Mostrando postagens com marcador Takemiya Jin. Mostrar todas as postagens

[Indicação] Steps, um passo adentro dos mangás de Takemiya Jin

Você sabe aquele autor de mangá que você ama, mas que não é conhecido por tanta gente, ou que não é reverenciado por ter uma "obra prima"? Pois então, para mim, esse autor é Takemiya Jin, uma autora de mangás lésbicos cheios de representatividade e veracidade.

Por que disse que são mangás lésbicos, e não yuri? Porque a própria autora é declaradamente lésbica (leia a entrevista dela no blog Okazu), e mostra um lado muito menos idealizado e muito mais real (apesar de muitas vezes ainda fofo e sem problemas pesados).

Mas por ser uma artista que foca muito mais em one-shots (capítulos ou volumes únicos), ela é uma autora que muitas vezes não fica entre as primeiras quando você cita autores de yuri. Porém, sinto que ela é de uma geração de  evolução dos antigos shoujo ais mais puros, mas antes da "legião dos beijos", liderados por Citrus e Netsuzou Trap, e que foi uma forte influência para as autoras destas séries de maior expressão da atualidade.

Mas por que aqui vou falar de somente uma obra da autora, em vez de explorar mais do potencial dela? Sinceramente, é devida a quantidade bem grande de obras curtas, e que acho que (para mim), junto com as séries Fragments of Love e Irrational Us, é a representação mais abrangente do potencial da artista.
Resumindo, Steps é uma série de dois volumes que conta alguns romances dentro de um colégio feminino, muitos desses contendo uma diferença de idade entre as mulheres (ou seja, relação aluna-professora). Pode parecer errado inicialmente? Sim, mas o modo como Takemiya mostra essas histórias é tão real e sincero que eu não consigo simplesmente achar errado. Como são garotas por volta dos 15 anos, ou um pouco mais, acho até natural que elas sintam algo por alguém mais velho. Mas o modo que é retratado não é como se as pessoas não soubessem que estão realizando algo errado, muito pelo contrário, é bem explorado e muitas vezes tenso.

A história principal de Steps é sobre Ah-chan e sua aluna Ryouko, que é sua amiga há muitos anos (desde que Ryouko era criança). Ah-chan tem uma sincera e complexa culpa de sentir algo por Ryouko, mesmo ela sendo sua amiga há muito tempo, e só com muita insistência Ryouko consegue mostrar que ela não deveria se culpar tanto, já que muito antes delas terem a relação aluna-professora, elas tinham um outro vínculo emocional. Tanto que, no final da série, depois de anos, Ah-chan largou seu trabalho como professora e é casada com Ryouko. Por isto, digo que as histórias vão muito além do fanservice comum. 

Acho que o principal nessa série, é como as personagens se comportam quanto a sentimentos "proibidos", mas não de um modo padrão "ai, sinto desejo pela minha professora/aluna". Ninguém ali quer ser tratado como inferior, como criança, ou inocente. Todas sabem de suas posições e tem seus sentimentos mostrados de modo maravilhoso por Takemiya.

Essa é uma capacidade que Takemiya mostra em todas suas obras, que deveriam ser traduzidas e vendidas no ocidente, mas que por uma falta de "promoção", seu nome não tem tanta força quanto deveria. É uma pena que uma autora tão talentosa e importante dentro de seu nicho não tenha mais destaque.

Sites de contato da autora:
Entre em contato por:

Os Yuris de 2015 (Parte 02) - Quadrinhos

A Se-chan está aqui para continuar a postagem sobre os Yuris (ou séries lésbicas) que bombaram em 2015! Sei que demorei um tempo pra voltar para essa postagem, mas espero que me acompanhem!

Relembrando, o KaS tem que manter a tradição que começamos ano passado falando dos animes/mangás/etc com temática lésbica que passaram pelo mundinho da Se-chan. Talvez eu esqueça de citar algo, mas é por que eu não li, então me ajudem nos comentários dando uns conselhos do que ver/ler, ok? (obrigado!)

Citrus
O mangá que já estava bombando na galera continua popular. Apesar de Mei e Yuzu não terem praticamente evoluído em seu relacionamento quase-incestuoso, a arte continua maravilhosa, e as frases bregas da protagonista continuam a soar engraçadas nos momentos mais dramáticos. Pode até parecer implicância minha, mas essas cenas sem noção da Yuzu são minha parte favorita do mangá, por acaso. Sempre fico rindo. Pode ser meio vergonha alheia as vezes, brega e tals, mas ela é uma boa personagem. Meu único problema com Citrus atualmente é que não entendo por que diabos elas não estão juntas direito ainda. Sempre tem que ter um drama?

