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Animação com conteúdo yuri de Evangelion faz sucesso na internet
Se você acessa o Tumblr e vê tags de yuri ou shoujo ai nele, provavelmente se deparou com a imagem abaixo. Caso não saibam de onde surgiu, estou aqui para informá-los.
Dirigida e escrita por Yuhei Sakuragi, além de design de personagens de Asako Nishida, Neon Genesis IMPACTS foi realizada para o Animator Expo, um projeto que seria um tipo de incentivo para novos animadores criado pelo próprio Hideaki Anno (famoso pelo Evangelion original, todos sabemos). Com duração de pouco mais de 7 minutos, a animação mostra três amigas do ensino fundamental (com direito ao uniforme da série NGE) que antes faziam músicas juntas se despedindo dada a evacuação de uma cidade que é afetada pelos acontecimentos da série original.
Apesar da curta duração, a animação tem direito a beijinho lésbico, e uma esperança das personagens voltarem a se encontrar. Mas será que o final do vídeo dá esperança?
Apesar da curta duração, a animação tem direito a beijinho lésbico, e uma esperança das personagens voltarem a se encontrar. Mas será que o final do vídeo dá esperança?
A qualidade da animação é impressionante, se pensar que foi feita por uma equipe tão pequena. Apesar da mesma ser feita exclusivamente por CGs, o movimento geral das personagens não denuncia tanto o mesmo, a não ser quando fazem movimentos muito bruscos.
Fiquei tão impressionada que trago abaixo a animação legendada em inglês. Ficou ótima!! Destaque para o final tenso da música. (achei a música ótima, e tá bombando também na internet!)
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Posted by Se-chan
[One-shot] Vínculo - Neon Genesis Evangelion Fanfiction
Olá a todos!
Depois de um longo período apenas trazendo textos opinativos ou de indicação para o blog enfim estou cá para retomar a parte literária da programação do KaS. A começar por este segundo one-shot focado no "par" Asuka e Mari, de Evangelion. Depois que conseguir concluir o (pesadelo de terminar em um mês) segundo capítulo do Entre Lírios, a minissérie shoujo-ai em quadrinhos que estou produzindo para a Revista NUPO espero trazer mais textos interessantes (mais voltado aos originais) aqui para vocês.
Por hora, façam uma boa leitura e deixem suas impressões nos comentários ou em qualquer outra via de contato que disponibilizamos à vocês :)
Aviso-legal: Neon Genesis
Evangelion não me pertence. Esta é apenas uma obra de fã, sem fins
lucrativos.
Vínculo
Neon
Genesis Evangelion Fanfiction by LKMazaki
Parte
1
Ainda
era madrugada e o silêncio imperava na frota composta por cinco
dezenas de navios. Nos corredores submessos da Cathas o costumeiro
vai e vem de pessoal e suprimentos era substituído pelo zunir baixo
e constante da tubulação.
Em
uma das inúmeras cabines, porém, eram os sons incontidos, nascidos
de um dos mais primitivos instintos humanos, que preenchiam o ar. O
espaço diminuto e úmido, de paredes precariamente forradas para
esconder o metal que compunha toda a embarcação, era tomado quase
inteiro por uma cama simples, que rangia à menor pressão. Aquele
era o palco da dança dos dois corpos, entregues à eternidade que
lhes era concedida nos momentos daquela fúria carnal.
E,
depois de mais alguns momentos de batalha furiosa, o ápice e a
vindoura paz sobreveio para aquelas criaturas amaldiçoadas. Seus
corpos permaneceram unidos em um aconchego natural e suas mentes
vagaram por caminhos tranquilos, sem pressa, até por fim alcançar o
nível dos sonhos.
Nem
Asuka nem Mari se preocuparam com o sentido por detrás daquele ato.
Não havia qualquer necessidade de tal tolice. Poderiam aparentar ser
crianças, mas suas almas já haviam aprendido o quão simples e
confortante pode ser o toque apaixonado de outro corpo.
Já
fazia nove anos desde que a Wille assumira para si a função de
carregar a esperança do que restava da Humanidade. Os planos para a
construção de uma nave capaz de enfrentar a série de Evas Mark
criados em massa pela Nerv estavam em fase avançada de planejamento.
Muito se falava a respeito da Wunder, mesmo que ainda faltasse algo
fundamental para que o sonho humano de poder lidar com seus algozes
fosse tangível.
Era
preciso saber onde estava o Evangelion Unidade 01.
A
ideia era utilizar o núcleo da criatura, dotada de um motor SS desde
o primeiro quase-Terceiro Impacto, como fonte de energia principal
para essa nave. Todos os cálculos indicavam que não apenas seria
possível lutar como até mesmo um motor antigravidade estava sendo
estudado.
O
futuro. Uma esperança de retomar a vida após os dois desastres que
haviam reduzido a população humana em todo o globo para menos de
dois porcento do que fora quando Tokyo-3 ainda era habitável.
Enquanto
esse dia não chegava só restava à Wille fugir e se esconder,
graças aos esforços das duas crianças amaldiçoadas. As pobres
criaturas que pareciam nunca se importar em fazer mais um sacrifício
pelo bem do povo de Lilith.
As
mesmas crianças que recentemente haviam descoberto uma na outra uma
fonte de consolo e conforto contra a realidade brutal que jamais
poderiam esperar.
—
B-bom
dia, senhorita piloto da Unidade 02 — cumprimentou a sargento
recém-promovida, Suzuhara Sakura.
Era
oito da manhã e o refeitório da Cathas estava praticamente vazio.
— Pode
me chamar de Shikinami, sargento. — respondeu Asuka, com uma falta
de emoção quase forçada.
—
Claro,
Shikinami-san! — esganiçou Sakura, ainda igualmente nervosa. —
Eu apenas vim lhes trazer o relatório dos reparos das Unidades 02 e
08 e. . . E também passar-lhes os programas de treinamento dessa
semana.
— Sim,
claro. — concordou a ruiva, displicente. Ela foi até um
dispensador antiquado onde se acumulavam algumas bandejas fundas,
lacradas, e uma dezena de copos recicláveis, pegando um par de cada
e levando-os para a mesa mais próxima. ― Achei que você era da
área de saúde.
― N-Na
verdade sou sim, mas devido a falta de pessoal. . . ― explicou a
jovem, um tanto constrangida, como se fosse falha sua aquela falta de
estrutura da Wille.
― Já
entendi. ― disse Asuka, para não complicar mais a outra.
— Er.
. . Makinami-san já deveria estar por aqui. — comentou Sakura,
olhando para as duas entradas enquanto Asuka foi até uma máquina
automatizada para encher os copos de café. — Me pergunto se
aconteceu alguma coisa. . .
— Não
se preocupe, a quatro-olhos sempre enrola com qualquer besteira. —
disse Asuka, voltando para a mesa e sentando.
— Que
maldade, Princesa! — reclamou Mari, com um tom pedante. A piloto
vestia, assim como a ruiva, seu plugsuit parcialmente encoberto por
uma jaqueta. — Eu disse que era algo importante!
— B-bom
dia, Makinami-an! — cumprimentou Sakura, fazendo uma breve
reverência. — Estou aqui para passar o programa da semana.
— Oh,
sim sim, Sargento Gracinha. — respondeu a morena, sentando
imediatamente à esquerda de Asuka e catando para si uma bandeja e um
copo de café
—
Gracinha?!
