Posted by : LKMazaki quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Olá a todos! Mais uma quarta chegando com literatura yuri (ou yurista, ou lésbica, ou qualquer outro termo que seja de vosso agrado) chegando aqui no Kono-ai-Setsu. A novidade desta vez é que, pela primeira vez, não estou cá para trazer um fanfiction, mas sim uma obra 100% original.

Já faz bastante tempo que quero trazer conteúdo original para o blog, porém as coisas não cooperavam do meu lado. Confesso que só está sendo possível fazer esta "estréia" graças a um improviso. Minha intenção original era criar algo do zero, pensando no blog, mas a rotina corrida não me permitiu. Portanto, permiti-me usar de um escrito meu já pronto, de mais ou menos dois anos trás, refinado e compactado para ser um breve conto.

Por ser originalmente a introdução de uma longa história coloquei bem claro no título deste conto a palavra prelúdio. Não que isto signifique que a obra está incompleta, mas sim que a trama apresentada irá usufruir do frescor de ser apenas o prelúdio de uma história de romântica que ainda irá se concretizar, fora dos limites impostos pelo formato do conto.

E chega de enrolar com explicações, né. Só espero que este primeiro trabalho original meu aqui no Kono-ai-Setsu possa ser do agrado de vocês, leitores, que são a parte mais importante de toda essa estrutura por detrás deste blog.

Críticas, sugestões, utópicos elogios e sinceros xingamentos são bem vindos no espaço dos comentários. Só peço a todos uma pequena dose de paciência, pois agora nossos comentários são moderados antes de aparecerem na página. Coisa de poucas horas até uma de nós ver e liberar, nada grave.

Boa leitura!