Conselho: É o mangá pop da atualidade, deve ser lido por quem é fã do gênero (para se atualizar e/ou entrar nas rodas de conversa do fandom). Além da arte maravilhosa da Saburouta.

Ponto Fraco: Parece que nunca sai da mesma.

NTR: Netsuzou Trap
Mangá que veio na pegada de Citrus, Netsuzou Trap apareceu inicialmente apenas como um mangá yuri com um fanservice exacerbado, mas acabou por se fixar como uma das séries de sucessos da maior revista do gênero no Japão (Comic Yurihime). Apesar das cenas de quase sexo (algumas vezes até durante né~), NTR mostrou que não é só peitos e agarração, montando um enredo com personagens que nos importamos, e que nos deixam agoniados por cometerem erros ou agirem sem pensar.

Conselho: Se você não se incomoda com algumas cenas "quentes" no meio da história, leia com certeza. Maravilhoso, estou ansiosa pelos próximos capítulos!

Ponto Fraco: Vai ser publicado nos Estados Unidos e não estou com dinheiro para comprar no pre-order (XD).

The Real Her
Era um dos meus mangás favoritos. Foi finalizado em 2015 depois de 2 volumes, mas era super engraçado e mostrava personagens abordando S&M, o que deixava a interação das protagonistas fantásticas, por que era uma masoquista super viciada e 'conhecedora' das coisas, enquanto a outra é uma tsundere sadista natural que não tem ideia de nada sobre o assunto. Imagine a mistura. MELHOR COMÉDIA.

Se você não se importa com piadas mais adultas, ou procura justamente algo mais para esse lado, pode ter certeza que The Real Her (ou Honto no Kanojo) é a melhor coisa que lerá. Piadas hilárias, e apesar de as vezes repetir a formula nos capítulos, vemos dias personagens que evoluem no pouco tempo que há de trama. Deixou saudades.

Temos indicação do mangá aqui no blog!

Conselho: Leia, ria e venha me agradecer depois. (além de já estar finalizado)

Ponto Fraco: Gostaria que fosse maior e abordasse a evolução da sadista mais.

A Kiss and a White Lily for Her
(Ano Ko ni Kiss to Shirayuri wo)
Tá aí uma das minhas paixões de 2015. AnoKiss é daqueles mangás que você os volumes sem parar, até chegar no mais recentes e começar a chorar por que não tem mais. A história básica, de uma menina tsundere esforçada que quer ser a melhor da turma e não consegue por que tem uma gênio que sempre fica na frente dela, e que começam a se envolver é simples, mas funciona. E nem é necessariamente por causa das protagonistas. A verdade é que AnoKiss se sustenta nas personagens secundárias.

Ele me lembra Marimite, sabe? Aquele anime que a gente via um monte de histórias de personagens secundários e que as vezes as protagonistas mal aparecem? Pois é, acontece o mesmo nesse mangá. Nossa, as histórias da menina do atletismo e a melhor amiga dela são as melhores. É maravilhoso, lindo, você se apaixona e torce pelas meninas. Fantástico trabalho da autora.

Temos resenha do 1º volume do mangá no blog!

Conselho: Leia enlouquecidamente e se junte a mim pela busca pelo download do CD Drama (tpo de rádio novela gravado da série).
Ponto Fraco: Protagonistas meio chatas e enjoadas.

Eventually, I will become yours
(Yagate Kimi ni Naru)
Se AnoKiss era meu vício no meio do ano de 2015, "Eventually" roubou o posto. Não sei se foi por sua simplicidade, ou suas protagonistas, mas me apaixonei pela obra no primeiro capítulo. É sensível, e mostra uma menina (que não é a protagonista) se apaixonando por outra, a qual não a deseja inicialmente (esta sim, a protagonista).

Acho que o que a torna diferente de outras obras possa ser justamente este ponto de vista que a autora decidiu colocar. Tirar o foco da menina apaixonada e mostrar a que está recebendo esta declaração é muito interessante. Os pensamentos da garota, e ver ela a começar a observar mais a outra é algo indescritível e cativante.

Temos resenha do 1º volume do mangá no blog!

Conselho: Leiam e se apaixonem!

Ponto Fraco: Quero mais personagens secundários para me apaixonar! E um anime!!

Morishima Akiko
(Yurikuma Arashi e Our First Time)
Se teve uma mangaká de sucesso em 2015 foi a nossa senhora linda e de traço fofo Morishima Akiko. Além de fazer o character design para Yurikuma Arashi, faz a versão mangá do mesmo, além de estar com outra série sendo lançada ao mesmo tempo (a coletânea Our First Time).  Por isto mesmo, esse ano comecei a ler várias coisas dela, e tenho que dar destaque para seu vício por office ladys fofas, como em A Lapis-Lazuli Blue Dream, ou no compilado de Office Romance: Women's Division, sempre com histórias de romances leves, que não tem pegada muito de drama.