— engasgou Sakura, a voz saindo mais aguda do que gostaria.
—
Blergh!
Que amargo! Princesa! — reclamou Mari, com uma careta ao provar a
bebida.
— Ah,
foi mal. — disse Asuka, disfarçando um sorriso satisfeito com uma
torrada que acabara de retirar da sua bandeja.
— Er.
. . Vamos ao relatório então. — interveio Sakura, recobrando a
seriedade com tanta firmeza que chamou a atenção das pilotos que
não mais lhe interromperam enquanto passava todas as informações
designadas.
Uma
hora mais tarde, Asuka tinha a confortável sensação de estar
envolta pelo líquido tão familiar que era o LCL do seu Entry Plug.
Apesar de ser sua capsula original ela estava em um corpo de teste,
feito com apenas algumas partes de um Eva verdadeiro. O treinamento
simulado de combate acontecia todos os dias, com ou sem a
disponibilidade de ambos os pilotos.
Como
de costume um miado incessante chegava aos ouvidos da ruiva enquanto
ela tentava se concentrar em verificar todos os parâmetros do
sistema para dar início à operação:
― Que
irritante. ― comentou, falando entre dentes.
― Oh,
não gostou dessa música, Princesa? Eu posso pensar em outra. ―
disse Mari, sua voz chegando pelos fones que integravam o capacete do
simulador.
― Ok.
Carregando cenário Alpha 27. ― interpôs Koji Takao, que era quem
estava operando e supervisionando o treinamento naquela manhã. Com
alguns toques no computador o programa foi carregado e Asuka viu
diante de si uma Tokyo-3 quase intacta, tal qual era antes do
Terceiro Impacto. A algumas dezenas de metros estava a Unidade 08,
segurando uma metralhadora padrão.
― Ei,
Princesa. ― começou Mari e a cabeça do Evangelion rosa virou na
direção da Unidade 02. ― Que tal se tentássemos algo diferente
dessa vez? Essa já vai ser a sétima tentativa de superar a
simulação 27. . .
―
Diferente? Que tal se
você não ficar no meu caminho enquanto eu derroto o Eva? Se não
tivesse me atrapalhado todas as vezes nós já estaríamos no estágio
50 desse programa! ― sugeriu Asuka, a irritação brotando na boca
do estômago.
―
Adoraria ficar na
retaguarda, Princesa. Mas não basta eu fica pra trás, te dando
cobertura. Você tem que saber se posicionar para que a coisa
funcione. ― argumentou Mari.
― Bom,
essa era pra ser a ideia, garotas. ― falou Takao. ― Se vocês não
estudarem as táticas combinadas jamais poderemos vencer a série
Mark.
― Ah,
cala a boca e coloca essa simulação pra rodar. ― esbravejou a
Segunda Criança.
E,
é claro, elas foram derrotadas mais uma vez. A Unidade 02 avançou
com tudo na direção do Eva, uma pequena criatura com dezena de
pequenos tentáculos-laser, assim que ele surgiu no cenário, porém
eu Anti-AT Field era muito eficaz, forçando-a a recuar e recomeçar
a investida. A Unidade 08 tentou avançar, mas as habilidades de
combate direto de Mari não chegavam aos pés das da outra, o que
custou a mobilidade de ambas as pernas do Eva rosado nos primeiros
dois minutos. Mari ainda tentou ser um suporte para Asuka, usando a
metralhadora, porém a ruiva não seguia nenhum padrão de
movimentação, tornando impossível para Mari mirar e atirar com
qualquer precisão. Em quatro minutos, estava tudo terminado.
Asuka
tirou o capacete de simulação, ainda respirando com dificuldade.
Mesmo sendo um programa, as sensações de dor e medo eram tão
fortes quanto na realidade. O Eva criado por simulação, baseado
nos dados coletados até então da nova série da Nerv, tinha
perfurado de lado a lado a cabeça da Unidade 02 para finalizar o
combate e Asuka ainda sentia uma estranha sensação de agonia vindo
de dentro do crânio, o que chegava a causar certa náusea.
Levaria
uma hora para que todo o programa fosse carregado do início mais uma
vez, então as pilotos saíram dos plugs para aguardar. Asuka saiu a
passos determinados para fora da imensa sala de treinamentos, no
coração da Cathas, bufando. Foi até uma propícia máquina de
refrigerante e socou o botão do café gelado. Quando a lata
solicitada caiu no dispensador, porém, foi uma mão coberta pelo
tecido anatômico do plug suite rosa que alcançou primeiro o objeto.
Asuka
levantou os olhos e viu a expressão sempre sorridente de Mari quando
esta abriu o café gelado e tomou um gole. Ao olhar de volta para a
máquina, para a surpresa da ruiva, o botão da bebida desejava havia
mudado de cor, indicando o término do estoque da mesma. Asuka
apertou os dentes e virou seu único olho saudável para a outra:
― Sabe,
Princesa, você não devia dificultar tanto nos treinamentos. ―
disse Mari, parecendo não perceber a irritação da outra. ― Se
continuarmos assim vamos ser esmagadas pelos Evas malvados da Nerv.
― Eu
não me importo com isso. ― rebateu a ruiva.
― Não.
. . ― riu-se Mari, dando uns socos de leve nos joelhos, a região
onde seu Eva havia sido destruído na simulação. ― Essa é a pior
mentira que já ouvi de você, Princesa.
― Hm?
― Asuka ergueu as sobrancelhas, pega de surpresa.
― Se
você não se importasse não teria chegado até aqui. ― afirmou
Mari, fintando a lata em suas mãos. ― Você é uma medrosa, assim
como eu. Você faz qualquer coisa para saber que viverá mais um dia.
A
ruiva não respondeu. Ao invés disso circundou a outra piloto e
sentou no banco de madeira que havia do lado da máquina de
refrigerantes. Deliberadamente Mari a seguiu, sentando imediatamente
ao seu lado:
― Eu
sei que estou sendo idiota. ― disse Asuka, depois de algum tempo de
silêncio. ― Não só por mim, mas por toda a Wille. Estou agindo
como se ainda tivesse os mesmo quatorze anos de antes.
Mari
nada disse, apenas bebeu mais um gole do café gelado. A ruiva fintou
as próprias mãos sobre os joelhos, soltando o ar numa quase risada
expelida.
Seu
corpo ainda tinha os mesmo quatorze anos, mas sua alma não. Ela
havia passado por muita coisa desde o quase-Terceiro Impacto e se
tornara uma pessoa diferente. A solidão e o peso da responsabilidade
que carregava a haviam moldado para uma pessoa que aparentava muito
mais seriedade, quase indiferença, em tudo. Ainda haviam os momentos
em que se permitia ser a mesma birrenta de antes, mas esse alívio
era cada vez mais raro em meio àquela guerra sem fim pela
sobrevivência:
― Ah,
eu tinha esquecido! ― exclamou Mari, quebrando o silêncio. A
morena começou a vasculhar os vários bolsos da jaqueta. ― Mais
cedo aquele café amargo que você me deu até me fez esquecer o
porquê de ter me atrasado. Aqui! Achei! ― alegrou-se ela, tirando
um algo de um dos bolsos e mostrando-o sobre sua palma.
―
Botons? ― questionou
Asuka, olhando para os dois pequenos enfeites. Um deles parecia um
alvo em tamanho miniatura e outro tinha uma caricata caveira.
― Isso!
