Posted by : Lilian Kate Mazaki segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Olá a todos!

Hoje vamos falar de um artista relativamente novo na produção de material shoujo-ai e yuri, mas que com um estilo singular e tramas sensíveis que está tendo um crescente notável dentro do meio. Trata-se de Itou Hachi, também conhecido como Hatishiro, um autor discreto que em quase dois anos saiu dos primeiros doujinshis e agora está trabalhando em duas séries shoujo-ai para revistas distintas. Boa parte desse sucesso oportunizada pelas suas tramas românticas e delicadas sobre “as meninas com orelhas de raposa que podem se casar”.



Seu primeiro doujinshi yuri de destaque foi Gouhou Yuri Fuufu Hon (em inglês conhecido como Legally Married Yuri Couple) e já contra com três oneshots sequenciais. Nele acompanhamos um pouco da vida de Haru, casada à pouco mais de meio ano com uma escritora de romances a qual ela chama apenas de Sensei.



Essa trama acabou sendo a introdução do que se tornou um universo de histórias do autor. Histórias que começam sempre com os mesmos dizeres sucintos:

"Essa história se passa em um país muito, muito distante. Um lugar onde as pessoas possuem orelhas de animais sobre as cabeças e, também, onde os casamentos de pessoas do mesmo sexo são aceitos legalmente."


Haru se vê diante do seu relacionamento de pouca intimidade com Sensei e se questiona se isso seria natural para um casamento arranjado. A jovem dona de casa busca fazer seu melhor e não ficar no caminho de sua esposa, a quem tem uma admiração profunda. Com o tempo, os acontecimentos levam Haru a perceber que ama verdadeiramente a pessoa com quem se casou. Logo, sua mania de inferioridade perante Sensei se torna um obstáculo, mas que é superado com sensibilidade pelo casal e então Haru e Sensei enfim conseguem compreender os sentimentos uma da outra. 

Parte do capítulo 1

Quadro do capítulo 2

(Essa ainda é minha história favorita do Hatishiro, tenho que dizer à vocês.)

Seguindo nos doujinshis temos Shuujuu Yuribon (em inglês Mistress-Servant Yuri Book), uma trama fechada sobre uma jovem senhorita de saúde frágil e Ritsu, sua serva que lhe cuida e nutre um sentimento profundo pela mesma. A história é simples, mas a maneira como o autor desenvolve os sentimentos das personagens é mais uma vez o destaque e isso envolve o leitor de maneira integral. 

Capa do Shuujuu Yuribon

Chiyo-chan no Yomeiri inaugura uma tendência das tramas de Itou Hachi que só vem se consolidando com o passar do tempo: o age gap puro e idealizado.

Para quem não sabe, age gap é o termo utilizado para histórias onde um casal de personagens possui uma grande diferença de idade. No caso de Chiyo-chan e Chi-chan essa diferença é enorme, pois a pequena protagonista tem apenas 11 anos e sua grande amiga tem 26.

Apesar da controvérsia que poderia se gerar pela adoção de um casal com tanta diferença de idade, Hatichiro coloca o romance aqui de uma maneira extremamente idealizada e suave. Existe o sentimento que une as personagens, mas não há insinuações físicas que possam incomodar o leitor (o que é o caso de quase todas as obras nesse estilo do autor).

A história em si é bastante simplesmente e mostra como Chiyo e Chi terminaram com um casamento prometido para quando a pequena atingir a idade mínima legal para casar-se, que é 16 anos.

Capa de Chiyo-chan no Yomeiri

Seguindo nessa linha do age gap, porém com um tanto menos de sutileza está Goshujin-sama to Watashi (Master and Me), uma coleção de pequenas histórias de algumas páginas, além de vários extras mais simples, publicados no pixiv do autor. Não vou me estender nos comentários desta em particular por ser a obra que menos se vê o romantismo aflorado e idealizado das outras obras e também onde o age gap ganha leve conotação mais séria.

