

— E que deve ganhar uma nota. — comentou Diovana.

— Esse negócio de salário não faz muita diferente depois de um tempo.

— Tenho certeza que não. — disse Diovana, num deboche evidente. Amanda riu-se daquela atitude.

— E você?

— Nada demais. Auxiliar administrativo num escritório que terceiriza telemarketing. Uma coisa para quem não quer escolher o que fazer da vida.

— Pelo menos você não volta pra casa no horário de pico. — tentou amenizar Amanda, conseguindo tirar um sorriso da outra.

— Talvez. Mas também não tem nenhuma outra vantagem.

— A vantagem atual do meu emprego é me fazer sair tarde o bastante para encontrar pessoas diferentes nas ruas. — contrapôs Amanda, sabendo estar sendo um tanto piegas.

— Essa foi terrível, garota de programas.

As duas continuaram a conversa introdutória por mais ou menos meia hora, quando a segunda rodada de bebidas terminou. Diovana insistiu para que partissem e as duas retornaram ao metrô, onde tomaram a linha R10. Para a surpresa da morena, Amanda insistiu para desembarcar junto na sua estação:

— É um tanto perigoso para uma mulher alcoolizada e sozinha depois do anoitecer. — disse esta, fazendo um trejeito pomposo na voz proposital.

— Como se não estivesse acostumada a estar fora até mais tarde ainda. — retrucou Diovana, apesar da visível diversão com o comentário descabido.

As duas desembarcaram e saíram da estação, tomando uma rua lateral que levava a uma área cheia de condomínios prediais. Subiram uma rua comprida e fizeram uma curva por uma passagem bem iluminada, enfim chegando nas proximidades do prédio que Diovana indicara ser onde residia:

— Viu só? Tem um táxi ali no ponto. Não precisa se preocupar comigo. — disse Amanda, apontando par ao veículo.

— Está certo. — concordou Diovana. — Então. . .

As duas mulheres se encararam. O que havia sido aquela noite, afinal? Parecia que ambas tentavam responder aquela questão internamente enquanto tentavam ensaiar uma despedida de algo que não havia sido nada, mas ao mesmo tempo poderia ter sido muita coisa.

Amanda tinha um sentimento de frustração entalado na garganta. Não podia acreditar que iriam acabar daquele maneira. Sequer haviam trocado telefones, sequer haviam aproveitado aquela noite como se fosse uma única. Não haviam avançado quase nada, apesar de terem tido todas as oportunidades. Decidida a não levar aquele sentimento de derrota consigo, a programadora deu dois passos na direção de Diovana, que por um momento pareceu se surpreender, mas que não fez qualquer resistência quando foi levemente puxada pelo colarinho da camisa para o beijo que ambas desejavam.

Um toque harmônico e incontido no desejo graças às doses de álcool no sangue. Diovana  deixou suas mãos segurarem Amanda pela cintura, aproximando mais seus corpos. O desejo aflorando rápido em meio a toque das suas línguas. Quando enfim se se separaram, seus olhares permaneceram unidos enquanto retornavam à realidade.

Diovana foi quem abriu os lábios para quebrar os silêncio, mas Amanda levou os dedos para silenciá-la. Com a outra mão catou no bolso do jeans um cartão de visitas, entregando-o para a morena. Sem dizer mais nada Amanda tomou o caminho do táxi, sem ser capaz de conter o sorriso de satisfação. Haviam dado todos os passos necessários naquela noite.



Parte 04 - Aproximação



“Espero que o R10 não tenha atrasado hoje cedo. No meio da tarde estava um caos”. Foi com essa mensagem singela que Diovana havia estabelecido o contato eletrônico entre ela e Amanda, no final da tarde do dia seguinte ao reencontro das duas. Logo aquele sinal havia se transformado em uma longa conversa, que se estendeu pela tarde, e toda a noite.

Amanda mal viu o caminho pra casa. Sabia que Diovana estava trabalhando, portanto sua atenção ficou toda voltada para as mensagens que chegavam apenas alguns minutos depois das suas. Talvez o metrô tivesse de repente decidido funcionar como o esperado, pois ela sequer se incomodou com a lotação do horário do rush. Mesmo com o sinal oscilante, ainda conseguiu enviar meia dúzia de pequenos conjuntos de palavras cheias de significado.