Esse daqui é dos meus tempos na Força Aérea Britânica. ―
respondeu Mari, indicando o com aparência de alvo.
― E?
― questionou a ruiva, sem entender o motivo de divertimento da
outra.
― São
pra você, Princesa! Quando lembrei deles tive certeza de que iriam
combinar com o outro presente que te dei.
―
Aquela boina brega que
parece ter orelhas de gato? Você tá brincando né. . .
― Mou.
. . Você é tão cruel, Princesa. . . ― chorou-se a morena,
parecendo quase ofendida. Asuka olhou de novo para os botons. Com
outro sorriso suspirado ela pegou os presentes da mão ainda aberta
da outra.
― Fazer
o que. ― disse, prendendo os presentes na própria jaqueta, na
frente do bolso sobre seu peito, do lado direito. Mari pareceu
jubilar-se com aquilo. Asuka nada disse a mais e as duas ficaram em
silêncio por mais algum tempo.
―
Princesa. . . ― chamou
Mari depois de algum tempo. Sua voz era mais baixa e menos dengosa do
que sempre, o que chamou a atenção da ruiva. Quando esta ergueu os
olhos viu que os da morena estava voltados para si. ― Você sabe
que pode confiar em mim. Nós podemos fazer isso juntas.
Asuka
piscou. Mari estava certa, mas o que ainda existia de orgulho teimoso
da ruiva a impediu de admitir verbalmente. Em vez disso, ela se
aproximou da outra. Sentiu o cheiro do café gelado vindo da boca de
Mari e fechou o olho com a intenção de completar o gesto.
Porém
o soar do sistema comunicação estridente se fez ouvir, fazendo as
duas recuarem pelo reflexo. Seguido aos três sinais contínuos
sobreveio a voz de alerta:
“Atenção
todos da frota: O segundo anjo artificial foi localizado a pouco mais
de cinquenta quilômetros ao sul. O nível de alerta passou para
Amarelo 2. Repetindo. . .”
― Essa
não, acabou a folga. ― miou Mari.
― Vamos
lá, Quatro-olhos. Eles precisam de nós. ― disse Asuka,
levantando. ― Vamos torcer para ainda não ser dessa vez que
precisemos enfrentar eles diretamente.
Apesar
da frota não ter sido percebida pelo Eva, identificado
provisoriamente como Mark 02B, toda a frota da Wille permaneceu em
estado de atenção máxima. Pararam com a viagem e prepararam todas
as forças de ataque. As pilotos passaram a revesar-se em turnos de
doze horas de vigília, dentro dos Evas, preparadas para partir para
combate imediatamente, caso necessário. O turno diurno era de Asuka
e o noturno de Mari. Apesar de terem criado o hábito de manter um
canal de comunicação direto e privado entre as si, era fato que não
mais se cruzavam pelos corredores da Cathas.
Mais
de uma semana se passou com o alerta em vigor e um sentimento antigo,
em uma roupagem completamente nova se apresentou para Asuka: a
carência.
Durante
boa parte do tempo em que estava na Unidade 02 Mari estava dormindo.
Era quando ela aproveitava para estudar os diagramas de estratégias
conjuntas que, tolamente, antes tentara ignorar. Durante o tempo em
que estava fora do Entry Plug não havia ninguém com quem pudesse
conversar. Todos estavam ocupados ou então assim se faziam parecer
sempre que estava olhando. A verdade é que mesmo sendo dependentes
delas, as pessoas no geral tinham muito receio de se aproximar das
“crianças amaldiçoadas”.
Entre
idas e vindas ela e Mari estavam sempre conversando. A morena
conseguia falar por horas de qualquer trivialidade, algumas vezes
levando Asuka a pegar no sono durante o seu turno de folga. Claro que
também falavam sobre coisas sérias. Mari cada vez mais abria o seu
passado e todos os conhecimentos ocultos que possuía sobre a Nerv,
Seele e sobre o Projeto de Instrumentabilidade Humana. Asuka
conseguia ter vislumbres de uma seriedade que a outra piloto parecia
se esforçar ao máximo para jamais deixar transparecer.
Porém
mesmo toda aquela proximidade não era o suficiente para preencher o
vazio que Asuka sentia ao deitar na sua cama. As noites eram
intermináveis. Ela desligava o comunicador para que Mari não
suspeitasse que a insônia a estava fazendo dormir cada vez menos.
E
foi graças a uma dessas horas cada vez mais raras de sono que ela
estava acordada quando, no começo da terceira semana de vigília, os
auto-falantes da Cathas anunciaram que a ameaça havia enfim se
afastado o bastante. Estava deitada sobre seu lençol já encardido
pelos anos de uso e ali permaneceu por uns instantes, em um estado
quase de choque de quem mal podia acreditar no aviso que estava sendo
repetido várias vezes antes de, por fim, cessar.
O
coração de Asuka pulava no peito. A ansiedade a fez sentar para
tentar normalizar a respiração. Sem pensar muito, levantou. Talvez
fosse parecer uma criança mimada se fosse correndo para onde a
Unidade 08 estava, mas. . .
―
Princesa! ― berrou
Mari, abrindo a porta da cabine da ruiva com um puxão. ―
Finalmente!
Antes
que distinguisse direito a figura de Mari, esta avançou sobre ela
envolvendo-a em um abraço de quebrar as costelas. Por instinto Asuka
tentou desvencilhar-se, em vão, e as duas caíram sobre a cama, que
reclamou alto ao receber seus pesos somados. A porta da cabine voltou
ainda rápido para o lugar, batendo e fechando com certa força:
―
Q-Quatro-olhos! Você se
teletransportou da estação pra cá?! ― questionou Asuka, tentando
sentar-se mesmo com o peso da outra sobre si, sem muito sucesso.
― Quase
isso, Princesa! Quase isso! ― exclamou Mari, um sorriso débil
enchendo seu rosto. ― Eu estava ficando louca sem poder ver essa
sua linda expressão feroz de perto!
―
Besta. ― rosnou Asuka,
levando uma das mãos para tampar a cara da outra, que miou alto em
protesto, apesar de aparentar igual diversão. Na verdade a ruiva
estava mais era tentando disfarçar o nó que apertava a sua garganta
e fazia umedecer seus olhos do que qualquer outra coisa.
Alguém
sentia a sua falta:
―
Princesa!
― protestou Mari quando enfim a outra conseguiu livrar-se do abraço
matador. Asuka sentou na beira da cama ficando de costas, de braços
cruzados, tentando recuperar o ar de superioridade.
― Não
sei por que está tão feliz. Teve todos esses dias para conversar
com a sua Sargento Gracinha nos turnos de folga. ― alfinetou a
ruiva, olhando para a outra de esguelha. Mari ergueu as sobrancelhas
àquela provocação.
―
Princesa. . . É você
quem é uma gracinha quando fica com ciúmes. ― disse a morena, com
um mais um sorriso incontido. Sorriso este que quase se perdeu quando
um cascudo acertou em cheio o alto da sua cabeça.
Asuka
desviou o olhar, encarando a parede como se fosse a coisa mais
interessante do mundo. Mari a deixou quieta por um tempo,
aproveitando para acarinhar o local atingido antes de também
sentar-se. O clima foi amenizando e logo o silêncio se tornou
incomodo:
― Você
sabe que não existe mais ninguém no mundo, Princesa, de quem eu
possa estar perto. ― disse Mari, com aquele raro tom sério. ―
Nós somos as crianças amaldiçoadas. As pessoas não nos querem por
perto a não ser para pilotar.
