Posted by : Roberta Caroline domingo, 12 de fevereiro de 2012


Hoje comentarei sobre um dos meus mangás favoritos, não apenas no universo yuri, mas englobando todos. Sem dúvidas, um dos melhores projetos que o lililicious já fez. Eu havia pensando em dar um tempo nos comentários sobre as séries clássicas aqui, mas Pietà faz um contraponto tão bacana com Claudine...! (que comentei aqui, semana passada), que eu não pude deixar passar essa oportunidade.

Sabe aquele tipo de história que te pega desprevenido? Então, Pietà é exatamente assim, afinal, já em sua concepção, apresenta uma sinopse tão rasa e clichê:

Pietà aborda a história de duas estudantes que acabam se tornando amigas, Rio Sakaki e Sahoko Higa, as duas se envolvem e acabam se apaixonando – E assim, enfrentando juntas os traumas que ambas possuem.



A sinopse é bem básica e serve pra situar o provável leitor na estrutura em que Pietà se desenvolve. Mas isso é muito pouco diante da obra de Nanae Haruno. Esse mangá é uma sensível abordagem não apenas fala sobre a homossexualidade, mas principalmente superação, afeto e companheirismo. Inicialmente achei que fosse ser somente uma série feita pra explorar velhos arquétipos em favor do romance yuri e assim, fazer o público alvo dessa história suspirar e vomitar arco-íris. Afinal, Rio é a típica “garota príncipe” pegadora do colégio, a garota celebridade, tal qual foi Amane Ohtori em Straberry Panic, mantendo uma posição de prestigio. Mas ela não possui o calor humano desta personagem, nesse ponto ela se assemelha muito mais a ShizumaHanazono, da mesma série. Tem um passado trágico, mantido em segredo, costuma ser fria e se utiliza daquelas que se apaixonam por ela, como se fossem objetos.

Eu realmente gosto desse tipo de personagem e a Rio me agradou completamente, pois não era possível enxergar nem um traço de bondade e respeito sequer em suas atitudes, mas era sempre honesta e conhecedora de seu status. Como personagem arquétipo que é, entre quatro paredes e longe de todos, a sua mascara caia e se mostrava uma garota solitária, que sofria calada e sem auto estima algum. Tudo parecia caminhar para o obvio, mesmo que a narrativa até tenha se mostrado em uma execução perfeita. Rio olha pela primeira vez para Sahoko e começa a se interessar por ela, largando de lado a sua atual “ficante” sem ao menos uma explicação sequer. Quando questionada se não se importava com os sentimentos dos outros, ela simplesmente diz que não. Quando Sahoko lhe diz que ela era um demônio, ela se diverte, confirma que realmente é um demônio e pergunta se a garota não gostava de demônios. Sahoko fica atônica e sem reação com a atitude de Rio. 



Parece mesmo que ia ser uma ótima história de amor, com um pequeno drama de plano de fundo com relação ao passado da garota e “fuwaaa!!!”, temos ai mais um belo romance yuri, seguindo a receitinha da formula mágica. Mas Nanae Haruno nos surpreende com uma história honesta e que foge um pouco dos padrões estabelecidos já na época de seu lançamento. Não há chás extravagantes, fanservices como; termos de senpai, sama, onee-chan, uniformes escolares super lindos (na verdade eu os achei bem elegantes), situações mais apimentadas e nem mesmo sexo (como se poderia esperar em um josei). Mas há momentos de pura ternura que pra história representa mais do que toda a “pegação” do mundo, apresenta um ponto de vista maduro, com personagens complexas, uma atmosfera depressiva que permeia o mangá, da primeira, até o penúltimo capitulo – Além de trabalhar bem temas como abuso e negligência familiar. A madrasta de Rio é uma mulher terrível. Está é uma leitura bem emocional, e apesar de Rio e Sahoko serem estudantes do ensino médio, está bem distante do que vemos em mangás escolares. Certamente não é uma história leve e revigorante, apesar de não chegar no tom melodramático de Claudine...!, aqui isso é mais sutil e menos exagerado.

Rio é depressiva e autodestrutiva, se corta e já tentou suicídio diversas vezes. Se sente rejeitada e deprimida por ser rejeitada por sua família, além do sumiço de sua mãe e a morte de sua pequena irmã. Foi internada diversas vezes e sempre foi vista como a garota problema, tanto que, sua madrasta se recusa viver sobre o mesmo teto que ela, fazendo com que a garota more sozinha em um enorme casarão. Mas ela não se importa, já que não tem esperança e nenhuma ambição para o futuro. Pra piorar a situação, ainda vive atormentada com seus traumas de infância e uma lacuna em sua mente. Por apresentar uma tendência suicida, teme que tenha sido ela a responsável pela morte de sua irmã e destruição de sua família.

Sahoko também tem um passado misterioso e não tem uma boa relação com seus pais, vivendo com sua tia. É dois anos mais velha que Rio, apesar de estarem na mesma classe. Isso foi devido a trauma do passado, onde ela apresentou um quadro de fobia social, ficando presa em seu quarto e não conseguindo encarar ninguém na rua.



Duas garotas. Um que não era verdadeiramente amada e outra que era amada demais. Nasceram em diferentes anos, mas acabaram juntas, na mesma escola e mesma classe. Convenientemente, claro, mas acaba sendo um recurso narrativo que dá força a Píeta. Elas possuem uma fraqueza e para sobreviverem, precisam uma da outra.