Morishima-sensei necessita ser conhecida gente! Ela é maravilhosa, com um traço lindo e com um talento magnífico para histórias adultas de comédia romântica, além de saber desenhar muito bem cenas de sexo sem parecerem vulgares. A senhora é poderosa~~

Conselho: Comece pelo Holy Girl Paradigm, que tem em português pelo parceiro Gokigenyou, ou por Hanjuku Joshi ou Ruriiro no Yume, que foram traduzidos pelo também parceiro S2 Yuri!

Ponto Fraco: Não vejo a valorização dela no Brasil, mesmo depois de Yurikuma Arashi.

Takemiya Jin
(Omoi no Kakera e Steps)
Se tem uma boa artista a qual eu me afeiçoei este ano foi a querida da Takemiya Jin. Além do traço maravilhoso e único, suas histórias realistas, mas que sempre tem uma boa mensagem por trás, me encantaram. Ela não está com muitos projetos (até onde sei) além da coletânea Steps, mas amei ler obras como Seasons e Fragments of Love (aka Omoi no Kakera).

As temáticas as vezes são um tanto dramáticas, mas acho que as coisas acabam sempre se acertando no final de suas obras. Uma coisa super legal dela é que mesmo tendo se profissionalizado, lança doujins, como Wish, de Love Live. Há várias mangakás que fazem isto, mas pelo seu traço "sério" eu não achava que ela fizesse este tipo de coisa. Foi uma descoberta divertida (até por que Eli e Nozomi ficaram lindas no traço dela~~).

Minha obra preferida dela é Irrational Us, por que tem todo o clima adulto que ela coloca em suas tramas. É meio cru e realista, tanto que as vezes você até acha que os personagens não tem sentimentos pelos outros, mas no final, você vê as reais intenções delas. Incrível.

A Beta já falou de Fragments of Love aqui no KaS!

Conselho: Comece por Seasons ou Omoi no Kakera, traduzidos no S2 Yuri.

Ponto Fraco: Falta de histórias maiores.

Their Story
(Tamen de Gushi)
Ok, eu tenho que admitir que sou apaixonada por esse web-comic lindo de morrer! Their Story surgiu para mim pelo Tumblr, o peguei bem no comecinho, e continuo esperando por cada um dos seus pequenos capítulos com o coração na mão. A arte fofa e muito bem feita, os personagens simpáticos e a trama que vai bem aos pouquinhos me deixam maravilhada. Se eu fosse fazer algo um dia, queria que tivesse essa mesma "vibração".

Conselho: Leia logo, são capítulos curtos e muito fofos! Leiam pelo AION-Scanlator.

Ponto Fraco: Ainda espero pelas protagonistas formarem um casal....

Exciting Feelings
Se você acha Tamen de Gushi lento, imagine meu desespero com Exciting Feelings, que até onde eu li as meninas nem se ligaram que uma gosta da outra! Apesar de parecer meio bobo isso, muitas vezes isso acontece, não? Bom, pelo menos é o que a obra tenta mostrar. A história é bem lenta, e para moças de universidades eu as acho meio lentinhas nesse sentido, mas eu gostei da obra. Mais uma web-série bem interessante.

Eu queria algo a mais entre as personagens, mas como estou esperando as traduções saírem, vai demorar um tempo, não?

Conselho: Ele também está sendo traduzido pelo AION!

Ponto Fraco: Haja paciência com essas duas!!

Lily Love
OW!!! Se tem alguma dessas web-séries que eu estou totalmente envolvida e apaixonada não só pelas personagens, pelo traço, pela história e pela autora (principalmente), é Lily Love! Mew e Donut são umas fofas, e a Ratana é uma autora maravilhosa que responde tudo o que os fãs comentam. E o melhor, a história anda! (e como!)

Tem o romance inicial, que a gente se surpreende de tão rápido que as personagens começam a se envolver. Além da tensão sexual, das intrigas, ciúmes, comédia, apresentação dos pais das personagens, ... NOSSA, muito bom! Continua sendo lançado, e bombou no Tumblr em 2015!

Análise dos primeiros capítulos no KaS!

Conselho: LEIA, LEIA, LEIA! Tradução pelo Resurrection Scan.

Ponto Fraco: Ansiedade pelos próximos capítulos, já que a autora disse que a série não deve se prolongar demais.

Marceline Adrift
Se você gosta de Adventure Time, enlouquece a cada sinal de Bubbline (Marceline e Princesa Jujuba) na série e gostou do que viu em Marceline e as Rainhas do Grito, você vai amar Marceline Adrift. A obra leva à outro nível o relacionamento de Marceline e Bonnibel. Elas brigam, Marceline fica literalmente à deriva no espaço, Jujuba cria um foguete para ir atrás da outra e rola um romance muito descarado durante os últimos capítulos!