Asuka
não respondeu de primeira, porém seus olhos se desviaram da parede
e acabaram repousando sobre o grosso encadernado de estratégias, que
acabou indo ao chão no meio da confusão:
― Mas
ainda assim nós lutamos por eles. ― disse.
―
Lutamos porque não
sabemos viver de outro modo. E também porque não queremos morrer. ―
argumentou Mari, seguindo o olhar da outra e fintando o volume caído.
― E
temos alguma esperança de que, algum dia, eles parem de se afastar.
― contrapôs a ruiva.
― Mesmo
sabendo que isso não acontecer. Que vai ser sempre assim: nós e
eles.
Asuka
voltou seu olhar para Mari que lhe retribuiu com um mínimo esgar de
sorriso. Quando seus olhos se encontraram não precisaram mais de
palavras para se entender. A ruiva desfez a sua postura de defesa e
se aproximou. Mari se deixou derrubar sobre o colchão, sentindo o
calor do corpo de Asuka chegar até a sua pele. A morena fechou os
olhos e inspirou o perfume dos cabelos arruivados da outra e não se
surpreendeu quando os seus lábios foram tocados. As pilotos trocaram
beijos carinhosos, apaixonados, por longos minutos. Quando seus
rostos se afastaram, foi apenas alguns centímetros:
― Vamos
vencer aqueles Anjos, juntas. ― disse Asuka.
― Eu
sei que sim, Princesa.
***
Parte
2
A
agitação nos andares superiores da Cathas chegavam aos níveis
submersos através do tremor dos passos e das armas sendo preparadas
para a batalha. Eram poucos os que ainda restavam no interior dos
navios. O sinal sonoro de alerta era baixo, mas constante, enchendo o
ar da atmosfera tensa de preparação para um enfrentamento.
Suzuhara
Sakura atravessava os corredores quase correndo. Seus olhos iam para
todos os lados quando passava pelo encontro de dois corredores. Sua
ansiedade era tanta que ela quase soltou um berro em exclamação
quando enfim viu duas pessoas correndo na sua direção:
―
Makinami-san! Onde você
estava?! Eu estou tentando achá-la a mais de meia hora! ―
exasperou-se, ofegante. Mari e Asuka trocaram um olhar quase
imperceptível antes da piloto da Unidade 08 abrir um sorriso de
divertimento.
― Você
me procurou na minha cabine, não é? Digamos que eu decidi passar a
noite fora, Sargento Gracinha. ― disse.
― Fora?
Mas. . . ― começou Sakura, porém o senso de urgência sobreveio à
sua curiosidade. ― Enfim, eu precisava informar que vocês duas
foram chamadas na ponte de comando dentro de. . . Agora seria dentro
de dez minutos!
― Nós
sabemos. ― interveio Asuka. ― Sukiyama-san veio à minha cabine
para informar a mesma coisa.
― Nós
estamos correndo para lá agora mesmo, Sargento Gracinha. Não
precisa ficar preocupada! Eu até defendo você se a Capitã Suprema
vier pedir explicações.
―
“Capitã Suprema”?
Está falando da Maya-san? ― perguntou Suzuhara, abismada com a
capacidade de criar apelidos esdrúxulos.
― Vamos
lá, Quatro-olhos. ― chamou Asuka, apressando o passo.
― Ok,
Princesa!
Alguns
minutos depois as duas pilotos enfim chegaram às escadas de ferro
que levavam para a ponte de comando improvisada do Cathas. À porta
da sala a capitã Ibuki Maya, encarando-as com uma expressão
mortífera:
― Onde
vocês estavam que demoraram tanto? Temos ordens imediatas! ―
ralhou ela enquanto Asuka, com a cara fechada, e Mari, com uma
expressão apaziguadora, subiam até o nível superior.
―
Calma, calma, Senhorita
Capitã Suprema. ― disse a morena, corajosamente extendendo o braço
e dando um tapinha de leve no antebraço direito da outra. ― Nos
foi informado de que tinhamos quarenta minutos para acordar e nos
apresentarmos. Bom, estamos bem em cima do horário.
― Está
certo. Entrem de uma vez. ― disse Maya fintou o rosto coberto por
uma culpa infantil da piloto da Unidade 08, suspirando em derrota.
― Se
você não aprender a relaxar mais vai acabar espantando a Doutora
Akagi do seu dormitório, Capitã. ― murmurou Mari, pelo canto da
boca, enquanto Asuka já entrava na sala de conferência. A mulher de
cabelos curtos voltou-se para a piloto com as sobrancelhas erguidas,
mas Mari apenas lhe deu uma piscadela e desapareceu pela entrada.
Na
ponte, ou assim chamavam, estava a Coronel da Wille, Katsuragi
Misato, acompanhada da Engenheira-chefe, Akagi Ritsuko, e dos
principais operadores de dados da corporação, também vindo do
antigo corpo de funcionários da Nerv, Hyuga Makoto, Aoba Shigeru. Na
mesa holográfica no centro da sala estava um mapa dinâmico sendo
exibido. Uma animação repetida em loop que se tornou facilmente
compreendida pelas pilotos quando se aproximaram:
― Que
bom que chegaram, garotas. ― disse Misato. O tom de voz grave desta
já era conhecido de toda a tripulação da Cathas. Aquilo e seu
cabelo mais curtos, sempre preso eram sua maneira de portar-se desde
a morte do homem que amava, Kaji Ryoki. ― Temos uma grande
encrenca nas mãos e vocês são a nossa maior esperança.
― Pra
variar. ― comentou Asuka, se aproximando e fintando a animação de
menos de dez segundos. ― Não precisa nem dizer, isto daqui. ―
ela apontou para uma marca vermelha que avançava pela costa
continental exibida na imagem. ― É aquele Mark do qual nos
escondemos nas últimas semanas.
―
Exato. ― confirmou
Misato. ― E isso aqui. ― e apontou para uma cidade assinalada na
parte superior do mapa. ― É para onde esse Eva está
deliberadamente se movendo nas últimas quarenta e oito horas.
― E
ele está acelerando. ― informou Ritsuko. ― Vai chegar sobre a
última cidade da costa desse lado do continente em pouco mais de
cinco horas.
― Sei
que é repentino, depois dessas semanas de alerta, mas vocês vão
ter que enfrentá-lo. ― sentenciou a Coronel Katsuragi.
― Urgh.
Então vai ter que ser sem nenhum ensaio, né. . . ― lamentou Mari.
― Bom,
hora de mostrar que você é mesmo esse prodígio que se gaba,
Quatro-olhos. ― ponderou Asuka, voltando seu olhar para a outra
piloto. As duas se encararam por um momento e então a morena riu.
― Se
você estiver no posicionamento certo, eu saberei onde atirar. ―
disse Mari, colocando toda a sua confiança nas palavras.
Com
os motores no máximo o Cathas conseguiu chegar na distância
necessária para lançamento dos Evas 02 e 08 em quatro horas e
cinquenta minutos. Os dois robôs saltaram das suas plataformas e
pousaram nas montanhas do litoral próximo à precária cidade-alvo.
Os mechas correram a toda velocidade, contando com os quinze minutos
de autonomia das novas baterias instaladas nos seus modelos. Não
levou nem metade do tempo para que o Mark 02B surgisse ao longe, se
aproximando numa velocidade espantosa.