Capa de Goshujin-sama to Watashi

Já em Haru ni Furu Yuki também há protagonistas com idades muito diferentes, porém aqui o romance é esquecido em favor de uma relação de proteção por parte da Pesquisadora (essa mania de não dar nomes. . . ) para com a jovem Shiro. Nesse enredo vemos que, no país onde as pessoas possuem orelhas de bichos, quem nasce sem essas orelhas é considerado diferente e normalmente possui habilidades sobrenaturais.

No caso de Shiro essa habilidade é perigosa: ela é capaz de sugar a vida de tudo o que toca com as mãos. Esse poder acabou por tirar a vida de sua irmã mais velha, há alguns anos, e também a conferir-lhe a fama de ser uma criança maldita, pois desde a morte da irmã, toda aquela região foi tomada por um inverno infinito.

A Pesquisadora e busca por Shiro para investigar a natureza de seu poder. Apesar da resistência da mesma à uma aproximação, além da pressão das pessoas da cidade para que não chegue perto da “criança amaldiçoada”, a Pesquisadora percebe que os poderes de Shiro são bem mais complexos do que “tirar a vida” e talvez estejam em uma direção bem distinta. Assim sendo ela convida a pequena para ir morar com ela, na sua cidade, onde poderão utilizar o laboratório para pesquisas.

Essa é uma das tramas com pano de fundo mais complexo até então do autor e termina deixando todo um futuro para ser resolvido. Por ter sido publicada de maneira independente, em forma de doujinshi, apenas o tempo poderá dizer que o autor terá a chance de dar continuidade ao enredo. Segundo suas próprias palavras ao final da obra, a sua vontade é de que isso ocorra de fato.

Capa de Haru ni Furu Yuki

Saindo um pouco do mundo das garotas com orelhas de raposa, mas ainda falando de mundos fantásticos, temos um oneshot publicado na Revista Hirari chamado Kami-sama no Susumori. Uma trama surreal onde um pássaro fêmea (sim, um passarinho bicho mesmo) recebe a dádiva de uma deusa para tornar-se humana e assim poder buscar a humana que no passado lhe salvara a vida. Apesar dos problemas que tem para compreender Chloe, a médica humana que lhe salvara, Neru, a protagonista, consegue realizar seu desejo de estar com sua salvadora.

Primeira página de Kami-sama no Susumori

Fora da fantasia mesmo está outro doujinshi do autor, Haru no Minuet, onde temos uma ambientação escolar. Não surpreende a sensibilidade de mais essa obra, onde um tema delicado como a deficiência entra em foco. Takako é uma menina surda a qual seus colegas ignoram em sala de aula. Nao, por sua vez, não consegue deixar de interessar-se em conhecer mais daquela menina solitária. As duas desenvolvem uma profunda amizade, aprendem uma com a outra e descobrem gostos em comum. O enfrentamento com a realidade do isolamento é tocada bem de leve é superada com positividade. Mesmo sendo um oneshot esse é mais um enredo que fica com toda a cara de que poderia ter muito mais sequências.

Página colorida de Haru no Minuet

Seguindo nas tramas escolares temos o oneshot White Lily and Spring Aster. Essa trama se passa na Academia Renge, uma escola com forte sistema de castas sociais e a desigualdade de tratamento e tarefas entre pessoas de famílias ricas e de famílias assalariadas comuns é enorme. Nesse lugar temos Sayuri, a senhorita refinada e admirada por todos, e Kohaku, uma garota comum.

A trama gira em torno do processo de aproximação de duas pessoas com vidas extremamente distintas e no modo como a superficialidade da esnobe Sayuri vai dando lugar a um senso de igualdade e realidade para a mesma.

Primeira página de White Lily and Spring Aster

Por fim, vamos entrar nas duas obras de Itou Hachi mais recentes, serializadas em antologias de mangá.

A primeira delas é Sayuri-san no Imouto wa Tenshi, que iniciou sua publicação em 2014 na revista Comic Flapper (mesma revista de obras como Candy Boy. Também é a mesma editora da Comic Alive). Aqui temos uma comédia com toques de fantasia, ambientada no japão moderno. Infelizmente, apesar de já possuir três volumes compilados, não temos maiores informações disponíveis em inglês. De qualquer modo, através de alguns capítulos sem tradução podemos perceber que trama possui traços de age gap.