A arte continua linda como na no Rainhas do Grito, e os cenários ficam maravilhosos com a colorização. E não, não vou dar exemplos das cenas românticas para vocês. Terão que correr atrás e pedir enlouquecidamente para a Panini trazer logo!

Conselho: Prepare seu coração!

Ponto Fraco: Não tem no Brasil ainda.



Bom, é isso o que eu li de mais importante em 2015. Será que alguém quer destacar mais alguma coisa? Fico curiosa para saber o que o pessoal anda lendo!

Ficou curioso sobre Morishima Akiko ou a Takemiya Jin? Leia as entrevistas que o Okazu fez com as mangakás! Aqui e aqui!

Mostre sua opinião para a equipe do Kono-ai-Setsu a partir de nossas redes sociais, ou nos comentários abaixo. E não se esqueça de nos dar uma mãozinha na divulgação, se achar nossas postagens interessantes, ok? (^.~)

Até logo! o/

Entre em contato por:

Análise - Comic Yurihime 2015/11

Olá a todos!

Apesar do fandom yuri ao redor do globo ser bastante dedicado ah. . . Bom. . . “obter” mangás yuris digitalizados para então traduzí-los e disponibilizar a todos que não tem conhecimento em japonês ou mesmo acesso à esses arquivos, é indiscutível que nós, fãs do estrangeiro, sempre estamos alguns passos atrás do momento do mundo dos mangás yuris em publicação.

Foi a intenção de diminuir em alguns passos essa distância que tomei a decisão de começar a importar a Comic Yurihime, maior revista de mangá yuri atualmente, de forma regular. É um processo demorado, visto que faço através de uma importadora especializada, que trás tudo via navio, o que faz levar alguns meses (Mesmo assim, agradeço do fundo do coração ao pessoal da Fonomag por serem sempre prestativos e eficientes). Também é caro, mas não teria como ser diferente se tratando de uma publicação do outro lado do planeta.

Ainda assim, agora que a primeira edição da Yurihime chegou em minhas mãos posso dizer que não poderia ter tomado atitude mais acertada como fã e também como singela blogueira que também quer ver a cultura yuri mais espalhada por esses lados do mundo.

A parte boa dessa história é que, com esse material em mãos, não teria como não trazer a vocês, queridos leitores do Kono-ai-Setsu, o máximo de impressões e comentários possíveis sobre “a revista dos sonhos de todas as yurijoshis e yuridanshis”. Vamos nessa!

Análise – Comic Yurihime 2015/11


No momento em que tirei a revista da embalagem reforçada da importadora a primeira coisa que me veio a cabeça foi: uau! Ela é enorme como as revistas shoujo/shounen! E veja a qualidade dessa capa!



Há mais ou menos um ano a Yurihime mudou seu projeto gráfico para algo mais aproximado do estilo moe que fez sua, até então, obra mais bem sucedida (Yuru Yuri) e confesso que, apenas olhando os prints pelo site da Ichijinsha (a editora) não vinha achando essa mudança muito boa. Porém, com ela em mãos, e depois de folhear seu interior, esse visual passou a me agradar bastante. A arte da capa é colorida de uma maneira muito agradável e a qualidade da impressão desta, da contra capa e das folhas coloridas internas é espetacular.



Falando ainda em qualidade física, não apenas na parte colorida, mas em toda a publicação, que é feita em papel jornal com uma qualidade bem superior a das revistas semanais japonesas (o que é bem comum, visto que a Yurihime é bimestral). Além disso, um detalhe extremamente importante para deixar a leitura agradável é a qualidade de impressão das obras sobre o papel. Aliás, é essa qualidade da tinta e adesão da mesma sobre o papel uma das coisas que mais me chama a atenção em relação às versões brasileiras de qualquer mangá. Isso faz toda a diferença.

Enfim, abrindo a edição encontramos o sumário e. . . Nossa! Quanta coisa!



Após isso encontramos algumas páginas onde produtos derivados de Yuru Yuri estão em destaque. Nada mais natural, visto que na época a exibição da terceira temporada da série ainda estava bem recente. Confesso que não sei se resistiria a todos esses goodies fofos que eles fazem, se estivesse lá no Japão para comprar com facilidade!

Bom, seguindo. . .

Temos então o primeiro mangá da revista e um que eu nunca tinha ouvido falar: Tachibanakan to Lie Angle da mangaka Merryhachi. Uma obra que de cara se mostra como uma comédia com personagens bastante vívidas. Essa foi a primeira surpresa, afinal nunca tinha achado nada nela nos scans da vida. Uma obra curiosa, que parece que vai ficar apenas no slice-of-life e personagens cheias de graça, o que dependendo, pode até ser o suficiente para uma série bem sucedida.