A
confusão das vozes na ponte de comando não estava sendo transmitida
para os robôs, fazendo ser apenas o som das passadas gigantescas das
unidades a única melodia presente. Claro, acompanhada de um murmurar
de uma antiga música romântica nipônica, da década de oitenta:
―
Então, o que vai ser,
Princesa? ― perguntou Mari, deixando a cantoria de lado. O seu Eva
08 estava levando uma imensa arma de protóns ligada a um cabo à sua
própria bateria. A autonomia prevista era de três disparos.
― Não
temos sequer um sistema sofisticado de auto-mira, então. . .Estava
pensando no esquema X-22HA do manual. Aquele da página 213. ―
disse Asuka, mais concentrada no alvo a meio quilômetro de
distância.
― Ein?!
Isso é uma piada?! ― indagou Mari, abismada. Ela livrou uma das
mãos dos controle da unidade e rapidamente abriu uma versão
holográfica do manual, redirecionando para a página indicada. ―
Ah, isso! Podia ter sido mais clara!
― E
como eu resumiria seis páginas de explicação em uma frase? ―
replicou a ruiva.
―
Complicado mesmo. ―
admitiu Mari.
― Está
comigo nessa, Quatro-olhos? ― perguntou Asuka.
― Com
certeza, Princesa. ― miou a morena, abrindo um sorriso felino.
Quando
o Eva inimigo chegou a duzentos metros de distância a Unidade 08
brecou a corrida, ficando para trás, levantando enormes camadas do
terreno. Então ajoelhou e sacou o imenso rifle de protóns:
― Em
posição! ― berrou a piloto.
―
Então, no “três”! ―
exclamou Asuka, preparando para um salto sobre o inimigo. ― Um!
A
Unidade 02 saltou sobre Mark 02B, mas o Campo AT deste impediu o
contato direto. Ainda assim a pequena massa quadriculada cessou seu
avanço diante do impacto. Sem perder tempo Asuka reverteu e golpeou
o Campo AT com toda a força.
“Dois”
Mari contou no pensamento. Sua mira estava pelo menos cinquenta
metros para a esquerda de onde os dois corpo estavam.
A
Unidade 02 golpeou mais uma vez, enfim partindo em pedaços a defesa
do modelo autônomo. Asuka sabia que precisava ser rápida. A Unidade
08 puxou o gatilho no momento do segundo golpe e o feixe de prótons
estava já vencendo a letargia da carga forçada. Tinha um instante
apenas.
Asuka
colocou todas as suas células naquele chute. Mark 02B voou para trás
sendo atingida e cheio pelo feixe que o explodiu em milhares de
pedaços. A explosão foi devastadora e a luz em forma de cruz
característica se ergueu com mais de duzentos metros de altura.
De
alguma maneira, haviam aplicado a tática baseada nas limitações do
rifle com perfeição.
Pela
primeira vez em muitos anos a organização Wille tinha o que
comemorar. Ainda que a série Mark 2 já tivesse se provado inferior
a outros modelos desenvolvidos pela Nerv nos últimos anos, era a
primeira vez que haviam visto uma unidade do inimigo cair. Então,
como não antes havia sido pensando ou permitido, quase todos estavam
simplesmente comemorando.
As
unidades 02 e 08 estavam inativas, aguardando o reboque, mas ninguém
parecia ter pressa para isso. As risadas e brincadeiras pareciam ter
tomado conta da mente de todos.
As
duas pilotos observavam a movimentação animada e quase caótica no
porto da precária cidade que haviam salvado, do terraço de um
armazém abandonado. Elas haviam sido resgatadas por um carro e
convidadas para se juntar ao momento de alegria dos lilin, porém nem
precisaram recusar duas vezes para serem esquecidas. Asuka estava
sentada no chão, observando a visão sem tanto interesse. Mari
estava deitada, o céu ainda azul refletindo nos seus óculos de
armação reta. Cantarolava uma música sobre uma história de amor
das mais bregas que a ruiva já escutara:
― De
onde você tira essas coisas, Quatro-olhos? ― perguntou.
― Já
disse que são músicas da minha época, mas você não parece
acreditar muito. ― explicou Mari, levando as mãos para apoiar a
cabeça.
―
Prefiro não acreditar
que a minha dupla tem uma idade muito maior do que as aparências
mostram. ― ponderou Asuka. As duas riram.
― Acho
que, depois de hoje, aquele programa 27 vai ser moleza de derrotar. ―
supôs a morena, voltando seus olhos para a figura invertida da outra
que tinha daquela posição.
―
Espero que todas as
simulações e batalhas reais se tornem moleza. ― disse Asuka,
séria.
― O
Primeiro Anjo não tem porque se mover agora. Então podemos nos
permitir sonhar um pouco. ― refletiu Mari, livrando uma das mãos
para gesticular. Qual não foi sua surpresa quando, aproveitando o
gesto, a ruiva segurou sua mão.
Um
gesto simples, contendo até um certo receio. Mari tentou ignorar o
quanto seu topor se embaralhou quando ambas entrelaçaram os dedos da
maneira torta que a posição permitia. Até mesmo a brisa do
continente não pareceu ficar indiferente, vencendo o vento constante
do mar sem vida, soprando para longe as máscaras que carregavam o
tempo inteiro:
― Né,
você vai estar sempre lá para me ajudar? ― perguntou Asuka, a voz
baixa. O seu olho saudável se virou para a outra, que a encarava. ―
Não vai, Mari?
Azul.
Um brilho incomum atravessava ambos os olhares coloridos com as
mesmas cores do céu:
― Claro
que sim, Asuka.
-
FIM -
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Posted by LKMazaki
[One-Shot] Instante - Evangelion
by Mazaki.
Olá pessoal! A quanto tempo eu não aparecia no Kono-ai-Setsu, não é mesmo? Aliás, espero que vocês ainda me conheçam né (tanto tempo trabalhando só nos bastidores). Bom, o importante é que a fic-writer da equipe voltou e hoje eu trago um emocionante one-shot de de de. . . ora, vocês já viram no título, é de Neon Genesis Evangelion.
Sim! Enquanto eu não apareço com mais uma das infinitas sagas de Mastered Negima, resolvi matar as saudades de vocês com um conto que gostei bastante de escrever.
Atenção, este fic pode ser lido por qualquer um que já tenha assistido até o segundo longa da série Rebuild, o 2.22. Apesar de a trama se passar posteriormente aos acontecimentos do filme, eles não tem relação com o terceiro filme.
Sem enrolações, vamos ao texto. Como sempre, ficaríamos muito gratas por opiniões, críticas, sugestões ou até que sabe uns elogios (vai saber ne).
Links: Download pdf (mediafire) e Leitura Online (mediafire)
(Queria dedicar com um carinho ácido ao nosso amado leitor, Kaje-kun, este fic com uma personagem que ele tanto ama, a Mari! Não me odeie, só estou fazendo isso para convencê-lo a ler!)
Olá pessoal! A quanto tempo eu não aparecia no Kono-ai-Setsu, não é mesmo? Aliás, espero que vocês ainda me conheçam né (tanto tempo trabalhando só nos bastidores). Bom, o importante é que a fic-writer da equipe voltou e hoje eu trago um emocionante one-shot de de de. . . ora, vocês já viram no título, é de Neon Genesis Evangelion.
