Posted by : Roberta Caroline domingo, 8 de junho de 2014

Torcendo muito para essas duas ficarem juntas! Se prepare para a volta de comentários intercalados com imagens! Muitas! Tipo, várias, pra caralho!!

Omoi no Kakera é um dos melhores mangás que estou lendo atualmente, e não falo isso apenas na esfera yuri, mas como um todo. É realmente uma satisfação acompanhar cada capítulo com ansiedade para o próximo. Tanto que não costumo falar sobre mangás em andamento, mas dessa vez eu não posso evitar!

Na história acompanhamos Mika Takaoka, uma estudante do ensino médio que sempre teve a certeza de gostar de mulheres. Depois de um encontro com as amigas num distrito gay, ela acaba flagrando um casal de homens discutindo. Ao se aproximar, reconhece que um deles é seu colega de classe Harada. Obviamente ele fica desesperado por ter sido descoberto, mas sabemos que Mika também tem seus segredinhos e ao dizer para ele não se preocupar e revelar que também é gay, eles desenvolvem uma forte amizade. O problema é que Harada é o garoto mais popular da escola, colocando Mika na mira de todas as demais, que interpretam equivocadamente a relação dos dois. A coisa ganha proporções épicas quando a irmã homofobica e ciumenta de Harada, a geniosa Mayu, se intromete entre eles.
O que faz de Omoi no Kakera tão bom é que a autora Takemiya Jin vai construindo lentamente uma teia intricada de relações que vão se entrelaçando pouco a pouco a medida que o enredo avança. O enredo tem essa narrativa múltipla que vai de trás para frente e de frente para trás sem receio de contar eventos fora da linha de tempo, onde as várias as tramas são de construção simples, mas que ao se cruzarem criam uma sensação de universo em expansão que só causa fascínio.

Este costuma ser um grande problema para a maioria dos mangás shoujo-ai/yuri, que por serem curtos, muitas vezes não desenvolvem tão bem os seus personagens. Aqui todos os personagens relevantes (basicamente... todos) têm o seu momento, e mesmo que a principio pareça que tal personagem não vai importar para o andamento da história, Takemiya Jin trata de surpreender trazendo tal personagem para os holofotes. Isto acontece porque ela promove diversas mudanças de perspectivas no decorrer, onde cada personagem tem a chance de ser o narrador da história, evidenciando as coisas do seu próprio ponto de vista. Criando a partir disto, uma visão de mundo (do universo que acontece a história) multifacetada, em que cada um enxerga uma mesma coisa de maneiras bem distintas.

Por exemplo, Mika tem uma amiga mais velha que é sua chefe num Café em que trabalha por meio expediente, a Matsumoto Takako. Ela sempre esteve presente como uma personagem de fundo que serve como uma ligação externa para Mika fora da escola e casa, um personagem para o qual ela contará seus problemas – além do Café ser o point do mangá. Parecia que ficaria só nisso, mas adiante tomamos conhecimento que Matsumoto Takako carrega consigo uma cicatriz no braço e por isso anda sempre com blusas de manga longa. Ela mantém segredo sobre como ganhou a cicatriz, mas logo sua mulher entra em cena e podemos vislumbrar todo o ocorrido. 
Talvez seja por ser um mangá publicado em antologia josei (Rakuen Le Paradis), sendo que com um foco num publico mais maduro, a autora pode tecer uma narrativa mais madura que o habitual.

As resoluções de cada conflito são simples, sem longas voltas e reviravoltas dramáticas. Eu diria que é um drama mais contido, embora a idade, estado emocional e personalidade de cada personagem são levados em contas. Se Mika encara a vida e seus conflitos de uma maneira mais resoluta e sem complicações, Mayu que é um pouco mais nova tende a ser mais explosiva e impaciente, transformando mesmo coisas simples em dramalhões. Tudo com a Mayu é muito intenso, como veremos mais a frente. Mas ai aparece Matsumoto aconselhando Mika, e então podemos perceber que Mika não é tão madura quanto aparenta e pensa ser. Ela ainda tem muito que aprender.
Gosto deste aspecto de Omoino-Kakera, de sua autora não estender conflitos desnecessários regados a mal entendidos – eles até aparecem na história, mas brevemente. O que fica realmente são as contradições dos personagens – que dizem uma coisa, mas agem de uma forma diferente – seus traumas, inexperiências, medos, desejos reprimidos.

Falando assim, talvez eu faça parecer que Omoino-Kakera é mais um Aoi Hana (meu yuri preferido s2), e provavelmente é um pouco disso mesmo. Mas este tem um ritmo de leitura mais relaxante e divertido, com o humor sempre presente e o drama mais contido. A autora consegue balancear estes dois elementos, fazendo com que você consiga terminar cada capítulo se sentindo leve e ansioso, sem deixar de retratar questionamentos típicos do universo gay ou partir para algo muito fantasioso. Sim, há a camada de fantasia. Toda ficção, por mais que queira emular a realidade, sempre terá algum elemento para tornar a narrativa mais atraente do que seria normalmente na vida real. O importante é conseguir fazer com que os personagens e seus conflitos soem humanos e plenamente possíveis.
 
