Posted by : Roberta Caroline domingo, 1 de abril de 2012



Dar uma definição exata para Strawberry Shake Sweet, talvez seja limita-lo um pouco, mas o mais justo aqui seria chamarmos de comédia romântica nonsense. É bem nos moldes de Kaichou wa Maid-Sama (lançado no Brasil, pela Panini), repleto de romantismo e situações hilariantes. O romantismo é daquele bem shoujo-ai; gostoso e ao mesmo tempo, enervante. Gostoso porque não tem pressa em desenvolver a relação afetiva entre as duas garotas, enervante porque demora pra rolar algo mais intimo, com mais pegada (nesse caso, um beijo, um amasso) e pior, às vezes nem rola (!!).

Strawberry Shake Sweet é um mangá shoujo-ai, da mangaká Shizuru Hayashiya, que foi serializado durante longos anos (de 2003 a 2008), primeiro na revista Yuri Shimai (da editora Sun Magazine), e depois na revista Comic Yuri Hime (da editora Ichijinsha), logo após a antologia anterior ser descontinuada.  Ao todo são 2 volumes, o que se justifica por causa da periodicidade da revista Comic Yuri Hime, que no caso é trimestral. O que é bem normal se tratando de antologias yuris, que fazem parte de um mercado pequeno. Mas a troca de revista, pouco afetou o conteúdo do mangá, o mais visível que se nota é a troca de titulo, onde na Yuri Shimai, era apenas chamado de Strawberry Shake, e claro, o traço acaba sofrendo uma sutil alteração. Strawberry Shake Sweet que nasceu com a ideia de ser apenas um one-shote, teve com justiça seu potencial expandido e depois de 5 capítulos serializados na Yuri Shimai, teve seu valor reconhecido ao ser resgatado para uma nova antologia. E posso dizer com toda verdade: QUE BOM!!!

Julia-chan, agora é o "lobo", indo à caça

Aqui, novamente vamos embarcar no universo das idols japonesas (já abordado aqui no KaS, nesse post), sempre retratado de uma forma extremamente caricata nos mangás yuris (aqui, estou falando da demografia e não do conteúdo). Então, novamente embarcamos nesse universo caricato, acompanhando Julia Tachibana, que trabalha para agencia Shanghai Talent Limited. A história faz uso daquele esqueminha presente em 99% das histórias yuris em geral, onde garota conhece garota e rola uma paixão ardente. No caso, a Julia é obrigada pelo dono da agencia, a cuidar e treinar uma nova promessa; Asakawa Ran. Uma garota com sangue japonês, mas aparência americana, devido ao envolvimento de sua mãe japonesa, com um americano. Além da aparência, o que mais se destaca em “Ran Ran”, é sua altura, tanto que ela mais parece uma jogadora de basquete. Enquanto isso, Julia é pequenina e isso gera não apenas um contraste excelente, como também situações hilariantes, com essa relação de Senpai e Kouhai.

Clichê, não é? Mas é exatamente essa a intenção. Strawberry Shake é um mangá que brinca com todos os clichês presentes nas histórias de shoujo-ai, ao ponto de as personagens quebrarem a quarta parede a todo o instante. Se você é um fã da Milk Morinaga, sem dúvidas a mais conhecida autora de mangás yuris aqui no ocidente, com certeza vai notar diversas situações de puro escracho e zoação. Só faltou mesmo, se passar em um ambiente escolar. Outro mangá do gênero, que parodia o gênero com certa destreza, é Maria Holic, mas Strawberry Shake Sweet tem um charme a mais, que é o romantismo.

