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Após 3 episódios, será que a adaptação de Me Apaixonei pela Vilã em anime vingou?

Já faz alguns anos desde que Me Apaixonei pela Vilã ficou em 5º lugar na votação no AnimeJapan sobre que obra os fãs gostariam que fosse adaptado em anime, mas finalmente tivemos a oportunidade de ver Rei e Claire serem animadas. Antes mesmo da série ser adaptada para anime, a obra de Inori-sensei foi integralmente lançada no Brasil pela Editora NewPOP. Além disso, já houve confirmação que o mangá (ainda em publicação na Comic YuriHime) será também publicado pela editora brasileira.


E a Crunchyroll está trazendo o anime oficialmente para o Brasil legendado e dublado.


Agora a questão que fica é: Será que a série yuri mais difundida atualmente no Brasil será bem adaptada e chamará ainda mais a atenção do público ou um desastre está para acontecer? Hoje, dia 16 de outubro, foi lançado o terceiro episódio da série. O que é perfeito para fazer uma resenha inicial da série (segundo a regra Madoka Magica de medida analítica).


Primeiro, devo dizer que estava levemente receosa, pois os trailers estavam deixando a mostra que a série não terá um investimento tão grande, dada a animação mais básica. Porém, esse detalhe apenas me chamou a atenção durante o primeiro episódio. Ou nem isso, pois o ritmo frenético da série me entreteu tanto, as vozes perfeitamente encaixadas para os personagens e o carisma dos mesmos foi mais forte do que ficar prestando atenção no que criticar na animação.


Mas espera. Sobre o que é mesmo Me Apaixonei pela Vilã?

Depois de mais um dia de trabalho exaustivo, Rei vai jogar seu jogo favorito de visual novel e quando percebe, vai parar nele. E, apesar do otome game Revolution ser focado em relações héterossexuais com príncipes em um reino cheio de magia, Rei sempre teve como seu amor Claire, a vilã do jogo. Agora, nesse mundo, ela vai fazer de tudo para chamar a atenção da figura vilanesca e fugir das flags para aumentar o relacionamento com os meninos.

O que gostei do primeiro episódio é que logo ele te joga na situação e não tenta explicar muita coisa. Começa uma implicância pra cá, uma declaração de amor prá lá. Claire com pavio curto no meio do episódio já faz uma aposta onde se Rei perdesse para ela, a protagonista teria que sair da escola. E claro, no final das contas tudo dá certo para nossa lésbica surtada favorita.


O temperamento das personagens foi perfeitamente traduzido nas vozes de Yū Serizawa (Rei) e Karin Nanami (Claire), roubam a cena nesse primeiro episódio. Apesar disso, ficou evidente que as outras vozes funcionaram bem. Rod com uma voz bem de príncipe confiante que ele deveria ter, Thane com ar todo contido e Yur com, nossa, A voz perfeita.


O segundo episódio adapta como Rei consegue seu papel de empregada de Claire, já dando os primeiros ares misteriosos que tem para os demais personagens. A protagonista ter mais conhecimento do que uma pessoa comum desse mundo deveria ter é sempre um foco da série, então foi muito interessante ver a reação do pai de Claire há uma frase que Rei diz para ele (ainda mais por ter acabado de reler a segunda novel). Pelo menos por enquanto a protagonista tem todos na sua mão, já que é uma fã do jogo que sabe tudo o que deveria acontecer nele.

Mas as melhores partes desse episódio foram a conversa no banho, quando Lene pede para Claire não chame Rei apenas de plebeia e a vilã responde que "uma plebeia é uma plebeia" (sendo que Lene que a conhece há tanto tempo é uma também), ou na cena no quarto de Claire quando ela pergunta qual era o real objetivo de Rei, já que ela "sabe" que não tem personalidade para ser amada por ninguém.


É por esses momentos que a série é tão boa. Pegando as pequenas coisas que vão crescendo no caminho, cada vez se tornando maiores.


Já no terceiro episódio, vemos uma série de interações das protagonistas com os príncipes. Primeiro, um jogo de xadrez com Rod, onde Rei perde de propósito, mas ele percebe. OU SEJA, mais uma vez ele vai ficar mais interessado na personagem. Após isso, um jogo de pôquer com Yur, que trapaceia para ganhar, mas Rei não fala nada porquê, bem, é um príncipe, não é mesmo? (Obs: Rei shipper de Misha/Yur como todos nós)


Por último Claire interrompe Thane de tocar harpa (o que é péssimo para a afeição dele com relação a ela), então Rei tenta intervir fazendo todos jogarem "O rei manda". Roubando no jogo junto com a Lene, elas decidem fazer Claire e o príncipe terem momentos juntos. Isso deixa a outra empregada com uma pulga atrás da orelha com Rei. Por isso, ela e Misha perguntam para a protagonista sobre seus sentimentos quanto a vilã, já que ela não parece querer ter seus sentimentos correspondidos.


Na novel, esse momento tem um monólogo em pensamento da Rei bem interessante e profundo sobre representação queer no Japão e como ela consegue levar a sexualidade dela fazendo apenas piadas como reflexo. Basicamente, auto-homofobia. Ela não acha que vai ter seus sentimentos correspondidos, então deixa esse limite com piadas e tenta fazer a Claire ficar com o Thane como resultado.


O anime consegue mostrar isso de um jeito bem interessante, com a protagonista falando sobre seus sentimentos e mostrando o quanto ela, apenas de estar decidida a fazer esse papel, não é imune ao que isso provoca, dor. E para completar a cena, Claire defender a Rei das meninas que estavam falando mau dela por ser lésbica. É um dos melhores momentos do início da série, e precisava ser bem adaptado. Ficou impecável.