Capa do primeiro compilado de Sayuri-san no Imouto wa Tenshi,

E então chegamos à Tsuki ga Kirei Desu ne, iniciada no final de 2015 na Comic Yurihime 2015/09. Aqui temos a retomada do país fantasioso das orelhas de raposa e casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Aliás, numa sacada inteligente Hatishiro colocou uma auto-referência muito apropriada, logo na segunda página da sua nova obra.

Página dupla colorida, do primeiro capítulo de Tsuki ga Kirei Desu ne  
(Observação de fangirl: notaram a Haru e a Sensei fazendo uma pontinha ali no segundo e terceiro quadro?! Que lindas!!!!)

Aqui temos a história de Chiru e Senri, duas jovem com uma certa diferença de idade (não tão grande quanto em outras obras, mas ainda acentuada) que estão comprometidas para casarem-se assim que Chiru atingir seus 16 anos. Nos dois primeiros capítulos da série temos a retomada de todos os pontos de sentimentalismo idealizado e sensível que se veem nas obras predecessoras do autor. Mesmo no enredo vemos vários detalhes que são inspirados nas obras que citamos anteriormente.

Página do primeiro capítulo de Tsuki ga Kirei Desu ne


Estando serializado na Yurihime o mínimo que teremos para Tsuki ga Kirei Desu ne serão 5 capítulos (o que já é mais do que as outras histórias de garotas com orelhinhas, como a Gouhou Yuri Fuufu Hon), porém não dá pra descartar que a série vá ter pelo menos dois volumes (ou mais, afinal várias obras da Yurihime estão prosperando a esse ponto. Que nos diga Citrus – 4 volumes – e Yuru Yuri – 14 volumes!). O enredo construído tem tudo para se desenvolver sem pressa, com a mesma graça que já se viu nas outras obras do autor.

Entrando em especulações, seria ótimo se o autor desse espaço para fazer referência aos outros casais criados nas obras anteriores, nesse mesmo universo, ou mesmo para casais novos. Levando em conta a maneira que Hatishiro leva sua narrativa, creio que esses mini-arcos não degradariam em nada a série, apenas teriam a acrescentar.
 
Conclusão

Itou Hachi já comprovou inúmeras vezes sua qualidade enquanto artista de mangá, especificamente de mangá yuri, por isso é extremamente gratificante ver suas obras ganhando espaço em revistas de serialização.

Para quem adora romance em sua forma mais sensível, a recomendação desse autor é mais do que instantânea. Dá próxima vez que vocês virem um mangá yuri com meninas em traje de época e orelhas de raposa, se for de Itou Hachi, vocês já saberão que algo muito bom deve estar presente ali.

Falando de modo bem pessoal devo dizer que esse autor (ou autora, afinal não há identificação do gênero dele em nenhum canto) entrou com segurança para o grupo de mangakás pelos quais tenho profunda admiração. Quando o artista chega ao ponto de fazer uma dezena de enredos específicos, todos com qualidade e emoção em destaque, é preciso admitir que ali temos alguém de muito talento para a narrativa e que sabe como tocar o público das suas obras.

Espero que tenham curtido essa ideia de trazer comentários sobre autores e suas obras. É algo que venho querendo fazer há tempos para o blog. Quaisquer sugestões para futuras postagens nesse estilo (como qual autor gostariam de ver sendo comentada) deixem nos nossos comentários ou redes sociais.

Até a próxima!

3 Responses so far.

  1. will_cav says:

    Muito legal a postagem, mais um autor que parece interessante novo pra mim, obrigado por apresentar.

    Infelizmente não manjo tanto assim de mangás yuri pra recomendar nenhum outro autor, mas gostaria de ver mais textos desse tipo.

  2. Muito bacana, parece realmente ter criado um estilo próprio, isso é muito bom. Darei uma olhada nas one-shots e se for bom mesmo vou engolir todo o material kkk

  3. Mari-chan says:

    Muito fofo quero muito ler todos os Mangás desse autor.

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