Julia-chan quer por que quer, ser a Seme da relação, mesmo que não tenha condições para tal, rs

Inicialmente, Julia assume um papel de confronto com Ran Ran. Julia que era tida como o maior nome da agencia, vê seu reinado ameaçado com a chegada desse novo talento. É divertido ver a ofensiva de Julia para cima de Ran Ran, enquanto essa, super ingênua e aérea, a admira do fundo de seu coração, não percebendo as intenções de sua sempai. Mas Julia, rapidamente se apaixona e cai de amores por Ran Ran, que continua em sem próprio universo (LOL), continuando não a perceber as reais intenções da sua sempai. Esse é um legitimo romance entre uma cabeça de vento e uma idiota (!!). O mais gozado aqui é ver Julia assumindo um papel de Seme (ativo da relação) que não lhe pertence. É ela que primeiramente nota-se apaixonada pela Ran Ran, e desde então elabora diversos planos “infalíveis” para ficar próxima de sua kouhai, e claro, tudo acaba fracassando sempre. E pra piorar, ela ainda não pode contar com o apoio de sua agente pessoal, Ryoko Saeki, que abomina esse tipo de relação entre mulheres. Boa parte do mangá, o que vemos é isso, Julia em modo pervertido LEVEL 5, tentando de tudo pra conquistar e ficar perto de Ran Ran.

Strawberry Shake Sweet é um manga hiper divertido, que me fez dar altas gargalhadas e relê-lo algumas vezes (algo que não costumo fazer). É tudo deliciosamente obvio e eles brincam com isso a todo instante. Tanto Júlia, quanto Ran Ran, são super lerdas e mesmo quando uma declara o amor, pra outra, a coisa não acontece, não anda. E é divertido, putz! Sensacional. Confesso que a primeira vez, eu rangi os dentes, pois ainda não havia pegado qual era o POV do mangá, mas depois que tudo fica claro, é difícil não resistir. Eles pegam vários clichês e tabus do shoujo-ai, e se divertem com isso, quase, quase um Gitama. Quando Julia e Ran Ran, finalmente ficam juntas, numa sequência alucinante e de puro nervosismo, a relação ainda fica estagnada, porque a Uke da relação (no caso, a Ran Ran) ainda não pegou o jeito certo, e então as duas ficam apenas de mãos dadas e olhando uma para a cara da outra na cama (!!!).

O universo em que a história acontece, é quase que completamente feminino. O editor, é uma figura para lá de caricata e que não representa nenhum perigo para o “Conto de Fadas Yuri”, e o único personagem masculino que realmente apresenta uma ameaça, quando se declara para Júlia, é completamente avacalhado pela autora. Coitado. Só lendo pra saber. O ponto alto de Strawberry Shake, que são os personagens, também é o pior defeito. Eles são tão bons, que dá pena vê-los tão subaproveitados. A própria história, pega um ritmo rápido demais a partir de determinado capítulo e acaba decepcionando um pouquinho. Havia histórias que poderiam ser mais bem exploradas ali, rendendo ao mangá uns 3 ou 4 volumes, mas muitas coisas acabam sendo deixadas de lado e a história principal tendo um desfecho assustadoramente apressado, gerando um certo anticlímax.

Não importa o que a Saeki faça, não dá pra conter o apetite sexual de Julia-chan, rs! Morro de rir da Saeki

Ryoko Saeki foi de longe, a minha personagem preferida na história. Sua aversão a garotas se relacionando, sua preocupação, como agente de Julia e Ran Ran e a paixão platônica a qual sua amiga de longa data, Kaoru Shinjo, sente por ela, tornaram-na extremamente interessante. Suas caras, bocas e pensamentos, são impagáveis e as tentativas de Kaoru de dar uns “pegas” nela, são insanas. Acredito que ela merecia um arco próprio, com sua história sendo desenvolvida. Durante o mangá, é introduzido um grupo de lésbicas, a banda Zlay, que é uma parodia de uma banda real, a “Glay”, que acabam sendo bem secundarias, mas nesse caso, sem grande prejuízo. Apesar de que poderiam ter rendido mais. Mas certamente, é o desenvolvimento de Ran Ran, que mais decepciona, uma vez que ela é o grande “Deus Ex-Machina” da história, quando o clímax acontece. Mas Shizuru Hayashiya, resolve pular uma parte essencial, provavelmente pela história ter que terminar com 2 volumes e as situações acabam soando um pouco forçadas.