Nesse ponto vocês podem estar se perguntando: Tia Mazaki (senti-me a verdadeira idozinha clichê), mas você consegue ler japonês é? Por isso não precisa nem esperar scan?

A resposta, infelizmente, não, eu não sei japonês. Sei mal o hiragana e katakana. Porém a vontade de ler mangá me faz gastar algumas horas em cada página nipônica à minha frente, fazendo busca em dicionário e arranhando o pouco que já absorvi. É um processo cansativo, mas é aquelas coisas que fanáticos fazem, não é mesmo? A Yurihime ainda tem a complicação de não possuir furigana (aqueles kanas pequenos ao lado dos kanjis, que dizem a pronúncia correta dos mesmo. Isso excetuando nomes de personagens, que mesmo em mangás juvenis aparecem os furiganas na primeira aparição do nome naquele capítulo).

Ainda assim, mangá é uma coisa bem fácil de se compreender, se comparado a textos mais longos de light novels e livros. A profusão de imagens expressivas, linguagem corporal das personagens, o uso de vocabulário simplificado e com muita repetição. Todas essas coisas servem de atalho para um entendimento universal nos quadrinhos.

(Alongando o comentário: Lembro de uma passagem de um dos livros do quadrinista e teórico de quadrinhos americano, Scott McCloud, onde ele relata seu primeiro contato com o mangá japonês e sua fascinação por aquelas imagens e personagens. Ele não tinha qualquer conhecimento do idioma, claro, nem de kanas, mas aquelas obras se comunicaram com ele ao ponto de ele perceber de imediato o universo de possibilidades que aquelas produções tinham e poderiam um dia revolucionar o mercado americano e mundial.

Entenderam o que quero dizer? Claro que saber japonês é importante, mas nem sempre deve ser o ponto de partida para se lidar com uma obra. No nosso caso específico)

OK, EM FRENTE!

O segundo mangá da revista é o Yurijoshi Side:G, de Kurata Uso. O autor de Yuri Danshi aparentemente começou uma série de spinoffs da sua obra mais famosa, agora pelo ponto de vista de várias das personagens que aparecem na série.
Aliás, ao ver esse nome. . . Yurijoshi, fiquei abismada. Como ninguém desses lados do mundos tinha chamado as fás de yuri desse jeito? Acho que vou adotar (junto com o Yurikô). A obra é bem pequena e mostra um dos primeiros pares que aparecem na saga do louco fã de yuri que protagoniza Yuri Danshi. Nada de especial a comentar, a não ser a arte, sempre bem peculiar do Kurata Uso.



O próximo mangá foi uma feliz surpresa: trata-se do Tsuki ga Kirei Desu Ne de Itou Hachi (Hatishiro). Uau! Sou hiper-fã da arte desse artista (que não identifica seu gênero) e suas tramas são todas muito delicadas e sensíveis. Tsuki ga está no seu segundo capítulo nesta edição 2015/11 e confesso que fiquei um tanto confusa para lembrar das personagens (o primeiro capítulo já foi disponibilizado em inglês pelo Yuri-ism, fica a dica), mas isso se deveu também ao único defeito que consigo atribuir às obras do Itou Hachi: o excesso de beleza do traço torna as personagens todas muito parecidas. Ele (ou ela) parece ter um temor de arriscar na variação de rostos e estilos de cabelo, o que gera certa confusão para quem ler suas obras de maneira salteada.

A trama parece estar evoluindo em um ritmo lento de romance, como é bem característico de suas obras. Estou ansiosa para mais disso! (E também um tanto confusa, afinal achava que o Hatishiro estava publicando em outra revista também . . .)



SEGUINTE, ou melhor, seguinte do seguinte, já que temos mais um mini-capítulo de Yurijoshi (side:h dessa vez): Last Waltz, de Katakura Ako. Outra obra que não tem ainda volume fechado, ou qualquer informação traduzida. Com uma arte pouco rebuscada, transmite dramaticidade em suas páginas e mostra um conflito forte entre as protagonista em um rapaz, numa espécie de triangulo amoroso bastante forçado (por parte dele).

Obra mais séria, seria ótimo vê-la com mais presença daqui pra frente.



O próximo mangá (depois de mais um Yurijoshi) é Honya no Hito de Furukawa Itsuki (mais uma obra da qual não temos qualquer informação em inglês). A obra possui três personagens centrais, possui uma arte fofa e usa vários elementos visuais que remetem a uma comédia slice-of-life com inspiração nos trabalhos da Namori. Pouco mais tenho a dizer deste, mas espero que próximos capítulos (e a melhora da minha leitura) me ajudem a esclarecer mais deste mangá.

