Posted by : Roberta Caroline sábado, 3 de agosto de 2013

Lésbicas, bi, ou puramente simpatizantes?

Você já se fez essa pergunta em algum momento? Eu já me fiz diversas vezes. Não agora, mas quando comecei a achar muito bonitinho assistir ou ler duas personagens apaixonadas uma pela outra e meu coração ficava inquietante dentro do peito, batendo descompassadamente. É normal? Gostar de yuri/shoujo-ai  me faz lésbica? Ou é por ser lésbica que eu gosto? Eu me questionava hard, o que fracamente foi pura tolice, mas é o pensamento comum se você está de fora do fandom hardcore de animes mangás related.

O fandom Yuriness é composto basicamente por garotos que nutrem esse fetiche entre duas [ou mais] garotas que se relacionam entre si e garotas lésbicas/bi. Há as variáveis, mas é uma proporção pequena e fragmentada, que vai de transgenders à heteros que não possuem nenhum tipo de fantasia em ver duas mulheres se pegando, mas acha bonitinho e divertido.

Eu cheguei a fazer essa pergunta para algumas amigas, mas elas me responderam que se tratava de uma pergunta muito obvia e riam de mim. No entanto, eram todas gays. A própria garota que me despertou do estado dormente que eu me encontrava desde Sakura Cardcaptors, me apresentando Candy Boy (resenhei ele aqui no blog) e reacendendo a chama em meu peito, se dizia apaixonada por mim. Logo, se tratavam de opiniões muito condicionadas. Precisei percorrer um longo caminho até encontrar minha resposta, que não faz diferença alguma na forma como consumo este tipo de material, mas que saciou meu monstrinho interior. Claro que prefiro mil vezes que minha mãe me encontre consumindo material yaoi do que yuri, eu acho que morreria de vergonha. Eu já fico extremamente avexada quando alguém me flagra com material ecchi ou de conteúdo adulto. Isto é história pra um outro post, mas acontece porque ainda estou muito  enraizada à velhas convenções de gênero imposto por padrões sociais de MENINA NÃO PODE. ~_~

Tanto BL quanto Yuri são originalmente subgênero do shoujo, e portando destinado ao consumo das mulheres. Porém, enquanto o BL permanece como um produto arraigado a um público estritamente feminino, o yuri em meados dos 90 passou também a ter no masculino seu publico alvo. Uma vertente influenciou a outra e muito das características dos shoujo-ai oldschool foi se dissipando. Eu diria que agora o yuri está muito mais próximo do yaoi (estou me referindo a yuri e yaoi em termos gerais de uma relação homossexual entre personagens femininas) em termos de moe. São esparsos (ao menos, o que chegam aqui no ocidente) os materiais que buscam fundamentar a sua narrativa na realidade da vida lésbica. Da mesma forma que yaoi não visa reproduzir uma relação gay como de fato é, o yuri atualmente está mais associado à fantasia de contos de fadas, refletindo o que realmente o publico consumidor quer, afinal, é uma visão que só se sobressai por ter mais procura. Então, não necessariamente uma lésbica irá se identificar ou mesmo gostar dessas histórias, o mesmo acontece com o homem gay; muitos possuem aversão ao yaoi justamente porque seus personagens muitas vezes se parecem e se comportam como garotas. Quem curte, é por estar relacionado ao fandom de animes e mangás related, curtem os bons moe que o Japão tem para nos oferecer, não vai buscar uma história realmente lésbica ou gay (um dos clichês mais básicos do yuri/shoujo-ai é a garota hetero que tem um affair com a outra, mas nunca se viu interessada por nenhuma outra anteriormente ou depois). É uma fantasia escapista como qualquer outro material relacionado a anime e mangá. Nada te impede de consumir apelas porque é bonitinho, moe, adocicado, que fazendo o coração ficar fuwa fuawa. Problema? Nenhum ao meu ver, é só a realidade do mercado, mas seria interessante ver mais tramas que buscam retratar um relacionamento lésbico e suas implicações virem mais à luz.

***


É um assunto muito abrangente, voltarei nele outras vezes, citando obras, autores, etc, traçar um paralelo sobre este assunto pode ser muito divertido. Quando retornei ao KaS, este foi o primeiro assunto que eu queria tratar, mas vários imprevistos ocorreram desde então. Não sei se algum leitor atual se lembra de mim, mas já tive a oportunidade de escrever aqui em meados de 2011. Acabei zarpando fora bem na época do aniversário do blog, o que me deixou triste, pois tínhamos muitos planos, mas a See me puxou de volta pra cá e sou muito grata. No próximo post talvez eu traga jujuba pra vocês, as minhas acabaram enquanto eu digitava isso aqui. Não sobraram nem as verdes limão. 