Mas se Strawberry Shake Sweet falha no quesito drama, consegue ser agradável e convincente com o seu romance, repletos de ternura e um pouco de tensão em algumas páginas. A brincadeira em torno do beijo foi sensacional, uma vez que beijos é o grande dilema dos mangás shoujo-ai. E claro, a comédia nonsense é o motor aqui e que faz a história andar deliciosamente. Vários tipos de piadinhas (como a dos lírios, que é yuri, e das rosas, que é yaoi), trocadilhos, referências e aquele tipo de humor gag que muitas vezes só é engraçado para o japonês, por envolver um contexto que não nos é familiar. Esse mangá é repleto disso, de várias piadas e trocadilhos, que acabam se perdendo na tradução.

Destaco novamente, a brincadeira em torno dos clichês. Cada personagem é basicamente um arquétipo das histórias shoujo-ai, que vemos sempre por ai. A Julia é a sempai, sempre cool. Veterana e conquistadora, mas—OH WAIT, Shizuru Hayashiya zoa completamente com ela, a deixando como uma garota desastrada e completamente pervertida (as piadinhas em torno das perseguições da Julia à Ran Ran são sensacionais; “Quer dizer que você é uma perseguidora?”), sempre rompendo em hemorragias nasais quando fica fantasiando ou é abraçada por Ran Ran. Enquanto isso, Ran Ran é construída como a típica “donzela” yuri; aquele lírio puro, branquinho, imaculado e ingênuo, mas é completamente destruída no processo. Começando pelo seu character designer, que é completamente inverso ao que intendemos como garotas Uke. Ela é altona, alheia a tudo que se passa ao seu redor e não percebe as aleatoriedades de Julia, sempre soltando fluidos (HOHOHO) por tudo que é orifício por causa dela. Em meio aquele universo de contos de fadas, com todas as personagens sendo lésbicas, encontra-se Ryoko Saeki, completamente frustrada e revoltada com aquilo tudo.


Strawberry Shake Sweet é uma comédia shoujo-ai, repleta de humor pastelão e romance, que merece ser apreciado. Principalmente, por ser um dos mais populares (como se mostrou aqui numa enquete realizada, sobre os 100 mangás yuris mais pops até o ano de 2010). A arte é excelente e foge completamente do senso de realidade e adequada a cada situação presenciada no mangá. Shizuru Hayashiya coloca aqui uma arte bem limpa, agradável e com uma escrita excelente. Você lê o primeiro volume e instantaneamente, quer devorar o resto. Os layouts tem um fluxo de leitura excelente, com uma ótima disposição para cada quadro. O problema é a presença em diversas páginas do formato yonkoma. Como eu não sabia, quando peguei pra ler, eu fiquei bastante confusa. Mas não é nada que atrapalhe o ritmo de leitura, só causa um pouco de estranheza inicialmente, já que se trata de um mangá convencional. O timing da Shizuru Hayashiya para o humor é excelente, seja nas reações estabanadas de Júlia quando está perto de Ran Ran, ou no excelente tom sarcástico de Saeki.

Hayashiya consegue captar de forma incrível cada expressão dos personagens, seja a inexpressividade, fraqueza emocional, delírios yuri, tudo leva ao riso frouxo. A paródia em torno do grupo Zlay, uma banda de visual key, formada por garotas excêntricas e lésbicas, são sensacionais, por ficarem a todo o momento cutucando o leitor yurifag (“Mulher que é bão, eu quero é mulher com mulher”) e abusando dos clichês (jamais me esquecerei, de uma delas dizendo: “Eu já fui vítima de dois perseguidores. Um homem e uma mulher. O homem, eu espanquei e depois chamei a policia. A mulher, eu levei pro meu apartamento e fizemos amor”). Se ainda não conhece Strawberry Shake Sweet, esse é o momento. 