Sim! Enquanto eu não apareço com mais uma das infinitas sagas de Mastered Negima, resolvi matar as saudades de vocês com um conto que gostei bastante de escrever.
Atenção, este fic pode ser lido por qualquer um que já tenha assistido até o segundo longa da série Rebuild, o 2.22. Apesar de a trama se passar posteriormente aos acontecimentos do filme, eles não tem relação com o terceiro filme.
Sem enrolações, vamos ao texto. Como sempre, ficaríamos muito gratas por opiniões, críticas, sugestões ou até que sabe uns elogios (vai saber ne).
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Aviso-legal: Neon Genesis
Evangelion não me pertence. Esta é apenas uma obra de fã, sem fins
lucrativos.
***
O início da convivência entre aquelas duas crianças foi bastante
conturbado. Elas se encontraram pela primeira vez diretamente no
campo de batalha. Uma havia acabado de sair de uma delicada
recuperação médica e sequer havia tido tempo para compreender por
completo a rebelião a qual fazia parte. Tudo o que sabia é que
precisava lutar e vencer. A outra estava apenas aproveitando as
oportunidades que a vida lhe trazia e pilotava a máquina até então
mais avançada de combate já construída pela humanidade.
Batizada com a simplória alcunha de Eva 08.
Aquele confronto poderia ter destruído por completo o resto de
civilização que resistia bravamente às consecutivas catástrofes
sobrenaturais que caiam sobre a Terra. A primeira e última batalha
que aquelas duas crianças travariam em suas vidas acabou tendo um
final diferente do previsto. Isso porque uma das crianças, a que
aparentemente mais se divertia em meio àquele caos, acabou
percebendo que estava lutando do lado que considerava errado na
história e, unindo sua instável ética com sua enorme vontade de
sair-se bem daquele problema, ela trocou de lado. Foi só assim que a
rebelião se tornou um sucesso e as duas puderam enfim conhecer-se
fora de suas armas de guerra.
Este foi apenas o começo da amizade entre Asuka e Mari.
***
Instante
Evangelion Fanfiction, por Lilian Kate Mazaki
O céu estava tomando por nuvens de tempestade e o vento soprava
gelado. A base atual da WILLE era escondida dentro dos escombros de
uma antiga metrópole europeia, já devastada pelo caos que se
alastrado no mundo. À esta altura dos acontecimentos o grupo já
havia iniciado a construção de sua base móvel, mas a dificuldade
em conseguir alguns materiais raros estava atrasando bastante a
finalização do engenho.
As ruas sem movimento pareciam o cenário de um filme de terror.
Objetos quebrados e abandonados dos mais diversos tipos se espalhavam
pelos cantos. Em meio àquele desleixo natural duas figuras incomuns
podiam ser vistas caminhando uma após a outra, sem nenhum destino
certo. Duas jovens mulheres, trajando uniformes únicos que se
encaixavam perfeitamente as formas de seus corpos. A ruiva, com um
distinguível tapa-olho à orbe esquerda ia à frente, enquanto a
outra mulher, de óculos vermelhos e um sorriso perene no rosto a
seguia a alguns passos de diferença:
― Por que está me seguindo, quatro-olhos? ― rosnou Asuka,
parando a caminhada e virando-se um pouco para encarar a outra, que
apenas sorria enquanto se aproximava mais alguns passos.
― Não se importe comigo. É que não tenho nada para fazer
realmente. ― disse Mari, encolhendo os ombros, com o seu costumeiro
sorrisinho debochado no rosto.
― Hunf. ― Asuka bufou, ajeitando a aba da boina. ― Você podia
tentar se tornar útil e ir perguntar se a comandante precisa de
alguma coisa.
― Você também poderia ter feito isto, não?
― Eu fiz. ― cortou a ruiva, entredentes, e diminuiu o volume da
voz ao prosseguir. ― Mas a Misato me disse que eu devia descansar
um pouco enquanto pudesse.
― Você fica irritada quando as pessoas se preocupam com você, não
é? ― disse a morena, não realmente perguntando, mas apenas
oralizando seus pensamentos sem refletir.
Já faziam mais de dois anos desde que as duas jovens se conheciam,
então Asuka estava habituada àquele mal costume o bastante para
apenas dar as costas e continuar caminhando pela rua deserta. Não
demorou nem um minuto para que os passos atrás de si recomeçassem.
Também não demorou nem dez minutos para que uma nova explosão
acontecesse:
― Mas que droga! Vai arranjar outra pessoa pra encher,
quatro-olhos!
― Não se importe tanto comigo, Princesa, estou apenas vigiando a
guerreira favorita da WILLE.
― "Princesa"?! Vai se ferrar! E nem pense em me chamar
assim de novo, sua nerd covarde!
― Uau, você sabe xingar quando se irrita, Tsundere-sama.
― Como é que. . . ― começou Asuka, ainda mais irritada pelo
novo apelido desagradável, porém um forte tremor repentino a
distraiu completamente da conversa.
O terremoto se intensificou e não cessou. Não era nada incomum
ocorrerem esses tremores desde o Terceiro Impacto, porém este era
intenso. Asuka tentou se apoiar, mas sua perna esquerda não era a
mesma a algum tempo já e ela acabou caindo. Vários pedaços de
concreto soltos nas paredes dos edifícios abandonados começaram a
cair. Vários fragmentos ricochetearam e arranharam o rosto e mãos
da ruiva, distraindo-a de uma pedra maior que veio na direção da
sua cabeça. Se não fosse a intervenção rápida de Mari o golpe
poderia ter sido perigoso.
Logo o terremoto passou e Mari puxou Asuka de volta à base para que
Ritsuko desse uma olhada se nada a havia machucado. A ruiva
esbravejou o caminho inteiro, mas não desvencilhou o braço da mão
da outra que a puxava. Asuka detestava ser tratada com uma doente
frágil, mesmo que agora fosse essa a sua realidade.
Tinha orgulho o bastante para ameaçar a outra de todas as formas
possíveis e nem reparar que a morena havia tido uma fratura no pulso
ao bloquear o pedaço de concreto mais pesado com o próprio braço.
Só ficou sabendo quando a jovem Sakura lhe disse que Mari estava
recebendo atendimento.
Asuka sentiu-se um tanto estúpida pelo próprio comportamento, mas
ficou esbravejando ao vento, contra a outra. Afinal, como poderia
perceber qualquer coisa se em momento algum a outra piloto perdera o
sorriso indolente?
― Às vezes tenho a impressão que você está o tempo inteiro
resmungando contra vida, Tsundere-sama. ― disse Mari,
sobressaltando Asuka. Estavam no corredor térreo do prédio que
estava sendo usado como parte das instalações da WILLE. Havia pouco
movimento perto do setor médico e a calmaria havia amplificado o som
das reclamações contínuas da ruiva.
― E como poderia ser diferente se o mundo está essa porcaria? ―
argumentou Asuka, deixando seus olhos involuntariamente presos ao
gesso que cercava a mão e pulso da outra.
― Você é tão negativa, Tsundere-sama.
― E você parece sofrer de retardo por estar sempre rindo,
quatro-olhos.
Asuka voltou-se para a larga janela que dava para outro trecho de rua
abandonada e destruída pela guerra. Ainda que sua expressão fosse
um tanto ranzinza, ela não estava realmente irritada. Era apenas seu
hábito manter a cara amarrada para todo o Universo burro ao seu
redor. Mari caminhou até o lado dessa e também pôs-se a observar à
paisagem feia. Ao contrário da primeira, Mari estava sorrindo. O
mesmo sorriso debochado:
― Er. . . ― começou a Segunda Criança, fintando novamente o
gesso. ― Está tudo bem com isso aí?