 
 
Em Omoino-Kakera isso obviamente acontece por ser o tipo de tratamento que um enredo exige para os fins que a autora quer alcançar. Uma das características que eu mais gosto neste mangá, é a visão desfragmentada sobre diversas tramas que permeiam a história. Começa no primeiro capítulo abordando a descoberta e primeiras experiências da sexualidade de Mika, que se envolve com uma mulher mais velha e, inexperiente, acaba se desiludindo. Ela passa a ser moldada por essas experiências curtas e passageiras que tem com várias mulheres, tendo dificuldade em se ligar em alguém mais profundamente. Eu sou apaixonada pela Mika e o quão convicta é quanto à sua homossexualidade, sua amizade sincera com Harada e o sue olhar vago e distante, sem esquecer do seu belo conceito visual (ou pelo menos, eu gosto bastante do concept art da personagem). Além disso, o primeiro capítulo se passar num período de tempo tão distante do tempo atual da história, dá mais peso na relação afetuosa dela com o Café e sua dona, uma vez que sempre estiveram presentes na vida dela, que começa no primeiro capítulo com uma paixãozinha pela Matsumoto, que lhe dizia que não se envolveria com garotinhas tão novas.

Já Mayu é uma garota que acha nojento a ideia de suas pessoas do mesmo sexo se relacionando, percebendo depois que sua aversão a homossexuais se dá por ter descoberto que o seu irmão, de quem sempre foi muito próxima, é gay – fato que desperta nela emoções do qual ela não consegue lidar nem compreender. Ao conversar com Mika, Mayu fica impressionada com sua espontaneidade e capacidade de ver coisas nela que nem ela mesma compreende. É quando Mayu começa a se sentir atraída por Mika. Mas isso não é tão simples. Por mais que Mayu fique cada dia mais obcecada e apaixonada, Mika não corresponde seus sentimentos. Ao mesmo tempo, a melhor amiga de Mayu a ama em segredo, sem conseguir se declarar.
 
 
 
 
 

Spoilers a partir daqui.

Como se nota, Omoino-Kakera é uma história sobre relacionamentos. Dã! É o que mais existe na esfera yuri/shoujo-ai, não é? No entanto, é muito bom ver que, por mais que Mika venha futuramente a se relacionar e apaixonar por Mayu, isto não será algo que terá acontecido instantaneamente. Com 2 volumes (ainda em andamento), somente nos últimos 2 capítulos que Mika começou a olhar Mayu com olhos menos indiferentes, e isto ocorreu só após esta se declarar à ela. Assim como não significa que os sentimentos da Mayu são tão profundos assim. Começou como uma atração violenta dela ao entrar em contato com o modo de agir de Mika, que foi se transformando numa paixão ardente que deixa seu coração descompassado. São emoções instáveis e principalmente, emoções novas nunca antes vividas. É algo que abala todas as certezas antes estabelecidas. Ainda mais que o objetivo maior de Mayu é fazer Mika sorrir, ser alguém especial com que ela possa contar e se relacionar afetuosamente. Ou seja, fantasias românticas, que talvez não se concretizem.

É muito bom ver os personagens discutindo sobre estas questões, que já são complicadas naturalmente, se tornando ainda mais complexas quando é com alguém do mesmo gênero. Amor, receios, relações descompromissadas, orientação sexual. Matsumoto diz para Mika algo que concordo muito, que é sobre relacionamentos acontecerem aos poucos, gradualmente. Então, mesmo que a principio o que move Mayu seja ainda muito infantil, e que Mika ainda não sinta nada de muito profundo para com ela, isto não impede que com o tempo e na medida em que forem se conhecendo mais, estes sentimentos se transformarem em algo maior e mais estável.
 
 
 
 
No inicio não gostei muito da transformação subida da Mayu, mas com o passar dos capítulos compreendi que a homofobia dela vem mais do medo e da incompreensão que sentia, amparada com uma visão de mundo que provavelmente lhe foi incutida desde pequena pelo ambiente social, como acontece com muitos de nós. O impacto para quem se descobre mais tarde acaba por ser de negativa e certa aversão, com a pessoa digladiando contra si mesma. Além de Mayu ser bastante direta e não usar meios termos para o que quer dizer, fazendo com que se expresse mal. De qualquer forma, não dá pra chegar a um veredicto ainda, já que a história ainda está acontecendo e também seja possível notar que ela ainda tem reservas acerca da homossexualidade.

Omoino-Kakera está sendo incrível. Doce, reflexivo, apaixonante, narrativamente envolvente. Mesmo com todas essas indecisões dos personagens, é possível notar que se trata de uma visão positiva sobre relacionamentos e amadurecimento, com uma atmosfera shoujo-ai que paira sobre este cenário mundano. 

Sim, é apaixonante!

Tradução: s2 Yuri

3 Responses so far.

  1. Tenho 3 livros do Tolkien pra ler, 4 partes de JoJo e o KaS entupindo minha lista com mais e mais mangás yuri.

    Espero que essas férias rendam bastante pra que eu consiga fazer tudo que pretendo.

  2. Flávio says:

    Usualmente gosto de estilizações oculares menos cartoons, mais voltadas pro real. (Embora inegavelmente haja um charme)
    Você falou tão bem do roteiro. As subtramas... Confesso que fui ganho pela singela xícara de café no post. Não sabe quanto amo flanar um pouco, parar num lugar, e tomar um café contemplando o fluir das pessoas na rua, tais como água, num rio.
    Tal como a descreveu, me passa esse tipo de singeleza. Adoro bons roteiros. Espero poder lê-la um dia. Obrigado!

  3. Como sempre, ótima indicação, Betinha!

    Andei perdido em leituras, esses tempos eu fiquei sem ler muito, o que é praticamente um sinal do fim dos tempos para mim, que costumava ler dois ou mais livros ao mesmo tempo, mangás e afins.
    Darei uma boa conferida, mas já percebi só pelo post que deverei adorar esse mangá!

    E que bom que está mantendo as atualizações aqui, Beta! Continue assim e ganhará jujubas extras no Natal!

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