Depois temos um oneshot de vinte e quatro páginas chamado Tomodachi Apuri de Numachi Doromaru (transcrição literal dos kanas, já que não já página no Mangá Updates nem dele nem do autor). A trama, com traço bastante agradável, gira em torno de uma amizade que surge através de um aplicativo de celular (algo como uma rede social, enfim. . .) e vai ganhando uma intensidade rapidamente. Trabalho bem interessante, com certeza lerei com muita calma (e com todos os dicionários do lado).



Após isto, enfim temos um dos carros-chefe da Yurihime: Yuru Yuri, com dois capítulos que já estão disponíveis no volume 14 da série. O humor da série é tão familiar aos que conhecem a série animada e o material já traduzido que essa é de longe a obra mais fácil de compreender sem tradução.

O destaque vai para o segundo capítulo de Yuru Yuri da edição, onde existem apenas falas na primeira e última página. Todo o resto é focado em uma ação non-sense impagável. Namori é realmente uma das artistas mais talentosas e inventivas do yuri atual.



Saindo da comédia, mas continuando nos mangás mais “poderosos” da Yurihime temos Netsuzou Trap – NTR de Kodama Naoko. Primeira obra até então dessa edição que, não apenas tem informações em inglês como está com os scans em dia! Esse sexto capítulo já está a disposição em inglês há algum tempo, ainda que não tenha ainda saído em volume fechado (isso me levanta o questionamento de como eles escaneiam algo da revista e não logo toda. Enfim. . . ).

Desse mangá nem preciso falar muito. Ele já foi licenciado nos EUA e começará a ser publicado pela Seven Seas em Setembro. Vocês podem conferir as impressões da Se-chan sobre a obra aqui no blog mesmo (http://konoaisetsu.blogspot.com.br/2015/12/noticia-ntr-netsuzou-trap-sera-lancado.html).



Em frente.

CITRUS, OH, CITRUS. O retumbante sucesso dentro do público, Citrus (Saburouta) aparece na sequência desta edição da Yurihime, no que parece ser “o bloco dos mangás sexualmente tensos”. Esse também é um capítulo já disponível na internet, o 17.5. Aliás, um capítulo bastante brincalhão, onde toda a irracionalidade de Yuzu é colocada em primeiro plano. Bastante divertido e interessante, como se espera de Citrus.



Seguindo.

2DK, G-Pen, Mezamashi Tokei, de Oosawa Yayoi está no primeiro capítulo de seu segundo volume nesta edição (igual número do capítulo de NTR) e é um Adult Life que envolve o ofício de fazer mangá no enredo. Não esperava ver um mangá dessa natureza nas páginas da Yurihime, mas comecei a rever minha visão da linha editoral deles depois de folhear essa obra. Ela não possui nada que possa ser qualificado como conteúdo adulto explícito, mas é uma obra bem mais sóbria do que as até então apresentadas. Fiquei bastante feliz com essa amplitude e logo veria um pouco mais disso nas páginas que se seguiria.



Inugami-san to Nekoyama-san da Kuzushiro é uma obra que já ganhou certa fama fora do Japão por ter tido uma série animada em 2015 (episódios de 5 minutos), mas é uma obra que não me chama muito a atenção. Ainda assim a arte é excelente e o estilo 4-koma traz piadas rápidas com personagens de personalidades bastante extremas (como é uma característica da autora). Devo voltar com olhos mais cuidadosos para Inugami x Nekoyama no futuro, para quebrar esse preconceito que tenho com a obra (afinal, estamos falando da Kuzushiro, de LoveXDeath).

Quase todas as séries tem uma página de sumário antes do capítulo.

A seguir temos o segundo mangá me fez dar um surto discreto ao ver ali: Shouka Sou Hi (romanização livre) da Takemiya Jin! Sim, a maravilhosa Takemiya Jin! Uau! Trata-se de um oneshot com um tema complicado (ao que deu a entender, a personagem acaba vendo um antigo amor em uma jovem colegial e isso começa uma situação de envolvimento que não tem resultados simples).


Desculpe ocupar espaço com meus surtos de fangirl, mas não é incrível ter tantas autoras talentosas condensadas em um só lugar?! Essa revista só não é perfeita porque o máximo que tem da Morishima-sensei é uma propaganda da última série que ela lançou por ali.

Enfim, seguindo. . .

A obra seguinte é Kanaete! Yuriyousei da Minamoto Hisanari (autora de Wife and Wife). Um gag-mangá bem maluco com duas criaturinhas que não sei dizer se são anjinhos, ou só espíritos de algo. Parece bem divertido. Vou dar uma espiada com cuidado com tempo.