― Não foi nada. ― disse Mari. ― Pelo menos eu fui útil,
protegendo a nossa melhor piloto de um acidente.
― Tsc. ― Asuka se irritou ao ouvir o derivado da palavra
"proteção". Estava farta de ser tratada com uma boneca de
porcelana. Porém, em consideração ao ferimento da outra, dessa vez
ela preferiu apenas dar as costas e sair andando, para não continuar
a discussão.
― Ah. . . ― Mari pareceu pega de surpresa pela reação de Asuka.
Franziu a testa por um momento e acabou reagindo sem pensar antes ―
Espera aí, Asuka!
A ruiva congelou. Não lembrava de ter visto Mari chamar alguém,
fora talvez o pai de Shinji, pelo primeiro nome. A morena parecia ter
o passatempo de criar os apelidos mais estranhos para qualquer pessoa
que surgisse na sua frente, então aquela era a primeira vez que a
via se dirigir com alguma seriedade. A própria Quarta Criança
pareceu ainda mais surpresa com suas palavras, deixando bastante
visível o embaraço na expressão que a outra não viu por estar de
costas:
― Hm? ― indagou Asuka, virando-se para encará-la com seu olho
bom.
― Ah. . . ― Mari olhou para os lados e ajeitou os óculos num
gesto demorado. Aquela foi a primeira vez que Asuka viu a outra
perdendo a postura daquele jeito e ela admitiu a si mesma que adorou
ver a cena. ― T-talvez nós devêssemos voltar à Central, não? A
Comandante pode precisar de alguma coisa.
Asuka fez algum esforço para tentar entender qual era o problema da
outra, mas desistiu logo e apenas seguiu a sugestão.
***
Alguns meses depois, Asuka e Mari estavam no terraço de um pequeno
forte à beira de uma encosta. Observavam a movimentação de
caminhões e transportes pesados para levar os evas 02 e 08 para os
compartimentos de dois grandes navios da frota da WILLE. Mais uma vez
pilotos eram inúteis no momento que não era a luta, então elas
haviam sido dispensadas para ficar apenas assistindo o trabalho das
equipes.
Estava um tanto mais quente. O verão se aproximava daquela parte do
globo. Mari se abanava com a mão outrora quebrada, de modo
displicente. Volta e meia fazia algum comentário debochado sobre as
expressões sérias que os técnicos tinham.
Já Asuka parecia completamente distraída da realidade. O seu ar de
irritação constante parecia ainda mais acentuado. O bastante pra
forçar a outra a enfim se direcionar a ela:
― Qual o problema, Tsundere-sama?
― Só estou pensando em como tudo nesse mundo é uma droga.
― Ah. . . ― Mari já esperava alguma resposta genérica de ódio
da ruiva e não desistiu por aí. ― Mas do que está falando,
exatamente?
― De tudo! Do mundo, da NERV, do meu corpo imbecil.
Ah, ela estava incomodada com algo no próprio corpo então, foi o
que deduziu Mari pela ordem colocada na frase:
― Acho que não precisa se preocupar com seu corpo, Tsundere-sama.
― Na verdade não me incomodo. Nem me olho na frente de um espelho
mais. Só acho que é um incomodo passar a vida inteira com um corpo
de 14 anos. Os hormônios incomodam.
― Você está dizendo que está irritada porque está carente? ―
perguntou Mari com um tom menos debochado do que Asuka esperaria.
Isso foi a única coisa que fez com que a ruiva não se irritasse
ainda mais.
― Você também deve ter esses problemas. ― Asuka estava um tanto
mais "pra baixo" do que o comum. Não era de falar assim
abertamente sobre si ou sobre assuntos daquele tipo.
― Talvez. Mas nunca tive muito tempo para pensar em homens, então
não me incomodo tanto.
― Tsc. Eu também sempre fui ocupada. Uma vez já pedi para que a
Ritsuko me desse alguma coisa para me livrar disso, mas ela não me
levou à sério.
― Seria um desperdício.
― Do que cê tá falando?
― Tem muitos homens na WILLE. Se você está precisando de um
namorado é só escolher. A não ser que você esteja se guardando
apenas para o Garotinho Mimado.
Mari não teve tempo de sequer se preparar, quando percebeu seu rosto
havia sido golpeado com força e ela tombava. Tentou ainda se segurar
no parapeito do forte, mas não conseguiu. Caiu de lado no chão de
pedra, seus óculos foram parar a quase um metro de distância.
A morena ergueu os olhos e mesmo com a visão borrada pode enxergar a
expressão assassina que dominava todo o rosto de Asuka. Esta ainda
tinha o punho fechado estendido para frente e ofegava. Mari admitiu a
si mesma que foi longe demais, tratou de pegar os óculos rápido e
se ergueu sem dizer nenhuma palavra. Asuka só endireitou a postura
quando a outra já estava em pé. Mari podia sentir o sangue na boca
escapar pelo canto dos lábios para o queixo. Ainda assim foi ela
quem quebrou o silêncio pesado que se instalou entre elas:
― Você não teria problemas em conseguir o homem que quisesse,
Tsundere-sama.
― Tsc. Como se algum homem fosse querer uma mulher aleijada como
eu. ― respondeu Asuka. Não parecia haver qualquer traço de culpa
na voz e expressão da outra. Ainda assim isso não inibiu Mari de,
mais uma vez, falar o que lhe vinha à mente.
― Eu acho você linda, Princesa. Perfeita.
Asuka congelou a respiração ao ouvir aquilo. Seus olhos que
fintavam a movimentação lá embaixo se perderam. Não esperava
ouvir algo como aquilo e não soube como reagir. Há um instante
estava à beira de partir (ainda mais) para a violência e agora
estava aturdida e desconsertada. Respirou algumas vezes e esperou
perceber o olhar da outra se desviar para ter coragem de encará-la.
Mari sorria e voltara a observar o trabalho da WILLE. A despeito do
sangue que ainda pingava de vez em quando na sua blusa, ela parecia
que não tinha dito nada que fosse relevante. Era como se tivesse
falado sobre como o céu estava bonito naquela tarde e Asuka se odiou
por não ter digerido aquilo tão fácil. A Segunda Criança sorriu
um tanto mais terna e procurou por algo no bolso da calça:
― Hã? ― Mari foi surpreendida pelo toque do tecido no queixo.
Asuka estava usando um lenço para limpar o sangue. Voltou os olhos
para procurar as íris azuis da outra, mas esta já havia os
desviado, encarando o queixo e pedaço da blusa da outra que tentava
limpar um pouco do vermelho tingido.
― Não fale mais daquele infeliz, ok? ― pediu Asuka, enfim
encarando os olhos que ainda exibiam a surpresa de Mari.
― Farei o possível. . . Tsundere-chan.
Asuka deu uma risada fraca, enquanto guardava o lenço. A outra
sempre dava um jeito de não falar o nome das pessoas.