Falavam de trivialidades. Sobre o clima, sobre o trabalho, sobre o quanto as atrações televisivas eram nocivas para pessoas de boa mente. Era como se tivessem sentadas ainda na mesinha do bar, agora sem pressa, se conhecendo com menos receio.

Amanda ficou grudada no aparelho celular até quase uma da manhã. Diovana foi quem encerrou a conversa, não antes de deixar mais um dos vários comentários mais explícitos que haviam pontuado o bate-papo até então:

“Vou dormir. Tenha bons sonhos. Os meus com certeza serão.”

A programadora soltou uma risada alta, já deitada em meio aos seus travesseiros e edredons. Não ousou responder à provocação, apenas despediu-se. Colocou o smartphone no carregador e tentou voltar sua atenção para o filme na televisão. Era difícil, um sorriso idiota persistia na sua cara, ainda que soubesse que ninguém o veria.

Diovana, uma pessoa que poderia passar como comum aos olhos estranhos, mas que lhe fascinava em vários sentidos. Seu pensamento astuto e sarcástico, sua tendência para humor sombrio. Sua beleza contida, quase camuflada em uma vitrine de insipiência. Lembrar das suas formas esbeltas e das sensações dos beijos trocados na noite anterior faziam o corpo de Amanda fervilhar. Estava ficando completamente encantada, como a muitos e muitos anos não ficava. Ria de si mesma por sentir-se quase uma adolescente outra vez.



Os dias foram passando e a rotina de mensagens tornou-se parte do cotidiano. Amanda sabia que Diovana acordava apenas depois das dez e fazia questão de enviar uma mensagem excessivamente animadora de cumprimento. Não fazia isso para parecer uma boa pessoa, mas sim porque Diovana parecia capaz de criar as mais variadas formas de expressar desprezo pelo positivismo de forma irônica, sempre arrancando-lhe risos na sala de café da empresa.

Mesmo que tentassem parecer sóbrias, a cada dia ficava mais claro o quanto as mensagens eram limitadas. Cada vez havia mais ansiedade e menos espaço para pudor nos textos. Especialmente à noite, nas últimas mensagens trocadas enquanto Diovana fazia o caminho para casa. Parecia que a morena fazia questão de perturbar a libido de Amanda, mas esta sabia que o efeito era mútuo, então apenas desfrutava dos benefícios daquelas trocas finais de palavras.

Pareceu que uma eternidade se passou até que enfim chegou a sexta-feira. As duas marcaram no barzinho depois das dez horas. Amanda ficou fazendo hora no centro comercial até perto do horário e então foi para o local. Levou apenas o tempo de ela tomar a primeira Ice até que Diovana chegasse até a sua mesa:

― Olá. ― disse a morena, encarando Amanda que lhe sinalizou para sentar. Ela tinha um tom de divertimento no rosto que a outra sabia também estar carregando. ― Espero que não tenha bebido demais para trocar meu nome logo na largada

― Não. ― riu-se Amanda. ― Eu tenho lembrado do seu nome demais para esquecer fácil, Diovana.

As duas beberam e conversaram. Seus tons de voz eram um tanto baixos e a troca de provocações era constante. Elas não eram mais tão desconhecidas assim. A sensação de intimidade já crescente estava atingindo seus tons mais evidentes enquanto trocavam olhares e toques sutis das mãos sobre a mesa, e de tornozelos e pés por baixo do tampo.

Amanda decidiu parar de beber depois de apenas três doses tomadas com toda a calma. Não era tão resistente ao álcool e temia que aquilo pudesse entorpecer seus sentidos. Diovana pareceu em nada se alterar mesmo depois de quatro chopps. A essa altura a morena já acariciava o antebraço e mão de Amanda sem disfarçar, causando arrepios constantes na outra. Pediram a conta e tomaram um táxi para o condomínio de alto padrão onde Amanda morava.

Amanda destrancou a porta e as duas entraram:

― Nossa, que belo lugar. ― comentou Diovana, admirando o espaço amplo valorizado pelos móveis planejados.

― Minha mãe foi quem ajeitou esse lugar. Eu tenho um péssimo senso pra essas coisas. ― comentou Amanda, trancando a porta e jogando as chaves em algum lugar do balcão que havia na parece adjacente à entrada.