Por enquanto, a série está seguindo sem problemas. Se continuar neste ritmo, é provável que o anime adapte até o final do arco da Manaria (já sabido que vai ser dublada pela lendária Nana Mizuki). É o ponto perfeito para acabar uma primeira temporada, por envolver diretamente o que acontece neste terceiro episódio. É um ponto de virada para as duas personagens, como se vêem e seu relacionamento.


Mal posso esperar para ver.


Se gostou dessa resenha, comente e compartilhe. Irei provavelmente seguir fazendo comentários sobre a série por aqui.


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[Notícia] Autora de A Tropical Fish Yearns For Snow já prepara novo mangá

O mangá A Tropical Fish Yearns For Snow (Hanigare, ou Nettaigyo wa Yuki ni Kogareru /熱帯魚は雪に焦がれる) mal terminou e a autora já está pronta para dar mais novidade aos fãs. Hagino Makoto falou na edição de Maio da Dengeki Maoh (revista onde o mangá da salamandra era publicado) que já está trabalhando em um novo projeto.


Hanigare terá um total de 9 volumes, o último irá ser publicado em junho. A obra ainda é inédita no Brasil, mas já está sendo lançada na América do Norte pela Viz Media. A Tropical Fish Yearns For Snow conta a história de Konatsu e Koyuki, duas garotas que tem que lidar com sentimentos como solidão e como a amizade entre elas é importante. As duas personagens são muito bem trabalhadas e os personagens secundários são muito carismáticos.


Tentaremos trazer uma resenha sobre a obra ao final da semana.


OBS: "Mangá da Salamandra" é o apelido que a equipe do KaS deu para o mangá.

Fonte:

Anime News Network

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Analisando a Capa Brasileira de Bloom into You

Sim, a novidade na verdade saiu na semana passada.

A Editora Panini colocou em seu site a capa brasileira de Bloom into You (Yagate kimi ni naru). Com um logo exclusivo e o nome americano sem tradução ou menção ao nome original. Me apeguei há alguns detalhes e ficaremos com algumas dúvidas até vermos as próximas capas.

A numeração está no canto superior direito e não se sabe se os outros volumes manterão no mesmo local. Nem se o logo ficará na mesma posição abaixo do centro. Achei a capa bem bonita, com o logo delicado sendo o que chama mais atenção. O nome da autora e a numeração estarem em branco com sombreado os deixa discretos e sem atrapalhar a ilustração.

Não chego a me preocupar tanto com a capa nº 6 (onde a Touko está no palco), pois o logo japonês já fica por cima da cortina. E, apesar da numeração americana ficar boa na capa 6, na do volume 4 acaba ficando bem em cima do pé de Touko.
Verde sinalizando a posição da numeração brasileira. Vermelho sinalizando a posição da numeração Norte-americana. 
Vários países fizeram a posição do logo como a Panini, onde originalmente é a numeração japonesa. Afinal, fica quase inviável de colocar a numeração na posição original, já que o nome romanizado não ficaria bom nas laterais como em japonês.

Vale salientar que como o logo que a editora brasileira fez é bem vertical, pelo menos comparando com a versão americana (a qual terei a física para comparar pessoalmente), ele ficará bem no limite no volume 7, onde Yuu está deitada na cama bem no centro da capa.
A Amazon abriu pré-venda da edição 1 (clique aqui). A mesma está prevista para ser lançada em abril, pelo valor de R$ 29,90. A publicação será bimestral, com capa cartonada e miolo offwhite 66g.

Para capas de YagaKimi de outros países, veja o post no site Lacradores Desintoxicados.

Agora é esperar para ver se tudo vai ficar como o esperado e depois dar uma olhada na tradução.

[Recomendação] Como gostar de um mangá quando se odeia uma das protagonistas? Failed Princesses - Ajiichi

Minha primeira impressão de Failed Princesses (できそこないの姫君たち ou Dekisokonai no Himegimi-tachi) foi pela capa quando foi anunciado na América do Norte pela Editora Seven Seas. Sempre pensei antes de lê-lo que ele seria algo ao estilo Girl Friends, afinal os traços conseguem ser familiares e uma protagonista de cabelo escuro e curto e outra com cabelo comprido e claro é um dos mais recorrentes clichês de Milk Morinaga. Eu só não sabia que eu, lendo minha primeira obra da Ajichi, é que eu teria o desafio de me afeiçoar por uma personagem que inicialmente achei insuportável.


Deixe-me explicar.


O primeiro capítulo capítulo de Failed Princesses começa com Nanaki, uma menina popular e que se veste como uma gyaru (tipo a Yuzu de Citrus) destratando uma garota com estereótipo nerd desarrumada. Mas não é destratar no estilo "ai, que menina estranha", mas sim do tipo que fala na cara da menina pra ela "fazer as sobrancelhas feias". Ou seja, com 3 páginas, eu já achei a personagem uma superficial e mal educada. Ela fica falando que tem que "ser mais fofa que todas" e que "quer ser uma princesa". Foi um desafio chegar ao final do primeiro capítulo, já que ele é focado praticamente só nessa menina.


Apesar de insuportável, ela tem um namorado e um grupo de amigas que são suas seguidoras fiéis. Além disso ela é famosinha no Instagram e já é falada em revistas de moda. Só que na metade do capítulo a garota descobre que seu namorado na verdade já tinha uma namorada antes mesmo deles começarem um relacionamento e que ela era só uma "reserva". Ele termina falando "Você pode até ser bonita, mas quem iria querer namorar uma menina chata como você?".


Ow.... Essa doeu heim? 


A reviravolta começa a acontecer quando ela percebe que a nerd que ela maltratava estava escondida (ela estava no local antes e se escondeu por que, bem, ela é medrosa) e escutou toda a conversa. Nanaki começa a surtar, falando que a menina vai espalhar isso pra todo mundo e se vingar por ela ter sido tão escrota com ela. Mas a outra garota, Kanade, diz que não irá fazer isso e que a culpa era do cara e que "qualquer pessoa iria se sentir triste se a pessoa que ela ama dissesse tantas coisas horríveis para ela". Era exatamente o que Nanaki precisava escutar e a nerd fica lá, com ela, dando suporte.


E assim começa a amizade entre Nanaki e Kanade. Garotas tão diferentes, que tinham tudo para se odiar, mas acabam se dando muito bem.


Apesar de ao longo dos seus mais de 30 capítulos (ainda em andamento) as garotas mudarem e cada vez serem mais próximas, demorou um pouco para eu poder me afeiçoar a Nanaki. A garota muitas vezes impulsiva e meio burrinha começou a me conquistar quando ela começa a defender a Kanade. Seja das meninas de seu ex-grupo, ou do professor maldoso, ou de ciúmes que ela sente mais pra frente.


Já Kanade, é uma garota que tem trauma de infância e não se acha boa o suficiente para ser uma "princesa" e que nunca chegará ao nível de Nanaki, mesmo com a amizade que elas têm. É um pouco conflituoso para mim, já que eu não me incomodava da Kanade ter essa "carinha de nerd", mas ela fez um makeover e ficou fofinha. Essa coisa meio "Diário da Princesa" não é do meu agrado, mas acho que pode ser explorada ainda para a Kanade entender que ela não é menos do que outras pessoas.


Além disso, essa mudança de visual da personagem me lembrou muito Girl Friends e é uma das razões pela qual eu falei no Twitter que Failed Princesses é uma "versão extreme" do mangá de Milk Morinaga. Não só o assunto de maquiagem e roupas é comum aos dois mangás, mas também essa coisa de personagem extrovertida popular se junta com a nerdinha quieta também relaciona as duas obras. Só que as coincidências entre as obras para por aí.

Uma coisa muito boa da obra é como há cenas que são mostradas por mais de um ponto de vista, ou que aparece parte da cena em um momento e depois a obra volta para a mesma cena e mostra outro ponto de vista e continua a cena. É muito interessante o modo que a narrativa é feita e como todas as personagens conseguem um ótimo destaque. Enquanto Girl Friends tem amigas que servem de pequenas conselheiras e alívio cômico, Failed Princesses conta com as personagens secundárias para dar mais profundidade há obra e elas são extremamente importantes. Não tem como ter a obra e vários momentos importantes dela sem essas personagens.


A obra nos joga alguns personagens que juramos que podemos não gostar e nos faz se importar com elas. A protagonista gyaru egoísta que na verdade é uma fiel amiga, a nerd fujoshi que é responsável e amorosa, a extrovertida que quer fazer 1000 amigos, mas que é fofa e sem jeito com quem ela gosta, a garota misteriosa que na verdade é frágil. Failed Princesses nos trás personagens que não são perfeitos, e por isso mesmo é tão bom.


E quem diria que agora eu iria torcer para a menina que eu odiei em 3 páginas, não é mesmo?


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sexta-feira, 12 de março de 2021
Posted by Se-chan

[Notícia] Mangás com clima fofo entre garotas ganham anime

 Há alguns dias fizemos uma postagem mostrando mangás yuris (ou pra quem gosta de meninas sendo fofas juntas) que teriam chance de ganhar anime se fossem bem votados em uma votação (clique aqui para ler a postagem).


E não é que alguns deles já tiveram anuncio?!


Os apressadinhos são "Bocchi the Rock!" e "Slow Loop". Os dois foram apresentados respectivamente por nós como "Garota tímida é guitarrista, quer montar uma banda e encontra uma baterista que quer uma guitarrista na banda dela" e "Um Yurucamp (Laid-Back Camp) de pesca".

Eu não havia lido nenhum deles até então e, depois dos anúncios, fui dar uma olhadinha em "Bocchi the Rock!". Sinceramente? Talvez o mangá não seja pra mim, não sou muito de mangá yonkoma (4 quadros por "cena" - que nem K-ON). Mas o clima parece interessante e devo gostar do anime, já que as personagens pareceram bem carismáticas.


Nenhuma das obras teve data de quando sairá seus animes, mas deve demorar um tempo. Diria entre final do ano e início do ano que vem. Ambos são lançados em variantes da revista Mangá Time Kirara.


Vamos esperar um pouco para ver se mais algum daquela lista será anunciado.


Fontes:

Twitter da Manga Time Kirara falando sobre Bocchi the Rock!

Twitter da Manga Time Kirara falando sobre Slow Loop

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021
Posted by Se-chan

[Recomendação] Whispering You a Love Song - de Takeshima Eku

Olá a todos!

Faz um tempo que não venho trazer uma recomendação de mangá yuri para vocês, né?

Pois então, como vocês devem saber, a Comic Yurihime é o lar da maior parte dos yuris de sucesso recente. E como o yuri não pode parar, o mais novo sucesso (pelo menos aparente) da revista é a obra Whispering You a Love Song (de Takeshima Eku). Além de ter um traço muito interessante, que combina com o tema da obra, o clima geral da trama é bem interessante.
A história começa com Himari, uma menina energética e alegre, entrando no ensino médio. Em sua nova escola, após a cerimônia de abertura, ela foi ver um show de uma banda da escola. Nela, ela "se apaixona pela primeira vez" (como fã) da vocalista e guitarrista da banda. Após a apresentação ela se encontra com essa menina na saída da escola e .. bom... fala para ela que se apaixonou a primeira vista. Só que, o que ela não imaginava é que a vocalista (Yori) ia se "apaixonar a primeira vista" (romanticamente) por ela. Sim, é assim que a confusão começa.
O clima da série é bem leve (até certo ponto).

Os capítulos tem sempre uma evolução legal entre as personagens e o clima entre elas é muito bom. A Yori tentando não surtar na frente de Himari é muito bom, a Himari obviamente gostando da Yori mais do que ela mesma pensa é ÓTIMO.

Dá um pouco de agonia pela falta de noção das palavras que a Himari usa, como "amor" ou de "ter um encontro" com a outra garota. Ela dá sim muita esperança para a outra sem nem perceber. Isso é uma coisa muito palpável e interessante que tem em todos os capítulos. As personagens são bem construídas e no final você sempre quer que tudo dê certo (apesar da falta de noção da Himari). Os desentendimentos (de interpretação do que a outra fala?) são muito bons.

O tema musical é um ótimo pano de fundo e a Yori começar a ter coragem de cantar na frente da Hiamri ou de pensar em realmente se apresentar para um público grande por causa da garota é bem legal. Você sente o que elas estão pensando de um modo bem natural. É um mangá bem vivo e que dá gosto de ler.

Bom, eu sei que ele tem apenas 6 capítulos até agora, mas vale muito a pena!

Quem se interessou, venha depois nos comentários e dê sua opinião!

Ah, e não se esqueça de compartilhar o link do  Kono - ai - Setsu se gostou!

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[Notícia] NewPOP anuncia "My Lesbian Experience With Loneliness"

É isto mesmo!
A Editora NewPOP, a mesma que está lançando este mês o primeiro volume de Citrus no Brasil, acaba de anunciar neste sábado um novo yuri no Brasil: My Lesbian Experience With Loneliness ("Minha lésbica relação com a Solidão", em tradução livre).

O mangá auto-biográfico de Kabi Nagata, fala sobre as dificuldades de uma pessoa com problemas psicológicos e a busca por sentir sentimentos e aflorar a sexualidade. Inicialmente publicado no Pixiv, o mangá foi ganhador do Harvey Award de melhor mangá de 2018, contra nada mais, nada menos do que mangás como My Hero Academia, Tokyo Ghoul e Your Name.
É uma grande felicidade para a equipe do KaS (que tem a versão americana da Seven Seas em sua biblioteca) ver um mangá tão denso e fora do "padrão yuri" ser lançado no Brasil. Mais uma vez a editora NewPOP mostra que está pesquisando muito bem os títulos para serem trazidos ao país e se colocou de vez como a queridinha do público yuri.

Agora é esperar para ver quando que o mangá será lançado.

Fonte:
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[Comentários] Yagate kimi ni Naru 1 e 2: A importância de uma boa fotografia

Após uma longa espera, o anime de Yagate kimi ni naru (Bloom into you no ocidente, também apelidado de YagaKimi) estreou e com ele nossa seção de comentários. Após 2 episódios, pude ver adequadamente as qualidades e falhas da adaptação e aqui estou para expor minha opinião.

A princípio, acho melhor explanar um pouco sobre o que é a série.

Yagate kimi ni naru é um romance com foco no psicológico, com vertente também em conceitos de sexualidade que conta a história de Yuu Koito, uma recém estudante de ensino médio que tem que dar resposta a uma declaração que recebeu na formatura do primeiro grau.

Curiosamente, Yuu sabe que não sente nada pelo garoto qual se declarou a ela, entende conceitos de amor e o que deveria sentir, mas nunca sentiu nada parecido com ninguém. Quando Yuu vai ao conselho estudantil de sua nova escola para um período de teste para ver se gostará e virará oficial do conselho, a garota se depara com uma garota rejeitando uma declaração, falando que "não tem intensão de namorar ninguém, seja esse quem for". Após pedir ajuda a garota, Touko Nanami, beldade do segundo ano e do conselho estudantil, Yuu consegue responder com clareza ao garoto seus sentimentos. Mas a garota tem um novo problema, Nanami se declara, dizendo que elas não eram iguais.

E assim YagaKimi começa.

O mangá é cheio de questões sobre sexualidade, sentimentos e a complexidade das relações entre pessoas. Por isto, a adaptação para animação poderia dar muito certo, ou muito errado visualmente. Fazer uma adaptação ao pé da letra de tudo o que se tem do mangá ficaria bom, mas poderia em alguns momentos não conseguir transparecer o que acontece nas páginas, já que são mídias diferentes.

Admito que após ver o primeiro episódio pela primeira vez, impliquei um pouco com o design de personagens, muito plano, sem tridimensionalidade. Porém, após ver mais 3 vezes (sim..) o episódio e o segundo duas vezes, me acostumei com a arte. Ainda não sou tão fã, mas me acostumei. Por outro lado, a trilha sonora é sutil, com foco em piano e violão e funciona bem. Ela lembra algo como Maria-sama ga Miteru, mas tem uma personalidade própria. Principalmente a abertura e o encerramento.

E que abertura.
Cheia de alegorias, figuratividade e densidade, o visual da abertura é perfeito. Diz tudo sobre a série e  merece uma análise apenas dela.

Falando em figuratividade, é a melhor qualidade dessa animação. Os momentos "aquáticos" onde Yuu não consegue falar com as amigas sobre o menino que se declarou, ou quando ela pensa que
Nanami-senpai já sabe o que é sentir que alguém é especial para ela. É um artifício simples, mas que funciona muito bem e nem era usado na obra original. É surpreendente que este seja o primeiro trabalho como diretor de fotografia de Tomonori Katou. Os detalhes são muito bem cuidados e transmitem muito bem o que os personagens sentem.

O que havia no mangá e foi utilizado visualmente um pouco diferente foi a questão dos brilhos. Na obra original, sempre que mostrava alguém apaixonado (principalmente no primeiro volume), havia brilhos na volta. Já na animação, foi feito questão de ser realizado de modo diferente. Seja com os olhos da Touko brilhando, com o garoto que se declara ou com a amiga do clube de basquete. É muito interessante, fico querendo voltar e voltar a ver todas as cenas, dissecando.

Porém, o que mais gostei foi os momentos onde focaram na Yuu. Quem leu o mangá sabe que Yuu teve um certo impacto pela Nanami-senpai no primeiro capítulo, com ela falando que não ficaria com ninguém. Só que no anime foi tão forte, mostrado de um modo tão interessante, que deixa uma pulga atrás da orelha de que se a Yuu não se apaixonou ali. Foi muito interessante. Todas as cenas onde a Touko aparece no primeiro episódio deixam um impacto forte na Yuu. Todas.

Falando em mudanças, achei muito bom os ângulos em primeira pessoa, em Yuu e Nanami, nesses
dois primeiros episódios. São pequenos detalhes que dão vida e personalidade a uma obra que está sendo adaptada com alta fidelidade.
E o que dizer da cena do primeiro beijo?! Sério, eu fiquei estupefata. É tão bonito, com detalhes maravilhosos e de uma sutileza sem tamanho. Sério que a Yuu acha que não sentiu nada naquele momento?! Sério?! EU TÔ MORTA COM ESSA CENA. (Fim do momento de surto)

Quanto a outros detalhes a serem destacados, posso dizer que gostei muito da dublagem. As vozes combinam e estou estasiada com a voz da Nanami-senpai. É perfeita! Quanto a animação, outro problema é a economia na mesma. Por ser uma obra de claro baixo orçamento, foi focado mais no 3D nas cenas para impactar, mas a animação tenta achar modos econômicos para fazer as cenas, seja com closes, ou outros artifícios.

Para não parecer tudo tão pesado e denso, o vídeo de encerramento funciona muito bem para o outro lado de Bloom into you, onde as personagens tem momentos que apenas se dão bem, sem pensar no que estão sentindo. É animado e as vozes das protagonistas funcionam muito bem na música.

Posso dizer seguramente que para mim a adaptação do mangá que mais gosto nos últimos anos de yuri está sendo quase impecável. Estou curiosa quanto ao que vem por aí e onde afinal a adaptação irá parar.

Podem ter certeza que trarei tudo aqui para mantê-los informados!

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[Opinião] Sobre Trailers de YagaKimi e Primeiras Impressões

Olá gente!

Faz um tempo desde que a Se-chan aqui não posta nada, mas acredito que chegou a hora de surtar como nunca e tirar o atraso com o assunto que me tem mais importância no ano: o anime de Yagate kimi ni naru (Bloom into you).

"Por que mais importante?", você pergunta. YagaKimi é meu mangá favorito há alguns anos e desde o anúncio do anime estou pronta para fazer textões semanais comparando anime e mangá, falar de trilha sonora, dublagem e muitos surtos! Então chegou a hora de colocar mais informações aqui sobre a série e dar minha opinião sobre o que já saiu de informações e imagens.

Primeiramente, devo revisar que os dubladores já foram divulgados:

Nossa protagonista Yuu vai ser dublada por Yūki Takada, que não é a mesma dubladora dos PVs. Minako Kotobuki continua dublando Nanami-senpai e foi divulgado que os dubladores da Sayaka e do Maki (o menininho que gosta de ver a evolução do romance de longe) são Ai Kayano e Taichi Ichikawa.

Para quem não sabe, Yūki Takada é a dubladora da Aoba de New Game, Kotobuki é a mesma dubladora da Mugi de K-ON, tem uma carreira sólida e de ótimos trabalhos. Kayano dubla a protagonista de Amanchu e a Rin de New Game, entre muitos outros sucessos.

Após o primeiro trailer, tivemos ótimas imagens promocionais do anime e a poucas horas tivemos a divulgação do segundo (e provável último) trailer da série. Nela é possível ver um trecho da mais icônica cena do primeiro capítulo, além de escutar parte da abertura do anime ("Kimi ni Furete" interpretada por Riko Azuna).

Eu devo dizer que a primeira imagem promocional não havia me animado (foto a esquerda). Eu fiquei preocupada, o visual delas não parecia bom, de algum modo. Porém, depois de todo esse conteúdo que saiu e os trailers, fiquei muito mais aliviada. Talvez fosse só pela falta de fundo elaborado, ou o ângulo das personagens.

Os trailers mostram apenas o primeiro capítulo, mas tudo o que vi foi empolgante. Apesar de em alguns momentos ficar visível que economizaram na animação (principalmente em closes), a pintura e o design dos personagens ficaram muito interessantes.
Claro, podemos sentir algumas diferenças. As cores são próximas, mas a paleta e tipo de pintura são diferentes do mangá. Yuu parece bem tensa (bom, no primeiro capítulo ela está com um problema um pouco chato), e a música no primeiro trailer nos deixa essa impressão de um de romance juvenil. É perfeito. O clima, a música, o jeito como o trailer nos leva a conhecer a Nanami-senpai, sentindo a reação da Yuu. É muito bem feito.
Já o segundo trailer, começa calmo, mostrando a escola, o clima, e nos leva até o ápice do primeiro capítulo. Após isto, o vídeo tem trechos de conversas entre Nanami e Yuu, além da música de abertura ao fundo. Achei a música muito boa, parece ter um clima interessante para a obra. Fico realmente curiosa de como será o encerramento cantado pelas duas protagonistas.
Eu realmente não tenho como descrever o que senti além de "empolgação" e "ansiosa". O anime irá estrear dia 5 de outubro (sim, está perto!!) e cada vez parece que será melhor. O estúdio Troyca parece estar fazendo um ótimo trabalho.

Como fã da série, se não achar bom, não vou falar bem nas resenhas que irão sair. Mas se eu me empolgar, se preparem, pois vai ser só surto!
Agora é esperar só mais um pouquinho, só mais uns diazinhos, para poder assistir em movimento Yagate kimi ni naru.


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quinta-feira, 20 de setembro de 2018
Posted by Se-chan

Trailer e Informações sobre Anime de YagaKimi

Sim!!

O trailer de Yagate Kimi ni Naru (Bloom into you) saiu mais cedo do que o esperado e estamos pirando.


Também foi confirmado que Minako Kotobuki (dubladora da Mugi de K-ON!) irá dublar novamente Nanami-senpai, como nos PVs do mangá e que Yūki Takada (Aoba de New Game e Elma de Kobayashi-san no Maid Dragon) irá substituir a dubladora original de Yuu, que deu uma pausa na carreira para fins de estudos.

O trailer mostrou uma boa fidelidade ao traço original, além de constar uma trilha sonora que lembra muito de Maria-sama ga Miteru (se não conhece, pode dar uma ouvida no Yuricast 17, onde a utilizamos de fundo).

Agora é só esperar por outubro para ver mais!

Fonte:

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[Notícia] Anunciado anime de Yagate Kimi ni naru! (Ainda a confirmar)

Pois então gente,

Vamos morrer ou não com essa notícia do título?

Suposta capa da Dengeki Daioh.
Sim? Não? Vamos confirmar até sexta-feira no máximo, mas vamos explicar o que anda acontecendo nos últimos tempos com a popular série de mangá.

Yagate kimi ni Naru (Bloom into you na adaptação feita pela Seven Seas na América do Norte) é um mangá yuri, de autoria de Nakatani Nio, onde Koito Yuu é uma garota que nunca amou ninguém e que acha que nunca irá sentir este tipo de coisa. Quando entra no colegial conhece a participante do conselho estudantil Nanami Touko, uma garota perfeita, educada, inteligente e popular. Yuu vê sem querer um garoto se declarando para ela e esta o dispensa dizendo exatamente o que Koito sentia. Porém, Nanami acaba se apaixonando por Yuu e a relação singular de amor e descobertas entre elas começa a surgir.

O mangá já está indo para seu sexto volume no Japão e a muito tempo se especulava que ele seria um dos grandes nomes para ser adaptado para TV. Quando houve este ano uma votação aberta na internet sobre que mangás deveriam ganhar adaptação animada, Yagate kimi ni Naru ficou em terceiro lugar, perdendo apenas para um mangá yaoi que já foi anunciado para anime e uma série de Fate. Então, era esperado que o yuri estaria próximo de ter um anúncio.
Banner que apareceu no site.
No inicio desta semana o site da Dengeki Daioh deixou vazar uma imagem de YagaKimi que não era desenhada pela autora original (que em pouco tempo foi tirada do ar!) e todo mundo estava ansioso para alguma novidade na revista que iria ser lançada dia 27 no Japão, até por que a editora já havia anunciado que a capa seria da série em comemoração aos 3 anos de publicação de Bloom into you. E não é que aparentemente já vazou a capa com anuncio de anime?!

Sim, vamos esperar mais um pouquinho para confirmar a partir dos scans ou um anuncio no site da revista. Mas vamos comemorar!

Por que lá vem um anime de um verdadeiro romance natural entre duas garotas.

Fonte:

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Yuricast 15: Girl Friends (Parte 1) #OPodcastÉDelas2018

Olá a todos!

Cá estamos de volta para começar a falar de um dos temas que é, sem sombra de dúvida, um dos assuntos que mais estávamos ansiosas para trazer ao programa: Girl Friends, o grande título que tanto marcou e ainda marca o mundo do mangá yuri.



Afinal, o que torna Girl Friends tão especial? Falamos aqui um pouco sobre sua autora, a idolatrada Milk Morinaga, falamos do contexto da publicação e adentramos na história, abordando o primeiro volume do compilado americano da série (Ou seja, os 2,5 primeiros volumes).

Um bate-papo levado por Mazaki e Se-chan com bastante descontração (como o usual) e mesmo algumas opiniões opostas (pra ver que nem os clássicos do gênero escapam de discordância). Vamos começar nossa aventura pela jornada romântica de Mari e Akko neste programa.


Download: Yuricast 15:  Girl Friends (Parte 1) #OPodcastÉDelas2018 (127,1MB - 1:24:48)

ASSINE O NOSSO FEED -  http://feeds.feedburner.com/yuricast




Nota importante: Este programa faz parte da campanha #OPodcastÉDelas2018, uma iniciativa no meio do podcasting brasileiro para incentivar a maior participação de mulheres neste meio. O Yuricast já é um reduto de meninas, mas claro que fizemos questão de acrescentar ao número enorme de programas participando da campanha.

Sigam o perfil oficial do #OPodcastÉDelas2018 no Twitter: https://twitter.com/opodcastedelas




sexta-feira, 30 de março de 2018
Posted by Mazaki89

Alguns pensamentos e observações sobre os primeiros episódios de Citrus

Já faz algumas semanas desde o começo da tão esperada exibição do anime de Citrus. Com quatro episódios no ar (podendo ser assistidos inclusive no Crunchyroll BR) acho que já podemos conversar um pouco sobre essa adaptação.

Primeiro gostaria de deixar claro uma coisa: eu não tinha lido quase nada do mangá de Citrus até assistir o episódio mais recente do anime na data de publicação deste post. Claro que conhecia a história e estava um tanto inteirada dos acontecimentos mais gerais devido ao burburinho constante que o mangá gera no fandom. Mesmo tendo o primeiro volume em inglês acabei postergando até o dia anterior a este texto para enfim entrar de verdade na obra da qual nós vamos falar aqui.

Tendo dito isto, vamos começar com uma breve recapitulação do plot de Citrus para que, caso você leitor seja alguém que caiu de paraquedas aqui pensando em conseguir alguma informação sobre esse tal anime yuri do momento para decidir se assiste ou não fique menos perdido com o que vamos comentar.




Yuzu é uma gyaru* que tem que mudar de escola por conta do novo casamento de sua mãe. Para o desespero dela a escola nova além de ser feminina (e daí ela terá que dizer adeus a sua farsa de vida amorosa movimentada) como também é extremamente tradicional. Como se não bastasse isso Yuzu descobre que sua nova irmã graças ao casamento é ninguém menos do que Aihara Mei, a presidente do conselho estudantil e neta do diretor da escola.

*(é um estilo de moda feminina. Existem vários artigos na internet explicando, mas existem alguns bem resumidos para introdução como este do Suki Desu, ou este do Harajuku BR)

Claro que Citrus não faria tanto sucesso se não fosse pela complicação extra que surge da convivência com a misteriosa Mei: Yuzu acaba se apaixonando pela nova irmã e seu jeito impulsivo de agir antes de pensar apenas coloca cada vez mais tensão nessa situação já delicada.

Citrus foi em certo limite um marco dentro da Comic Yurihime, revista na qual é publicado até hoje, por ter sido a primeira obra com plot cerceado pela controvérsia que alcançou grande popularidade dentro do fandom. Depois dele vieram outros mangás "polêmicos" embalados nessa onda, como Netsuzou TRap e recentemente o Tatoe Todokanu Ito da to Shite mo. O fato assombroso de Citrus já estar em seu nono volume de publicação é algo que não pode ser ignorado. 

Para além do óbvio do "caso proibido entre irmãs que não são irmãs" Citrus tem mais a oferecer ao leitor. Personagens complexas, contraditórias e imperfeitas (a essência para uma narrativa verossímil, diga-se de passagem), a capacidade de manter o fôlego da narrativa sem se prender aos passos óbvios em um mangá yuri (tomemos os mangás "cena de sexo e daí The End" da Milk Morinaga como um exemplo). Não é sem motivo que sua ida para os animes era um dos eventos mais aguardados dentro do "mundinho dos lírios"

(Sobre pontos específicos do enredo de Citrus creio que seja melhor falarmos mais disso em outra oportunidade, em forma de texto ou mesmo de Yuricast. Como pincelada vou deixar apenas esta minha observação pessoal:

Já pararam para reparar no quanto a Mei tem em comum com a Himemiya Anthy?)



Falando um pouco sobre quesitos de adaptação para anime podemos conversar um pouco sobre um dos pontos que causou muita polêmica dentro do fandom antes mesmo do lançamento do primeiro episódio: qualidade de animação. O estúdio responsável pela produção é o quase-novato Passione (ficha de trabalhos da empresa, no ANN) e, dentro de todas as limitações orçamentárias que um projeto de anime yuri tem sou da opinião de que, sim, a animação não é a mais bem produzida possível, mas também não prejudica a qualidade da obra.

A qualidade da arte da autora de Citrus, Saburouta, é incrível. Talvez só uma Kyoto Animation ou Mad House poderia colocar tanto empenho em fazer mechas de cabelo tão magníficas em cada quadro para realmente alcançar proximidade com o trabalho da Saburouta. Claro que tudo isso custaria uma infinidade de dinheiro à mais, algo que um anime de nicho do nicho como Citrus dificilmente conseguiria trazer de volta em forma de lucro. 

Não é tão ruim ao ponto de ter vergonha vai. Netsuzou foi bem pior XD


Em termos de dublagem e músicas até então estamos tendo um trabalho excelente. Ayana Taketatsu está fazendo uma Yuzu muito fluída, que transita entre os diversos tons que a personagem usa para se expressar de maneira precisa. A abertura da série, 'Azalea' do grupo nano.RIPE tem uma animação satisfatória e muito bem montada (montagem é tudo quando falamos de aberturas.

Agora vamos falar sobre o ponto central desta miscelânea em forma de post:

Adaptação.

Gostaria começar rebatendo alguns comentários maldosos que vi dentro do fandom sobre duas cenas do primeiro episódio do anime: a revista que Mei dá em Yuzu para pegar o celular, na entrada da escola e o beijo no final do primeiro episódio.

Em ambos os casos o argumento que vi sendo proferido foi a natureza abusiva (isso por si só é uma crítica? Não consigo entender o que as pessoas dizem com  isso, sinceramente) colocada na versão animada deste dois acontecimentos. Infelizmente a explicação mais clara sobre cada um desses momentos não é uma só nem é simplista, então venham comigo desembaraçar um pouco estes pensamentos.

1) Yuzu é uma lésbica enrustida desde o começo?



Yuzu é uma gyaru que fingia ter uma vida amorosa agitada para impressionar suas amigas. Contava histórias sobre ter ficado com o cara tal e afins quando na verdade nunca sequer tinha beijado ou se apaixonado. Quando teve seu primeiro beijo roubado de maneira desleal (na segunda cena que vamos discutir) isso dá início à um movimento confuso dentro dos sentimentos de Yuzu que lhe levam a sentir-se atraída em todos os sentidos por Mei. Isso tudo culmina na sua descoberta de que seus sentimentos são sua primeira paixão.

Yuzu sempre se fizera de hétero pegadora para impressionar as amigas, para ser aceita como parte do grupo delas. Podemos ver ela ainda tentando reproduzir esse comportamento logo que chega no novo colégio e vê o professor (que depois descobre ser um desgraçado) assim como ela tenta ainda reproduzir o mesmo comportamento antigo para fazer novas amigas naquele lugar. É uma questão de busca por aceitação. Podemos ver mais para frente do mangá como essa questão de ser aceita pelas pessoas é algo que pesa muito para ela (quando se confronta com suas amigas e percebe que não seria mais aceita por ter se tornado diferente).

E o que isso tem haver com a cena da Mei passando a mão pela bunda da Yuzu logo na chegada pro seu primeiro dia de aula? Certo, vamos entrar um pouquinho mais fundo e falar sobre como o ponto de vista de uma história influencia o modo como vemos essa história sendo contada.

Ponto de Vista (Point of View - POV, em inglês) é um dos elementos mais importantes em uma narrativa. Não estou falando apenas sobre obras em escrita em primeira ou terceira pessoa (narrador intradiegético, extradiegético e afins),mas falando sobre a maneira como essa escola de ponto de vista influencia no que vemos numa obra. Enxergamos uma história através do olhar de um personagem escolhido pelo narrador (mesmo quando esse narrador escolhe contar tudo pelo seu próprio olhar). 

Um exemplo de conhecimento mais amplo e bem simples é lembrar de como, na saga Harry Potter, o personagem de Severus Snape é descrito como uma pessoa fria, maldosa e vilanesca a todo momento e pensar que isso ocorre porque estamos "vendo" esse personagem pelos olhos do protagonista da história. Em história infanto-juvenis como esta é bem mais fácil identificar estes movimentos, mas esse tipo de influência ocorre tanto em obras mais complexas como também em quadrinhos, cinema e toda a forma de mídia narrativa que se apresente.

(Ficarei devendo boas referências sobre o assunto, mas se encontrar volto aqui e edito este comentário para inserir bons links para ler à respeito do tema)

Em 95% da história de Citrus estamos vendo tudo o que acontece pelo POV da Yuzu. Como argumentei antes, ela sempre foi uma lésbica enrustida, logo, quando uma garota bonita de repente vem passar a mão nela (buscando um celular, lembrem-se disso) ela não consegue evitar em prestar toda a atenção em cada detalhe daquele acontecimento. O instinto que está dormente nela reage ao contato inesperado, fazendo aquele momento ter uma importância muito maior para ela do que seria para outra pessoa. Logo, se estamos observando tudo pelo seu ponto de vista, este momento ganha também um grande destaque dentro da narrativa.

(E sim, tem também a parte do fanservice fazer audiência e audiência fazer grana, não precisam achar que estou sendo inocente quanto a isto. Porém vocês precisam entender que existe uma explicação que torna esse momento algo compreensível dentro da estrutura narrativa como um todo)

Agora, o nosso segundo ponto de discussão. O beijo.

2) Sim, a Mei é uma filha da p..., mas vejam que ela está reproduzindo o comportamento que vê no mundo que conhece. 



Yuzu vê a Mei sendo beijada (à força) pelo professor e isso a deixa muito abalada. Ela tenta usar esse conhecimento como uma arma para provocar Mei (numa necessidade bastante infantil de ver a outra perder a compostura sempre impecável, convenhamos) e como resultado Mei lhe ataca e lhe rouba o primeiro beijo apenas para revidar as provocações (essas duas são umas criançonas. . .). A cena mescla o desespero de Mei em ser atacada daquela maneira com a confusão das reações do seu próprio corpo diante daquele contato. Quando Mei termina seu ataque não há qualquer traço de emoção em sua face. Yuzu por outro lado fica em completo choque, indignada e confusa diante daqueles acontecimentos.

Uma coisa que não temos como saber no começo da história é o fato de que a Mei é uma pessoa que não sabe entender ou lidar com os sentimentos das pessoas. Não. Ela é tão habituada a reprimir suas próprias emoções que consegue chegar ao ponto de agir sem qualquer remorso.

Agora, a parte que realmente é bastante intrigante nisso é a questão de Mei estar, naquele gesto nada elogiável, repetindo o que havia sofrido naquele dia mais cedo quando teve seu primeiro beijo também roubado de maneira nada elogiável pelo professor. Para além de uma criancice, Mei acaba usando aquele momento para colocar-se no mesmo papel de crime do qual havia sido a vítima. Como uma vingança que não soluciona nada (pelo contrário). É um ato imaturo e cruel de alguém que não entende nada de empatia e nem sequer de sentimentos. Uma pessoa tão absurdamente reprimida que só é capaz de agir através da violência quando é confrontada sobre algo que não é capaz de lidar e lhe causa repulsa (o abuso sofrido).

Sim, essa é Aihara Mei. Ela não é só uma filha da p... agindo sem qualquer coerência. Ela é um personagem complexo que, como um bom personagem, possui camadas de incoerência, imaturidade, parcialidade e fragilidade. 



A questão das críticas à essa cena no anime me geram uma dúvida: será que essas pessoas não tinham entendido que a intenção da cena era essa desde a versão original, no mangá? Se entenderam esperavam que o anime amenizasse isso? Ou talvez não tivessem realmente entendido e esperavam algo. . . Diferente. . . Sinceramente não sei o que poderiam esperar.

Da minha parte só posso colocar elogios para a direção da série não ter tido medo de mesclar elementos tão complexos nos momentos necessários, conseguindo transmitir com toda a potencialidade de uma animação os sentimentos que a autora já havia expresso com maestria através do quadrinho.






Enfim. . . Era isso.

Sinceramente escrevi bem mais do que esperaria e poderia ter escrito ainda mais. Espero que possamos continuar debatendo sobre isso na sessão de comentários e, quem sabe, em outros artigos aqui no Kono-ai-Setsu. Este texto me fez lembrar muito quando escrevi a série "Comentários, surtos e teorias sobre Yurikuma Arashi" aqui no blog, um dos trabalhos que até hoje me deixa muito feliz em ter feito.

Para quem quiser dar uma olhada. Gostariam de algo mais próximo desse formato para Citrus?


Até a próxima!


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