Posted by : Roberta Caroline domingo, 19 de janeiro de 2014

Dirigido por Shinya Kawamo (Kokoro Connect), alguém que, eu tenho certeza, você não tem o menor interesse em saber sobre, e com o roteiro adaptado por Reiko Yoshida (oh, sim, aquela maravilhosa que trouxe aquelas graciosas criaturas de K-On! à vida), Non Non Biyori é aquele típico anime slice of life que traz quatro ou cinco garotas sendo adoráveis em um cenário onde homens não existem – sim, eles não existem nestes slice of lifes com tendências yurinescas. E é exatamente o caso aqui. O único ser do sexo masculino presente é o irmão de duas personagens, e bem, ele é o que todo ser do sexo masculino neste tipo de obra está destinado a ser: um vegetal (se você assistiu K-On, deve se lembrar que o único garoto com certo destaque na narrativa, era o irmãozinho menor da Ritsu, que me lembre bem, só apareceu uma vez!). E no caso de Non Non Biyori, o autor original parece se divertir com este clichê, tornando seu personagem masculino, Suguru Koshigaya (que nem sequer possui um seiyuu!!!!!!), um ser satirizado por esta característica, se tornando o alivio cômico e centro da história.

O bacana é que percebemos isso claramente, mas a narrativa nunca força essa impressão através de diálogos. Basta apenas que vemos sua presença na história e a perspectiva das personagens, que parecem ignorá-lo completamente, com exceção de uma de suas irmãs (fato que se torna justificável mais tarde – no spoilers).

Eu diria que são estes pequenos detalhes que tornam Non Non Biyori, anime da temporada de outono de 2013, uma série com ligeira personalidade em uma temática já tão genérica. Claro que a série ainda joga bastante seguro, apostando nos ingredientes de sempre, sem alternâncias no decorrer da narrativa, mas o faz bem e de modo agradável. Foi um dos meus animes preferidos daquela temporada e ainda guardo em mim um certo frescor semanal, da certeza que toda semana eu teria um episódio de Non Non Biyori para poder relaxar completamente e poder imergir naquela atmosfera deliciosamente bucólica.  
A história se passa numa aldeia rural de Asahigaoka, a quilômetros de distância da cidade e de qualquer comercio convencional. A população é diminuta e já em idade avançada, em geral. Pra se ter uma ideia, a escola só tem 5 alunos, cada um em uma série diferente, mas ocupando a mesma sala. 4 desses alunos protagonizam a história, que começa com a chegada da aluna transferida, Hotaru Ichijo (Rie Murakawa), que logo faz amizade com a pequena Renge Miyauchi (Kotori Koiwai) e com as irmãs Natsumi (Ayane Sakura) e Komari Koshigaya (Kana Asumi).

O elenco se completa com a professora Kazuho Miyauchi (Kaori Nazuka) irmã mais velha de Renge; o irmão das irmãs Koshigaya; a amiga deles que mora na cidade grande e ocasionalmente faz algumas aparições; e uma tomboy pega-eu que mantém uma doceteria que está sempre as mosca. Ainda há algumas aparições especiais e etc. Bom, como é de se esperar, cada um desses personagens carrega um arquétipo, servindo de muleta para o enredo e humor cômico. Por exemplo, a Hotaru sofre o mesmo complexo da Mio de K-On!, por ser a maior do grupo e ter seios enormes, além de nutrir uma paixão platônica por sua senpai, Komari, que apesar de ser a mais velha do grupo, é fisicamente a menor entre todos e possuidora de uma estética infantil. Plus: é tsundere e fica graciosa quando está brava.

No entanto, tudo isto é bem comedido e tão orgânico, que flui de modo bem natural de acordo com os eventos. O enredo evolui de forma imperceptível, centrando nas inter-relações entre os personagens, com ligeiras e leves pinceladas de conflitos aqui e ali. Aí você me diz que neste tipo de história, não há evolução, e eu vou te dizer que não poderia estar mais enganado. Por menor que seja, há uma evolução intrínseca, seja nos personagens, na dinâmica do grupo, o mundo, sempre há algum tipo de acréscimo evolutivo. Neste aspecto, estes são os meus momentos favoritos em Non Non Biyori – como quando Kaede Kagayama (Rina Sato), a garota tomboy da doceria, se recorda do dia em que foi babá da Renge e do apego imediato que teve à garotinha, que continua numa crescente com o passar dos anos, foi particularmente emocionantemente climático; e o contexto desta memória se dá em um episódio tão climático quanto, com Kaede carregando Renge nas costas, ao subir uma longa montanha para verem o nascer do sol. Neste momento, ela se dá conta o que o tempo passou e Renge cresceu e ganhou peso sem que percebessem, em um momento belíssimo de sobreposição entre memórias e tempo presente, e autoconsciência narrativa.

O que dizer então do episódio em que Renge se sente solitária, uma vez que ela é a menor do grupo, e sem com quem brincar, e acaba encontrando uma nova amiga que estava passando as férias de verão ali?! E como é de se imaginar, depois das duas se tornam amigas, chega o dia em que a garota precisa partir. Francamente, aquilo me deu um nó no meu peito. ;)

É por essas e muito mais, que Non Non Biyori é uma aventura extremamente agradável e aconchegante. Se passar no interior, com personagens tão empáticos, e um cenário interiorano exuberante que faz nascer uma explicável vontade de abdicar da cidade grande e ir morar na roça, além de uma boa escrita e direção, é o que torna este anime uma experiência gratificante. Como comentei no meu texto de Gingitsune, tem horas que tudo o que você quer, é algo relaxante que te propicie momentos de aconchego e quentura no coração.

P.s: O anime é uma adaptação do mangá do autor conhecido como Atto, e tem 12 episódios.
Tamanho maior

Nível de Yuri: ★ ★ ★ ★ ★

Mesmo na relação entre as personagens, não se percebe muito o cheiro de buceta ardente, com exceção da fixação de Hotaru por sua senpai, que nunca sai das fantasias da personagem. Não há aquela insinuação climática, mesmo com uma personagem com tanto potencial como a Kaede e sua amizade com a irmã mais velha de Renge, a Kazuho-sensei. Mas a paixãozinha de Hotaru é tão intensa e maníaca que compensa todo o resto. 
____________________________________________________________________________
SUUUUUPER BÔNUS

Amar é...

Nutrir um sentimento puro como o de Kaede e Renge...

Ter sentimentos devassos e secretos em uma paixão platônica por sua amiga...

Não poder revelar pra ela que na verdade você cheira pepekas...

Se obrigar a comer a comida horrível que ela preparou, só porque foi ela quem preparou.


5 Responses so far.

  1. Leon says:

    Acabei de baixar este anime. E já tô ansioso pra vê-lo depois de passar por aqui. hehehe

  2. The Fool says:

    Sensacional a resenha! xD
    Roberta consegue equilibrar a zoeira sem fim com comentários equilibrados.
    Curti, talvez eu baixe esse lance.
    Tinha aquele anime de basquetebol moe, eu tinha que ver aquilo também, deve ter yuri ou insinuações. x)

  3. The Fool says:

    E sim, amar é tudo! T__T

  4. buor007 says:

    Caraca.. Você distorceu o anime todo '-'

  5. Anônimo says:

    O que significa o título Non Non Biyori, ninguém nunca explica isso

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