Créditos da imagem de reprodução no post: My Lesbian Life, Chuunibyou2Koi

10 Responses so far.

  1. Asuna says:

    Betinha, não entendi bem o ponto do texto (e eu li duas vezes xD), me pareceu mais uma comparação com yaoi >.<

    Tu comentou sobre Candy Boy, confesso que tentei assistir mas o incesto presente conseguiu me afastar (além da lerdeza da história) =P

  2. Asuna, o ponto do texto é: ler yuri não te faz lésbica. A comparação com o yaoi foi pra fazer uma ponte: da mesma forma que aquilo ali não representa a realidade dos gays, que é basicamente consumido pelo moe, o yuri também não se distancia dessa sentença. Por isso eu digo no final, se tratar de fantasia escapista, conto de fadas.

    E não se preocupe, a culpa é minha por não ter acrescentado uma linha que resumisse a ideia central do texto. Acrescentei agora algumas palavrinhas. :)

  3. Candy Boy é bonitinho, engraçado que eu acho o incesto dele tão fraquinho XDD

  4. Beta chegou chegando...ou seria voltou voltando? xD

    Abordando tema polêmico pra dar ibope, é?

    Enfim, já fiz uma vez um teste prático dessa teoria. Tenho duas amigas que nunca se veriam como lésbica, inclusive tinham preconceito com os yuris que eu leio exatamente por essa ideia errada.

    Forcei elas a lerem uns 2 ou 3 mangás....e não é que gostaram? até acharam fofinho. E nem por isso se tornaram lésbicas.





    Sobre incesto: Com as coisas que tu lê por aí, Beta, incesto é o de mínimo kkkkk

  5. Saudações


    Não acho que seja verdadeiro tal enfoque que alguns dão sobre o universo yuri e seus fãs. Por isto, concordo com o seu texto, nobre Roberta.

    Bom retorno ao KaS.


    Até mais!

  6. Olha a Beta de volta, e com um bom texto!

    Eu ando meio sem tempo, mas não poderia deixar de vir recebê-la de volta ao KaS!

    Verdade seja dita, meu primeiro comentário aqui, se bem não me engano, foi no seu último post antes de sair do blog, ou um post antes...

    Bem, ao tema tratado, concordo com o que disse em seu texto, ler/assistir material yuri (ou yaoi) não torna nem significa que a pessoa é homossexual, bi ou qualquer coisa, tanto por ser apenas uma obra focada em um determinado público que não é de fato o público gay, como por se tratar de uma mídia de entretenimento e não fomentadora de opiniões (embora a mesma possa ser usada para tal, obviamente). A questão é mais o pensamento estreito de algumas pessoas, que acreditam que a exposição a determinadas situações (no caso, relações homo-afetivas) vai influencia-la a fazer o mesmo. Já ouvi muitas das coisas que você citou, e sei bem como algumas pessoas parecem não entender que há uma diferença entre eu ler/assistir certas coisas, e eu ser algo. É inclusive o mesmo pensamento estreito de certas pessoas que acham que conviver com um homossexual fará de alguém também homossexual (e acredite, há quem pense assim, infelizmente). É algo que ainda demorará (muito) a ser compreendido e aceito...

    Bem, eu gostaria de poder detalhar mais, mas por agora será difícil. Assim que essa fase ruim acabar eu volto, e se o assunto for levantado de novo falo com mais propriedade...

    Seja bem vinda de volta Beta, e espero que aproveite bem essa minha fase, pois assim que eu resolver o que preciso, vou voltar a escrever minhas monografias, duhuhuhu...


    PS: desculpe se o texto estiver meio desorganizado, estou mesmo me espremendo para escrever hoje...

  7. Anônimo says:

    Como consumidor de yuri confesso que comesei a ler manga pelo puro prazer de ver duas mulheres se pegando, mas com o tempo acabei até a abobinar este tipo de meio apelativo de atenção, pois nada me realiza mais do que um bom romance (não precisa nem ter sexo0, um daqueles que você le, reele, sonha com a historia e acorda lendo de novo.
    Porem como não sou mulher não tenho como dar opinião sobre o foto de ser ou não ser gay as mulheres que se enteresam por esse genero ( e tambem não tem a minima diferença), mas quanto ao genero yaoi confesseso que não me agrada, por dois motivo, primeiro, como voce comento, os homens parecem mulheres maçossenciveis, e segundo por sentir um pouco de mojo de sertos aspectos.
    Mas pessoa é pessoa, o que importa é a opinião pessoal de cada uma sobre o assunto (e a minha atual é que eu acho um relacionamento Yuri muito mais bonito que um hetero).

  8. Hey Fellipe :) Obrigada ainda assim, mesmo estando apertado, pelas boas vindas! E não se preocupe, deu pra entender muito bem o que quis dizer.

  9. Anônimo says:

    ooi Meninas sou Alexandra, tenho 18 anos, cabelos castanhos, altura 1,68, sou parda, e quero um amor ><' adc aê se estiver interessada em uma amizade ou algo mais sério *-*: alexandranogueiraa@hotmail.com

  10. Ruffies says:

    Beta, só uma pergunta por título de curiosidade: Você é lésbica, hétero ou livre?

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