Autora: Shizuru Hayashiya
Volumes: 02
Gênero: Comédia/ Romance/ Parodia
Demografia: Shoujo-ai
Ano: 2003/2008
Onde Encontrar: Aino Scalantion



9 Responses so far.

  1. ahhh, tava só esperando aparecer isso aqui pelo KaS

    Strawberry Shake Sweet é ótimo *0*

    Mesmo com seus defeitos, não tem como não rir bastante e em alguns momentos achar fofinho.

    E os papeis de seme/uke embaralhados é legal demais.

  2. Sim, poderia ser muito melhor, mas soube ser bom na medida certa. E é um dos poucos que me fez gargalhar alto.
    =)

  3. Sinceramente, encontrei essa série por acaso. Estava procurando umas imagens de Candy Boy, e tinha umas da Saeki junto das de Kanade, provavelmente por causa do cabelo e dos óculos, que estão parecidos em algumas cenas. Mas como tinha o nome da série e da personagem, eu procurei, comecei a ler e adorei! Desde as tiradas da Saeki até as várias investidas da Julia e a Ran, com seu jeito desligado, tudo me divertiu muito, e eu nem sou muito fã de comédia. Gostei bastante da Saeki e seus surtos com as tentativas de Julia, principalmente quando se pensa no fato de ter sido ela quem fez a menina perceber o que sentia...

    Lindo esse post, Roberta, Parabéns.


    Mas me diz uma coisa: Eu não fui o único que percebeu a referência a FLCL na cena em que Julia decide investir em Ran, né?(adoro aquele mergulho...)

  4. And-chan says:

    eu amo, é o meu favorito ever! inclusive traduzi e editei o ultimo cap all by myself quando tava no #Aino *maniac* isso mesmo, eu, haha 8D

  5. @Fellipe "Kajelani"

    Realmente a Saeki tem um char que lembra Kanade, principalmente em muitas imagens promocionais por ai =)

    Obrigada.

    @And-chan
    HAHAHAHAHA puro inception, isso. Fica o obrigada por ter ajudado a traduzir essa preciosidade. =)

  6. Anônimo says:

    esse mangá é excelente, pena que é curto, eu dei altas gargalhadas kkkkkkkkk amoooo a Julia-chan *---* com certeza é um dos meus preferidos, adorei a resenha ;D

  7. loby11 says:

    Esse título é muito alegria de viver, adoro demais, tá no meu top 3 dos melhores yuri (na minha opinião), e acho que não sai dessa minha lista tão cedo. =P
    Uma das principais razões por ter me empolgado tanto com ele, foi justamente o fato de não se passar numa escola, pq os yuri que via no site eram mais ou menos na mesma situação, aí já fiquei curiosa, depois o humor nonsense pastelão, e o traço lindo... Se fosse possível virar fã de um autor apenas por causa de uma obra, eu seria a fã número um da Shizuru Hayashiya.
    Acho que como a maioria, gostaria que tivesse mais volumes, ganhasse animes, OVAS, dramas Cds, prêmios, live actions; pra mim, merece muuuuuuito reconhecimento

    Uma das histórias que gostaria que tivesse mais desenvolvimento é a da Sera e da Rena, e seria legal um doujin sobre a primeira vez da Julia e Ran (xD)
    Pena que teve que fechar com apenas 02 volumes =/ Quem sabe um dia dê a louca na autora e ela faça um SSS extra (sonhar é bom)
    Gostei da postagem

  8. Anônimo says:

    Eu queria saber onde ler esse manga online em portugues pois quando vou procurar no google so aparece legendado

  9. Anônimo says:

    Aonde eu posso ler esse mangá, eu não achei em nenhum lugar!?

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