Sahoko parece ser uma luz em sua vida, mas os demônios de Rio, especialmente os que envolvem suas memórias fragmentadas, podem levar esse relacionamento a uma tragédia eminente. Ao menos, era a impressão que tive durante toda minha leitura. Consumi Pietà de forma voraz. Os capítulos eram longos, algo em torno de 70, distribuídos em 2 volumes. Mas apenas nem sequer reparei nesse detalhe. A história se desenvolve de forma ágil e dinâmica e Pietà atinge o seu clímax a partir do momento que as duas começam a se relacionar e o trauma de cada uma fica pairando no ar, ao mesmo tempo em que a madrasta de Rio começa a destilar suas maldades na garota, que se encontra fragilizada no momento do ataque. 



Acompanhamos Rio mais de perto, do que Sahoko, que se mostra bem mais forte e resistente que sua amada, diante as adversidades. Pietà é peculiar por apresentar um bom drama familiar, ao mesmo tempo que desenvolve o relacionamento das duas personagens principais. Os dois focos apresentados são sensacionais. A parte familiar nos faz sentir uma angustia enorme, enquanto que o romance das duas, mesmo nos piores momentos em que Rio se encontra, é emocionante. É uma amostra de companheirismo, carinho e compreensão. Senti como se fosse me desmanchar toda com o jeito carinhoso de Rio para com Sahoko. Como ela mesma disse; a Rio se desfaz de toda aquela personagem que interpretava publicamente e se mostra como uma ingênua e carente menininha de 10 anos de idade. Rio é extremamente carente, faz Sahoko prometer que sempre estará por perto quando ela abrir os olhos, que nunca a abandonará e se desespera, quando olha para os lados e não a vê. Poderia soar algo completamente forçado, mas é natural devido ao background de Rio e todo o seu trama por ter sido abandonada e deixada pra trás por sua mãe e seu pai. 

O engraçado é ver como os papeis se invertem (e eles realmente se invertem na realidade), com Rio sendo claramente o que se entende como Uke da relação (ativa) e Sahoko e Seme (passiva), sendo que na intimidade os papeis se invertem completamente. É bonitinho, é romântico, é engraçado ver a Sahoko mandona e sendo quase que uma mãe para Rio (“Eu já mandei você colocar essas meias, não já!?”) e ver como esta reage completamente resignante e desolada por ter recebido uma bronca. Mas sem dúvidas, o ápice, é ver quando Rio entra num estado mais profundo de depressão e tenta matar Sahoko e depois se matar e todas as consequências provenientes desse ato. Com medo de si mesmo e das coisas que pode fazer, Rio se afasta de Sahoko, mas esta não desiste e se mostra persistente e disposta a estar sempre ao lado da garota problemática. É um romance encantador. E igualmente, também um drama encantador.


Pietà vem da palavra italiana; “piedade” ou “misericórdia” e faz jus completamente ao titulo. Mas isso, só percebe quem leu e eu não vou entrar em detalhes aqui, falando mais do que já falei. Este é um mangá yuri, publicado na demografia Josei, serializada na extinta magazine Young You, da editora Shueisha, destinada às “mulheres jovens”. A revista infelizmente chegou ao fim em 2005, sendo casa de séries bem interessantes e “diferentonas” pro padrão estabelecido nos anos 2000. Tem um histórico de autoras talentosíssimas, como a Erica Sakurazawa, que publicou Love Vibes por lá, que inclusive já comentei aqui no blog. Inclusive, uma das várias passagens do mangá Honey and Clover, de Chica Umino, foi por essa revista.



Por fim, os desenhos da Nanae Haruno são como se não tivessem sido submetidos a uma arte final. Parece apenas um primeiro traçado feito simplesmente a lápis. Mas é belíssimo e original. Não tem aquele padrão de beleza pré-estabelecido, mas é muito bem feito e caprichado. Os cenários são simples e sem muitos detalhes de fundo. A história se desenvolve em meio à flashbaks, lapsos de memorias que vão vindo a tona e compondo o intricado quebra cabeça de Pietà. É sem dúvidas uma leitura altamente recomendada para todos os gostos, independente de se gostar ou não yuri, é uma história muito competente. Estamos diante de um pequeno clássico “Girls Love”.

P.S.: Curiosamente, Pietà nos traz a figura de psicólogos, tal qual, foi Claudine...!, explicando e situando o leitor dentre alguns tópicos discutidos na trama.

Volumes: 01 (finalizado)
Ano: 1998/1999
Autora: Nanae Haruno
Editora: Shueisha
Revista: Young You
Demografia: Josei
Gênero: Romance, Drama, Psicológico
Onde Encontrar: Aino Scanlator


One Response so far.

  1. Eu li PIetá e achei perfeito, ainda mais para a época que foi feito! ^^

    Ahh, hoje eu achei uma coisa e lembrei do Kono Ai Setsu na hora...

    Sabe aquele vídeo do SKE48, o Kataomoi Finally, que você postou a prévia dele acho que a 1 mês atrás? Então eu achei ele! ^^

    Upei ele e estou dando ele de presente para vocês! ^^

    Abaixo segue o link de download do vídeo! o/

    http://www.mediafire.com/?j8d1dvjtfpjnt1q

    PS: O PV é lindo! *___*

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