Após isso, já passando da metade da publicação (revistas japonesas são gigantes ein. Que incrível!) temos uma sessão de cartas dos leitores, fanarts e alguns comentários dos autores presentes nessa revista. Também tem a divulgação de outros trabalhos que possam interessar yurijoshis que não são da revista, além de recomendações da equipe editorial.

E então, mais mangá! E um que me deixou bastante perplexa: Shoujo Shikkaku, de Kawai Rou. Uma obra de mistério, violência, assassinato e sangue. Por ser uma obra com uma trama mais complexa, ficou bem difícil entender o panorama geral do enredo apenas observando um capítulo, mas dá pra imaginar que a Yurihime tenha aberto as portar pra uma obra nesse feitio após o sucesso de Akuma no Riddle e isso é ótimo. A diversidade de estilos está presente na revista e isso só enriquece as opções de leitura dos fãs.



Depois disso temos. . . Ayame 14, de Amano Shuninta. Minha primeira reação ao ver que era esse mangá mesmo foi algo como “What?! Aquele mangá todo fanservice da mina e suas experimentações sexuais adolescentes?! Na Yurihime?!” Pois é. Esse mesmo. Apesar de não ser uma obra que leve à sério, Ayame 14 entretem e tem seu propósito (por favor, o mundo já está cheio demais de ecchi-haters para ficarmos propagando isso de graça, né?). As traduções na internet estão bem desatualizadas, então pelo menos o conteúdo é todo inédito.



Em frente.

12-bun no Etude de Nakahara Tsubaki é um mangá que não possui informações em inglês. Parece bem promissor, com uma tomboy trompetista e um casal mais velho do que as protagonistas no elenco secundário. Deu bastante curiosidade. Talvez agora esteja às vésperas de um primeiro compilado. Isso pode ajudar a trazer mais informações aos fãs ocidentais.



Momoiro Trans de Koruri é outro mangá do qual não há nada de informações em fontes mais conhecidas (como o Mangá Updates, que foi o site que usei como referência). Um traço bem fofo e uma protagonista com todo o estilo visual que já tem se tornado um clichê yuri (cabelo negro comprido, testa visível, óculos grossos. . . Enfim, algo entre Sumika, de Sasameki Koto, passando pela protagonista de Majo to Megane e que respinga até na Kuroko, de Murcielago). Um capítulo sobre resfriado com pano para várias situações complicadas para a protagonista. Vejamos o que vem depois daí.



A obra seguinte é Sumedo Jigoku no Inferno, de Kasuga Sunao. Fiquei bem confusa ao ver um título que remetia ao inferno e um traço super fofo e positivo. Acho que a barreira linguística foi demais nesse caso. Parece haver algo sobrenatural em alguns momentos, mas não ficou muito claro. Infelizmente, não há informações traduzidas da série, então apenas poderei contar com uma leitura detalhada para captar alguma pista do que é de fato esse mangá.



Depois disso temos Prince Prince, de Aoto Hibiki. Pela observada que dei no review da Erika, do Okazu, sobre essa mesma revista, ela parece não ter gostado nada dessa obra, mas particularmente não entendi muito o motivo. Garotas vestidas de garotos e beijos entre as garotas vestidas de garotos é algo que já vi bastante em Renai Idenshi XX, então não foi algo que me incomodou. Por um momento até me perguntei se seria o mesmo autor, por causa dessa pegada, mas não foi o caso. Uma obra escolar, vários personagens e muita confusão amorosa no meio do caminho. Se é ou não promissor, os próximos capítulos talvez esclareçam.



E então chegamos ao último mangá da revista (CARAMBA!) que na verdade já apareceu antes: é Inugami-san to Nekoyama-san. Ele e Yuru Yuri tem dois capítulos na edição, talvez como uma forma de compensar o fato da Yurihime ser bimestral e isso tornar os mangás muito demorados de fechar volume.

Uau! Foi uma longa jornada por vários traços, autores, estilos e temáticas dentro do mundo yuri, não é mesmo? Devo levar tanto tempo tentando ler esses mangás que a próxima edição vai chegar antes disso!

Conclusões


Do ponto de vista técnico, a Yurihime está mais do que aprovada. Talvez seja incômodo ler algo tão grande quanto a revista, mas creio que isso é algo de hábito mesmo. Do ponto de vista de conteúdo, tenho igual satisfação com essa edição. Creio que todas as palavras ditas anteriormente são o bastante para frisar esse ponto.