― Eu poderia pegar algumas dicas com a sua mãe sobre o assunto. Quem sabe conseguisse transformar meu cubículo em algo habitável. ― disse a morena, rindo-se, aceitando o enlaçamento dos braços de Amanda nos seus ombros e passando suas mãos pela sua cintura.

― Não viemos pra cá falar de decoração, não é mesmo? ― comentou Amanda, recebendo um beijo no lóbulo da orelha como resposta.

― Decoração pra depois, já entendi.

Apesar de saber ser mais experiente que Diovana, Amanda se viu completamente entregue à sedução desta. Diovana acariciava suas costas de cima a baixo, com um toque firme, mas ainda sensual, instigante. Suas bocas trocavam beijos longos e suas línguas se entrelaçavam com desejo. Era impossível para Amanda conter seus suspiros e ficou bem claro que Diovana não iria deixar sua “vantagem” escapar. As duas foram aos tropeços para o quarto e arrancaram as roupas com ansiedade. Diovana levou Amanda para a cama e se colocou sob ela. Sob seu controle.

O jogo de experimentações era delicioso. Diovana beijava e mordiscava cada parte do corpo de Amanda buscando as melhores reações de excitação. Pescoço, ombros, seios e abdômem. Amanda era incapaz de conter os murmúrios crescentes. Diovana demorou-se nos seus seios, chupando seus mamilos e se deliciando com os primeiros gemidos incontidos da outra.

Descendo mais Diovana beijou as coxas de Amanda, subindo dos seus joelhos até chegar à virilha. Amanda se contorcia, desesperada, sua voz descontrolada:

― Diovana, me fode. Eu quero que me coma, agora. ― pediu, quase chorosa. A morena fintou o olhar cheio de tesão de Amanda e sua própria excitação se tornou quase insuportável. Sem mais esperar atendeu ao pedido e a sua própria luxúria, levando a boca ao sexo da amante, sentindo o corpo inteiro desta reagir ao toque da sua língua sobre o seu clitóris.

Diovana teve que segurar as pernas de Amanda enquanto sua língua e lábios acariciavam. O gosto tão forte e tão característico inebriavam todos os seus sentidos. Amanda tentava controlar os gemidos em vão e a morena sentia como se ela mesma estivesse transbordando de prazer, ainda que seu próprio sexo estivesse apenas tocando de leve as cobertas. Beijou, chupou e acariciou os lábios e clitóris de Amanda, experimentando suas reações próximo a entrada vaginal. Amanda pareceu adorar aquilo e Diovana não teve dúvidas em fodê-la com a língua por algum tempo para depois se concentrar na parte mais sensível.

Amanda tentou segurar o orgasmo o quanto pode e sentiu claramente o quanto Diovana também queria lhe prolongar aquele momento. Porém foi impossível conter-se muito depois que a morena passou a se concentrar em pressionar-lhe com a língua. O toque tão quente, forte, incessante que terminou por levar Amanda ao êxtase.

Diovana percebeu com facilidade a explosão da outra e lhe acariciou apenas o bastante para que aproveitasse até o fim a sensação. Logo o sexo de Amanda ficou sensível em demasia e ela teve que admitir que a diversão do momento terminara. Tentou inutilmente limpar o queixo, mas estava completamente ensopada pelos fluídos da parceira. Atenciosa, Diovana subiu e beijou Amanda com ternura, sentindo a satisfação da posse sexual também espalhada pelo seu corpo. A morena deitou-se e acolheu a outra no seus braços, com afeto:

― Isso foi ótimo. ― disse Amanda, com a voz fraca.

― Obrigada. Você também estava ótima. ― elogiou Diovana, com um sorriso.

― Quero que diga isso depois que eu mostrar o que posso fazer.

― Ei, calma aí. Eu te deixo respirar um pouco antes disso. ― riu-se a morena.

― Eu estou ótima. Quer ver? ― perguntou Amanda, levantando a cabeça para encarar a amante, um sorriso felino nos lábios.

Não demorou para que fosse a voz de Diovana que enchesse o aposento, escapando para o restante da casa e até mesmo para o ar noturno. Uma vez, duas vezes. Aquela primeira noite de sexo das duas foi uma batalha longa e que iria se repetir quase na íntegra na tarde do dia seguinte.

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