***
A lua cheia exibia sua cicatriz eterna enquanto brilhava no alto do
céu limpo. As estrelas coloriam e iluminavam a noite fria de outono,
deixando o caminho da frota principal da WILLE parecendo um pouco
menos assombroso do que na verdade era. A movimentação no navio de
comando era pouco. Eram os navios de transporte dos evas que estava
ainda trabalhando duro para reorganizar as coisas depois de uma
batalha feroz que acontecera antes do pôr do sol.
Asuka e Mari estavam mais uma vez sozinhas, sem qualquer função,
afinal os pilotos também eram inúteis depois que a batalha
terminava. Apesar do acontecido, elas ainda tinham disposição para
conversar sobre a luta, enquanto observavam o céu pelas largas
janelas da sala de reunião, agora vazia:
― Nossa, por que você é sempre tão covarde nas batalhas ein? ―
perguntou Asuka, num tom muito mais de divertimento do que irritado.
Depois de vitórias fáceis o ego de desta melhorava seu humor em
muito.
― Ora, Tsundere-sama, é simples: eu quero sobreviver o bastante
para ver o nascimento e glória do Novo Mundo!
― Novo Mundo?! Hahahahahahah, mas do que cê tá falando?!
― Estou falando da grande era de luz que irá surgir quando
finalmente essa loucura de NERV e anjos terminar. ― explicou Mari.
― Apesar de que nesse mundo eu vou me suicidar por causa do tédio.
Muita “alegriazinha” me faz mal.
― Nah, nenhum de nós vai viver o bastante para isso.
― Ora, nós temos a juventude inteira para esperar, Tsundere-sama.
― ponderou a morena, abrindo os braços num gesto de mostrar como
ainda era jovem depois de tantos anos de luta.
De fato, elas tinham uma juventude infinita para aguardar a mudança
do mundo. Asuka até concordaria com a visão da outra, se não fosse
pelo fato de ter certeza que em algum momento elas teriam as tripas
devoradas por algum inimigo voador vindo de qualquer lugar
desconhecido.
A verdade é que Mari não se preocupava em nada sobre o futuro. Tudo
para ela se resumia em aproveitar o momento presente. Gostava das
batalhas, mas também vinha aprendendo a gostar de certos caprichos
que a rotina que lhe fora imposta havia trazido consigo. Ainda que a
realidade fosse sombria, ela sentia que era ali que deveria estar.
Não lhe apeteceria uma vida pacata como estudante, em meio a clubes
e provas.
A não ser que a ruiva estivesse na mesma classe que ela. Ai sim as
coisas poderiam ser interessantes:
― Você não tem nenhum parafuso nessa cabeça né, quatro-olhos?
― Com certeza tenho menos do que você tem na perna, Tsundere-sama.
Asuka não conseguiu manter a seriedade diante daquele deboche. Teve
que rir da própria desgraça como não antes havia feito. Uma risada
aliviada, daquelas que dão uma forte vontade de chorar ao mesmo
tempo. Um pequeno descanso para alguém que passava todos os momentos
de sua vida se esforçando para fugir de qualquer alegria.
Só quando Asuka percebeu o olhar insistente da outra piloto que
despertou da sua distração. Mari a encarava, o rosto meio encoberto
pelas sombras da claridade do luar. Como sempre, esta sorria. Mas era
um sorriso diferente, sem deboche. Asuka viu apenas uma transparente
afeição naquele gesto:
― O q-que foi? ― perguntou ela, um tanto incomodada. A ruiva
sentiu um frio no estômago quando a outra se aproximou alguns
passos, ainda encarando-a, antes de responder.
― É que eu nunca tinha te visto sorrindo de modo verdadeiro,
Tsundere-sama. Pode se dizer que é algo raro, quase um milagre.
Asuka inflou uma das bochechas ao ouvir aquilo. Mesmo séria a outra
adorava debochar:
― Deve ser menos raro do que te ver falando alguma coisa séria.
― Mas eu estou falando sério agora.
Asuka engoliu a saliva, nervosa. Estava se achando ridícula por
sentir tanta ansiedade e nervosismo por causa de uma garota tão
infantil como Mari. Desviou o olhar e tentou encontrar qualquer coisa
ao redor para se focar, numa tentativa de "quebrar" o ritmo
da conversa da outra. O que foi inútil.
― Eu gostaria de não esquecer. . . ― começou a falar Mari, com
a voz quase sussurrada. Esticou o braço sem pressa, até que seus
dedos tocaram a bochecha da ruiva, que arrepiou no rosto àquele
toque tão suave. ― . . . Eu não gostaria de esquecer esse
sorriso, Asuka.
O nome. Asuka não conseguiu evitar ter seu olho capturado pelos da
morena. Sequer percebeu o movimento que eliminou os mais de quarenta
centímetros que separavam os lábios de Mari do toque suave que ela
sentiu nos seus. Que coisa estranha estava acontecendo ali, foi só o
que pode se questionar.
O instinto fez com que Asuka fechasse o olho ao ser beijada. Aquilo
foi o necessário para que ela, ao entrar na escuridão completa da
sua pálpebra, calasse por completo qualquer pensamento inútil.
Não questionou-se sobre Mari, ou sobre ela mesma. Ou sobre o que
significava estar se deixando beijar por uma mulher. Também esqueceu
de tentar analisar se talvez ela mesma estivesse esperando por aquilo
a algum tempo. Não, este pensamento seria o mais trabalhoso e sem
sentido o possível.
Tudo o que existia no escuro era a sensação morna e carinhosa do
beijo que recebeu. Retribuiu e seus sentimentos se chocaram numa
confusão um pouco maior quando percebeu os traços de medo e anseio
na reação de Mari. A sensação de tempo evaporou e Asuka não era
capaz de saber se o abraço que davam era fraco ou apertado. Em meio
ao toque suave e romântico do beijo ela estava completamente
absorvida apenas pelo ato.
Um indeterminável tempo depois, os beijos cessaram e os rostos das
pilotos se separaram. Asuka não pensou mais em tentar desviar o
olhar. As bochechas de Mari estava um pouco rosadas e a ruiva
acreditou que as suas provavelmente também. Seu coração batia num
leve acelerado que não a deixava respirar com naturalidade. Nenhuma
palavra entre elas foi dita durante vários minutos. Era inevitável,
mas era como se ambas tentassem congelar aquele momento onde não
eram necessárias perguntas ou esclarecimentos.
Só que logo o medo e receio começaram a sondar os pensamentos de
Asuka. Isso pareceu ficar claro para a morena, pois neste momento ela
decidiu quebrar o silêncio com uma única frase:
― Não se preocupe com isso, Princesa. ― e então Mari se
afastou, sorrindo, e se dirigiu em silêncio para a porta da sala.
Não disse nenhuma palavra a mais e logo a sala estava fechada e
Asuka sozinha.
De fato era a melhor coisa naquele momento. O que adiantaria
conversar sobre algo que não tinha qualquer sentido? O que mudaria?
Nada. Não havia porquê Asuka se preocupar se aquilo fora apenas um
acidente causado pela euforia de uma batalha, ou se poderia se
repetir mesmo no próximo entardecer.
O mundo continuava sendo um lugar sem esperança, portanto não havia
porque esperar algo daquilo. O que viesse, seria um milagre e uma
benção vinda direta do imaginário Novo Mundo onde existia
felicidade.
FIM
(Queria dedicar com um carinho ácido ao nosso amado leitor, Kaje-kun, este fic com uma personagem que ele tanto ama, a Mari! Não me odeie, só estou fazendo isso para convencê-lo a ler!)
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Posted by LKMazaki