É ótimo ver que a maioria esmagadora das obras presentes na Yurihime atualmente são de séries (ainda que a maioria seja de curta duração). Há alguns anos os oneshots predominavam e parecia que a revista estava condenada a não emplacar nada que fosse ser durável (o que aliás, parece ter sido o calcanhar de Aquiles de outras publicações yuris de grande qualidade, mas que pela falta de compilados individuais talvez perdesse muito da lucratividade). Ver séries começando, terminando e algumas se estendendo por numerosos volumes é um sinal de saúde para a revista e de alívio para os fãs do yuri.

Gostaria de usar a conclusão deste artigo que estive aguardando tantos meses para escrever para fazer algumas ponderações mais longas. Praticamente tudo o que direito será um ponto de vista pessoal, então sinta-se à vontade para discordar de mim em pontos ou em tudo (Ou simplesmente ignorar, vai saber o tamanho da paciência que você está no momento né).

Quadrinhos são um hobbie caro, então todos precisamos, de uma maneira ou outra, fazer escolhas do que iremos consumir ou não. No último ano venho percebendo que adquirir mangás direto do Japão são a solução que eu precisava para meu consumo de material yuri regular e atualizado. Estou plenamente satisfeita com essa decisão e continuarei comprando as Comic Yurihime por um longo tempo, indefinido até, talvez dando mais passos quando minhas condições permitirem (como, por exemplo, passar a comprar eu mesma, em maior quantidade e diversidade de títulos, sejam de magazines ou compilados).

A importação via uma loja especializada (no meu caso, a Fonomag) é o caminho mais simples para quem quer tomar esse rumo. Não é algo barato, então é preciso muita ponderação no ponto de vista financeiro para seguir algo assim.

Barreiras linguísticas, geográficas ou culturais à parte, ler a Comic Yurihime só reforçou, pra mim, uma ideia que vi pessoas como a autora Takemiya Jin colocando: o yuri é uma linguagem universal. Não importa a parte do planeta que você esteja. A arte em todas as suas formas é capaz de tocar as pessoas, passando por cima de todas as questões

Não entendam esta minha ênfase na importância do material impresso original como uma aversão aos scans. Não sou hipócrita. Vivemos em um país onde a tradução oficial de títulos yuris é ZERO, em um continente onde apenas no país mais rico (os EUA) existem ALGUNS títulos oficiais e que são tão ou mais caros de serem obtidos do que suas versões originais japonesas.

Todos temos que usar scans para conhecer yuri e vai continuar sendo assim enquanto as empresas que são “especializadas” no nicho do mangá continuarem ignorando esse segmento. Eu mesma seguirei observando diariamente as atualizações do Dynasty Reader e Yuri-ism, pois eles são fontes incríveis e que resultam do trabalho dedicado de centenas de fãs (yurijoshis e/ou yuridanshis como eu e vocês). É uma infelicidade que os artistas que tanto aprendemos a admirar através desses meios acabem não tendo qualquer retorno (financeiro mesmo) que tanto merecem da nossa parte. Mas assim será a realidade enquanto não houverem meios, não é mesmo?

Enfim. . . (que discurso longo ein? Desculpem por isso)

Comprar a Yurihime foi ótimo e espero ter conseguido passar um pouco da experiência de ter essa publicação maravilhosa diante de si à vocês, leitores do Kono-ai-Setsu. Se tiverem alguma curiosidade específica sobre a edição, deixem nos comentários que procurarei esclarecer tudo o possível.

Me foi sugerido fazer um vídeo curto, mostrando a revista em tempo real, folheando e essas coisas. Assim que possível farei isto e compartilharei aqui no blog também.

E, já fica minha promessa, trazer outro post desnecessariamente longo como este em março/abril, quando chegar a próxima edição!

Matta ne!


Referências:
Site oficial da Comic Yurihime
Lista do Manga Updates das obras já lançadas na Yurihime
Comic Yurihime 2015/11. ASIN: B013TEMWZY – acervo pessoal

Nota Legal: Todas as imagens utilizadas neste artigo são para fins de divulgação. Os direitos autorais das obras citadas pertecem à Kabushikigaisha Ichijinsha (株式会社一迅社) e seus respectivos autores.

Assine o feed do Yuricast!

Enter your email address:

Delivered by FeedBurner

Translate to your language:

Seguidores

Parceiros

Parceiros | Yuri

Kiyoteru Fansub
Gokigenyou
Moonlight Flowers
S2 Yuri
Yuri Licious
Yuri Private
Yuri Zone

Parceiros | Blogs e Sites

Anikenkai
Chuva de Nanquim
Elfen Lied Brasil
Gyabbo!
Jwave
MangaBa
MangaBa
Mithril
Mundo Mazaki
nbm² - Nobumami
Netoin!
Shoujismo
Você Sabia Anime?

Arquivo do Blog

Popular Post

- Copyright © | Kono - Ai - Setsu | - fonte para yuri, shoujo-ai e girls love desde 2007 -Metrominimalist- Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan -