Posted by : Se-chan segunda-feira, 5 de novembro de 2007

CENA 11 : CORAÇÃO VERSUS ESPADA




Havia algo de diferente no ar aquela tarde. Mana Tatsumiya, Kaede Nagase e Setsuna Sakurazaki estavam finalmente chegando ao misterioso templo Kurokawa, muito além das fronteiras da cidade de Kyoto. Já faziam mais de cinco dias desde que chegaram ao templo central da associação de Kansai e finalmente iriam encontrar com seus inimigos naquele dia, uma batalha que caminhava para ser bem interessante. Caminhavam até a entrada do lugar em silêncio repassando cada uma mentalmente o objetivo de estarem ali.



“Existe um amuleto muito poderoso chamado Chikarasei.” Havia dito Eishun Konoe às três mulheres quando estavam em sua sala há cinco dias atrás e elas apenas ouviram atentamente como boas servidoras. “O que temos certeza é que há um mago, provavelmente de origem ocidental, que está empenhando-se em conseguir este artefato”.
“Então nosso trabalho é acabar com ele.” Concluiu Mana sem deixar o mago concluir seu discurso. Este apenas sorriu calmamente antes de prosseguir. Um sorriso bem ao estilo que lembrava Konoka na opinião de uma voz que só podia ser ouvida por Setsuna.
“Não exatamente Tatsumiya. O fato é que este mago está se utilizando de ajudantes para caçar o tal amuleto. Por tanto dificilmente vocês o encontrarão durante a perseguição a seus servos.”.
“Deveremos apenas impedi-los, então Mestre?” Perguntou Setsuna com um tom totalmente profissional, como o de um arquiteto falando de sua próxima obra.
“Sim. O poder deste artefato é muito grande e pode ser usado para coisas terríveis se cair em mãos erradas. O que a associação quer é impedir este inimigo ainda oculto de botar suas mãos nesse poder”. Respondeu Eishun sério. “Esse é o dever de vocês nesse serviço senhoritas. Bom trabalho”.
“Coisa besta.” Murmurou Mana torcendo os lábios.



- Parece que são três. – disse Kaede com seu tom sereno comum, porém deixando transparecer uma compenetração grande.
- Isso é bom, fica um pra cada uma de nós. – disse Mana engatando as pistolas que levava nas mãos.
Setsuna nada disse, tentava esvaziar a mente para concentrar-se apenas na batalha que se aproximava, mas alguma coisa em sua mente, sem contar com sua consciência, não lhe fazia esquecer de Konoka. Por que estava tão inquieta? Afinal só haviam se passado cinco dias. Não era tanto tempo assim! Mas... o que estaria acontecendo em sua ausência? O que estaria fazendo Setsuna-P em seu lugar? Havia dado total liberdade para a shikigami se fazer passar por ela na frente dos leigos. Pensando bem, era mesmo uma idéia bem imprudente deixar um shikigami tão estranho como Setsuna-P se passar por ela. Mas... por quê? Sua inquietude era tanta que se perguntava se não seria aquilo algum feitiço de telepatia incompleto que Konoka estaria fazendo para chamá-la. Mas a maga não tinha os poderes tão desenvolvidos para isso. A espadachim sacudiu a cabeça levemente para afugentar esses pensamentos confusos que pareciam ter virado rotina na mente adolescente dela. Respirou fundo e silenciou os pensamentos quando as três mulheres botaram os pés no templo abandonado.
Apesar de desolado, o templo Kurokawa inspirava respeito e uma aura mágica evidente. Setsuna percebeu imediatamente uma fonte poderosa de poder vindo do centro do templo. Devia ser o tal Chikarasei. Kaede segurou melhor seu enorme bumerangue que usava em batalha e franziu minimamente as testa. Mana ergueu os braços. As mercenárias pararam ao se verem de fronte a outras três pessoas que as encaravam paradas, como se as esperassem.
A batalha estava prestes a ter inicio.
O vento soprou durante os segundos em que se fez completo silêncio na cena. As árvores desfolhadas ao redor balançaram-se debilmente:
- É garotas, acho que está na hora do nosso show. – disse Mana observando uma arqueira alta e fina que já segurava seu arco de maneira segura, tinha uma expressão sem emoção.
- Perece que sim, de gozaruna. – concordou Kaede observando um lutador grande e pesado que alongava os braços com os olhos fixos nela.
- ... – Setsuna nada disse. Sua expressão tornou-se um pouco mais de surpresa do que de concentração. Seus olhos fintavam outros olhos que a observavam profundamente por detrás de duas lentes pequenas e arredondadas. Observava o sorriso se formar nos lábios de uma jovem espadachim que carregava duas espadas curtas e rápidas nas mãos. Aquelas eram espadas, óculos e olhos que já encarara outra vez no passado. Um mal pressagio sobre a batalha veio-lhe.
Tsukuyomi por outro lado, sorriu ainda mais abertamente.





A batalha se desenrolava de maneira frenética. As enviadas da Associação de Kansai haviam se separado para enfrentar cada um de seus oponentes. Era possível ouvir sons de explosões e golpes por todo o templo Kurokawa. As poucas partes que ainda preservavam a arquitetura intocada iam se tornando também um monte de pedras e madeira conforme a batalha passava por ali.
Setsuna Sakurazaki desferia golpes potentes contra sua adversária que desviava e contra-atacava com sua técnica de espada dupla de maneira perigosa, por pouco não arrancando algum membro da espadashim. Tsukuyomi sorria insistentemente enquanto avançavam pelos corredores trocando golpes perigosos, parecia estar brincando com a paciência da guarda-costas, mas Setsuna tentava manter-se impassível a provocação constante:
- Rai Mei Ken Duplo! – exclamou Tsukuyomi golpeando usando a eletricidade nas lâminas de suas duas espadas curtas. Setsuna sentiu o impacto mesmo defendendo, indo parar a cinco metros da outra espadachim Shinmei.
Encararam-se por um instante e puderam ouvir uma explosão que parecia ser de um míssil, seguida de um clarão vindo de uma outra parte daquele templo:
- Parece que suas amigas não estão tendo muita facilidade, senpai. – comentou a garota de óculos encarando os olhos de Setsuna com a estranha meiguice que sempre usava para esta.
- Não sabia que agora você se vendia para qualquer bandidinho. – provocou Setsuna mantendo o olhar, apesar de sentir um estranho incomodo.
- É... esse não é mesmo o tipo de serviço que costumo pegar. – concordou Tsukuyomi sem tirar o persistente sorriso do rosto. – Mas não pense que estou me importando com algum deles, ou mesmo com o tal Chikarasei.
- Então por que está aqui? – Setsuna não conseguia ver nenhum outro motivo para a presença da garota.
- Hu... às vezes sua ingenuidade me surpreende, senpai. – riu-se Tsukuyomi e Setsuna pode ouvir um “Será que...” vindo de sua mente antes de ter que esquivar-se de mais um golpe ágil da menor.
Recomeçaram a batalha frenética. Tsukuyomi atacava repetidamente Setsuna que tinha que segurar um de seus braços e defender a outra espada a cada golpe. A espadachim parecia decidida a fecha-lá para que não pudesse mais esquivar-se de seus golpes. Em certo momento golpeou a espada de Setsuna com toda a força:
- O quê...? – Setsuna exclamou sentindo seu braço recuar pela força do golpe. Estava completamente aberta para um golpe. Estava encrencada e não tinha certeza se sairia inteira. Porém, ao invés de perfurar-lhe o ventre desprotegido com sua outra espada, Tsukuyomi colocou a mão atrás do pescoço da veterana e, mais do que inesperadamente, a beijou.
Setsuna não teve reação por um momento. Tentou afasta-se, mas Tsukuyomi segurava-lhe pelo pescoço tentando quase desesperadamente manter o contato com os seus lábios. Depois de alguns segundo a guarda-costas empurrou a menor com força conseguindo separar-se, afastando-se alguns passos, a mão próxima aos lábios, uma expressão de total incredulidade.
Mas o que fora aquilo? “Mas que diabos essa garotas fez!?”. Sim, Setsuna não conseguia entender a atitude de Tsukuyomi. Encarou com espanto e raiva os olhos quase vitoriosos da garota de óculos. Como tinha coragem!? A confusão não lhe deixava associar suas idéias que disparavam. Sentiu que estava corada e com a respiração um pouco descompassada, “Claro! Isso é assédio!!!” esbravejou sua consciência que também parecia abalada com a situação:
- Ela não pode ser sua, senpai. – disse Tsukuyomi e Setsuna despertou imediatamente de seus pensamentos embaralhados.
- O quê...? – não podia estar falando de quem achava que estava.
- Será que você não vê, senpai. – continuou a espadachim que demonstrava agora uma exasperação e até angústia nas palavras. – Ela e você são de mundos diferentes.
- V-você... – Setsuna percebia a cada segundo que a garota falava exatamente de quem imaginava. O espanto e temor cresciam nela: como podia saber qualquer sobre...
- Konoka Ojou-sama nunca vai poder ser sua, senpai. – sentenciou Tsukuyomi e tudo pareceu ficar em silêncio àquelas palavras. O coração de Setsuna apertou terrivelmente: ela sabia. Mas... Como!? Percebeu que não poderia tomar mais uma postura evasiva diante do discurso da garota.
- Em que isso te interessa Tsukuyomi? – perguntou Setsuna decidida a entender o que estava acontecendo ali. A garota sorriu triste.
- Como eu disse: sua ingenuidade me surpreende senpai. – disse. – Será que não é claro agora?
- Tsukuyomi... – a meio-uzoku fitou os olhos escuros que agora refletiam uma mágoa profunda. - ... Eu não...
- Eu não quero que você se machuque, senpai. – disse ela aproximando-se de Setsuna que se encolheu ligeiramente. – Por que não esquece isso antes que seja tarde?
- Mas... – agora sim começava a compreender perfeitamente a situação e não acreditar no absurdo daquilo tudo. Ela não poderia estar querendo dizer que...
- Por que não deixa Mahora e vem comigo de volta para a escola Shinmei, senpai? – pediu Tsukuyomi que parecia perto das lágrimas, estava ruborizada e se aproximava constantemente. Setsuna sentiu-se encostar contra a parede.
- Vocês são totalmente diferentes, senpai. – disse apoiando as mãos na parede pelos lados de sua senpai. Setsuna sentiu o coração disparar novamente, não entendia o porquê de se sentir tão impotente diante das palavras de sua adversária. – Mas nós duas... nós somos iguais. – concluiu antes de tomar novamente os lábios de Setsuna.
A meio-uzoku sentiu-se completamente paralisada diante daquela situação. Então era por isso... tudo, desde a segunda vez em que vira Tsukuyomi... não era apenas uma birra de sua consciência... era verdade. Não conseguia acreditar, mas a verdade era evidente nos beijos cheios de calor que recebia da espadachim.
Mas o pior de tudo era o fato de que Tsukuyomi tinha toda a razão.
Havia uma dor no peito de Setsuna: Konoka nunca seria dela, isso era absolutamente verdade... Então... Por que não desistia de Mahora? Por que não se desligava do que só lhe causaria dor mais cedo ou meia tarde? Será que agüentaria ver Konoka noivar com um mago qualquer indicado pelo conselho das Associações de Kanto e Kansai? Claro que não! Então... por que querer aquela dor? Não havia sentido...
Por um instante Tsukuyomi sentiu Setsuna retribuir-lhe os beijos e sentiu que estava vencendo a batalha: não a batalha de antes, por um amuleto idiota, mas sua grande luta pelo coração de sua senpai que tanto admirava. Chegou a pensar que estava com a vitória nas mãos, mas foi nesse instante que Setsuna a empurrou com uma certa violência fazendo-a recuar quase três metros. Encarou sua senpai ofegante, esta também estava com a respiração desequilibrada. Assustou-se, porém, ao ver uma raiva e determinação que vira apenas e pouquíssimas ocasiões, sempre envolvendo a filha dos Konoe:
- Senpai?
- Mesmo que eu nunca possa ficar com ela... – começou Setsuna encarando sem piscar os olhos por detrás das lentes de Tsukuyomi. – ... Ainda assim... meu dever é proteger Konoka Ojou-sama... mesmo que ela nem saiba que eu existo... – Setsuna tinha que dizer aquilo para que ela mesma voltasse acreditar no seu dever. – É para isso que eu vivo... Eu não vou sair de Mahora.
Tsukuyomi engoliu em seco. A dor de ouvir aquelas palavras não podia ser descrito. Era absurdo, mas não podia aceitar perder daquela maneira. Por que?... Tinha vontade de matar Konoka ou mesmo sua senpai por ser tão idiota. Como podia preferir a patricinha herdeira dos Konoe a uma vida de liberdade para lutar. Tremia por inteiro. Encarou com ferocidade Setsuna. Mesmo que tivesse perdido, não ia desistir daquela batalha tão fácil:
- Então só me resta tentar impedi-lá de uma maneira. – disse colocando-se em posição de luta e Setsuna empunhou Yuunagi novamente. - Vamos ver até quando vai insistir nesse absurdo...
Recomeçaram a batalha. Dessa vez Tsukuyomi parecia muito mais decidida a ferir Setsuna do que antes. Setsuna também mais decidida a parar os golpes rápidos e perigosos da garota, queria acabar com a batalha o mais depressa o possível.
Nenhuma das duas lembrava-se o motivo pelo qual estavam ali. Aquela disputa estava muito mais no campo interior e pessoal delas do que em qualquer missão ou amuleto que fosse. Era uma disputa entre seus corações e suas espadas. Era uma batalha feroz onde não há regras ou limites. Continuaram assim por horas a fio, sem ao menos saber se a disputa real pelo Chikarasei havia terminado ou não, cada uma determinada a provar que estava certa e a outra completamente errada.
Porém só o tempo poderia dizer quem venceria a verdadeira batalha que travavam.



12 Responses so far.

  1. Gabi says:

    nossa esse capítulo ficou muito bom mesmo

    tah tenho q confessar uma coisa... eu adoro a Tsukuyomi *-*

  2. he... eu tambem adoro ela!

  3. Diogo says:

    Eu odeio ela...para mim a Tsukuyomi só atrapalha!

  4. Anônimo says:

    credu..... tsukuyomi eu odeio voce.... ta confuntindo de mas a cabeça da setsuna!!!!

  5. se-chan says:

    num gosto da tsukuyomi tbm.. xD
    mas admito que ela eh uma personagem que poderia ser bastante explorada.. *risada maligna*


    *spoiler*


    finalmente vcs irão ver a MINHA versão da tsukuyomi... *spoiler futuro do partners*


    *fim de spoiler XD*

  6. Samy~* says:

    nhaaa tsukuyomi xD eu gosto dela ><
    e esse cap ta maravilhoso XD como sempre

    \o/

  7. Gabi says:

    Como vcs podem não gostar dela??? Ela é extremamente kawaii (as roupas q ela usa são tão fofas e ela procurando os óculos então nem se fala), luta super bem (Shinmeiryuu com duas espadas \o/) e tem um capote pela Setsuna... não é perfeito? XD

  8. gosto dela pq dificulta a vida da setsuna! eh bom ter um obstaculo divertido d se ve e trabalhar como ela! (*opiniaum de escritora*)

  9. Kaede says:

    Para mim a Tsukuyomi é um personagem que eu desejaria que estivesse morto.

  10. Kaede says:

    Eu não gosto dela...

  11. se-chan says:

    eu tenho duas opiniões...

    como fã kono-setsu, odeio ela por se apossar delas *sempre lembrando da frase "Setsuna-dono, Konoka Ojou-sama, farei vocês duas serem minhas."*

    mas como escritora acho ela um obstaculo no minimo interessante de se trabalhar..

  12. Alekinα says:

    adorei esse capítulo. *-*
    Mazaki, cê arrasou! \o/
    esse foi profundo. XD

    Tsukuyomi é kawaiizuda sim. >_<
    *foge das pedradas*

    mas, se for konosetsu... ela é a antagonista perfeita. 8D
    pelo menos eu acho. ._.

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