Prelúdio de um recomeço

por Lilian Kate Mazaki


Clarisse estava confusa. Havia acabado de expulsar de sua vida mais um dos já incontáveis homens perfeitos que haviam lhe jurado amor e fidelidade eternas. Sentia-se injusta por ter encontrado tanto desses caras perfeitos nos últimos três anos, desde que se formara dar um fora em cada um deles da maneira mais fria e inesperada o possível.
O que estava errado afinal? Todos haviam sido carinhosos, românticos e quase surreais. Cada um com seu tipo de sexo, mas nenhum havia lhe humilhado ou causado dor. Por que então parecia tão doloroso acordar a cada dia com um deles ao lado na cama?
O problema estava nela, em algum canto que não conseguia mais se recordar onde. Acordava durante a madrugada sentindo um vazio que não sabia dizer de onde vinha, o que causara. O problema devia ser tão profundo que mesmo horas de meditação olhando pela sacada não traziam qualquer pista.
O passado. Ali devia ser a raiz de todo o mal que lhe corria pelos cantos:
― Clarisse, eu tenho novidades pra você. ― disse Ricardo, apoiando-se sobre a borda da ilha de trabalho da jornalista. Era seu vizinho direto da esquerda e fazia questão de não ser esquecido por uma manhã que fosse.
― Espero que seja realmente algo fantástico. ― foi o que conseguiu responder Clarisse, com a voz anasalada.
― Você andou chorando pelo Roberto? Não foi você que disse que tinha que terminar logo? ― estranhou o companheiro de trabalho, franzindo a testa e perdendo o rumo da conversa mais rápido do que a outra esperaria.
― Não chorei por ele. Chorei porque chorei. ― repondeu Clarisse. ― E qual é a novidade?
― Ah, claro. Eu acabei de descobrir quem vai vir transferida pra cá, como fotógrafa da coluna semanal! ― disse Ricardo, com uma felicidade de causar inveja, aparentemente acreditava que havia dito algo que deveria supreender, mas a reação de Clarisse não poderia ser mais oposta.
― Quem? ― perguntou simplesmente, sem entender o que o amigo queria dizer.
― Alex, sua boba! A nossa Alex! ― explicou Ricardo e começou a contar como havia decoberto este grande furo, só que Clarisse não estava mais conseguindo absorver o que ele dizia.
Alex, claro que ela sabia bem quem era. Sua melhor amiga durante toda a faculdade, companheira de festas, viagens, bebedeiras para esquecer aquele cara fascinante que havia se revelado um verdadeiro galinha. A coisa mais próxima do que Clarisse poderia considerar como alma gêmea, pois as duas se entendiam de uma maneira tão perfeita e complementar que bastava um olhar para uma saber como a outra estava se sentindo.
Uma pessoa tão marcante com quem Clarisse perdera o contato logo após a formatura da fotógrafa, pois esta mudou-se para uma cidade promissora do interior do estado, relativamente distante, para estagiar uma grande editora. Tentar relembrar como havia sido a despedida porém trouxe um sentimento doloroso e uma confusão extra para a cabeça da repórter que a surpreendeu.
Vazio. Era o mesmo que sentia durante todos aqueles anos ao lado dos amantes. O que as duas coisas tinham em comum?
― Você nem está me escutando, não é mesmo? ― reclamou Ricardo, finalmente trazendo a outra de volta para a realdade.
― Ah, desculpa. Estou com a cabeça cheia. Sabe, eu demorei até a lembrar da Alex! ― mentiu Clarisse, sorrindo em disfarce. ― Mas que ótimo saber que ela está voltando!
― É, você deve esta mesmo feliz, Clarisse. ― ponderou Ricardo, com um sorriso de lado que fez o estômago de Clarisse se encolher.
― Hã? ― questionou, sentindo uma impaciência se motivo.
― Esquece, vamos trabalhar. ― cortou o repórter científico, voltando para sua ilha de trabalho. Como sempre estavam com um prazo apertado, então a mulher não insistiu no assunto.
O dia e a semana inteira se transcorreu num piscar de olhos. Os problemas sobre namorado pareceram pequenos e ultrapassados para Clarisse, afinal Alex estava voltando! Ainda que não soubesse exatamente o que isso tinha de tão especial para estar fazendo-lhe ir dormir tarde da madrugada, assistindo a velhos seriados da tv a cabo.
Ricardo não mais tocou no assunto antes da sexta-feira, mas Clarisse pode perceber claramente as olhadas de observações de canto que o amigo antigo fazia volta e meia, enquanto a jornalista estava tentando se concentrar nos seus artigos atrasados. Se não o conhecesse bem teria pensando inclusive que estava se interessando nela, mas essa chance já havia sido descartada a muitos anos. No início da faculdade ela havia de fato se apaixonado a primeira vista pelo rapaz mais belo e, naquela época, inteligente da turma do terceiro período, Ricardo Bandeira. Porém suas investidas foram logo vistas como inúteis, quando ele a segredou que, na verdade, estava mais interessado em um calouro de Artes Plásticas.
Já passavam das duas da tarde quando o colega e vizinho de ilha finalmente entrou no assunto:
― Hei, Clarisse. Vamos sair as quatro para rececionar a Alex no aeroporto! ― sugeriu ele com a maior naturalidade, como se tivessem comentado sobre isto durante a semana inteira, ainda que sequer ele tivesse passado qualquer informação sobre a data de chegada da nova colega. Clarisse se viu confusa, tentando apreender o fato tanto que de a amiga estava chegando bem mais cedo do que esperava e que iriam sair da redação mais cedo ainda que o trabalho ainda estivesse atrasado para a quinta da outra semana.
― Claro. ― foi a resposta imediatava da jornalista.
Horas depois, Ricardo estacionou o pequeno carro em uma das disputadas vagas próximas à saída do saguão do aeroporto internacional. Uma multidão de transientes parecia um mar de vida e diversidade, em meio a empresários que somente chegavam de mais uma ponte aérea e turistas de todas as partes do planeta que desenbarcavam para descobrir as maravilhas daquela cidade privilegiada.
Aguardaram próximos à saída do portão de desembarque de letra H, como Ricardo dissera. Pelo visto vinha se comunicando constantemente com a fotógrafa, pois foi revelando detalhes da rotina e da vinda da mulher de volta para a cidade que não dissera antes.
Ou será que Clarisse apenas não havia prestado atenção no que havia lhe sido dito na terça-feira fatídica?
― Hei, Alex! Aqui! ― chamou o homem, sacudindo os braços no ar e Clarisse despertou tentando seguir a direção do olhar do amigo para ver quem poderia estar se proximando cheia de malas.
Após alguma procura finalmente pode ver, por dentre a multidão e malas a figura que ainda guardava fresca na mente.
Os cabelos negros lisos caindo sobre a face e ombros, a pele tão clara quanto delicada e as roupas escuras. Sempre escuras que Alex costumava a trajar mesmo durante o verão escaldante, assim como no gelo do inverno. Trazia um óculos escuros pendurados no colarinho e uma bagagem arrascando logo atrás de si. E foi ao focar em seus olhos negros que Clarisse foi invadida por uma onda de lembranças e sentimentos que a tiraram por completo da realidade por um instante.
Os estudos em conjunto. As fotos carinhosas que tiravam sempre. O ombro amigo que Alex sempre tinha para as crises de choro deseperado e imotivado da outra. Abraços apertados, olhares significativos. Tristeza e ansiedade sem igual invadiram o peito de Clarisse quando suas lembraças avançaram até o ponto fatídico que sozinho esclarecia todos os mistérios dos seus vinte e oito anos de vida.
A tarde onde se despediram, quando Alex passou no apartamento que Clarisse já habitava para pegar uns equipamentos de fotografia que esquecera de empacotar. A jornalista não sabia se havia sido um acidente ou alguma brincadeira do destino para que se vissem mais uma vez, depois da dolorosa despedida regada a muito alcool com o grupo de amigos. Havia um silêncio ainda mais pesado de incomodo entre elas naquela tarde final.
Ainda mais do que qualquer outro momento após uma bela fotografia ou antes de um 'até logo'. O silêncio pesado de duas pessoas que pareciam prestes a deixar que o último raio de luz do sol lhe escapasse por entre os dedos.
Um quase beijo e todas as certezas que tornaram a noite seguinte a mais trágica e solitária da vida da estagiária de redatora. Mesmo depois de quase quatro anos, a lembrança da respiração de Alex sobre a sua bele, tão perto, ainda fazia seus pés quase cederem, em meio ao saguão do aeroporto.
Como havia esquecido por completo de quem era? Talvez pelo mesmo motivo que a fizera ignorar a realidade durante aqueles anos de juventude. Covardia, talvez pura hipocrisia. Fora a pessoa mais eficaz do universo em enganar-se, chegando ao ponto de esquecer por completo de partes de si impossíveis de sufocar. Agora, com tudo à tona, ficavam óbvias as respostas para todas as suas questões.
Quando Alex estava perto o bastante, abraçou Ricardo, que tinha um sorriso imenso e fintou demoradamente o castalho do olhar de Clarisse:
― A quanto tempo, Clarisse.
A mulher teve certeza de que daquele momento em diante sua vida daria tantas voltas que acabaria por lhe levar a algum paraíso, ou inferno, que sequer conseguia imaginar.
― Bem vinda de volta. ― foi o que respondeu.




***

2 Responses so far.

  1. Why so curto??

    Juro que achei a idéia simplesmente incrível. Gosto de shippar, ler raramente umas fics, mas isso é muito mais interessante *ao menos em minha opinião*.

    Espero ver mais, gostei muito.

    Engraçado que Alex foi descrita detalhadamente, enquanto a imagem da protagonista ainda está um tanto vaga.

  2. asdfgh-san says:

    Finalmente tiver tempo para terminar a leitura dessa obra que tem um grande potencial!
    Apesar de gostar de fics, eu prefiro histórias originais, é como se fosse um novo mundo a ser explorado, novos personagens com personalidades diversas... Isso é sempre muito interessante!
    Assim como o amigo disse, tbm espero ver mais, esse prelúdio despertou minha curiosidade x)

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